O LOUVOR QUE NASCE DA CONFIANÇA

Enquanto eu viver, louvarei o Senhor.” — Salmo 146:2 (NAA)

O Salmo 146 é um convite vibrante à adoração. É um dos cinco últimos salmos da Bíblia — conhecidos como Salmos de Aleluia — que eram cantados nas sinagogas no início e no fim de cada culto. Todos começam e terminam com a mesma palavra: “Aleluia!”. Não sabemos quem o escreveu nem quando foi composto, mas o que ele expressa é atemporal: o evangelho da confiança.

O salmista nos coloca em uma posição privilegiada, lembrando que somos mortais e passageiros nesta terra, enquanto Deus é eterno, soberano e digno de toda confiança. Essa diferença entre o Criador e a criatura nos leva à humildade e, ao mesmo tempo, à gratidão. O louvor, aqui, é mais do que música — é a resposta natural de uma alma que reconhece a grandeza de Deus.

Quando o salmista diz: Louve, ó minha alma, o Senhor.”  Salmos 146:1 (NAA), ele não fala de um ato mecânico, mas de uma decisão do coração. É como se dissesse: “Minha alma, desperta! Não te esqueças do teu Deus!”. O louvor verdadeiro nasce da alma — é o eco de quem provou a graça e não consegue guardar silêncio.

O pregador Charles Spurgeon, chamado “O Príncipe dos Pregadores”, escreveu sobre esse salmo: “Quando O louvamos, despertamos nosso eu mais íntimo, nossa vida central. Temos apenas uma alma, e, se ela for salva da ira eterna, é obrigada a louvar seu Salvador.” (Tesouros de Davi, vol. 3, p. 894).

Quem sou eu para discordar de Spurgeon? Ainda assim, acredito que o louvor não é uma obrigação imposta, mas um impulso natural de quem experimentou a bondade e a misericórdia de Deus. O coração salvo não é forçado a louvar — ele simplesmente não consegue ficar calado.

O salmista também responde à pergunta: Quando devo louvar?” E ele mesmo responde: Louvarei o Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu viver.”  Salmos 146:2 (NAA). Enquanto tivermos fôlego, o louvor é nosso chamado. A vida passa depressa, mas cada dia é oportunidade para adorar o Criador.

Depois, o salmo muda o tom e traz uma advertência: “Não confiem em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação.  Salmos 146:3 (NAA). É quase uma ordem: não depositem esperança em pessoas, porque o homem é frágil, passageiro e falho. Ele promete e falha, planeja e esquece, começa e desiste. Quando morre, seus pensamentos perecem. (Salmos 146:4 ).

Quantas vezes, por ilusão, depositamos nossa confiança em figuras poderosas — líderes, políticos, sistemas — esquecendo que somente Deus tem o poder de sustentar a alma. O homem pode até oferecer ajuda temporária, mas só Deus traz alívio eterno.

O salmista, então, nos aponta o verdadeiro lugar da confiança: “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus.”  Salmos 146:5 (NAA). Aqui está a verdadeira felicidade — não em controlar o futuro, mas em descansar nas mãos d’Aquele que nunca falha. O Deus de Jacó é o Deus da aliança, fiel de geração em geração. Ele não muda, não morre e não esquece Suas promessas.

Nossa esperança, portanto, não é uma ideia, uma expectativa ou um otimismo humano. Nossa esperança é uma pessoa real: Jesus Cristo. Como afirma Tito 2:13 (NAA): “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.”

Ele não apenas promete salvação — Ele é a salvação. O mundo espera soluções humanas, mas nós esperamos Alguém que já venceu a morte e garantiu o nosso amanhã. Em Cristo, a esperança deixa de ser desejo incerto e se torna certeza viva — uma âncora segura para o coração.

O Salmo 146 nos lembra que o louvor não depende das circunstâncias, mas da confiança. Quando tudo vai bem, louvamos por gratidão; quando tudo parece desabar, louvamos por fé. E nesse louvor, a alma encontra equilíbrio, paz e direção.

“O louvor é a linguagem natural de quem confia. Ele nasce não da obrigação, mas da gratidão de quem sabe que a esperança tem nome: Jesus.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/out/25

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