A GRATIDÃO NOS ABRE O CAMINHO E O LOUVOR NOS MANTÉM

 “Entrem por suas portas com ações de graças e, em seus átrios, com hinos de louvor; rendam-lhe graças e bendigam o seu nome.” Salmo 100:4 (NAA) —

O Salmo 100:4 nos apresenta um princípio simples e profundo, que continua atual para cada adorador. Ele mostra uma ordem espiritual que Deus mesmo estabeleceu: entrar pelas portas com ações de graças e, depois disso, permanecer nos átrios com hinos de louvor. Essa ordem não é apenas poética; é um caminho espiritual que transforma nossa maneira de nos aproximarmos do Senhor.

Quando o salmista fala sobre entrar pelas portas com ações de graças, ele está falando de chegar diante de Deus com um coração realmente grato. A palavra usada para “ações de graças” é todah, que significa uma gratidão expressa, verbalizada, clara. Não é apenas sentir algo internamente, mas dizer: “Senhor, eu reconheço o que o Senhor fez por mim.” É essa atitude que funciona como uma chave que abre o primeiro espaço da presença de Deus.

No Templo, as portas eram o ponto de transição: ao atravessá-las, a pessoa deixava o ambiente comum e entrava em um espaço dedicado ao Senhor. Assim também acontece conosco. Antes de pedir qualquer coisa, antes de apresentar nossas lutas, nossos medos e necessidades, Deus nos chama a começar pela gratidão. Ela prepara o coração, acalma a alma e abre espaço para algo mais profundo.

Podemos ver isso de forma muito prática. Pense em alguém que acorda pela manhã e, mesmo cansado ou com desafios pela frente, diz: “Senhor, obrigado por mais um dia.” Ou alguém que, diante de um diagnóstico difícil, ainda consegue agradecer por estar vivo, por ter pessoas ao lado, por sentir a força de Deus sustentando. Ou ainda alguém que, ao receber uma promoção no trabalho, antes de celebrar o resultado, agradece ao Senhor por ter guiado todos os passos até ali. Esses são exemplos simples, mas reais, que mostram o que significa entrar pelas portas com ações de graças. É o primeiro passo. É a porta que se abre.

Depois das portas, o salmista nos leva aos átrios. Os átrios eram os espaços internos do Templo, onde o povo passava mais tempo. Ali eles cantavam, adoravam, ofereciam sacrifícios e celebravam quem Deus é. Por isso, o texto diz que é ali que entramos com hinos de louvor. A palavra usada para “louvor” é tehillah, que significa exaltação, reconhecimento do caráter de Deus, declaração de Sua grandeza, Sua santidade, Seu amor e Sua bondade. Se a gratidão nos faz entrar, o louvor nos faz permanecer.

Louvar é olhar além das circunstâncias e dizer: “Deus, Tu és bom. Tu és fiel. Tu és digno.” É algo que nasce de dentro, quando percebemos não apenas o que Ele faz, mas quem Ele é. É como quando alguém está passando por um momento difícil, mas, mesmo assim, escolhe louvar ao Senhor por Sua fidelidade. Ou quando alguém, em meio a uma grande alegria, não apenas agradece, mas declara que Deus é Senhor de todas as coisas. A gratidão olha para as obras de Deus; o louvor olha para o coração de Deus.

O salmista revela que essa ordem é intencional. Ele mostra que existe um caminho espiritual: portas → átrios → presença. No Templo, ninguém chegava direto ao Santo dos Santos. Havia um processo. Primeiro as portas. Depois os átrios. Depois o lugar de sacrifício e entrega profunda. A jornada da adoração tem etapas, e todas elas são importantes. Primeiro reconhecemos o que Deus fez. Depois celebramos quem Ele é. E essa caminhada nos leva mais perto dEle.

Hoje, mesmo sem o Templo físico, esse princípio continua vivo. A gratidão abre a nossa alma. O louvor aprofunda a nossa comunhão. A adoração nos conduz ao íntimo de Deus. Quando seguimos essa ordem espiritual, nossa vida muda. Nossa forma de nos aproximar de Deus muda. Nosso coração muda. Por isso o salmista, em outras palavras, nos diz: “Quer entrar? Comece agradecendo. Quer permanecer? Continue louvando.”

Essa é a jornada espiritual do adorador. A gratidão nos abre o caminho; o louvor nos mantém na presença; e juntos eles nos levam ao coração de Deus.

“A gratidão abre o caminho até Deus, e o louvor nos mantém diante dEle.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/dez/25

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