AINDA HÁ TEMPO PARA DAR FRUTO

“Senhor, deixe-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e ponha estrume. Se vier a dar fruto, muito bem. Se não der fruto, o senhor poderá cortá-la.” Lucas 13:8-9 (NAA).

A vida é um presente de Deus. Cada manhã em que abrimos os olhos significa que recebemos mais um dia, mais uma oportunidade para amar, perdoar, corrigir caminhos, aproximar-nos do Senhor e produzir frutos que revelem aquilo que Ele está fazendo em nós.

Em Lucas 13, Jesus contou a história de um homem que tinha uma figueira plantada em sua vinha. Durante três anos, ele procurou frutos naquela árvore e não encontrou. A figueira estava em boa terra, ocupava um lugar privilegiado e recebia cuidados, mas continuava estéril. O problema não era falta de oportunidade; era ausência de resultado.

Essa parábola aparece logo depois de Jesus falar sobre duas tragédias: alguns galileus haviam sido mortos por Pilatos e dezoito pessoas morreram quando a torre de Siloé caiu sobre elas. Em vez de permitir que Seus ouvintes discutissem se aquelas pessoas eram mais pecadoras do que as outras, Jesus voltou a atenção para quem ainda estava vivo e advertiu: “se, porém, não se arrependerem, todos vocês também perecerão.” Lucas 13:3 (NAA).

A mensagem era clara: em vez de perguntar por que a vida de alguém terminou, precisamos perguntar o que estamos fazendo com a vida que Deus ainda nos concede.

A figueira havia recebido tempo, espaço e cuidado, mas o dono procurava fruto. Isso também nos faz pensar sobre nossa vida espiritual.

Podemos frequentar uma igreja durante muitos anos, conhecer muitos versículos, cantar louvores, participar de reuniões e até ocupar funções, mas Deus não procura apenas folhas de aparência religiosa. Ele procura frutos.

Esses frutos aparecem na maneira como tratamos nossa família, na honestidade com que trabalhamos, na disposição para perdoar, no abandono do pecado, no amor ao próximo, na humildade para reconhecer nossos erros e no desejo de obedecer à Palavra de Deus.

Alguém pode dizer: “Estou na igreja há vinte anos.” A pergunta da parábola não é apenas há quanto tempo estamos plantados. A pergunta é: que frutos esse tempo produziu em nós?

Uma pessoa que antes era dominada pela ira está aprendendo a controlar suas palavras? Alguém que guardava ressentimento começou a perdoar? Quem vivia apenas para si passou a perceber a necessidade do próximo? Quem estava distante de Deus começou a buscar Sua presença? Isso é fruto.

Há, porém, uma das frases mais bonitas da parábola. Quando o dono manda cortar a figueira, o homem que cuidava da vinha pede: “Senhor, deixe-a ainda este ano.” Essa expressão fala de misericórdia.

A figueira merecia ser cortada, mas recebeu mais tempo. O viticultor ainda cavaria ao redor dela, colocaria adubo e voltaria a cuidar de suas raízes. Havia uma nova oportunidade.

Quantas vezes Deus também fez isso conosco! Houve momentos em que erramos, prometemos mudar e voltamos a cometer os mesmos erros. Mesmo assim, recebemos outra manhã, outra Palavra, outra oportunidade de oração, outro culto, outro conselho, outra ocasião para recomeçar.

Algumas vezes, Deus permite que determinadas circunstâncias mexam profundamente conosco. Uma conversa pode nos despertar. Uma pregação pode revelar algo escondido. Uma perda pode fazer-nos repensar prioridades. Uma enfermidade pode lembrar-nos da fragilidade da vida. Até uma crise pode fazer com que raízes endurecidas sejam novamente alcançadas. É como se a terra estivesse sendo cavada ao redor da figueira. Nem sempre esse processo é confortável, mas pode ser uma expressão da misericórdia de Deus trabalhando em nós.

Jesus ensinou posteriormente: “Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.” João 15:5 (NAA).

Aqui está o segredo. Não produzimos fruto simplesmente fazendo força para parecermos melhores. O verdadeiro fruto nasce de uma vida ligada a Cristo. Quanto mais permanecemos nEle, ouvimos Sua Palavra e permitimos que Ele transforme nosso coração, mais Sua vida aparece em nossas atitudes.

Mas a parábola também contém uma advertência. O viticultor pediu mais um ano, não tempo ilimitado. A oportunidade recebida deveria produzir uma resposta.

Por isso, não devemos transformar a paciência de Deus numa desculpa para adiar decisões. “Um dia vou mudar.” “Depois procurarei o Senhor.” “Mais tarde abandonarei esse pecado.” “Quando tiver mais tempo, cuidarei da minha vida espiritual.” Ninguém sabe quanto tempo ainda possui.

Hoje estamos vivos. Hoje podemos nos arrepender. Hoje podemos pedir perdão. Hoje podemos abandonar aquilo que desagrada a Deus. Hoje podemos entregar nossa vida a Jesus.

Talvez você olhe para os últimos anos e perceba poucos frutos. Não use isso apenas para se condenar. Enquanto Deus lhe concede este dia, existe oportunidade para recomeçar.

A grande pergunta da parábola não é: “Quanto tempo ainda me resta?” É: “Que fruto estou produzindo no tempo que Deus está me dando?”

Cada novo dia é misericórdia, mas também responsabilidade. A figueira recebeu mais tempo porque ainda havia esperança de fruto. E enquanto Deus nos concede hoje, ainda há tempo para responder à Sua graça.

Cada novo dia não é apenas mais tempo de vida; é mais uma oportunidade que a misericórdia de Deus nos concede para que nossas raízes sejam tratadas, nossa vida seja transformada e os frutos que Ele espera finalmente apareçam.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/ago/26

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