POR QUE ALGUNS CRISTÃOS VIVEM VITÓRIAS PELA METADE?

“Porém os filhos de Judá não puderam expulsar os jebuseus que habitavam em Jerusalém.” Josué 15:63 (NAA).

Há cristãos que conhecem a vitória, mas parecem nunca desfrutar plenamente dela. Avançam em algumas áreas, vencem determinadas batalhas, experimentam respostas de oração, amadurecem espiritualmente, mas continuam convivendo com situações que há muito deveriam ter sido enfrentadas diante de Deus. Foi mais ou menos isso que aconteceu com Judá em Jerusalém.

A terra havia sido dada por Deus. A promessa existia. O povo havia avançado muito. Grandes inimigos tinham sido vencidos. Cidades haviam sido conquistadas. Mesmo assim, Josué registra algo surpreendente: os filhos de Judá não conseguiram expulsar os jebuseus que habitavam em Jerusalém. Eles possuíam a terra, mas não possuíam tudo aquilo que poderiam possuir.

Havia vitória, mas também havia resistência. Havia conquista, mas também havia uma fortaleza que permanecia.

Talvez essa seja a realidade espiritual de muitos cristãos. Não são pessoas sem fé. Não estão necessariamente afastadas de Deus. Já experimentaram muitas coisas com o Senhor. Entretanto, existem áreas de sua vida onde a vitória parece nunca se completar. Às vezes, o problema está justamente naquilo que aprendemos a tolerar.

No começo, lutamos contra determinada fraqueza. Depois nos acostumamos com ela. Começamos dizendo: “Isso precisa mudar.” Algum tempo depois passamos a dizer: “Eu sou assim mesmo.” E aquilo que deveria ter sido tratado torna-se parte da paisagem.

Pode ser uma mágoa antiga que nunca foi verdadeiramente entregue a Deus. Pode ser um hábito que sabemos que não agrada ao Senhor. Pode ser orgulho, ressentimento, inveja, falta de perdão, negligência na oração, descontrole das palavras ou alguma área que insistimos em manter sob nosso próprio governo.

Não abandonamos Jerusalém. Mas também não expulsamos completamente os jebuseus. Passamos a conviver com eles.

Esse é um grande perigo da vida espiritual: transformar aquilo que Deus deseja transformar em algo que aprendemos simplesmente a administrar.

Judá talvez pudesse dizer: “Já conquistamos tanta coisa. Esta parte pode ficar assim.” Mas uma fortaleza não conquistada continua sendo uma fortaleza.

Mais tarde, encontramos os jebuseus ainda ocupando aquele lugar. Somente muito tempo depois, nos dias de Davi, a fortaleza de Sião seria finalmente tomada.

Isso nos ensina que algumas derrotas persistentes em nossa vida não existem porque Deus seja incapaz de nos dar vitória, mas porque determinadas áreas exigem de nós perseverança, dependência, obediência e disposição para continuar lutando.

Há pessoas que querem a vitória, mas não querem enfrentar aquilo que impede a vitória. Querem paz, mas não querem perdoar. Querem comunhão com Deus, mas não querem abandonar certos hábitos. Querem mudança, mas continuam alimentando aquilo que precisa morrer. Querem experimentar uma vida espiritual mais profunda, mas oferecem ao Senhor apenas algumas áreas da vida. Não podemos confundir a graça de Deus com permissão para acomodação.

Ao mesmo tempo, precisamos tomar cuidado para não pensar que uma vida cristã plenamente vitoriosa significa uma existência sem dificuldades. Jesus nunca prometeu isso. Podemos estar completamente entregues a Cristo e ainda enfrentar enfermidades, perdas, perseguições, lágrimas e períodos de profunda luta.

A vitória cristã não significa que nunca haverá batalha. Significa que nenhuma batalha precisa nos separar de Cristo.

Paulo enfrentou prisões, perseguições, fraquezas e sofrimento, mas pôde declarar: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” Romanos 8:37 (NAA). Observe o seguinte: ele não disse que somos vencedores sem essas coisas, mas em todas essas coisas.

Talvez, portanto, a pergunta não seja apenas: “Por que ainda tenho lutas?” A pergunta mais profunda é: Existe alguma área da minha vida onde parei de lutar e comecei a conviver com aquilo que Deus quer transformar? Talvez exista uma Jerusalém dentro de nós na qual já avançamos bastante, mas onde ainda permanece uma fortaleza.

Cristo não nos chamou para uma vida de acomodação espiritual. Há lugares do nosso coração nos quais Ele ainda deseja governar plenamente. E talvez a vitória que estamos esperando comece quando deixarmos de chamar de convivência aquilo que Deus ainda chama de batalha.

A vida cristã perde o sabor da vitória completa quando fazemos acordo com aquilo que Deus nos chamou para vencer.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/set/26

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