OS CAMPOS
DE BOAZ
"O Senhor retribua a você pelo que tem feito! Que você seja
ricamente recompensada pelo Senhor, o Deus de Israel, sob cujas asas veio
buscar refúgio." (Rute
2:12 – NVI)
A história de Rute é cheia de detalhes bonitos e cheios de significado.
Quando ela chegou ao campo de Boaz, parecia que era apenas uma coincidência.
Mas, aos olhos de Deus, era um plano perfeito. Deus estava conduzindo os passos
de Rute para um lugar onde ela encontraria provisão, acolhimento, honra e,
acima de tudo, redenção. Os campos de Boaz não eram campos comuns — eram campos
que revelavam o cuidado e o amor de Deus.
Os campos de Boaz eram campos de provisão. A terra era fértil, bem
cuidada, e estava no tempo da colheita. Mesmo sendo estrangeira e viúva, Rute
encontrou ali alimento suficiente para ela e para Noemi. A Palavra diz: “Assim
ela foi e começou a recolher espigas atrás dos ceifeiros. Por acaso entrou
justamente na parte da plantação que pertencia a Boaz...” (Rute 2:3 -
NVI). Nada é por acaso quando estamos sob o cuidado de Deus. Ele abre portas e
conduz nossos passos para lugares onde há sustento, mesmo em tempos difíceis.
Além disso, os campos de Boaz eram campos de acolhimento. Rute era
uma mulher moabita, de fora, mas Boaz a tratou com respeito e carinho. Ele não
a rejeitou, pelo contrário, protegeu e acolheu. “Disse então Boaz a Rute:
‘Ouça bem, minha filha. Não vá colher noutra lavoura, nem se afaste daqui.
Fique com minhas servas... [...] tenho ordenado aos rapazes que não a toquem.”
(Rute 2:8-9 - NVI) Esse ambiente seguro e respeitoso revela o coração generoso
de Boaz. Ele criou um lugar onde os mais frágeis podiam se sentir protegidos.
Os campos de Boaz também eram campos de honra e generosidade. Ele
não apenas permitiu que Rute colhesse o que restava. Ele mandou seus empregados
deixarem espigas propositalmente para ela recolher com facilidade. “Na hora da refeição Boaz lhe disse:
‘Venha cá. Pegue um pedaço de pão e molhe-o no vinagre.’ Quando ela se sentou
com os ceifeiros, Boaz lhe ofereceu grãos tostados. Ela comeu até ficar
satisfeita, e ainda sobrou.” (Rute 2:14 - NVI) Ele foi além do
necessário. Agiu com bondade e respeito. Isso mostra que seus campos eram
marcados por um espírito de generosidade e dignidade.
Havia também nos campos de Boaz um clima de justiça e temor a
Deus. Desde a forma como ele tratava seus funcionários até as palavras que
usava, Boaz demonstrava reverência a Deus. “Naquele exato momento, Boaz
chegou de Belém e saudou os ceifeiros: ‘O Senhor esteja com vocês!’ Eles
responderam: ‘O Senhor te abençoe!’” (Rute 2:4 - NVI) Essa simples
saudação mostra que Deus era reconhecido ali. Era um lugar onde a fé não estava
apenas nos lábios, mas fazia parte da rotina.
Mas talvez a parte mais linda da história seja que os campos de
Boaz eram campos de propósito e de providência divina. Rute não sabia quem era
Boaz. Ela não sabia que ele era parente de Noemi, alguém que podia exercer o
papel de resgatador. Mas Deus sabia. E foi Ele quem levou Rute até aquele
campo. O encontro com Boaz mudou sua vida. Ali começou uma nova história, não
apenas para Rute, mas para toda sua descendência — da qual viria o rei Davi, e
depois, o próprio Jesus. Os campos de Boaz eram, portanto, lugares de encontro
com o plano perfeito de Deus.
Hoje, ao olharmos para essa história, vemos que Rute era moabita,
uma estrangeira, e não fazia parte do povo de Israel. Ela não tinha direito à
bênção da aliança. Mas foi acolhida, cuidada e redimida — tudo por graça. Assim
também somos nós. Estávamos fora, sem acesso às promessas, mas Jesus, o nosso
Boaz, nos acolheu. Ele nos supre, nos honra, nos protege, age com justiça e,
acima de tudo, nos redime. Jesus é a Rocha firme, mas também é o campo onde
encontramos abrigo, provisão e direção. Nos campos de Boaz, Rute encontrou pão,
cuidado e um novo futuro. Nos braços de Jesus, encontramos tudo isso e muito
mais.
Que o nosso coração também se encontre nos campos do Senhor. Que
confiemos em Sua provisão, nos abriguemos em Sua graça e vivamos para o Seu
propósito. Porque, quando estamos nos campos de Jesus, mesmo aquilo que parece
simples — como recolher espigas — pode ser o início de algo grandioso.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
28/seg/abr/25
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