QUANDO A CASA DO
PAI VOLTA A TER MÚSICA
“Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando
voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.” Lucas
15:25 (NAA).
A parábola do filho pródigo é uma das histórias mais
conhecidas contadas por Jesus. Um jovem decidiu deixar a casa do pai, recebeu
sua parte da herança e foi para uma terra distante. Ali, gastou tudo o que
possuía. Quando o dinheiro terminou, os amigos desapareceram, veio a
necessidade e ele começou a sentir fome. Aquele rapaz que havia saído de casa
procurando liberdade acabou descobrindo que estar longe do pai não lhe trouxe a
felicidade que imaginava.
Essa história continua muito atual. Há pessoas que pensam
que serão felizes se tiverem mais dinheiro, mais liberdade, mais diversão ou se
puderem viver sem qualquer compromisso com Deus. Algumas conseguem conquistar
muitas coisas e, mesmo assim, continuam sentindo um vazio que nada consegue
preencher. Outras se afastam da igreja, deixam a oração, abandonam a Palavra e
começam a procurar no mundo aquilo que somente Deus pode oferecer.
Foi isso que aconteceu com aquele filho. No momento de maior
necessidade, ele se lembrou da casa do pai. Ali havia alimento. Ali havia
cuidado. Ali havia um lugar ao qual ele poderia voltar. Então tomou uma
decisão: levantou-se e iniciou o caminho de volta.
Essa é uma das partes mais bonitas da parábola. O pai não
mandou soldados buscá-lo, não o obrigou a regressar e não o trouxe à força. O
filho reconheceu sua situação, arrependeu-se e decidiu voltar. Mas, quando
ainda estava longe, o pai o viu, teve compaixão, correu em sua direção,
abraçou-o e beijou-o.
Que retrato maravilhoso do coração de Deus!
Talvez alguém esteja lendo esta mensagem e pensando que foi
longe demais. Talvez tenha cometido erros, tomado decisões ruins ou se afastado
tanto que já não acredita ser possível recomeçar. A parábola nos ensina que
existe um Pai que recebe aquele que volta arrependido. Deus não recebe o
pecador arrependido com uma lista de humilhações. Ele o recebe com
misericórdia.
O filho havia preparado um discurso. Sabia que havia pecado
e já não se considerava digno de ser chamado filho. O pai, porém, mandou trazer
a melhor roupa, colocar um anel em seu dedo e sandálias em seus pés. Depois
ordenou que preparassem uma festa. Esses gestos mostram acolhimento, dignidade
restaurada e pertencimento. Aquele rapaz havia voltado para casa e era
novamente recebido no convívio da família.
Então a casa se encheu de alegria. Havia comida, música e
danças. Por quê?
Porque alguém que estava perdido havia sido encontrado.
Alguém que estava como morto havia voltado à vida. O próprio pai explicou a
razão da festa: aquele filho estava perdido e foi achado.
É aqui que encontramos uma preciosa lição sobre o louvor. A
verdadeira salvação produz alegria. Quando entendemos aquilo que Deus fez por
nós, nasce gratidão no coração. O louvor deixa de ser apenas música e passa a
ser a resposta de alguém que sabe de onde foi tirado e para onde Deus o está
conduzindo.
Davi conhecia essa experiência quando orou: “Restitui-me
a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.” Salmos
51:12 (NAA).
Observe a ligação entre salvação e alegria. Quando uma
pessoa reconhece seus pecados, volta-se para Deus e experimenta Seu perdão, há
razões para louvar.
Talvez hoje alguém esteja vivendo como aquele filho: cercado
por pessoas, conectado às redes sociais, trabalhando, estudando, sorrindo para
fotografias e, ainda assim, sentindo fome na alma. Pode haver comida sobre a
mesa e faltar paz no coração. Pode haver uma casa cheia de coisas e uma vida
interior completamente vazia.
Jesus continua sendo o Caminho de volta ao Pai. Ele mesmo
declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão
por mim.” João 14:6 (NAA).
Não importa a distância que você percorreu na direção
errada. Enquanto há vida, existe a oportunidade de voltar. Arrependimento é
reconhecer que estamos longe e decidir mudar de direção.
E há algo maravilhoso esperando no caminho de volta: o Pai
não recebe com indiferença aquele que retorna. Ele Se alegra.
A música e as danças daquela casa anunciavam que a história
daquele jovem não havia terminado no lugar da fome. Havia recomeço. Havia
perdão. Havia restauração. Havia uma família esperando por ele.
É também por isso que a Igreja louva. Não porque todos os
nossos problemas desapareceram, mas porque fomos alcançados por uma salvação
maior do que os nossos problemas. Louvamos porque Jesus abriu o caminho para a
casa do Pai.
Se você está longe, volte hoje.
Talvez você esteja pensando em tudo o que perdeu. Deus está
lhe mostrando aquilo que ainda pode encontrar. Na casa do Pai há perdão,
comunhão, esperança e alegria.
Quando um coração encontra o caminho de volta para Deus, a
tristeza da distância dá lugar à alegria da salvação, e a casa do Pai volta a
ter música.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
16/ago/26
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