VOCÊ PODE ESCOLHER
O CAMINHO, MAS NÃO AS CONSEQUÊNCIAS
“Hoje tomo o céu e a terra por testemunhas contra
vocês, que lhes propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolham, pois,
a vida, para que vivam, vocês e os seus descendentes,” Deuteronômio 30:19
(NAA).
Deuteronômio 28 apresenta algo que chama muito a atenção. Os
primeiros 14 versículos falam das bênçãos relacionadas à obediência, enquanto
do versículo 15 ao 68 encontramos as consequências da desobediência. São 14
versículos de bênçãos e 54 versículos de advertências e maldições. A diferença
é grande, mas isso não significa que Deus tenha mais prazer em castigar do que
em abençoar. Mostra, antes, como Ele queria deixar absolutamente claro que
abandonar Sua aliança não era uma decisão sem consequências.
Israel estava prestes a entrar na terra prometida. Uma nova
geração precisava compreender que receber as bênçãos de Deus também envolvia
responsabilidade. Moisés não queria que, mais tarde, o povo dissesse: “Não
sabíamos aonde a desobediência poderia nos levar.” Por isso, as
consequências são descritas detalhadamente. Derrota, enfermidade, fome,
opressão, perda da terra e, finalmente, dispersão entre as nações aparecem numa
sequência cada vez mais grave.
O capítulo começa dizendo: “Se vocês ouvirem
atentamente a voz do Senhor, seu Deus, tendo o cuidado de guardar todos os seus
mandamentos que hoje lhes ordeno, o Senhor, seu Deus, exaltará vocês sobre
todas as nações da terra.” Deuteronômio 28:1 (NAA).
Depois vem o outro caminho: “Porém, se não derem
ouvidos à voz do Senhor, seu Deus, deixando de cumprir todos os seus
mandamentos e os seus estatutos que hoje lhes ordeno, então virão sobre vocês e
os alcançarão todas estas maldições:” Deuteronômio 28:15 (NAA).
Portanto, a questão principal não é simplesmente bênção ou
maldição. É ouvir ou não ouvir a voz de Deus. O povo tinha diante de si
uma escolha real e era responsável por ela. Deus mostrou o caminho, explicou as
consequências e chamou Seu povo à obediência.
Existe uma verdade que precisamos entender: podemos escolher
nossas atitudes, mas não podemos escolher todas as consequências que elas
produzirão. Podemos escolher uma estrada, mas não podemos exigir que ela
termine em outro lugar.
Isso continua muito atual. Uma pessoa pode mentir para
conseguir uma vantagem no trabalho, mas não pode controlar o que acontecerá
quando perder a confiança das pessoas. Alguém pode escolher uma relação
escondida fora do casamento, mas não pode determinar o tamanho das feridas que
essa escolha poderá causar no cônjuge e nos filhos. Um jovem pode ignorar
continuamente os conselhos dos pais e os princípios da Palavra de Deus, mas
poderá descobrir mais tarde que certas escolhas deixam consequências que não
desaparecem facilmente.
O mesmo acontece no sentido contrário. Escolhas de
honestidade, fidelidade, perdão, domínio próprio, temor a Deus e obediência
também produzem frutos. Nem sempre percebemos imediatamente, mas estamos
plantando alguma coisa todos os dias.
Paulo escreveu: “Não se enganem: de Deus não se zomba.
Pois aquilo que a pessoa semear, isso também colherá.” Gálatas 6:7 (NAA).
Entretanto, precisamos tomar cuidado com uma interpretação
errada de Deuteronômio 28. Aquelas bênçãos e maldições estavam ligadas à
aliança de Deus com Israel. Não podemos simplesmente afirmar que todo cristão
obediente será rico, nunca ficará doente ou jamais enfrentará sofrimento.
Homens e mulheres fiéis também passam por enfermidades, desemprego, luto e
dificuldades. Obedecer a Deus não significa comprar uma vida sem problemas.
O princípio que permanece é outro: Deus leva o pecado a
sério, e a graça não transforma a desobediência em algo insignificante.
É justamente aqui que a mensagem se torna ainda mais bonita.
A Bíblia não apresenta apenas as consequências do pecado; apresenta também a
graça de Deus para o pecador. “Porque o salário do pecado é a morte, mas
o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Romanos 6:23 (NAA).
E Deuteronômio não termina no capítulo 28. No capítulo 30,
depois de anunciar as consequências da rebeldia, Deus fala de arrependimento,
retorno e restauração. Se o povo voltasse para o Senhor de todo o coração,
encontraria misericórdia.
Isso mostra que as advertências de Deus não existem
simplesmente para nos assustar. Elas também são uma expressão do Seu amor. Um
pai que vê o filho caminhando em direção ao perigo não permanece calado. Ele
avisa porque ama.
Por isso, depois de apresentar a vida e a morte, a bênção e
a maldição, Deus diz algo extraordinário: “escolham, pois, a vida”. Ele
mostra os dois caminhos, revela suas consequências e aponta qual deles deseja
que escolhamos.
A obediência não compra o amor de Deus. Nós O obedecemos
porque confiamos nEle e reconhecemos que Sua vontade é melhor do que a nossa.
E, quando falhamos, Sua misericórdia continua nos chamando ao arrependimento e
à restauração.
Deus leva tão a sério a bênção que deseja conceder que
também nos adverte, com toda clareza, sobre o preço de escolhermos viver longe
dEle.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
06/set/26
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