O QUE AINDA FALTA?

 “E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna?” Mateus 19:16 (ARC).

 A pergunta daquele jovem continua muito atual: “Que bem farei, para conseguir a vida eterna?” Ele não parecia ser uma pessoa indiferente às coisas de Deus. Conhecia os mandamentos, tinha formação religiosa e demonstrava preocupação com a eternidade.  Aos olhos de muitas pessoas, provavelmente seria considerado um bom homem. Entretanto, havia algo que ainda precisava ser tratado em seu coração.

Depois de ouvir Jesus mencionar os mandamentos, ele respondeu: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” Mateus 19:20 (ARC).  Essa talvez seja a pergunta mais importante daquele encontro: “Que me falta ainda?”

O jovem possuía religião, conhecimento e riquezas. Sabia muitas coisas a respeito da Lei e acreditava que havia procurado obedecê-la. Mesmo assim, alguma coisa dentro dele dizia que ainda faltava algo. Ele tinha muito, mas não tinha encontrado a segurança da vida eterna.

Também hoje alguém pode crescer em uma família cristã, frequentar cultos durante muitos anos, conhecer hinos, decorar versículos e participar das atividades da igreja. Pode ser uma pessoa correta, respeitada e generosa. Tudo isso possui valor, mas nenhuma dessas coisas substitui um relacionamento verdadeiro com Jesus.

Os religiosos dos dias de Cristo também conheciam as Escrituras. No entanto, Jesus lhes disse: “..._mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus.” João 5:42 (ARC).

O problema não estava em conhecer a Lei. O problema estava em conhecer a Lei sem permitir que ela os conduzisse Àquele para Quem ela apontava.

Jesus então tocou exatamente no ponto mais sensível daquele jovem: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me.” Mateus 19:21 (ARC).

A questão principal não era simplesmente possuir dinheiro. A Bíblia apresenta pessoas de fé que possuíam bens. O problema era o lugar que aqueles bens ocupavam no coração daquele jovem. Jesus mostrou que havia algo que ele não estava disposto a entregar. O texto nos diz que ele “..._retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.” Mateus 19:22 (ARC).  Ele queria a vida eterna, mas não estava disposto a seguir Jesus acima de todas as coisas.

Isso nos leva a uma pergunta pessoal: o que ocupa em nosso coração um lugar que deveria pertencer a Cristo?

Para alguém pode ser o dinheiro. Para outro, uma posição profissional. Pode ser um relacionamento, o orgulho, uma tradição, o desejo de reconhecimento ou simplesmente a vontade de continuar conduzindo a própria vida sem permitir que Jesus seja Senhor sobre ela.

Imagine uma pessoa que diz: “Quero seguir Jesus, desde que Ele não interfira nesta área da minha vida.” Na prática, ela está fazendo algo semelhante ao jovem rico. Está dizendo: “Senhor, podes ter quase tudo, mas isto continua sendo meu.”

Jesus não chamou aquele jovem apenas para abrir mão de alguma coisa. Chamou-o para algo muito maior: “vem e segue-me.”

Ali estava a verdadeira riqueza que ele não conseguiu perceber. A vida eterna não estava em suas propriedades, em suas boas obras nem em sua capacidade de cumprir regras. A vida estava diante dele, na Pessoa de Jesus. Por isso Cristo declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (ARC).  Jesus não disse: “Eu conheço um caminho.” Ele disse: “Eu sou o caminho.”

Essa verdade é especialmente importante em nossos dias. Vivemos em uma sociedade que oferece muitos caminhos para a realização pessoal. Algumas pessoas confiam no dinheiro; outras, na carreira, na religião, na própria bondade ou em experiências espirituais. Mas nenhuma dessas coisas pode fazer aquilo que somente Cristo pode realizar.

Pedro declarou: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4:12 (ARC).

O jovem rico estava procurando alguma coisa que pudesse fazer para alcançar a vida eterna. Jesus mostrou que, antes de tudo, ele precisava aprender a seguir.

Talvez esse seja também o nosso desafio. Podemos passar muito tempo perguntando: “O que mais preciso fazer?”, quando Jesus continua dizendo: “Vem e segue-me.” Segui-Lo significa confiar nEle, reconhecer Sua autoridade, permitir que Ele ocupe o primeiro lugar e compreender que nada deste mundo pode substituir aquilo que somente Ele pode oferecer.

O jovem chegou perto da vida eterna, conversou com Jesus, ouviu Seu convite e, mesmo assim, foi embora triste. Não porque possuísse pouco. Mas porque possuía algo de que não conseguiu abrir mão para seguir Aquele que poderia lhe dar tudo aquilo de que realmente precisava.

Podemos possuir muitas coisas e ainda sentir que falta algo; o vazio mais profundo do coração só encontra resposta quando deixamos de confiar no que temos e decidimos seguir Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

16/out/26

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