NÃO TROQUE O BANQUETE DO CÉU PELAS MIGALHAS DO MUNDO
“E cuidem
para que não haja nenhum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um prato
de comida, vendeu o seu direito de primogenitura.” Hebreus 12:16 (NAA).
Ontem mesmo vi uma
frase escrita em um para-choque de caminhão: “Não troque o banquete do céu
pelas migalhas do mundo.” É uma frase simples, mas que nos leva a uma
profunda reflexão. Aos nossos olhos, parece muito fácil distinguir um banquete
de algumas migalhas. Ninguém, diante de uma mesa farta, escolheria alguns
restos espalhados pelo chão. Entretanto, quando se trata das escolhas do
coração, nem sempre conseguimos enxergar com a mesma clareza.
Esaú é um exemplo
impressionante disso. Ele chegou cansado e com fome, viu a comida que Jacó
havia preparado e desejou satisfazer imediatamente aquela necessidade. Naquele
momento, um prato de comida pareceu mais importante do que o seu direito de
primogenitura. Esaú trocou algo de grande valor por aquilo que resolveria
apenas uma necessidade passageira. A comida matou sua fome por algumas horas,
mas sua decisão teve consequências muito maiores. Esse é um exemplo clássico de
troca de migalhas por um banquete.
É assim também com
muitas das “migalhas” que o mundo coloca diante de nós. Elas quase nunca
parecem migalhas quando são oferecidas. Parecem prazeres, oportunidades,
vantagens, reconhecimento ou liberdade. O problema é que nosso coração pode
atribuir enorme valor ao que é passageiro e pouco valor ao que é eterno. A
própria Bíblia nos adverte: “Enganoso é o coração, mais do que todas as
coisas, e desesperadamente corrupto. Quem poderá entendê-lo?” Jeremias
17:9 (NAA).
Uma dessas migalhas
é o prazer passageiro. Existem escolhas que oferecem alguns minutos de
satisfação, mas depois deixam vazio, culpa, dependência ou sofrimento. A pessoa
sabe que determinada atitude não agrada a Deus, mas pensa: “Só desta vez.”
O pecado quase
nunca apresenta a conta antes de servir o prato. Primeiro oferece o prazer;
depois mostra o preço. O mundo promete felicidade imediata, enquanto Deus nos
oferece uma alegria muito mais profunda, que não precisa ser comprada com a
perda de nossa comunhão com Ele.
Outra migalha é
viver buscando a aprovação das pessoas. Isso se tornou ainda mais evidente em
nosso tempo. Há pessoas que medem seu valor pelo número de curtidas,
comentários, seguidores ou elogios que recebem nas redes sociais. Outras fazem
qualquer coisa para serem aceitas por amigos, colegas ou familiares, chegando
até a esconder sua fé ou participar de coisas que sabem não agradar a Deus. Mas
a opinião humana muda rapidamente. Quem hoje aplaude amanhã pode criticar. A
aprovação das pessoas é frágil demais para sustentar uma vida inteira.
O dinheiro e os
bens também podem se transformar em migalhas quando passam a ocupar o lugar que
pertence a Deus. Não há pecado em trabalhar, prosperar, possuir uma casa,
viajar ou oferecer conforto à família. O perigo começa quando possuir se
transforma na principal razão de viver. Podemos acumular muito nesta terra e
chegar pobres diante de Deus. Jesus ensinou: “..._mas ajuntem tesouros no
céu, onde as traças e a ferrugem não corroem, e onde ladrões não escavam, nem
roubam.” Mateus 6:20 (NAA). Acumular tesouros no céu é escolher o
banquete.
Poder, posição e
status são outras migalhas muito disputadas. Há pessoas que perdem amizades,
ferem famílias, prejudicam colegas e até comprometem sua própria fé para
conquistar um cargo, um título ou determinada posição. Entretanto, cargos
terminam, empresas mudam, mandatos acabam, títulos ficam para trás e o
prestígio de hoje pode desaparecer amanhã. É uma troca muito cara abandonar
princípios eternos para conservar uma posição temporária.
E talvez as
migalhas mais perigosas sejam os pecados que prometem liberdade:
relacionamentos que nos afastam de Deus, vícios, pornografia, mentira,
vingança, desonestidade e tantos outros caminhos que parecem oferecer prazer ou
vantagem. O pecado sempre coloca alguma coisa em nossa mão, mas procura
esconder aquilo que pretende tirar de nós. Esaú recebeu um prato de comida, mas
entregou algo muito maior.
Por isso, diante de
algumas decisões, precisamos aprender a perguntar: “Estou recebendo um banquete
ou aceitando migalhas? O que estou ganhando agora e o que posso estar
perdendo?”
Há coisas que
brilham muito diante dos nossos olhos, mas valem pouco diante de Deus. E há
coisas que o mundo considera pequenas: oração, fidelidade, santidade, comunhão
com Deus, obediência à Sua Palavra, uma consciência limpa e uma vida colocada
em Suas mãos, que fazem parte do verdadeiro banquete que Ele preparou para
aqueles que O amam.
Não faça como Esaú.
Não entregue algo precioso e duradouro para satisfazer uma necessidade
momentânea. Não troque sua paz por um prazer, sua consciência por uma vantagem,
sua família por uma aventura, sua fé pela aprovação das pessoas ou sua comunhão
com Deus por qualquer coisa que o mundo possa oferecer.
As migalhas do
mundo podem satisfazer por alguns instantes, mas o banquete de Deus alimenta a
alma para a eternidade. O maior engano das migalhas do mundo é parecerem
suficientes enquanto estão em nossas mãos; somente depois percebemos o valor
daquilo que deixamos à mesa de Deus.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
04/set/26
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