QUANDO A ALMA NÃO
QUER INDEPENDÊNCIA
“— Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem
permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não
podem fazer nada.” João 15:5 (NAA).
Hoje é 7 de setembro, o Brasil celebra sua independência. A
palavra independência costuma trazer uma ideia muito positiva. Fala de
liberdade, autonomia, capacidade de seguir o próprio caminho sem estar debaixo
do domínio de outro. Para uma nação, isso tem grande importância. Mas, quando
pensamos na vida espiritual, encontramos uma verdade aparentemente contrária:
a alma não foi criada para viver independente de Deus.
Nosso problema começou justamente quando o ser humano
desejou autonomia em relação ao Criador. No Éden, a tentação apresentada à
humanidade foi, em essência, esta: “Vocês podem decidir por si mesmos o que
é certo e errado. Não precisam depender de Deus.” Desde então, o coração
humano continua sendo atraído por essa mesma ideia.
Queremos controlar a própria vida, definir os próprios
caminhos, escolher nossos valores e, muitas vezes, procurar Deus apenas quando
aquilo que planejamos não funciona.
Jesus, porém, apresentou uma imagem completamente diferente.
Ele disse que é a videira e nós somos os ramos. Um ramo pode até parecer
independente depois de ser cortado da árvore, mas aquela independência é apenas
o começo da morte. Durante algum tempo ele ainda conserva a aparência de vida,
mas perdeu a fonte que o sustentava.
Assim acontece conosco. Podemos trabalhar, estudar,
construir uma família, fazer planos, administrar dinheiro e tomar muitas
decisões sem perguntar nada a Deus. Aos olhos humanos, talvez pareçamos fortes
e autossuficientes. Mas Jesus foi muito claro: “sem mim vocês não podem
fazer nada.” João 15:5 (NAA).
Isso não significa que uma pessoa sem Cristo seja incapaz de
trabalhar ou realizar coisas importantes. Significa que, separados dEle, não
conseguimos produzir aquilo que possui verdadeiro valor espiritual e eterno.
Podemos construir uma vida inteira e, ainda assim, descobrir que construímos
longe da Fonte da vida.
Pense numa pessoa que recebe uma proposta profissional
excelente. O salário é maior, o cargo é melhor e tudo parece perfeito. Ela pode
simplesmente decidir olhando para os números ou pode parar e perguntar: “Senhor,
isso realmente é bom para mim e para minha família? Este caminho me aproxima ou
me afasta de Ti?”
Outra pessoa enfrenta um problema no casamento. Sua vontade
é agir impulsivamente, responder na mesma medida ou desistir. Depender de Deus
é reconhecer: “Senhor, meus sentimentos estão me dizendo uma coisa, mas
quero saber o que Tua Palavra me ensina.”
Dependência de Deus não significa falta de personalidade ou
incapacidade de tomar decisões. Pelo contrário. Significa reconhecer que somos
livres, mas não somos suficientes em nós mesmos.
Há uma independência da qual realmente precisamos: a
independência do pecado. Jesus veio nos libertar daquilo que nos escravizava.
Mas essa liberdade não nos transforma em pessoas que não precisam mais de
ninguém. Cristo nos liberta do pecado para que possamos viver ligados a Ele.
Esse talvez seja um dos grandes enganos da nossa geração. O
mundo nos ensina a dizer: “Eu não preciso de ninguém. Eu me basto. Eu decido
minha verdade. Eu faço meu próprio caminho.” O Evangelho nos ensina outra
oração: “Senhor, eu preciso de Ti.”
Existe uma enorme diferença entre viver escravizado aos
homens e viver voluntariamente dependente de Deus. A primeira condição oprime;
a segunda sustenta. A primeira rouba liberdade; a segunda nos conduz à
verdadeira liberdade.
Até nossa oração revela essa dependência. Quando pedimos o
pão de cada dia, estamos reconhecendo que nossa vida continua nas mãos de Deus.
Quando pedimos direção, admitimos que nem sempre sabemos qual caminho escolher.
Quando pedimos perdão, reconhecemos que não conseguimos resolver sozinhos o
problema do pecado. Quando pedimos forças, confessamos que existem batalhas
maiores do que nós.
A criança pequena segura a mão do pai não porque perdeu sua
liberdade, mas porque confia naquele que conhece melhor o caminho. Talvez seja
essa uma boa imagem da vida cristã. Deus não deseja nos transformar em pessoas
incapazes de pensar ou decidir. Ele deseja que aprendamos a caminhar sabendo em
Quem estamos segurando.
No Dia da Independência, celebramos a liberdade de uma
nação. Mas também podemos fazer uma pergunta ao nosso coração: de quem
estamos tentando nos tornar independentes?
Se for do pecado, das paixões que nos dominam, do medo, da
opinião dos outros e de tudo aquilo que nos afasta de Deus, devemos desejar
essa liberdade cada vez mais.
Mas, se estamos tentando nos tornar independentes do Senhor,
estamos deixando justamente Aquele de Quem nossa alma mais precisa.
Há independências que são conquistas. E há uma dependência
que é privilégio.
A verdadeira liberdade não é aprender a viver sem Deus, mas
ser libertado de tudo aquilo que nos impede de reconhecer que, sem Ele, nossa
alma nunca será verdadeiramente livre.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
07/set/26
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