“Naquele
tempo nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus. Ele foi criado três
meses na casa de seu pai.” Atos 7:20 (NAA)
Você já se olhou no
espelho e se perguntou: “Será que eu sou bonito?” Essa
pergunta parece simples, mas mexe com todos nós em algum momento da vida. A
psicologia ensina que é importante desenvolver uma autoimagem positiva. Isso
não significa se achar perfeito ou melhor do que os outros, mas aprender a
reconhecer o próprio valor sem cair na armadilha das comparações destrutivas.
Quem vive acreditando que não tem valor algum acaba sofrendo mais com
insegurança, ansiedade e até depressão.
Por isso,
terapeutas incentivam a cultivar uma visão saudável de si mesmo, lembrando que
os padrões de beleza são relativos. Eles mudam com o tempo e de cultura para
cultura. O que é considerado belo hoje pode não ter sido no passado, e talvez
não seja amanhã. Assim, o mais importante não é o que o mundo pensa sobre a
nossa aparência, mas como nos vemos e, sobretudo, como Deus nos vê.
A diferença entre
autoestima e vaidade é muito clara. Autoestima saudável é quando a pessoa se
cuida, se respeita e reconhece sua dignidade. Já a vaidade exagerada acontece
quando alguém coloca sua identidade apenas na aparência e busca o tempo todo a
aprovação dos outros.
A Bíblia também
fala desse equilíbrio: Paulo lembra que o corpo é templo do Espírito Santo (1
Coríntios 6:19), ou seja, devemos cuidar dele com responsabilidade. Mas Pedro
adverte que a verdadeira beleza não está nos enfeites exteriores, e sim “no
ser interior, do coração, no espírito amável e tranquilo, que é de
grande valor diante de Deus.” 1 Pedro 3:3-4 (NAA)
Trago esse assunto
porque a Bíblia nos apresenta dois olhares sobre a beleza de Moisés. Em Êxodo
2:2, lemos: “A mulher concebeu e deu à luz um filho; vendo que era
formoso, escondeu-o por três meses.” Aqui, Joquebede, sua mãe, percebeu
a formosura de seu bebê e teve coragem de escondê-lo do decreto de morte de
Faraó. Já em Atos 7:20, Estêvão declara: “Naquele tempo nasceu Moisés,
que era formoso aos olhos de Deus.” Perceba a diferença: um olhar
humano e outro divino.
Que mãe não acha o
filho bonito? Aos olhos de sua mãe, Moisés era um menino gracioso, saudável,
cheio de vida. Essa percepção deu a ela coragem para lutar por sua
sobrevivência. Mas, aos olhos de Deus, Moisés era formoso por uma razão ainda
mais profunda: havia sobre ele um chamado eterno. Sua beleza não estava
apenas na aparência, mas no propósito divino que carregava — seria o libertador
de Israel, o instrumento através do qual o Senhor realizaria sinais e
maravilhas.
Essa distinção é
poderosa para nós. A formosura humana é passageira, limitada à aparência e
sujeita ao tempo. Quantas pessoas hoje se preocupam apenas com a estética? A
sociedade valoriza o que impressiona aos olhos, mas a Bíblia nos lembra: “O
homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.” 1 Samuel 16:7 (NAA) A
beleza que permanece não é a do rosto ou do corpo, mas a de um caráter moldado
por Deus.
Moisés nos mostra
que a verdadeira formosura é estar nos planos de Deus. Aos olhos humanos, ele
era apenas um bebê bonito. Aos olhos de Deus, ele era alguém separado para
mudar a história. O mesmo acontece conosco e com nossos filhos. Podemos vê-los
bonitos, inteligentes, talentosos — mas o mais importante é que sejam formosos
aos olhos do Senhor, crescendo debaixo da vontade d’Ele e preparados para
cumprir sua missão.
Nos dias de hoje,
essa lição continua muito atual. Muitos pais se preocupam em oferecer aos
filhos roupas da moda, boa educação e oportunidades de carreira — e tudo isso
tem o seu valor. Mas, acima de tudo, é necessário plantar neles os valores
espirituais que permanecem. Joquebede não teve muito tempo com Moisés, mas o
pouco que ensinou ficou gravado em seu coração e fez toda a diferença quando
ele se tornou adulto (Hebreus 11:24-25). Ela não desejava que seu filho fosse
moldado pela cultura do Egito, mas trabalhou para que sua mente fosse
conformada aos valores eternos.
Da mesma forma,
cada um de nós precisa cultivar em si e em seus filhos uma beleza que vai além
do espelho. Não é errado cuidar do corpo, da aparência e da saúde, mas se não
cuidarmos do coração e não vivermos em obediência ao Senhor, toda beleza
externa perde o valor. Como disse Pedro, o que realmente importa é o “espírito
amável e tranquilo, de grande valor diante de Deus.” 1 Pedro 3:4 (NAA)
É por isso que a
Palavra nos adverte: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas
transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de
experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:2 (NAA) A verdadeira beleza não está em seguir padrões impostos pela
sociedade, mas em refletir a vontade do Senhor na vida diária.
A beleza física
passa, mas a beleza do caráter moldado por Deus permanece para sempre. Quando
aprendemos isso, conseguimos viver com dignidade e propósito, sem sermos
prisioneiros da opinião dos outros. O segredo da verdadeira formosura é estar
dentro da vontade de Deus, refletindo Sua graça e Seu propósito em nossa vida.
Aos olhos dos
homens, a beleza pode impressionar; aos olhos de Deus, a beleza é propósito. O
que torna alguém verdadeiramente formoso não é a aparência, mas o coração
rendido ao Senhor e a vida alinhada com Sua vontade.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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