“Porque todo
o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado.”
Lucas 14:11 (NAA).
Nossa Constituição
afirma que todos são iguais perante a lei. Essa igualdade é indispensável para
a vida em sociedade: ninguém deveria ser considerado superior ou inferior
diante da lei por causa de sua origem, condição social, sexo ou qualquer outra
característica. Mas, quando passamos da lei dos homens para a Palavra de Deus,
precisamos compreender de que igualdade estamos falando.
A Bíblia não ensina
que todas as pessoas são iguais em capacidade, inteligência, beleza, força,
oportunidades ou talentos. Algumas cantam, outras não. Algumas ensinam com
facilidade, outras trabalham melhor com as mãos. Algumas ocupam posições de
destaque, enquanto outras realizam silenciosamente tarefas que quase ninguém
percebe. Somos diferentes em muitas coisas.
Entretanto, há algo
que nos coloca no mesmo chão diante de Deus: todos fomos criados por Ele e
todos dependemos igualmente de Sua graça.
A Bíblia diz: “Assim
Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher
os criou.” Gênesis 1:27 (NAA). Isso significa que o ser humano possui
uma dignidade que não depende de riqueza, inteligência, posição social ou
utilidade. Ao mesmo tempo, essa dignidade não significa que tenhamos algum
mérito capaz de obrigar Deus a nos salvar. É justamente aqui que a cruz se
torna tão extraordinária.
Jesus não morreu
por nós porque éramos bons o bastante, justos o bastante ou merecedores de Seu
sacrifício. Paulo escreveu: “Porque Cristo, quando nós ainda éramos
fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.” Romanos 5:6 (NAA). E
acrescentou: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de
Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores.” Romanos 5:8
(NAA). Essa diferença é fundamental.
Cristo não morreu
porque encontrou em nós méritos suficientes para justificar Seu amor. Ele nos
amou porque o amor faz parte de Quem Deus é. A cruz não demonstra o tamanho de
nossa bondade; demonstra a grandeza de Sua graça.
Imagine alguém que
ajuda somente aqueles que podem retribuir. Existe aí uma troca. Mas quando
alguém ajuda quem nada pode oferecer em retorno, começamos a compreender melhor
o significado da graça. Foi isso que aconteceu conosco. Estávamos sem condições
de resolver nosso problema diante de Deus e, ainda assim, Ele veio ao nosso
encontro.
É nesse ponto que
uma conhecida ideia de Chesterton se torna muito bonita: nós nos tornamos
mais altos quando nos curvamos.
À primeira vista,
parece uma contradição. Quando alguém se curva, fisicamente fica menor. No
Reino de Deus, porém, acontece o contrário. Quando reconhecemos que Deus é
maior, que dependemos dEle e que tudo o que temos veio de Suas mãos,
encontramos nosso verdadeiro lugar.
Humildade não
significa pensar que não temos valor. Significa reconhecer que não somos o
centro de tudo.
Jesus ensinou
exatamente isso ao dizer que aquele que se exalta será humilhado, mas aquele
que se humilha será exaltado.
Essa verdade vale
especialmente para quem possui alguma responsabilidade sobre outras pessoas. Um
pastor, professor, líder ou alguém que ensina a Bíblia pode começar a imaginar
que o conhecimento o coloca acima dos demais. Mas deveria acontecer justamente
o contrário: quanto mais aprendemos, mais percebemos quanto ainda temos para
aprender. Quem ensina não deveria subir em um pedestal, mas descer para servir.
Pense em alguém que
conhece profundamente a Bíblia, mas trata com desprezo quem ainda está
começando na fé. Seu conhecimento não produziu aquilo que deveria produzir.
Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais deveríamos aprender com Ele, Aquele
que possuía toda autoridade e ainda assim lavou os pés de Seus discípulos.
No mundo, grandeza
muitas vezes significa subir. No Evangelho, muitas vezes significa descer. Descer
do orgulho. Descer da necessidade de aparecer. Descer da ideia de que somos
melhores porque sabemos mais, temos mais ou ocupamos determinado cargo.
E há algo
maravilhoso no final dessa história. Jesus promete: “Ao vencedor, farei
com que seja uma coluna no santuário do meu Deus, e dali jamais sairá.”
Apocalipse 3:12 (NAA).
Aquele que talvez
tenha passado despercebido neste mundo não será esquecido por Deus. Aquele que
serviu silenciosamente, permaneceu fiel e caminhou com Cristo possui diante de
si uma esperança eterna.
Tudo aquilo que
hoje usamos para medir a importância das pessoas desaparecerá: títulos, cargos,
patrimônio, aplausos e posições. Permanecerá aquilo que está ligado a Cristo.
Por isso, nossa
verdadeira grandeza não está em sermos maiores do que os outros, mas em
pertencermos a Jesus. No Reino de Deus, quanto mais compreendemos Quem Ele é,
menos necessidade sentimos de provar quem somos.
Diante de Deus, não
crescemos tentando parecer maiores do que os outros; crescemos quando nos
curvamos, reconhecemos que tudo vem dEle e descobrimos que nossa verdadeira
grandeza não está na posição que ocupamos, mas em pertencermos a Cristo.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
11/out/26
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