UMA DISPOSIÇÃO PERMANENTE EM NOSSO CORAÇÃO
“Quem, pois,
está disposto hoje a ofertar com generosidade para o Senhor?” 1
Crônicas 29:5 (NAA).
Essa pergunta feita
por Davi ao povo de Israel continua tão atual quanto naquele dia: quem está
disposto, hoje, a oferecer alguma coisa ao Senhor?
Observe que Davi
não perguntou apenas quem tinha condições de contribuir, mas quem estava
disposto a fazê-lo. Existe uma grande diferença entre possuir alguma coisa para
oferecer e ter um coração disposto a entregá-la.
Naquele momento,
Israel se preparava para a construção do templo. Davi havia separado grandes
quantidades de ouro, prata, bronze e outros materiais para a obra. Depois de
apresentar sua própria contribuição, convidou os líderes e o povo a
participarem voluntariamente.
O que aconteceu foi
extraordinário. Os chefes das famílias, os líderes e os responsáveis pelos
serviços do reino responderam generosamente ao convite. Ninguém precisou ser
constrangido. Havia no coração daquelas pessoas o desejo de contribuir para a
Casa do Senhor. E aqui encontramos a primeira lição: a verdadeira
generosidade começa no coração, antes de chegar às mãos.
É importante
lembrar que, naquele contexto, Davi estava pedindo contribuições materiais para
uma necessidade concreta. Entretanto, a disposição de servir a Deus também pode
ser demonstrada de muitas outras maneiras.
Nem todos possuem
as mesmas condições financeiras, mas todos podem oferecer algo precioso. Um
irmão pode dedicar parte de seu tempo para visitar alguém enfermo. Uma irmã
pode preparar uma refeição para uma família que enfrenta dificuldades. Um jovem
pode utilizar seus talentos para ajudar na Igreja. Uma pessoa idosa, mesmo com
limitações físicas, pode oferecer suas orações e palavras de encorajamento. Deus
conhece tanto aquilo que oferecemos quanto o amor com que fazemos nossa
entrega.
Em 1 Crônicas 29:9,
encontramos uma consequência muito bonita daquela contribuição: o povo se
alegrou porque havia ofertado voluntariamente e com sinceridade.
Isso nos ensina que
a generosidade também produz alegria. Quando ajudamos alguém por amor, sem
esperar reconhecimento, experimentamos a satisfação de saber que fomos úteis.
Pense naquela
pessoa que, silenciosamente, limpa o templo, organiza as cadeiras, acolhe
visitantes ou prepara alguma coisa para os irmãos. Talvez ninguém perceba seu
esforço, mas o Senhor conhece cada gesto realizado com sinceridade.
A verdadeira
generosidade não procura aplausos. Encontra alegria na oportunidade de servir. Entretanto,
Davi apresenta uma verdade ainda mais profunda. Em sua oração, declara: “Porque
tudo vem de ti, e nós só damos o que vem das tuas mãos.” 1 Crônicas
29:14 (NAA). Que declaração extraordinária!
Davi reconheceu que
não estava entregando a Deus alguma coisa que pertencesse totalmente a ele.
Tudo aquilo que possuía havia sido recebido do próprio Senhor. Isso muda
completamente nossa maneira de compreender a oferta.
Quando dedicamos
nosso tempo a Deus, estamos oferecendo uma parte da vida que Ele nos concedeu.
Quando utilizamos nossos talentos, estamos colocando a serviço do Senhor
capacidades que recebemos dEle. Quando ajudamos alguém com nossos recursos,
estamos compartilhando aquilo que Sua bondade nos permitiu possuir. Não
oferecemos alguma coisa a Deus porque Ele precise ser enriquecido, mas porque
reconhecemos que tudo o que temos veio primeiro de Suas mãos.
No versículo 16,
Davi reforça que toda a abundância preparada para a construção do templo
pertencia ao Senhor. Isso nos lembra que somos responsáveis pela maneira como
utilizamos aquilo que Deus nos confiou.
Podemos possuir
poucos recursos e demonstrar grande generosidade. Da mesma forma, alguém pode
possuir muitas riquezas e manter o coração fechado às necessidades do próximo. O
valor de nossa contribuição não pode ser medido apenas pela quantidade
oferecida. Mas existe outro detalhe importante. Davi reconheceu que Deus
conhece o coração humano e Se agrada da sinceridade, conforme 1 Crônicas 29:17.
Podemos impressionar as pessoas com grandes realizações, mas não conseguimos
esconder nossas verdadeiras intenções do Senhor.
Uma contribuição
generosa, feita apenas para receber elogios, não expressa necessariamente um
coração dedicado a Deus. Por outro lado, um pequeno gesto de amor, realizado
sem publicidade, pode revelar uma entrega profundamente sincera.
E então chegamos ao
que considero o momento mais bonito de todo esse capítulo.
Depois de receber
tantas contribuições, Davi fez uma oração. Entretanto, não pediu que o povo
tivesse sempre muito ouro, prata ou riquezas. Pediu algo muito mais precioso:
que Deus conservasse para sempre no coração daquelas pessoas a mesma disposição
e os mesmos pensamentos, firmando seus corações nEle, conforme 1 Crônicas
29:18. Observe a profundidade dessa oração!
Davi começou
convidando o povo a oferecer aquilo que possuía e terminou pedindo a Deus que
preservasse aquilo que existia em seu coração.
Ele compreendia que
mais importante do que uma grande contribuição realizada em determinado momento
era conservar uma disposição permanente para servir. Isso também precisa
acontecer conosco.
Não devemos servir
ao Senhor apenas quando estamos emocionados, quando alguém faz um apelo ou
quando determinada necessidade desperta nossa atenção. A generosidade precisa
tornar-se parte da nossa caminhada cristã.
Talvez hoje já não
tenhamos as mesmas forças da juventude. Talvez nossas condições financeiras
tenham mudado ou algumas responsabilidades precisem ser deixadas para trás. Entretanto,
enquanto o Senhor nos conceder vida, sempre haverá alguma maneira de servi-Lo.
A pergunta de Davi
continua diante de nós: quem está disposto hoje? Não se trata apenas de
perguntar quanto dinheiro podemos oferecer, mas quanto da nossa vida estamos
dispostos a colocar à disposição do Senhor. Porque a maior expressão da
generosidade cristã não é simplesmente entregar alguma coisa que possuímos, mas
reconhecer que nós mesmos pertencemos a Deus.
Que o Senhor não
encontre em nós apenas mãos abertas em determinados momentos, mas um coração
permanentemente disposto a servi-Lo.
A verdadeira
generosidade não se revela apenas naquilo que nossas mãos oferecem, mas na
disposição que permanece em nosso coração. Deus conhece o valor da oferta, mas
também conhece o amor de quem a entrega. Mais importante do que servir ao
Senhor em um momento especial é conservar, por toda a vida, um coração disposto
a servi-Lo.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
03/nov/26
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