Depois
de ouvir Jesus mencionar os mandamentos, ele respondeu: “Tudo isso tenho
guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” Mateus 19:20
(ARC). Essa talvez seja a pergunta mais
importante daquele encontro: “Que me falta ainda?”
O
jovem possuía religião, conhecimento e riquezas. Sabia muitas coisas a respeito
da Lei e acreditava que havia procurado obedecê-la. Mesmo assim, alguma coisa
dentro dele dizia que ainda faltava algo. Ele tinha muito, mas não tinha
encontrado a segurança da vida eterna.
Também
hoje alguém pode crescer em uma família cristã, frequentar cultos durante
muitos anos, conhecer hinos, decorar versículos e participar das atividades da
igreja. Pode ser uma pessoa correta, respeitada e generosa. Tudo isso possui
valor, mas nenhuma dessas coisas substitui um relacionamento verdadeiro com
Jesus.
Os
religiosos dos dias de Cristo também conheciam as Escrituras. No entanto, Jesus
lhes disse: “..._mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de
Deus.” João 5:42 (ARC).
O
problema não estava em conhecer a Lei. O problema estava em conhecer a Lei sem
permitir que ela os conduzisse Àquele para Quem ela apontava.
Jesus
então tocou exatamente no ponto mais sensível daquele jovem: “Se queres
ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no
céu; e vem e segue-me.” Mateus 19:21 (ARC).
A
questão principal não era simplesmente possuir dinheiro. A Bíblia apresenta
pessoas de fé que possuíam bens. O problema era o lugar que aqueles bens
ocupavam no coração daquele jovem. Jesus mostrou que havia algo que ele não
estava disposto a entregar. O texto nos diz que ele “..._retirou-se
triste, porque possuía muitas propriedades.” Mateus 19:22 (ARC). Ele queria a vida eterna, mas não estava
disposto a seguir Jesus acima de todas as coisas.
Isso
nos leva a uma pergunta pessoal: o que ocupa em nosso coração um lugar que
deveria pertencer a Cristo?
Para
alguém pode ser o dinheiro. Para outro, uma posição profissional. Pode ser um
relacionamento, o orgulho, uma tradição, o desejo de reconhecimento ou
simplesmente a vontade de continuar conduzindo a própria vida sem permitir que
Jesus seja Senhor sobre ela.
Imagine
uma pessoa que diz: “Quero seguir Jesus, desde que Ele não interfira nesta
área da minha vida.” Na prática, ela está fazendo algo semelhante ao jovem
rico. Está dizendo: “Senhor, podes ter quase tudo, mas isto continua sendo
meu.”
Jesus
não chamou aquele jovem apenas para abrir mão de alguma coisa. Chamou-o para
algo muito maior: “vem e segue-me.”
Ali
estava a verdadeira riqueza que ele não conseguiu perceber. A vida eterna não
estava em suas propriedades, em suas boas obras nem em sua capacidade de
cumprir regras. A vida estava diante dele, na Pessoa de Jesus. Por isso Cristo
declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai
senão por mim.” João 14:6 (ARC). Jesus não disse: “Eu conheço um caminho.” Ele
disse: “Eu sou o caminho.”
Essa
verdade é especialmente importante em nossos dias. Vivemos em uma sociedade que
oferece muitos caminhos para a realização pessoal. Algumas pessoas confiam no
dinheiro; outras, na carreira, na religião, na própria bondade ou em
experiências espirituais. Mas nenhuma dessas coisas pode fazer aquilo que
somente Cristo pode realizar.
Pedro
declarou: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu
nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”
Atos 4:12 (ARC).
O
jovem rico estava procurando alguma coisa que pudesse fazer para alcançar a
vida eterna. Jesus mostrou que, antes de tudo, ele precisava aprender a seguir.
Talvez
esse seja também o nosso desafio. Podemos passar muito tempo perguntando: “O
que mais preciso fazer?”, quando Jesus continua dizendo: “Vem e segue-me.” Segui-Lo
significa confiar nEle, reconhecer Sua autoridade, permitir que Ele ocupe o
primeiro lugar e compreender que nada deste mundo pode substituir aquilo que
somente Ele pode oferecer.
O
jovem chegou perto da vida eterna, conversou com Jesus, ouviu Seu convite e,
mesmo assim, foi embora triste. Não porque possuísse pouco. Mas porque possuía
algo de que não conseguiu abrir mão para seguir Aquele que poderia lhe dar tudo
aquilo de que realmente precisava.
Podemos
possuir muitas coisas e ainda sentir que falta algo; o vazio mais profundo do
coração só encontra resposta quando deixamos de confiar no que temos e
decidimos seguir Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Que
Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr.
Décio Fonseca
16/out/26
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