ANTES DO NOSSO PÃO, O NOME DELE
“Portanto,
orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome’.” Mateus
6:9 (NAA)
Nos próximos cinco
dias, estaremos meditando sobre a oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos.
E o primeiro ensino que encontramos nela é fundamental: a quem devem ser
dirigidas as nossas orações. Antes de ensinar o que pedir, Jesus nos ensina a
quem devemos orar.
Quando Jesus
ensinou os discípulos a orar, não começou pelas necessidades humanas. Não
começou falando do pão, do perdão, dos problemas ou dos perigos da vida. Antes
de apresentar qualquer pedido, ensinou-os a voltar o coração para Deus e a
reconhecer quem Ele é. Por isso, a oração começa com estas palavras: “Pai
nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome.”
A primeira lição,
portanto, não está no pedido, mas no destinatário da oração. Jesus nos ensina
que a verdadeira oração começa em Deus, reconhecendo-O como Pai, Senhor
soberano e digno de toda honra.
E as duas primeiras
palavras já nos ensinam muito: “Pai nosso.” Jesus poderia ter começado
dizendo “Deus Todo-Poderoso”, “Criador dos céus e da terra” ou “Senhor
de todas as coisas”. Tudo isso seria verdadeiro. Mas Ele escolheu uma
palavra que revela relacionamento: Pai. Nela encontramos proximidade, cuidado,
confiança, amor e pertencimento.
Quando nos
aproximamos de Deus por meio de Jesus, não estamos falando com uma força
distante nem com Alguém indiferente às nossas dores. Aproximamo-nos dEle como
filhos que chegam ao pai. Podemos falar das nossas alegrias, medos,
necessidades, dúvidas e lágrimas. E há momentos em que nem conseguimos explicar
o que sentimos; ainda assim, podemos simplesmente dizer: “Pai, eu preciso
de Ti.”
E talvez essa seja
uma das maiores verdades da oração: antes de abrir a boca para apresentar uma
necessidade, podemos abrir o coração diante de um Pai.
Pense em alguém que
recebe uma notícia preocupante, enfrenta dificuldades dentro de casa, perde o
emprego ou percebe que as contas do mês serão maiores do que o dinheiro
disponível. A primeira reação pode ser o medo. Mas aquele que conhece Deus
pode, mesmo com o coração apertado, dizer: “Pai, eu não sei como resolver
isso, mas sei que não estou sozinho.”
Há, porém, uma
palavra muito importante nessa oração. Jesus não ensinou “Pai meu”, mas
“Pai nosso”. Isso nos lembra que a vida cristã não pode ser vivida
apenas pensando em nós mesmos. Quando digo “Pai nosso”, reconheço que
faço parte de uma família. Existem outros filhos que também precisam de
cuidado, oração, consolo e ajuda.
Não faz sentido
pedir a Deus o pão de cada dia e fechar os olhos para alguém que está passando
necessidade. Não combina chamar Deus de “Pai nosso” e guardar mágoa
contra um irmão. A oração nos aproxima de Deus, mas também deve nos tornar mais
sensíveis às pessoas.
Depois, Jesus diz:
“que estás nos céus”. Aqui encontramos um equilíbrio maravilhoso. Deus é
Pai, por isso está perto; mas está nos céus, por isso está acima de nós.
Podemos ter intimidade com Ele sem perder a reverência.
Nós vemos a vida da
terra. Deus vê do alto. Nós enxergamos apenas o momento que estamos vivendo;
Ele conhece aquilo que ficou para trás, aquilo que está acontecendo agora e
aquilo que ainda virá. Muitas vezes olhamos para uma porta fechada e pensamos
que tudo acabou. Deus, porém, conhece caminhos que ainda nem conseguimos
enxergar.
Por isso, talvez
uma das maiores verdades dessa oração seja esta: o problema pode ser maior
do que as minhas forças, mas nunca será maior do que o meu Pai.
Então chegamos às
palavras: “santificado seja o Teu nome”. Não estamos pedindo que Deus Se
torne santo, porque Ele já é santo. Estamos dizendo que desejamos que Seu nome
seja reconhecido, honrado e glorificado. É como se disséssemos: “Pai, que a
minha vida mostre às pessoas quem Tu és.”
Isso transforma a
oração em compromisso. Não podemos dizer no culto da noite “santificado seja
o Teu nome” e, durante o dia, viver de uma maneira que envergonhe esse
nome.
Santificamos o nome
de Deus quando somos honestos mesmo quando ninguém está olhando; quando
tratamos nossa família com amor; quando recusamos uma vantagem desonesta no
trabalho; quando nossas palavras nas redes sociais combinam com aquilo que
professamos na igreja; quando cumprimos nossa palavra e quando nossas atitudes
fazem as pessoas perceberem que pertencemos a Cristo.
Paulo resume esse
princípio dizendo: “Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer
outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31
(NAA).
Observe, então, a
ordem ensinada por Jesus. Antes de “dá-nos”, vem “santificado seja”.
Antes do nosso pão, vem o nome dEle. Antes das nossas necessidades, vem a
glória dEle. Antes de pedir que Deus cuide daquilo que é nosso, aprendemos a
desejar aquilo que honra a Ele.
Toda vez que
começarmos a orar, podemos nos lembrar de três verdades muito simples: quando
digo “Pai nosso”, lembro-me de quem eu sou — filho; quando digo “que
estás nos céus”, lembro-me de quem Ele é — Deus soberano; e quando digo
“santificado seja o Teu nome”, lembro-me de como devo viver —
para a Sua glória.
A oração começa a
mudar verdadeiramente a nossa vida quando deixamos de usá-la apenas para dizer
a Deus o que queremos e permitimos que ela também nos ensine a viver como Ele
deseja.
A verdadeira oração
começa quando, antes de colocarmos nossas necessidades diante de Deus,
colocamos nossa vida diante dEle e dizemos: “Pai, que acima de tudo o Teu
nome seja glorificado em mim.”
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
19/ago/26
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