PERSEVERE ATÉ O FIM

“..._Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?”  Lucas 18:8 (ARC).

Eu tenho alguns textos bíblicos que estão ligados diretamente ao cenário mundial e ao motivo de nossa reflexão.

O primeiro é o nosso texto básico, que levanta um questionamento: Haverá fé na terra quando Cristo voltar?

Vivemos na expectativa da volta do Senhor Jesus. Assim Ele prometeu nas Escrituras. Quando Jesus encerra a parábola da viúva persistente, essa pergunta vem à tona. Fica evidente que o questionamento não é simplesmente se existirá alguma pessoa crendo, mas chama a atenção para a perseverança da fé: haverá uma fé verdadeira, firme e perseverante enquanto se aguarda a Sua vinda?

O outro texto, que segue a mesma linha de raciocínio, encontra-se em Mateus 24:12 e menciona um esfriamento do amor em consequência da multiplicação da iniquidade na terra.

Nesse texto, Jesus fala dos acontecimentos que antecedem Sua vinda. A multiplicação da iniquidade produziria um ambiente no qual o amor de muitos se tornaria frio. Os dois textos podem ser aproximados muito bem. Em Lucas 18:8, temos um sério questionamento a respeito da perseverança da fé; em Mateus 24:12, fica patente o esfriamento do amor. O que traz esperança em meio a toda essa tristeza e conflito humano é o complemento apresentado por Mateus, que assevera: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mateus 24:13 (ARC).

A notícia de uma crise no cristianismo, com fiéis abandonando o Evangelho, está largamente divulgada nos noticiários. O cristianismo tem perdido espaço em muitas partes do mundo, fazendo com que muitas igrejas sejam abandonadas ou transformadas em espaços de lazer.

Existe, inclusive, tristemente, o compartilhamento de igrejas entre diferentes confissões cristãs. Há notícias de que existem atualmente 65 das chamadas “igrejas simultâneas”, templos utilizados por católicos e protestantes, com regras específicas sobre os horários e até sobre quem poderia utilizar cada parte do templo.

Na Europa, o número de cristãos tem caído assustadoramente, assim como o número de igrejas em funcionamento. A notícia que chega é que, todos os anos, dezenas são abandonadas, demolidas ou adaptadas para outras finalidades. Em alguns casos, os altares têm dado espaço para baladas, bares e até mesmo paredes de escalada. As igrejas estão cada vez mais vazias e enfrentam dificuldades para se sustentar.

A pesquisadora do Instituto de História da Arte da Universidade de Colônia, Stefanie Lieb, disse que as igrejas precisam ter outras atividades para se manter no futuro: “No futuro, de cada dez igrejas, quatro ou cinco não serão mais usadas somente como espaço de culto”, afirmou em entrevista à emissora WDR.

Na Alemanha, por exemplo, cobra-se imposto dos cidadãos que se identificam como religiosos, sendo esse um fator que pode também contribuir para a queda no número de pessoas formalmente vinculadas às igrejas.

Diante desse cenário, percebemos sinais preocupantes de enfraquecimento da fé e de esfriamento do amor. Essas situações nos fazem refletir com ainda maior seriedade sobre as palavras proféticas de Jesus e sobre a necessidade de permanecermos vigilantes enquanto aguardamos Sua vinda.

Em face de toda essa situação que o cenário mundial nos apresenta, a pergunta que nos resta fazer é: como está a minha fé? Como está o meu amor?

A Bíblia nos aponta uma direção firme: a perseverança. É justamente por isso que Mateus 24:13 é tão importante. Jesus não apenas anunciou o esfriamento do amor; Ele mostrou como Seu servo deve atravessar esse tempo: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mateus 24:13 (ARC).

A responsabilidade diante de Deus é pessoal. Ninguém pode crer em meu lugar, perseverar em meu lugar ou manter minha comunhão com Deus em meu lugar. Se minha igreja está fria ou vazia, não devo olhar apenas para aqueles que estão ao meu lado e atribuir a eles toda a responsabilidade. Preciso, antes de tudo, olhar para dentro de mim e perguntar: o que estou fazendo diante dessa situação? Estou orando? Estou jejuando? Estou colocando essa necessidade no altar do Senhor? Estou contribuindo para que a Igreja permaneça viva, fiel e comprometida com Deus?

Cada um de nós tem uma grande responsabilidade diante do Senhor. A fé habita no coração, mas não é produzida pela nossa própria capacidade. Ela é alimentada pela Palavra de Deus, pela comunhão com o Senhor, pela oração e por uma vida de dependência dEle. Como afirma a Escritura: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” Romanos 10:17 (ARC).

Por isso, preciso cuidar da minha vida espiritual, buscar ao Senhor e permitir que Sua Palavra fortaleça continuamente a minha fé.

Da mesma forma, minha vida precisa ser santificada. Não porque a santificação seja o mérito pelo qual alcançamos a salvação, pois somos salvos pela graça de Deus, mas porque uma vida santificada é consequência de uma verdadeira comunhão com o Senhor e expressão de uma fé que deseja agradá-Lo.

O amor pelas almas, o comprometimento com o culto, a participação nas reuniões, a oração, a comunhão, a obediência à Palavra e o compromisso com as orientações espirituais não podem ser abandonados justamente quando o mundo caminha em direção ao esfriamento.

Retorno, então, à pergunta feita há mais de dois mil anos e que continua tão atual: “Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?” Lucas 18:8 (ARC).

A questão, no final, deixa de ser apenas sobre “os outros” e passa a ser sobre nós. Não é apenas: haverá fé no mundo? É: Ele encontrará fé em mim? Não é apenas: o amor de muitos esfriará? É: o meu amor permanecerá aceso?

Em um mundo em que muitos poderão esfriar, a palavra de Jesus para Sua Igreja continua sendo a mesma: perseverar até o fim.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/ago/26

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