DESCULPAS PARA NÃO OBEDECER

“Nós tocamos flauta, mas vocês não dançaram; entoamos lamentações, mas vocês não choraram.” Lucas 7:32 (NAA).

Jesus usou uma cena muito simples do cotidiano para revelar um problema muito sério do coração humano. Ele falou de crianças sentadas numa praça, chamando outras para brincar. Primeiro tocaram flauta, como numa ocasião de alegria, mas ninguém quis dançar. Depois entoaram lamentações, como numa ocasião de tristeza, mas ninguém quis chorar. Nada parecia agradar.

Jesus não estava simplesmente falando sobre crianças difíceis. Ele estava mostrando como muitas pessoas de Sua geração reagiam à mensagem de Deus. Qualquer que fosse a forma usada por Deus para falar, elas encontravam uma razão para rejeitá-la.

João Batista havia chegado com uma vida muito simples e austera. Sua mensagem era firme. Ele chamava as pessoas ao arrependimento e vivia de maneira diferente da sociedade ao seu redor. Jesus lembrou que João não vivia participando de refeições e bebendo vinho, mas, mesmo assim, algumas pessoas diziam que ele tinha demônio. (Lucas 7:33).

Depois veio Jesus. Sua maneira de agir era diferente. Ele Se aproximava das pessoas, aceitava convites para refeições, conversava com publicanos e pecadores e entrava em lugares onde muitos religiosos não gostariam de entrar. Então criticaram também Jesus. Chamaram-nO de glutão, bebedor de vinho e amigo de publicanos e pecadores. (Lucas 7:34).

Perceba a contradição. João vivia de uma maneira, e reclamavam dele. Jesus agia de outra maneira, e reclamavam também. João era austero demais. Jesus era acessível demais. João se afastava das festas. Jesus sentava-Se à mesa com pecadores. Para quem não queria ouvir, sempre havia alguma coisa errada.

O problema, portanto, não estava em João nem em Jesus. Estava no coração daqueles que já haviam decidido resistir ao chamado de Deus. O próprio contexto mostra que os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram o plano de Deus para eles. (Lucas 7:30). Isso continua acontecendo em nossos dias.

Há pessoas que dizem: “Essa igreja é séria demais, o povo não dá um aleluia!” Quando chegam a outra onde há mais alegria, dizem: “Aqui o povo bate muita palma - é animado demais.” Se o pregador fala sobre pecado e arrependimento, reclamam: “Só fala de condenação.” Se fala sobre graça, amor e perdão, dizem: “Hoje ninguém mais prega contra o pecado.”

Se a mensagem confronta nossa maneira de viver, dizemos que o pregador foi duro demais. Se a mensagem traz consolo, alguém poderá dizer que faltou firmeza. Se Deus usa uma pessoa simples, questionamos sua preparação. Se usa alguém muito preparado, podemos dizer que fala de maneira difícil.

Naturalmente, isso não significa que toda igreja, todo pregador ou toda mensagem esteja acima de qualquer avaliação. A própria Bíblia nos ensina a examinar aquilo que ouvimos. “Ora, estes de Bereia eram mais nobres do que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.” Atos 17:11 (NAA). O perigo aparece quando a crítica deixa de ser discernimento e passa a ser uma desculpa para não obedecer.

É possível chegar ao culto já decidido a não ouvir. É possível abrir a Bíblia procurando apenas confirmação para aquilo que já queremos fazer. É possível ouvir uma palavra que confronta exatamente uma área de nossa vida e, em vez de perguntar “O que Deus quer mudar em mim?”, começar a procurar defeitos em quem falou.

Às vezes Deus toca a flauta e não queremos dançar. Outras vezes Ele traz uma palavra que nos chama ao arrependimento e não queremos chorar. Mudamos as desculpas, mas mantemos a mesma resistência.

Jesus termina dizendo que a sabedoria é justificada por todos os seus filhos. (Lucas 7:35). Em outras palavras, os resultados acabam mostrando que o caminho de Deus é verdadeiro. João e Jesus eram muito diferentes na maneira de exercer Seus ministérios, mas ambos estavam dentro do propósito de Deus.

Por isso, precisamos tomar cuidado para não exigir que Deus fale conosco somente da maneira que preferimos. Ele pode usar uma palavra de consolo ou uma palavra de correção. Pode usar alguém que conhecemos ou alguém que nunca vimos. Pode falar no silêncio de uma oração, durante uma pregação, na leitura da Bíblia ou através de uma situação que nos obrigue a parar e pensar.

A pergunta mais importante não é: “Gostei da maneira como Deus falou?” A pergunta é: “Estou disposto a ouvir o que Deus está me dizendo?”

Porque, quando o coração deseja obedecer, ele procura compreender a voz de Deus. Mas, quando já decidiu resistir, quase sempre encontrará alguma razão para rejeitar o mensageiro e continuar exatamente como está.

Quando o coração não quer obedecer, sempre encontra um defeito na maneira como Deus fala; quando deseja agradá-Lo, até uma palavra que dói pode tornar-se caminho de transformação.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/set/26

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