“..._venha o
teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Mateus
6:10 (NAA).
Quando Jesus
ensinou os discípulos a orar, mostrou também a ordem que deve existir em nosso
coração. Antes de falar do pão, do perdão ou do livramento, Ele ensinou a
buscar aquilo que pertence a Deus: Seu nome, Seu Reino e Sua vontade. Isso nos
ensina que a oração não começa com aquilo que queremos receber, mas com o
reconhecimento de quem Deus é e do lugar que Ele deve ocupar em nossa vida.
Jesus ensinou a
pedir: “venha o teu Reino”. O Reino de Deus não é um país,
um território ou um governo como conhecemos neste mundo. Falar do Reino de Deus
é falar do Seu governo, da Sua autoridade e do Seu domínio. Portanto, quando
pedimos que venha o Seu Reino, estamos dizendo: “Senhor, governa a
minha vida.”
É muito fácil
desejar que Deus governe o mundo. Queremos que Ele mude a sociedade, transforme
nossa família, alcance nossos filhos, restaure nossa igreja e corrija tantas
coisas que vemos ao nosso redor. Mas a pergunta mais importante é outra: Deus
está governando o meu coração?
Podemos pedir que
Deus mude os outros e continuar resistindo àquilo que Ele deseja mudar em nós.
Podemos pedir que nossos filhos façam a vontade de Deus, mas não aceitar quando
a Palavra confronta nossas próprias atitudes. Podemos pedir paz dentro de casa
e continuar alimentando uma mágoa. Podemos pedir que Deus abençoe nossos
relacionamentos e, ao mesmo tempo, não querer perdoar. O Reino de Deus precisa
começar dentro de nós.
Quando Deus reina,
Ele passa a ter autoridade sobre nossas escolhas. Antes de tomar uma decisão
profissional, perguntamos o que agrada a Ele. Antes de responder a alguém com
raiva pelo celular, pensamos se nossas palavras honram o Seu nome. Antes de
entrar em um relacionamento, fazer um negócio ou escolher determinado caminho,
buscamos Sua direção. Isso é permitir que Deus governe a vida diária.
Depois Jesus
acrescenta: “seja feita a tua vontade”. Talvez essa seja
uma das frases mais fáceis de repetir e uma das mais difíceis de viver.
Todos temos vontade
própria. Fazemos planos, sonhamos, criamos expectativas e apresentamos nossos
pedidos a Deus. Não há nada errado nisso. Podemos contar a Ele o que desejamos.
O problema começa quando só consideramos Deus bom se Ele fizer exatamente o que
pedimos.
Às vezes oramos por
determinado emprego e a oportunidade não aparece. Pedimos que uma porta se
abra, mas ela permanece fechada. Oramos pela solução rápida de um problema
familiar, mas precisamos esperar. Planejamos algo durante meses e, de repente,
tudo muda. Nessas horas, dizer “seja feita a Tua vontade”
deixa de ser apenas uma frase bonita e passa a ser uma verdadeira entrega.
Fazer essa oração
não significa abandonar nossos sonhos nem deixar de lutar. Também não significa
falta de fé. Significa reconhecer que Deus vê aquilo que nós não vemos. Nós
conhecemos apenas o momento presente; Ele conhece todo o caminho. Por isso,
podemos dizer: “Pai, isto é o que eu desejo, mas confio mais no que
Tu sabes do que naquilo que eu consigo enxergar.”
O próprio Jesus
viveu isso no Getsêmani. Diante do sofrimento que estava prestes a enfrentar,
Ele abriu Seu coração ao Pai, falou de Sua angústia e submeteu-Se à vontade
dEle. Mateus 26:39. Jesus nos mostra que fé não significa esconder o que
sentimos. Podemos chorar, pedir, desejar uma resposta diferente e, ainda assim,
confiar em Deus.
Finalmente, Jesus
diz: “assim na terra como no céu”. É como se estivéssemos
pedindo: “Senhor, que a Tua vontade encontre em mim a mesma obediência que
encontra no céu.” E isso torna essa oração profundamente pessoal.
Antes de pedirmos: “Senhor,
muda o mundo”, talvez devamos perguntar: “Senhor, o que
precisa ser mudado em mim?”
Antes de desejarmos
que os outros obedeçam a Deus, precisamos examinar nossa própria obediência.
Antes de pedirmos que Seu Reino apareça ao nosso redor, precisamos permitir que
Seu governo seja visto em nossas escolhas, palavras e atitudes.
Mateus 6:10 nos
ensina que oração não é uma tentativa de convencer Deus a entrar em nossos
planos. É também o momento em que colocamos nossos planos diante dEle e
dizemos: “Tu és o Rei. Eu confio em Ti. Que a Tua vontade prevaleça.”
Há momentos em que
Deus realizará exatamente aquilo que pedimos. Em outros, Sua resposta será
diferente. Mas quem aprendeu a dizer “venha o Teu Reino”
também aprende a descansar dizendo “seja feita a Tua vontade”.
A oração mais
profunda não é aquela em que conseguimos fazer Deus seguir os nossos planos,
mas aquela em que confiamos o suficiente para colocar nossos planos nas mãos
dEle e permitir que Ele governe o caminho.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
20/ago/26
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