LOUVOR: UM
PRIVILÉGIO DE SERVIR
“Quanto aos cantores, chefes das famílias entre os
levitas, ficavam alojados nas câmaras do templo e estavam isentos de outros
serviços; porque, dia e noite, estavam ocupados no seu serviço.” 1
Crônicas 9:33 (NAA).
Vocês ainda vão se cansar de me ouvir dizer o quanto amo o
louvor! Minha ligação com a música na Igreja vem desde que me entendo por
gente. Lembro-me de que, aos seis anos de idade, já tocava acordeão na Igreja
Metodista da minha comunidade. De lá para cá, como costuma dizer um irmão da
igreja que frequento atualmente, “foi só louvor!”
Ao longo de tantos anos, aprendi a amar não apenas a música,
mas principalmente aquilo que ela representa na nossa comunhão com Deus. O
louvor sempre ocupou um lugar especial em minha vida. Por isso, confesso que
fico preocupado quando observo a maneira como ele é tratado em algumas igrejas.
Também reconheço que o grupo de louvor costuma ser, como
dizemos popularmente, um verdadeiro calo no sapato de muitos pastores. É uma
área que exige orientação, paciência e sabedoria. Afinal, quando a vaidade, a
competição, os desentendimentos e a falta de compromisso encontram espaço entre
aqueles que deveriam conduzir a Igreja à adoração, aquilo que deveria promover
comunhão pode acabar produzindo divisões.
O texto de 1 Crônicas 9:33 apresenta uma realidade que
merece nossa atenção. Naquele tempo, alguns levitas tinham a responsabilidade
de cuidar dos cânticos no templo. Essa tarefa era tão importante que ficavam
dispensados de outras atividades para se dedicarem ao serviço do Senhor.
Observe que não eram dispensados porque trabalhavam menos,
mas porque tinham uma responsabilidade que exigia dedicação constante. A
expressão “dia e noite” destaca a importância desse compromisso, sem significar
que permanecessem cantando durante vinte e quatro horas. Estavam dispensados de
outras tarefas, mas jamais da responsabilidade de servir.
E aqui surge uma pergunta: se aqueles cantores se dedicavam
tanto ao serviço do Senhor, como compreender a atitude de quem hoje deseja
participar do louvor, mas não demonstra disposição para se preparar?
Infelizmente, há pessoas que desejam estar à frente da
congregação, mas faltam aos ensaios sem justificativa, chegam atrasadas e pouco
se preocupam com a responsabilidade assumida. Algumas parecem mais interessadas
no reconhecimento pessoal do que em conduzir a Igreja à adoração.
Entretanto, existe algo ainda mais preocupante: alguém pode
possuir uma bela voz, grande talento musical e excelente desempenho diante da
congregação, mas não demonstrar, em sua vida particular, o mesmo compromisso
com os ensinamentos de Jesus.
De que adianta cantar sobre santidade e viver desprezando a
Palavra de Deus? De que adianta louvar sobre o amor e tratar os irmãos com
arrogância? O verdadeiro louvor não pode estar separado da vida daquele que o
oferece ao Senhor.
Não estou dizendo que os integrantes do louvor precisam ser
pessoas perfeitas. Nenhum de nós é. Todos necessitamos diariamente da graça e
da misericórdia de Deus. Mas existe uma grande diferença entre reconhecer
nossas fraquezas e viver sem disposição para mudar.
Também precisamos compreender que muitos irmãos trabalham o
dia inteiro, cuidam de suas famílias e chegam cansados aos ensaios. Outros
enfrentam enfermidades e problemas pessoais. Esses irmãos merecem compreensão e
carinho. Não podemos confundir uma dificuldade verdadeira com falta de
compromisso. O problema não é alguém faltar porque realmente não pode
comparecer, mas assumir uma responsabilidade e tratá-la com indiferença.
Existe ainda outro perigo: transformar o louvor em
espetáculo.
Isso acontece quando o interesse principal deixa de ser a
adoração a Deus e passa a ser o destaque individual, os solos, os instrumentos
ou os aplausos recebidos.
Não há nada de errado em cantar bem, utilizar bons
instrumentos ou buscar excelência musical. Devemos oferecer nosso melhor ao
Senhor. Entretanto, a excelência perde seu verdadeiro sentido quando deixa de
servir à Igreja e passa a alimentar a vaidade.
Jesus ensinou: “Mas vem a hora — e já chegou — em que
os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.”
João 4:23 (NAA).
Observe que Jesus falou sobre verdadeiros adoradores, não
simplesmente sobre bons cantores. Deus não procura apenas vozes afinadas ou
músicos habilidosos. Ele procura pessoas que O adorem com sinceridade.
É importante lembrar que os levitas mencionados em 1
Crônicas pertenciam a uma tribo de Israel, com responsabilidades específicas no
culto daquela época. Os músicos cristãos de hoje não são levitas nesse mesmo
sentido, mas podemos aprender muito com sua dedicação.
Também seria injusto afirmar que todos os cantores do
passado eram dedicados e que os atuais são negligentes. Existem muitos irmãos
que servem ao Senhor com amor, humildade e responsabilidade, sacrificando horas
de descanso para ensaiar e colocando seus talentos à disposição da Igreja sem
buscar reconhecimento. Esses irmãos merecem nossa gratidão. Nossa advertência é
dirigida àqueles que perderam de vista o verdadeiro propósito do louvor.
O profeta Amós já denunciava uma adoração repleta de
cânticos, mas distante da justiça e da fidelidade a Deus, conforme Amós 5:23-24.
Isso nos ensina que é possível haver muita música em um culto e pouca adoração
no coração.
O serviço de louvor não começa quando alguém pega o
microfone, toca um instrumento ou se apresenta diante da congregação. Começa
muito antes, na preparação, na oração, na dedicação e, principalmente, na
maneira como vivemos diante de Deus.
E aqui surge uma pergunta necessária: se o Senhor observasse
nossa dedicação durante a semana, encontraria o mesmo entusiasmo que
demonstramos quando chega o momento de cantar ou tocar na Igreja?
O louvor não deve ser uma oportunidade de aparecer, mas um
privilégio de servir. Não é um espaço para demonstrar superioridade, mas para
expressar gratidão Àquele que merece toda a honra.
Quanto mais amo o louvor, mais compreendo que ele exige não
apenas talento, mas humildade, disciplina, consagração e fidelidade.
Afinal, uma bela voz pode impressionar as pessoas, mas é a
sinceridade do coração que dá verdadeiro sentido ao louvor. A verdadeira
adoração não começa quando abrimos os lábios para cantar, mas quando dispomos
nossa vida a obedecer ao Senhor. Porque o louvor que oferecemos publicamente só
encontra sua verdadeira beleza quando é acompanhado por uma vida dedicada a
Deus.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
30/out/26
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