SER CRISTÃO HOJE AINDA EXIGE CORAGEM
“Pois o Espírito
que Deus nos deu não nos torna medrosos; pelo contrário, o Espírito nos enche
de poder e de amor e nos torna prudentes.” 2 Timóteo 1:7 (NTHL)
Você já ouviu falar
do “crente agente secreto”? É aquele que trabalha anos em uma empresa e ninguém
sabe que ele é cristão. Ou o estudante que termina o curso universitário e, só
no dia da formatura, quando aparece no convite o endereço da igreja para o
culto de gratidão, alguém comenta, surpreso: “Mas você é crente? Nunca
imaginei!”. Hoje, as pessoas, com suas atitudes e palavras tão niveladas,
permitem que o tal “crente secreto” passe despercebido, camuflado no meio da
multidão.
No meu tempo, isso
era quase impossível. O crente era identificado até pela Bíblia que carregava.
E quando alguém aparecia na igreja com uma Bíblia pequenininha, sempre tinha um
irmão que brincava: “Esqueceu a espada, meu amado? Trouxe só o canivete
hoje?”. A Bíblia, o falar, o vestir — tudo identificava os servos de
Cristo. Hoje, essa percepção ficou mais difícil, principalmente porque muitos
têm se conformado com este século e abandonado valores que sempre foram
referência. Valores que não são meros detalhes, mas atributos essenciais
àqueles que pertencem ao Reino. Testemunho é o que falta.
E, no entanto, o
desafio continua o mesmo: quantas vezes temos vergonha de falar de Jesus no
ambiente de trabalho, na escola ou até entre amigos? Quantas vezes preferimos o
silêncio para evitar constrangimento? Mas o Espírito Santo nos foi dado
exatamente para nos capacitar nesses momentos. Ele nos dá as palavras certas,
coragem para testemunhar e amor para não agir com arrogância, mas sempre com
humildade.
A presença do
Espírito em nós não é apenas para experiências emocionantes ou momentos de
consolo. Ele habita em nós para nos tornar pessoas corajosas, cheias de amor e
equilibradas em nossas escolhas. Foi isso que Paulo lembrou a Timóteo: não
tenha medo, não tenha vergonha de testemunhar Cristo, mesmo que isso signifique
perseguição, rejeição ou sofrimento. O chamado é claro: com a força que vem
de Deus, esteja pronto até para sofrer por amor ao evangelho.
Esse evangelho do
Reino, primeiramente anunciado por Jesus e depois pregado pelos apóstolos —
inclusive Paulo — não chegou até nós como uma mensagem moldada para agradar os
homens. Paulo foi enfático ao dizer: “O que também recebi, vos entreguei.”
1 Coríntios 15:3 (NAA). Portanto, não existe outro evangelho Gálatas 1:8-9. Não
há versões alternativas que possam ser escolhidas conforme a conveniência
humana. O verdadeiro evangelho tem seu ponto de partida na cruz — lugar de
sofrimento e vergonha, reservado aos piores criminosos — mas que, em Cristo,
tornou-se o símbolo da maior vitória da história: a derrota do pecado e da
morte e a reconciliação definitiva com Deus.
E é importante
lembrar: Deus não nos chamou por causa da nossa inteligência, talento ou
capacidade especial. Seu plano é claro desde antes da fundação do mundo: Ele
nos chamou para sermos Seu povo e anunciarmos a salvação em Cristo. Ele mesmo
nos capacita e nos dá graça.
Foi Jesus quem
destruiu o poder da morte. Ele não trouxe novidades religiosas ou atalhos, mas
revelou plenamente a vontade do Pai através do evangelho: boas notícias de uma
vida que não termina, de uma vitória que atravessa a eternidade. “Ele,
porém, lhes disse: ‘É necessário que eu anuncie também às outras cidades o
evangelho do Reino de Deus, porque para isso é que fui enviado’.” Lucas
4:43 (NAA)
A igreja é
testemunha viva dessa vitória. Ela crê, prega e vive esse evangelho porque sabe
em quem tem crido. Sabe que Deus é fiel e poderoso para guardar aquilo que lhe
foi confiado até o dia final. Por isso, mesmo que testemunhar custe lágrimas,
ainda assim vale a pena. O testemunho verdadeiro é fruto de uma fé sincera, que
não se esconde, mas se expressa em palavras e atitudes.
Conservar vivo o
dom de Deus em nós é essencial. Isso significa manter a chama acesa por
meio da oração, do estudo da Palavra e do serviço fiel. Quando não cuidamos
dessa chama, ela pode se enfraquecer — não porque o Espírito nos abandone, mas
porque nós mesmos deixamos de valorizar o que Ele nos concedeu. E quando isso
acontece, até o testemunho, que deveria ser alegria e privilégio, passa a ser
visto como um fardo.
Nos dias de hoje,
ser cristão continua exigindo coragem. Você não precisa de habilidades
extraordinárias para testemunhar. Precisa apenas estar disposto a deixar o
Espírito agir. Ele fará de você um instrumento de coragem, amor e equilíbrio.
O Espírito Santo
nos foi dado para que vivamos sem medo, com amor sincero e com prudência. Ele
nos capacita a testemunhar, mesmo quando custa lágrimas, porque em Cristo temos
a vitória que venceu a morte e nos garante a vida eterna.
"O Espírito
Santo não nos foi dado para ficarmos em silêncio, mas para vivermos com
coragem, amor e equilíbrio, mostrando com a vida e com as palavras que em
Cristo já temos a vitória eterna."
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
Nenhum comentário:
Postar um comentário