O VERBO QUE FALA, O NOME QUE É


"Disse Deus a Moisés: ‘EU SOU O QUE SOU. É isto que você dirá aos israelitas: EU SOU me enviou a vocês.’" (Êxodo 3:14, NVI)

Na Bíblia, todo falar de Deus tem um propósito. Nenhuma palavra se perde, nenhuma revelação é vazia ou aleatória. Quando Deus fala, algo se move, um destino se revela, uma missão é iniciada. O som da Sua voz não ecoa ao vento inutilmente — Ele encontra sempre um coração preparado para obedecer. "Assim também ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não voltará para mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei." (Isaías 55:11, NVI)

Em Êxodo 3, quando Deus chama Moisés no monte Horebe, Ele se apresenta de forma surpreendente: “EU SOU O QUE SOU.” Esse nome vai além de um rótulo — revela a natureza divina. Deus não diz “Eu fui” ou “Eu serei”, mas “EU SOU”, expressando eternidade, constância e presença viva. "Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus." (Salmos 90:2, NVI)

O nome “EU SOU” é um verbo. Diferente dos nomes descritivos que limitam ou explicam, Deus escolhe um verbo para Se apresentar — ação contínua, existência absoluta. Ele não depende de nada para ser. Ele é por Si mesmo. Ele é eterno, imutável e suficiente.
"Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre." (Hebreus 13:8, NVI)

Assim como o verbo é essencial para que uma frase faça sentido, esse Verbo divino — o EU SOU — é essencial para que a vida tenha significado. Sem Ele, tudo perde o propósito. Ele é o centro da existência, a base de todas as coisas. "Pois nele vivemos, nos movemos e existimos..." (Atos 17:28a, NVI)

Não é por acaso que João, no evangelho que leva seu nome, usa a mesma linguagem ao se referir a Jesus: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós." (João 1:1,14a, NVI). Jesus é a manifestação visível do Deus invisível. O mesmo Verbo eterno que falou com Moisés agora habita entre nós em carne e osso.

Quando Jesus declara: "Antes de Abraão nascer, Eu Sou!" (João 8:58, NVI), Ele está dizendo: “Sou o mesmo Deus que falou com Moisés. Sou eterno. Sou o Verbo que vive.” Isso não é apenas uma declaração teológica — é um convite à fé e à rendição. "Eu e o Pai somos um." (João 10:30, NVI)

Reconhecer que Deus é, transforma nossa forma de viver. Não mais presos ao passado nem ansiosos pelo futuro, confiamos no Deus presente. No sofrimento, Ele é consolo. Na escassez, Ele é provisão. No caos, Ele é paz. "Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade." (Salmos 46:1, NVI)

Isso também muda a forma como oramos. Oramos não a um Deus distante, mas a um Deus que É — que está conosco, no meio da dor, da dúvida e da caminhada. A oração se torna um diálogo com Aquele que nunca muda e nunca nos abandona. "Clame a mim e eu responderei e direi a você coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece." (Jeremias 33:3, NVI)

Portanto, não busquemos encaixar Deus nos nossos planos. Que sejamos nós a nos encaixar no plano dEle. Que nossa vida esteja conectada ao Verbo eterno, aquele que dá sentido, direção e propósito a tudo. "Respondeu Jesus: 'Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim'." (João 14:6, NVI)

O Deus da sarça ardente continua falando. E quando Ele fala, não são apenas palavras — é Ele mesmo se revelando. Que nossos corações estejam sensíveis à voz do EU SOU, que vive, age e transforma. "Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração." (Hebreus 3:15, NVI)

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

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