QUANDO A VIDA É MEDIDA PELA ETERNIDADE

“Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à Tua presença, o prazo da minha vida é nada.” Salmos 39:5 (NAA).

Vivemos em uma época em que existe grande preocupação em prolongar a vida. As pessoas cuidam mais da alimentação, fazem exercícios, realizam exames, procuram médicos e acompanham os avanços da ciência. Tudo isso é importante. Cuidar da saúde é também valorizar a vida que Deus nos concedeu. Entretanto, por mais que a medicina avance e por mais que consigamos acrescentar anos à existência humana, continua existindo uma realidade que ninguém pode evitar: nossa vida neste mundo tem um limite.

Foi exatamente essa realidade que levou Davi a fazer uma oração muito profunda. Em Salmos 39:4, ele pede ao Senhor que lhe faça compreender o seu fim, a extensão dos seus dias e a sua fragilidade. Davi não parece estar pedindo que Deus revele a data de sua morte. Ele deseja algo mais importante: aprender a viver consciente de que sua passagem pela terra é breve.

Normalmente fazemos o contrário. Vivemos como se tivéssemos muito tempo. Adiamos uma reconciliação, deixamos para amanhã uma visita, protelamos uma decisão importante, trabalhamos excessivamente para conquistar coisas que talvez nem consigamos desfrutar. Às vezes passamos anos preocupados em construir uma vida confortável e dedicamos pouco tempo àquilo que realmente permanecerá.

Davi compara seus dias a poucos palmos. Um palmo é uma medida pequena. É como se ele olhasse para toda a sua existência e percebesse: “Minha vida parece grande para mim, mas é muito pequena diante de Deus.” Essa é uma das grandes lições do salmo. Nossa percepção do tempo muda quando olhamos para a vida a partir da perspectiva da eternidade.

Uma pessoa pode chegar aos oitenta, noventa ou até mais anos e olhar para trás com a sensação de que tudo passou muito rápido. Os filhos cresceram, os cabelos ficaram brancos, os amigos envelheceram, algumas pessoas queridas partiram, e aquilo que parecia tão distante chegou quase sem percebermos. A infância parece ter sido ontem. O casamento parece ter acontecido há pouco. Os filhos que carregávamos nos braços agora têm suas próprias famílias. A vida passa.

Isso não deve nos levar ao medo nem à tristeza. Davi não descobre a brevidade da vida para cair no desespero. Ele a descobre para colocar sua esperança no lugar certo. Mais adiante, em Salmos 39:7, ele reconhece que sua esperança está no Senhor. Essa é a grande mudança de perspectiva: quando percebemos que tudo nesta terra passa, aprendemos a colocar nossa confiança nAquele que permanece para sempre.

Imagine alguém que passou décadas acumulando dinheiro, propriedades e bens, mas quase não teve tempo para a família, para os amigos e para Deus. Um dia percebe que possui muitas coisas, mas não pode comprar mais uma manhã de vida. Em contraste, pense em alguém que trabalhou, planejou, construiu seus projetos, mas entendeu que essas coisas nunca poderiam ocupar o lugar de Deus. Essa pessoa aprendeu a desfrutar o presente, amar sua família, perdoar, servir e caminhar com o Senhor.

A pergunta do Salmo 39 continua atual: se nossos dias são tão breves, como estamos vivendo?

Talvez exista alguém a quem você precise pedir perdão. Talvez haja uma palavra de carinho que você vem adiando. Talvez você esteja esperando uma ocasião melhor para buscar mais a Deus, reorganizar sua vida espiritual ou abandonar algo que sabe que não agrada ao Senhor. O problema é que costumamos pensar: “Depois eu faço.” Mas Davi nos lembra que nossos dias possuem medida.

Isso não significa viver angustiado pensando na morte. Significa justamente o contrário: aprender a valorizar a vida. Quem entende que o tempo é precioso começa a escolher melhor onde coloca seu coração. Aprende que algumas discussões não valem a pena, que certos ressentimentos ocupam espaço demais, que dinheiro é necessário, mas não é eterno, e que sucesso nenhum substitui uma vida em comunhão com Deus.

Diante da eternidade, nossas prioridades são reorganizadas. O homem é passageiro; Deus permanece. Nossos dias têm começo e fim; Ele é eterno. Nossas forças diminuem; Seu amor permanece. Nossas conquistas ficam para trás; aquilo que fazemos em comunhão com Ele ganha significado eterno.

Por isso, não peça apenas a Deus muitos anos de vida. Peça-Lhe sabedoria para viver bem os anos que Ele lhe conceder. Não se preocupe somente com quanto tempo ainda resta, mas com o que você está fazendo com o tempo que já recebeu.

Um dia, todos nós terminaremos nossa caminhada neste mundo. Até lá, que possamos viver de maneira que, quando olharmos para trás, não vejamos apenas anos acumulados, mas uma história vivida na presença de Deus. Porque a verdadeira grandeza da vida não está em sua duração, mas em Quem caminhou conosco durante todos os nossos dias e em Quem depositamos nossa esperança para a eternidade.

Quando aprendemos a medir nossos dias à luz da eternidade, descobrimos que viver bem não é simplesmente viver muito, mas viver cada dia na presença de Deus e com o coração preparado para encontrá-Lo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/ago/26


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