“Mas, como
está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em
coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1
Coríntios 2:9 (NAA)
Imagine-se em um
barco no meio do oceano. De repente, você se inclina, mergulha a mão em forma
de concha e a enche com um pouco daquela água. Pouco a pouco, começa a perceber
a água escorrendo por entre os dedos, até que nenhuma gota permaneça em sua mão.
Então, ao levantar os olhos, você contempla a vastidão do mar diante de si,
águas sem fim, que se perdem no horizonte.
Essa cena ilustra
algo muito maior. A pequena quantidade de água que escapa pelas mãos representa
a nossa vida terrena — limitada, frágil e passageira — que, como diz o
salmista, “passa como um breve pensamento.” Salmos 90:9 (NAA). Já
o oceano sem limites diante de nós simboliza a vida eterna que Deus preparou
para todos os que nEle creem. O contraste é profundo: por mais que tentemos
segurar a vida aqui, ela inevitavelmente escorre, mas à nossa frente está a
promessa de uma existência sem fim, abundante e plena na presença do Senhor.
Essa imagem nos
desafia a não viver apenas para o que escapa de nossas mãos, mas a levantar os
olhos e fixar a esperança no oceano da eternidade que nos aguarda em Cristo
Jesus. Aqui podemos acumular bens, buscar prazer, conquistar títulos e
prestígio, mas tudo passa como vapor. Quantas vezes vemos pessoas batalharem
por reconhecimento humano e, de repente, perderem a saúde, a juventude ou até a
própria vida? A realidade é que nada do que é terreno pode nos dar segurança
absoluta. Mas o que o Senhor nos promete vai muito além do que conseguimos
enxergar, ouvir ou imaginar.
Jesus mesmo nos
assegurou: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu
lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês. E, quando eu for e
preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu
estou, vocês estejam também.” João 14:2–3 (NAA). Essa é a nossa
esperança viva: existe um lugar reservado para nós na eternidade.
Paulo também falou
de uma experiência extraordinária: ele foi arrebatado ao terceiro céu. Ele não
entra em detalhes, mas deixa claro que a glória que viu era tão grande que nem
palavras humanas poderiam descrevê-la: “Conheço um homem em Cristo que,
há catorze anos, foi arrebatado até o terceiro céu (se no corpo ou fora do
corpo, não sei; Deus o sabe). E sei que esse homem — se no corpo ou fora do
corpo, não sei, Deus o sabe — foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras
indizíveis, que ao ser humano não é permitido falar.” 2 Coríntios
12:2–4 (NAA).
Na tradição
bíblica, a palavra “céu” tem diferentes sentidos. O primeiro céu é o
natural, visível: a atmosfera, as nuvens, os pássaros em voo. O segundo céu é o
espaço sideral, o firmamento onde se encontram o sol, a lua e as estrelas, como
descrito no Salmo: “Os céus anunciam a glória de Deus e o firmamento
proclama a obra das suas mãos.” Salmos 19:1 (NAA). Já o terceiro
céu é a dimensão espiritual, o paraíso, a morada de Deus e o destino final dos
salvos em Cristo. Foi para esse lugar que Paulo foi arrebatado e ouviu palavras
indizíveis, que não lhe era permitido revelar. Isso nos mostra que existe uma
realidade eterna muito além daquilo que nossos olhos podem ver e nossa mente
compreender.
Paulo não conseguiu
descrever em palavras o que experimentou, mas nos deixou um vislumbre dessa
esperança: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em
coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1
Coríntios 2:9 (NAA). Até o oceano, em toda sua imensidão, não é suficiente para
ilustrar a grandeza da eternidade que nos aguarda. O Céu é infinitamente
superior, incomparável a qualquer imagem que possamos criar. É o destino do
povo de Deus, a nossa herança incorruptível, a nossa morada definitiva.
A vida aqui é como
o vapor que logo se dissipa, como a flor que nasce pela manhã e murcha ao
entardecer. Quantos de nós já não sentimos como os dias passam rápido e como
tudo parece escorrer pelos dedos? Mas a eternidade com Jesus jamais terá fim.
Lá não haverá morte, dor ou despedidas, apenas plenitude de vida, comunhão
perfeita e alegria sem limites diante do Senhor.
Por isso,
precisamos aprender a olhar menos para a água que escorre de nossas mãos e mais
para o oceano infinito que nos espera. Essa perspectiva muda nossas escolhas,
nos ajuda a viver com esperança e nos faz valorizar o que realmente importa: amar
a Deus, servir ao próximo e manter os olhos fixos em Cristo.
Nossa vida aqui
escorre como água entre os dedos, mas à nossa frente está o oceano da
eternidade em Cristo, onde não haverá fim para a alegria e a comunhão com o
Senhor.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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