“Combati o bom combate, acabei a
carreira, guardei a fé.” 2 Timóteo 4:7 (ARC).
Chegamos, neste
terceiro dia, ao final de nossa reflexão sobre o dito de Paulo e agora vamos a uma
pergunta muito interessante que pode nos conduzir à parte mais profunda da
declaração de Paulo em 2 Timóteo 4:7: Se a fé é algo que não podemos tocar com
as mãos, mas podemos perder ao longo da caminhada, o que estamos fazendo hoje
para preservá-la até o fim?
Observe que Paulo
utiliza três expressões: combater, completar e guardar.
Combater pressupõe
uma luta. Completar pressupõe um percurso. Mas guardar pressupõe algo que
desejamos conservar e proteger. E aqui surge sua pergunta: como guardar a fé,
se ela não é um objeto que podemos tocar, colocar em uma caixa ou trancar em um
cofre? O que significa guardar a fé?
No texto grego,
Paulo utiliza o verbo tēréō (τηρέω), que significa guardar, conservar,
preservar, observar ou manter fielmente. Portanto, quando afirma que guardou a
fé, Paulo não está falando de guardar um objeto, mas de preservar aquilo que
recebeu e permanecer fiel a esse compromisso. A palavra fé, nesse contexto,
pode envolver tanto sua confiança pessoal em Jesus Cristo quanto sua fidelidade
à mensagem do Evangelho.
Paulo estava
dizendo que, apesar das perseguições, prisões, sofrimentos e dificuldades, não
havia abandonado sua confiança no Senhor nem renegado a verdade que anunciava.
Onde guardamos
aquilo que não é material?
Essa é uma grande
questão e ela encontra uma resposta muito bonita nas Escrituras. Senão
vejamos a declaração do salmista: “Escondi a tua palavra no meu coração,
para eu não pecar contra ti.” Salmos 119:11 (ARC). A Palavra de Deus
não foi literalmente escondida dentro do coração físico do salmista. O coração,
na linguagem bíblica, representa o centro da vida interior, incluindo nossos
pensamentos, desejos, sentimentos e decisões.
Assim, guardar a fé
no coração significa permitir que ela permaneça viva em nossa consciência,
oriente nossas escolhas e sustente nossa confiança em Deus.
Pense em algo
semelhante ao amor. Não podemos colocar o amor dentro de uma gaveta, mas
podemos conservá-lo por meio do cuidado, da dedicação e da fidelidade. Também
não podemos tocar a esperança, mas podemos alimentá-la e preservá-la mesmo
diante das dificuldades. Com a fé acontece algo semelhante. Surge então a
questão: Como podemos guardar a fé?
A fé é preservada
quando continuamos confiando em Deus, mesmo quando as circunstâncias parecem
contrariar nossas expectativas.
Guardamos a fé
quando permanecemos firmes na Palavra, quando cultivamos a oração, quando não
abandonamos a comunhão com os irmãos e quando procuramos viver segundo os
ensinamentos de Jesus. Mas existe algo importante: guardar a fé não significa
nunca enfrentar dúvidas, tristezas ou momentos de fraqueza.
O próprio Paulo
enfrentou situações em que suas forças pareciam se esgotar. Entretanto,
continuou confiando no Senhor.
A fé não é guardada
porque a colocamos em um lugar onde nada possa atingi-la. Ela é preservada
enquanto a exercitamos em nossa caminhada com Deus.
Partimos para uma
outra questão não menos relevante: Quando devemos guardar a fé? Aqui
encontramos outro aspecto muito importante deste questionamento.
Paulo chegou ao
final de sua vida podendo declarar que havia guardado a fé. Isso significa que
ele não começou a guardá-la naquele momento. Ele a preservou ao longo de toda a
caminhada.
Há Uma distinção
muito importante a ser analisada: guardar não significa esconder. Há uma
diferença entre guardar a fé e escondê-la.
Uma pessoa pode
guardar um objeto precioso em um cofre, impedindo que outros tenham acesso a
ele. Entretanto, a fé cristã não foi recebida para permanecer escondida. Ela
deve ser anunciada, compartilhada e demonstrada por meio da nossa maneira de
viver.
Por isso, guardar a
fé não significa retê-la somente para nós, mas preservá-la em nossa vida e
transmiti-la fielmente às próximas gerações. Paulo fez exatamente isso. Guardou
a fé e, ao mesmo tempo, dedicou sua vida a anunciá-la.
Há algo
extraordinário nas três declarações de Paulo. Ele havia enfrentado muitas
batalhas, mas não perdeu de vista a causa pela qual lutava. Havia percorrido
uma longa caminhada, mas não abandonou a missão que recebera. E havia
atravessado açoites, prisões, perseguições, sofrimentos e perdas, mas conservou
aquilo que possuía de mais precioso: sua fé em Jesus Cristo.
Paulo não guardou a
fé em um lugar físico. Guardou-a em sua vida, em suas convicções, em sua
fidelidade e em seu relacionamento com o Senhor. E talvez aqui esteja a maior
lição dessa passagem. Podemos perder muitas coisas ao longo da vida: bens
materiais, posições, oportunidades, saúde e até pessoas que amamos. Mas não
devemos permitir que as circunstâncias nos afastem dAquele em Quem depositamos
nossa fé.
A fé não se guarda
em cofres, gavetas ou lugares protegidos dos olhos humanos. Ela é preservada no
coração, alimentada pela Palavra, fortalecida na oração e demonstrada nas
escolhas de cada dia. Guardar a fé é chegar ao final da caminhada sem abandonar
Aquele que nos sustentou desde o começo.
Ao final da
caminhada, Paulo não destacou aquilo que havia conquistado, mas aquilo que
havia preservado. Porque, entre tantas coisas que podemos ganhar ou perder
durante a vida, permanecer fiel a Jesus Cristo é o que verdadeiramente importa.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
29/out/26
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