DEUS OUVE E RESPONDE

“Tu, porém, ofereces perdão, para que aprendamos a te temer.” Salmos 130:4 NVT

O perdão é um tema de grande relevância na Bíblia. Etimologicamente, a palavra “perdão” deriva do latim “perdonare”, que significa a ação de perdoar, ou seja, aceitar ou pedir desculpas e se redimir em relação a algo errado. A expressão “pedir perdão” é utilizada quando alguém reconhece seu erro e se desculpa com a pessoa a quem foi injusto. Essa é uma ação humana que visa livrar-se de culpa, ofensa, dívida, entre outros.

O Salmo 130 nos conduz a uma profunda reflexão sobre o perdão e a misericórdia divina. Nele, o salmista emerge de uma angústia intensa e, rapidamente, encontra refúgio nas alturas, sentindo-se seguro. O pecado, de fato, nos leva a um sentimento profundo de angústia, superando todos os outros desafios que possamos enfrentar. Além disso, o pecado pode privar-nos da comunhão com Deus, tanto no presente quanto na eternidade.

Quando nos encontramos nas profundezas do desespero, quando a angústia nos envolve como uma névoa densa, é natural que nossos corações clamem por socorro. O Salmo 130:1 captura essa urgência e sinceridade: “Das profundezas do desespero, Senhor, clamo a ti.” Nesse momento, o salmista não se preocupa com formalidades ou palavras rebuscadas. Ele não se esconde atrás de máscaras religiosas. Em vez disso, ele grita diretamente ao Senhor, como um filho que corre para os braços do Pai. É um grito de necessidade, de vulnerabilidade, de reconhecimento de que somente Deus pode trazer solução à sua aflição.

E o belo é que Deus ouve. Ele não apenas ouve, mas também avalia, compreende e responde. Ele não nos deixa sozinhos em nossa angústia. Ele é o Deus que se inclina para ouvir o clamor dos seus filhos. “Amo o Senhor, porque ele ouve a minha voz e as minhas orações. Porque ele se inclina para ouvir, orarei enquanto viver.” Salmos 116:1-2 NVT

Às vezes, nos sentimos como Jonas, afundando nas profundezas do mar, envolvidos pelas ondas tempestuosas e com as algas do pecado enroladas em nosso pescoço. É nesse momento que buscamos o refúgio e a misericórdia divina, clamando ao Senhor por ajuda e salvação. O salmista reconhece que se houvesse um registro de nossos pecados, certamente não sobreviveríamos. (Salmos 130:3). O que nos conforta é saber que a compreensão e a misericórdia de Deus nos alcançam, lembrando-nos de que, independentemente de nossos erros, Sua graça é infinita e Seu amor é incondicional.

O Salmo 130:4a declara: “Tu, porém, ofereces perdão.” Sabemos que somente Deus tem o poder de perdoar pecados. Esse perdão divino é resultado da infinita graça do nosso Senhor; não é conquistado por nossas obras, mas é uma prerrogativa dEle. Esse perdão chegou até nós porque Deus providenciou um sacrifício eterno pelo nosso pecado. Através da morte de Jesus, Ele cumpriu tudo o que a lei exigia, satisfazendo todas as demandas da justiça divina, libertando-nos do pecado.

O perdão que Deus nos concede gera temor em nossos corações. Nesse contexto, “temor” não se refere ao medo, mas sim a honrar a Deus, respeitá-Lo e obedecê-Lo. Charles Spurgeon afirmou que a gratidão pelo perdão produz muito mais temor e reverência por Deus do que todo o terror inspirado pela punição. (Spurgeon, Charles, H. Os Tesouros de Davi, vol. 3, p.718)

Verdadeiramente, o fato de que Deus está pronto a nos perdoar quando buscamos Sua misericórdia é uma fonte de esperança e alívio. Não importa o quão longe tenhamos ido, Ele está sempre disposto a nos receber de volta.  Deus é bom, misericordioso e amoroso. Quando clamamos a Ele, Ele nos responde. Saber que Deus nos ama profundamente traz paz ao nosso coração. Ele não apenas nos perdoa, mas também nos envolve com Seu amor constante. "Eu, somente eu, por minha própria causa, apagarei seus pecados e nunca mais voltarei a pensar neles.” Isaías 43:25 NVT

O salmista, tendo experimentado o perdão de Deus, nos exorta a aguardar no Senhor com confiança inabalável. Ele testemunha desse favor imerecido, dizendo: “Ponham sua esperança no Senhor.” Salmos 130:7 NVT. Esse Deus maravilhoso é a única fonte de amor e redenção transbordante, capaz de aliviar a carga imposta pelo pecado.

Reside em nós, agora que fomos libertos do vil pecado, a certeza de que seremos salvos completamente e o Senhor o faz através de nossa redenção. Uma redenção que é farta e completa, alcançando a todos nós e de todas as iniquidades. “Ele próprio regata Israel de todos os seus pecados.” Salmos 130:8 NTV

Então, quando nos encontrarmos em situações semelhantes, lembremo-nos dessas palavras do salmista. Buscar o Pai Celeste com corações sinceros e confiar em Sua prontidão para nos perdoar e nos amar é uma atitude de profunda fé. Não hesitemos em clamar ao Senhor, mesmo que seja das profundezas mais escuras. Ele está lá, pronto para nos ouvir e trazer alívio. O perdão divino é uma fonte de esperança e alívio para todos nós. Assim, podemos aguardar no Senhor com confiança inabalável, sabendo que Ele é nossa redenção completa e nosso refúgio seguro. Sua graça é infinita, e Seu amor é constante.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

O CAMINHO CERTO

“Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele.” Provérbios, 22:6 NVT

Ah, o famoso “Faça o que eu digo, não o que eu faço.” É uma expressão intrigante, não é mesmo? Ela parece contraditória à primeira vista, mas tem raízes profundas na sabedoria popular. Lembro-me de uma velha conhecida que costumava repetir esse jargão para suas filhas. Era como um atalho para transmitir lições importantes sem necessariamente seguir à risca o próprio conselho.

O texto de provérbios diverge dessa chamada “sabedoria popular”, apresentando, no mínimo, duas orientações relevantes para os pais: a existência de um caminho correto e a importância de ensinar aos filhos, não apenas sobre esse caminho, mas no caminho.

O primeiro passo é identificar o caminho correto. A Bíblia oferece orientações valiosas sobre o caminho que devemos escolher.  Ela nos ensina que existem dois tipos de caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. O caminho da vida é aquele que leva à justiça, à equidade e à comunhão com Deus. Por outro lado, o caminho da morte é trilhado pelos pecadores e ímpios, levando ao sofrimento e à separação de Deus. Portanto, é crucial escolher sabiamente e seguir os preceitos divinos para alcançarmos a vida eterna. "Há caminhos que a pessoa considera corretos, mas que acabam levando à estrada da morte." Provérbios 14:12 NVT

O salmista expressa de forma tão bela a busca pelo caminho perfeito, revelando aquele que nos leva à presença de Deus e à plenitude da vida. O versículo de Salmos 18:30 é uma verdade inspiradora: “O caminho de Deus é perfeito; as promessas do Senhor sempre se cumprem; ele é escudo para todos que nele se refugiam.” Quando seguimos o caminho de Deus, encontramos não apenas perfeição, mas também proteção, orientação e paz. É como se Ele nos guiasse passo a passo, mesmo quando enfrentamos desafios ou incertezas. A confiança nesse caminho nos sustenta e nos fortalece. Na Bíblia, encontramos exemplos de homens e mulheres que buscaram seguir os caminhos do Senhor. Abraão, Moisés, Rute, Davi e muitos outros encontraram significado e propósito ao caminhar com Deus, assim como foi também com Enoque. A passagem em Gênesis 5:24 nos diz que “Enoque andou com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.”

O segundo passo está na transmissão da herança. O texto de Deuteronômio 6:7 enfatiza que os pais devem ensinar os mandamentos e estatutos do Senhor aos seus filhos de maneira constante e em diferentes momentos da vida cotidiana. É um chamado para que a fé e os princípios sejam parte integrante do dia a dia da família.  Repita-as com frequência a seus filhos. Converse a respeito delas quando estiver em casa e quando estiver caminhando, quando se deitar e quando se levantar.”

Ensinar a criança “no caminho” difere significativamente de ensinar a criança “o caminho”. A expressão “no caminho”, em hebraico (עַל), sugere em um de seus muitos significados o de estar “ao lado deou “junto com”. Quando instruímos uma criança “no caminho”, estamos, de fato, caminhando ao lado dela. É um convite para sermos guias ativos e presentes em sua jornada. Ensinar “no caminho” envolve não apenas palavras, mas também ações. Nossos filhos aprendem muito observando como vivemos, como tratamos os outros e como enfrentamos desafios. Essa expressão hebraica (עַל) sugere que estamos junto com a criança, compartilhando experiências, valores e princípios, sobretudo os espirituais. É um compromisso de estar ao lado dela, não apenas como instrutores, mas como companheiros.

Por outro lado, ensinar a criança “o caminho” implica transmitir conhecimento específico, direcionando-a para princípios e verdades. Aqui, o foco está na instrução objetiva. Estamos comunicando o que é certo, o que é verdadeiro e o que é importante. O verso que mencionou (Provérbios 22:6) exorta os pais a ensinarem seus filhos. No entanto, ele também destaca a importância do testemunho. Que possamos ser modelos autênticos, compartilhando tanto instrução quanto testemunho, para que nossas crianças cresçam com sabedoria e integridade.

Jesus, como nosso maior exemplo, não apenas falava sobre o que era certo; Ele vivia isso. Assim como Jesus, alguns servos do passado tinham em suas vidas testemunhos vivos daquilo em que acreditavam e ensinavam. Muitas vezes, são esses exemplos que moldam e transformam as pessoas ao nosso redor.

Para reforçar esse entendimento, Deuteronômio 11:19 nos orienta da seguinte forma: “Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos.”(ARA). Esse ensino se aplica tanto ao curso da vida quanto ao caráter moral.

Concluímos, portanto, que, de acordo com princípios bíblicos, o famoso ditado “Faça o que eu digo, não o que eu faço” perde totalmente sua validade pedagógica.

Devemos ser conscientes de nossas próprias ações e escolhas, pois ser modelos positivos para aqueles que nos cercam, em especial nossos filhos, é essencial. Nosso comportamento e testemunho falam mais alto do que qualquer discurso, superando até mesmo as palavras. Ações concretas e demonstrações práticas têm um impacto profundo em nossas vidas e nas vidas dos outros. É como se a verdade ganhasse vida quando a vivemos. Mesmo com todas as nossas imperfeições como pais, a responsabilidade de transmitir valores e fé aos nossos filhos é algo que atravessa gerações; é algo que não pode ser terceirizado. Trata-se do cuidado com a herança que o Senhor nos concedeu. Afinal como disse o salmista: os nossos filhos são um presente que recebemos do Senhor, é uma recompensa que Ele dá. (Salmos 127:3)

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

O AMOR JAMAIS ACABA

“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.” 1 João 4:16 ARA

O amor é uma dedicação profunda e pura, comparável à maneira como uma mãe se dedica a um filho. Quando pensamos no amor de mãe, encontramos um reflexo do amor divino. Assim como Deus, elas nunca desistem, nunca desanimam e estão sempre lá para nós. Mães são verdadeiras embaixadoras desse amor na terra. Essa disposição não é apenas um sentimento passageiro, mas sim um sacrifício genuíno. Amar é abrir mão de si mesmo para beneficiar a pessoa amada. Em outras palavras, o amor não se limita a um mero sentimento apaixonado. Ele é uma disposição sacrificial, onde estamos dispostos a abrir mão de nós mesmos para beneficiar a pessoa amada.

Embora não possamos comparar o amor de uma mãe ao amor imensurável que Deus tem por nós, é nesse contexto que abordaremos o amor que Deus tem por seus filhos.

Isaías 49:15 diz: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.” O amor de Deus é incomparável, ultrapassando até mesmo o amor de uma mãe. Ele vai além, chegando às últimas consequências para nos restaurar. Esse amor é tão profundo que Deus deu Seu próprio Filho em resgate de nossas almas. Como afirmou o evangelista João: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.” João 15:13 ARA. É um sacrifício sem igual.

O capítulo 53 do livro de Isaías é uma das passagens mais profundas e impactantes da Bíblia. Ele descreve o sofrimento e a morte do nosso amado Salvador, conhecido como o “Servo de Deus”. Uma mensagem de amor, sacrifício e esperança. O amor de Deus levou Jesus a sofrer por nós e, mesmo que mereçamos o mal, Deus, por amor, nos faz bem.

Assim como Jesus sofreu por amor, nós também devemos estar dispostos a enfrentar o sofrimento e a praticar o bem. Devemos rejeitar sentimentos e atitudes reprováveis, como inveja, leviandade e arrogância. Nosso comportamento deve ser decente, priorizando não apenas nossos interesses pessoais, mas também os interesses daqueles a quem amamos. Segundo John Piper “Amor é o transbordar da alegria em Deus que supre as necessidades dos outros.”

Paulo também descreve esse amor em 1 Coríntios 13:7-8a: “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha.” É um amor incomparável e inigualável.

O amor também se manifesta em evitar a impulsividade e a violência. Aquele que ama não se alegra com a injustiça nem a pratica. A verdade é o lema daquele que ama. Por amor, estamos dispostos a sofrer, a crer, a esperar e a suportar todas as coisas. Jamais devemos falhar em buscar a Deus e cuidar do próximo, como nos lembra 1 Coríntios 13:4-8.

Da mesma forma, Deus espera que amemos com essa mesma intensidade, mesmo que não sejamos perfeitos em nossos relacionamentos. Nosso amor por Ele e pelo próximo deve ser praticado com os mais elevados princípios de um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.

Em uma ocasião, quando foi testado pelos fariseus, Jesus foi questionado sobre qual era o maior dos mandamentos. Ele respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Mateus 22:37-39 ARA

É verdade que compreender o amor de Deus e a responsabilidade que isso implica pode nos encher de alegria e, ao mesmo tempo, nos desafiar. Embora sejamos seres finitos e imperfeitos, podemos buscar amar a Deus de maneira digna. A Palavra de Deus revela que, como pecadores, não podemos amá-Lo da mesma forma como Ele nos ama. No entanto, Sua graça nos capacita a fazê-lo por meio do sacrifício de Cristo Jesus. Se hoje nós O amamos é porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19).

Caminhando assim em nossa jornada espiritual podemos viver um relacionamento de amor com o Deus que nos chama de filhos.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

A MAJESTADE DE DEUS

“Quando olho para o céu e contemplo a obra de teus dedos, a lua e as estrelas que ali puseste, pergunto: Quem são os simples mortais, para que penses neles? Quem são os seres humanos, para que com eles te importes?” Salmos 8:3-4 NVT

Você, já refletiu sobre a vastidão da criação divina? A criação de Deus transcende o que é visível aos nossos olhos. Embora o vasto universo já seja impressionante, há muito mais do que podemos perceber. É incrível pensar que, além das estrelas, planetas e galáxias, existe uma miríade de seres espirituais, anjos e outras criaturas invisíveis aos nossos olhos físicos. Eles estão ativos, cumprindo os propósitos divinos e desempenhando papéis essenciais na história da humanidade.

Essa perspectiva nos lembra da grandiosidade de Deus e da profundidade do Seu plano. Mesmo quando não O compreendemos completamente, podemos confiar que Ele está no controle.

O salmo 8 é um hino de louvor que nos lembra da grandeza e bondade do Criador. Ele também tem uma aplicação especial, inclusive relacionada a Cristo. De fato, Cristo é associado a esse salmo, como registrado em Mateus 21:16. Além disso, consideramos o salmo 8 como um salmo messiânico. Seu título revela que foi escrito por Davi, e seus nove versículos sintetizam a glória divina e a humanidade de Jesus. É uma expressão poética da majestade de Deus e, ao mesmo tempo, aponta para o Messias vindouro.

Davi, ao proclamar “Ó Senhor, Senhor nosso” no Salmo 8, revela uma conexão íntima com Deus. É como se ele dissesse: “O Deus que é majestoso e glorioso é também o nosso Deus pessoal.” Essa verdade é reconfortante e profundamente significativa. É um privilégio ter o Senhor, o criador do universo, como nosso. Ele não está distante e inacessível; Ele é próximo e pessoal. Ele conhece nossos nomes, nossas lutas e nossas alegrias. Ele é o Deus que nos ama individualmente. Ele não apenas governa o cosmos, mas também cuida de nós com ternura e amor. “Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados pelo sangue de Cristo.” Efésios 2:13 NAA

A presença de Deus está entrelaçada com a própria criação. Nos vales, montanhas, florestas e rios, encontramos sinais da Sua grandeza e beleza insondáveis. É como se a natureza fosse um imenso livro aberto, revelando o caráter divino. Nos vales, onde a quietude nos envolve, podemos sentir a proximidade de Deus. Ele é o nosso refúgio nas horas de dificuldade. Nas montanhas majestosas, vemos Sua grandeza e poder. Elas apontam para um Criador que moldou cada pico e vale. Nas florestas, onde a vida pulsa em cada folha e raiz, percebemos a sabedoria e a ordem divina. E nos rios, que fluem incansavelmente, encontramos uma metáfora da graça de Deus, sempre renovando e sustentando. É verdadeiramente estonteante contemplar essa manifestação da presença divina em toda a terra.

Apesar de sermos considerados a obra-prima da criação, quando comparados à grandeza e majestade de Deus, nós, pequenos mortais, nos tornamos insignificantes. Somos como grãos de areia diante da vastidão de toda a criação ou como bem expressou Isaías como a erva cuja beleza facilmente esvanece: “Anuncie que os seres humanos são como capim; sua beleza passa depressa, como as flores do campo.” Isaías 40:6 NVT.

Em nossos corações, reside uma profunda gratidão. Embora tenha sido criado à imagem e semelhança de Deus, quando o homem caiu no Éden, ficamos, todos nós, desfigurados. No entanto, esse Deus poderoso não nos abandonou; ao contrário, Ele nos visitou com graça e misericórdia, providenciando redenção para que a imagem divina pudesse ser restaurada em nós. Ainda que tenhamos sido desfigurados pelo pecado, a esperança reside na obra redentora de Cristo e Ele nos convida a sermos renovados e a refletir Sua imagem novamente.

O salmista encerra o Salmo 8 com as mesmas palavras com as quais o iniciou, o que nos leva a compreender que nossa adoração deve ser contínua. É realmente inspirador pensar na continuidade da adoração. O ciclo poético desse salmo nos recorda que nossa conexão com Deus não é apenas momentânea, mas sim um fluxo constante de louvor e gratidão. “Como são grandes as riquezas, a sabedoria e o conhecimento de Deus! É impossível entendermos suas decisões e seus caminhos! Pois quem conhece os pensamentos do Senhor? Quem sabe o suficiente para aconselhá-lo? Quem lhe deu primeiro alguma coisa, para que ele precise depois retribuir? Pois todas as coisas vêm dele, existem por meio dele e são para ele. A ele seja toda a glória para sempre! Amém!”  Romanos 11:33-36 NVT

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

 

 

SALVAÇÃO:  BOAS OBRAS & GRAÇA

“Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” Tiago 2:18  NVT

A realização de boas obras, conforme nos fala a Palavra de Deus, é uma manifestação tangível de que um indivíduo foi alcançado e salvo por Cristo. No contexto bíblico, a salvação é frequentemente entendida como um dom gratuito de Deus, concedido através da fé em Jesus Cristo. Não é uma recompensa por viver uma vida moral ou ética, nem é um prêmio por realizar atos de caridade ou bondade. Em vez disso, a salvação é um presente de Deus, dado livremente a todos que colocam sua fé em Jesus Cristo.

Em Efésios 2:8-9, lemos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. É incrível pensar que não precisamos nos esforçar para merecer esse presente; Deus nos oferece livremente. Quando confiamos em Jesus como nosso Senhor e Salvador, somos salvos pela graça de Deus.

No entanto, isso não significa que as boas obras não tenham valor ou importância. Pelo contrário, as boas obras são vistas como a resposta natural e apropriada à salvação. Uma vez que uma pessoa é salva, ela é transformada e renovada pelo Espírito de Deus. Essa transformação interior se manifesta em uma vida de boas obras.

As boas obras são como os frutos que brotam de uma árvore saudável. Quando somos transformados pela graça de Deus, naturalmente desejamos expressar esse amor e gratidão por meio de ações que beneficiam os outros e glorificam a Deus. É como se a nossa fé se traduzisse em obras concretas.

É interessante como cada pessoa pode viver essa dinâmica de fé e obras de maneira única. Algumas vezes, são as pequenas coisas do dia a dia que fazem toda a diferença: um sorriso gentil, uma palavra de encorajamento, ajudar alguém em necessidade ou simplesmente estar presente para alguém que está passando por um momento difícil.

Spurgeon Em um de seus sermões, intitulado "As Características da Fé", enfatiza que a fé é um dom de Deus, dado livremente a todos que colocam sua fé em Jesus Cristo. Ele sugere que a fé e as obras devem andar juntas, e que a fé é evidenciada por nossas ações. E ele estava certo ao enfatizar que a fé é um dom divino. Efetivamente, não podemos gerar fé por nossos próprios esforços. É o Espírito Santo que nos capacita a crer em Jesus Cristo como nosso Salvador (Efésios 2:8-9). Não se trata de ganhar a salvação pelas obras, mas de viver uma vida transformada pela fé. As obras são o fruto natural dessa fé viva.

Reconhecer que a fé é um presente divino nos leva a uma profunda dependência de Deus. É como se abríssemos nossas mãos e corações para receber o que Ele nos oferece livremente. Essa dependência é o alicerce da nossa jornada de fé. E sabe, entendo que é nesse lugar de dependência que encontramos verdadeira liberdade. Não precisamos nos esforçar para merecer a salvação; podemos simplesmente confiar na graça de Deus. E, ao mesmo tempo, essa confiança nos motiva a viver de maneira autêntica, expressando nossa fé por meio de ações amorosas e generosas.

Assim, uma pessoa não pratica boas obras para ser salva, mas porque ela é salva. As boas obras são a expressão externa de uma mudança interna, o fruto visível de uma fé invisível. Elas são a evidência de uma vida transformada pela graça de Deus. “mas ele, em sua graça, nos declara justos por meio de Cristo Jesus, que nos resgatou do castigo por nossos pecados.” Romanos 3:24 NVT

Portanto, enquanto as boas obras não podem ganhar a salvação, elas são uma parte vital da vida do crente. Elas são a maneira pela qual os salvos respondem ao amor de Deus, servem aos outros e glorificam a Deus. E, ao fazer isso, demonstramos ao mundo o poder transformador da salvação. Efésios 2:10 afirma que nós somos obra-prima de Deus, criados em Cristo Jesus para realizar boas obras. Deus, em Sua sabedoria, já havia preparado essas obras para que pudéssemos caminhar nelas.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

O CONHECIMENTO DE DEUS

“Jesus respondeu: — Há tanto tempo estou com vocês, Filipe, e você ainda não me conhece? Quem vê a mim vê o Pai. Como é que você diz: ‘Mostre-nos o Pai’?” João 14:9 NAA

A busca por Deus pode ser uma jornada solitária ou compartilhada, mas é sempre uma busca por algo maior, algo que transcende nossa existência terrena. Em momentos de busca por Deus, muitos anseiam por respostas, por um toque divino que traga alívio e direção. Nessas horas, encontramos pessoas em oração, meditando, lendo textos da Palavra de Deus ou simplesmente olhando para o céu em busca de algum significado.

Com efeito, se não fosse pela permissão de Deus, jamais poderíamos conhecê-Lo; somente Ele pode revelar-se a nós. Por mais que algumas pessoas possam negar os milagres e a ressurreição, reduzindo Jesus ao nível de sua própria compreensão, a verdade é que a imaginação humana é limitada. Certo é que não podemos, por nossos próprios esforços, alcançar Deus. No entanto, nós temos o grande privilégio de conhecer o Jesus cuja face reflete a própria glória divina.

Deus, em Sua infinita graça, sempre desejou se revelar a nós, oferecendo-nos um projeto de salvação. A história bíblica é repleta de momentos em que Deus se manifestou aos homens e mulheres de maneiras diversas: através de profetas, sonhos, milagres e, finalmente, na pessoa de Jesus Cristo. Cada revelação tinha um propósito: mostrar Seu amor, Sua justiça e Seu plano de redenção. E, mesmo hoje, Deus continua a se revelar. Às vezes, é na quietude de um momento de oração, na beleza da natureza ou na compreensão profunda de Sua Palavra que percebemos Sua presença. Ele está sempre buscando relacionamento conosco, convidando-nos a participar de Seu projeto de salvação. “Por meio de tudo que ele fez desde a criação do mundo, podem perceber claramente seus atributos invisíveis: seu poder eterno e sua natureza divina. Portanto, não têm desculpa alguma.” Romanos 1:20 NVT

A experiência que temos de conhecer um Jesus revelado está além daqueles que são estranhos a ela, pois o relacionamento de Cristo com a igreja transcende a compreensão humana. Já não há mais o véu que separa o visível do invisível, o tangível do eterno.  Este conhecimento vai além das palavras e das fórmulas religiosas. É uma experiência íntima, pessoal e transformadora. A igreja conhece Jesus não apenas como uma figura histórica, mas como o Filho do Deus vivo. “Ao que Jesus perguntou: — E vocês, quem dizem que eu sou? respondendo, Simão Pedro disse: — O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivo." Mateus 16:15-16 NAA. O véu que antes separava o visível do invisível foi rasgado. Agora, podemos nos aproximar do Pai, sem barreiras. O tangível e o eterno se entrelaçam. Não é apenas uma crença; é um encontro. É como se o próprio Criador nos chamasse pelo nome, nos convidando a fazer parte de Sua história.

O profeta Isaías, em sua sabedoria, zombou daqueles que tentaram criar imagens de seus deuses. Afinal, como poderia um simples pedaço de madeira ou metal representar o Criador do céu e da terra? Essa tentativa de esculpir uma imagem divina, na verdade, revela a limitação da mente humana. “A quem vocês podem comparar Deus? Que imagem usarão para representá-lo?” Isaías 40:18 NVT. Os deuses da mitologia grega e romana, por outro lado, eram frequentemente retratados como seres temperamentais, egoístas e até mesmo traiçoeiros. Essas representações refletiam as fraquezas e imperfeições humanas, não a verdadeira natureza de um Deus criador de todas as coisas.  A mensagem subjacente é clara: Deus não pode ser reduzido a uma estátua ou imagem.

A grandeza de Deus e seus mistérios ultrapassam os limites da nossa compreensão humana. Ele é o Criador do universo, o Sustentador de todas as coisas e o Amor que vai além de qualquer representação material. Quando pensamos em Deus, estamos contemplando algo que transcende o visível e o tangível. É como tentar conter o oceano em um copo d’água. A beleza está em saber que, mesmo sem compreender plenamente, podemos nos relacionar com esse Deus infinito e amoroso.

O Espírito Santo nos guia para conhecer Jesus, e quando olhamos para Jesus, vemos o próprio coração do Pai. É como se a Trindade divina se revelasse em um lindo mistério de amor e comunhão. Quando contemplamos Jesus, vemos Sua compaixão, Sua graça, Sua justiça e Seu sacrifício. Ele é o elo perfeito entre o eterno e o humano. E, ao mesmo tempo, Ele nos aponta para o Pai, mostrando-nos o amor insondável que nos envolve desde o princípio dos tempos.

Que possamos nos relacionar com esse Deus infinito e amoroso, porque essa é a Sua vontade. “Já não chamo vocês de servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas tenho chamado vocês de amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes dei a conhecer.” João 15:15 NAA

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

O TRATAMENTO DE DEUS

"Minha graça é tudo de que você precisa. Meu poder opera melhor na fraqueza. Portanto, agora fico feliz de me orgulhar de minhas fraquezas, para que o poder de Deus opere por meu intermédio.” 2 Coríntios 12:9 NVT

Se você é um cristão, certamente você está sendo provado neste exato momento de sua vida. As provas e tribulações desempenham um papel fundamental em nossa jornada espiritual, promovendo o amadurecimento necessário para o nosso aperfeiçoamento. É verdade que, embora enfrentar dificuldades possa ser doloroso, é por meio dessas experiências que crescemos, aprendemos e nos tornamos mais resilientes. Assim como as árvores fortalecem suas raízes durante tempestades, nós também nos fortalecemos diante das adversidades. 

Crescemos espiritualmente de muitas formas: através da leitura da Palavra, da oração contínua e das respostas que dela advêm, entre outras. No entanto, também crescemos quando Deus lida conosco, tocando áreas difíceis de nossas vidas, especialmente aquelas em que não queremos ou não permitimos que o Senhor opere em nós e nos transforme profundamente.

Certo é que Deus não apenas nos abençoa; Ele também nos corrige e molda. Quando permitimos que Ele toque nossas áreas mais difíceis, estamos abrindo espaço para transformação profunda. Às vezes, isso envolve enfrentar feridas, medos ou hábitos prejudiciais. Esse processo de crescimento espiritual requer rendição. Às vezes, precisamos deixar de lado nossa resistência e permitir que Deus faça Sua obra em nós. A transformação pode ser dolorosa, mas é sempre para o nosso bem.

Ao afirmar que “em todas estas coisas somos mais que vencedores por aquele que nos amou” - Romanos 8.35-37 - o apóstolo Paulo elenca o que vem a ser “todas estas coisas”: Tribulação, Angústia, Perseguição, Fome, Nudez, Perigo e Espada. Paulo está nos lembrando que, independentemente das adversidades, o amor de Deus nos capacita a superar todas as coisas. É uma mensagem de esperança e confiança. 

É verdade que a lista de situações mencionadas por Paulo em Romanos 8:35-37 pode parecer intimidante. No entanto, ele nos lembra que, embora possamos enfrentar essas adversidades, não estamos sozinhos. Paulo não está dizendo que todos passarão por todas essas situações, mas sim que, se enfrentarmos alguma delas, podemos superá-las. Ele reconhece a realidade da vida, com suas lutas e desafios, mas também nos dá esperança. A menção dessas dificuldades nos lembra de nossa humanidade. Não somos intocáveis; todos enfrentamos momentos difíceis. No entanto, nossa força não vem de nós mesmos, mas de Cristo. A promessa é clara: “somos mais que vencedores por aquele que nos amou.” A tribulação pode durar um tempo, mas, no final, a vitória é nossa. Estamos unidos a Cristo, e Ele é nossa esperança.

Quando enfrentamos tribulações, não somos apenas chamados a vencer; somos conduzidos pelo Senhor a um crescimento e amadurecimento, experimentando a obra transformadora de Deus em nossas vidas. Nossa grande vitória não é apenas quando superamos as dificuldades, mas também quando entendemos que há um processo de crescimento ocorrendo durante a luta.  “Não tema, porque eu estou com você; não fique com medo, porque eu sou o seu Deus. Eu lhe dou forças; sim, eu o ajudo; sim, eu o seguro com a mão direita da minha justiça." Isaías 41:10 NAA

À medida que enfrentamos desafios, aprendemos, nos fortalecemos e nos tornamos mais resilientes. A Bíblia nos assegura que Deus está ativamente envolvido em nossas vidas, especialmente durante as tribulações. Ele molda nosso caráter, nos purifica e nos conduz a uma fé mais profunda. É como se Ele estivesse refinando nossa alma.

A chave está em permanecer ancorados em nossa fé, independentemente das circunstâncias. Quando confiamos em Deus e buscamos Sua orientação, somos capacitados a enfrentar qualquer adversidade. As tribulações não são em vão. Quando elas se vão, deixam uma marca positiva em nós. Somos mais sábios, mais compassivos e mais conectados com Deus.

Em resumo, a jornada através das tribulações não é apenas sobre o destino final da vitória, mas também sobre a transformação que ocorre ao longo do caminho. Assim como o trigo é separado da palha pelo “tribulum,” enfrentar desafios nos leva a confrontar nossas fraquezas e limitações. Nesse processo, somos purificados e refinados pela ação do Espírito Santo que realiza em nós o trabalho de eliminação do que não é essencial em nossas vidas. Da mesma forma, podemos emergir mais fortes e focados nos propósitos que Deus tem para cada um de nós. Além disso, as tribulações nos desafiam a desenvolver resiliência e perseverança, fortalecendo nossa fé e determinação. E, quando nos sentimos fracos, é na graça transformadora de Deus que encontramos força.

Portanto, permita que Deus promova em você o amadurecimento necessário para o seu aperfeiçoamento.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

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