“Então o rei
de Sodoma disse a Abrão: — Dê-me as pessoas e fique com os bens para você.”
Gênesis 14:21 (NAA).
Como é possível
colocar pessoas e bens na mesma negociação? A frase do rei de Sodoma chama
nossa atenção porque coloca diante de Abrão duas realidades completamente
diferentes: de um lado estavam as pessoas; do outro, os bens. As riquezas
poderiam ser recuperadas, divididas, guardadas ou perdidas. Mas aquelas pessoas
tinham uma vida, uma história, uma família e um futuro. Isso nos leva a pensar
sobre aquilo a que damos maior valor.
Dinheiro, casas,
carros, roupas, propriedades e conquistas podem ser importantes. Precisamos de
recursos para viver, sustentar nossa família, ajudar outras pessoas e cumprir
responsabilidades. A Bíblia não ensina que possuir bens seja necessariamente
errado. O problema começa quando aquilo que possuímos passa a ocupar um lugar
maior em nosso coração do que as pessoas que Deus colocou perto de nós.
Jesus fez uma
pergunta que atravessa os séculos: “De que adianta uma pessoa ganhar o
mundo inteiro e perder a sua alma?” Marcos 8:36 (NAA).
Imagine alguém que
trabalhou durante toda a vida para construir um patrimônio, mas, nessa busca,
perdeu o relacionamento com os filhos, destruiu o casamento, afastou os amigos
e nunca encontrou tempo para Deus. Talvez tenha conseguido acumular muitas coisas,
mas a pergunta de Jesus continua diante dele: de que adiantou ganhar tanto e
perder aquilo que tinha um valor muito maior?
Pense nisto: bens
podem ser substituídos. Pessoas, não.
Uma casa destruída
pode ser reconstruída. Um carro pode ser trocado. Dinheiro perdido pode,
algumas vezes, ser recuperado. Mas existem relacionamentos, oportunidades e
momentos da vida que jamais poderão ser comprados novamente. Há ainda uma
verdade mais profunda: nem sequer pertencemos a nós mesmos.
Vivemos em uma
sociedade que frequentemente repete: “A vida é minha e faço dela o que
quiser.” O Evangelho apresenta outra realidade. Se fomos alcançados por
Cristo, nossa vida agora pertence a Ele. Paulo escreveu: “Porque vocês
foram comprados por preço. Agora, pois, glorifiquem a Deus no corpo de vocês.”
1 Coríntios 6:20 (NAA). Fomos comprados por preço. E esse preço não foi
dinheiro. Cristo entregou-Se por nós.
Se pertencemos a
Jesus, então nosso tempo, nossos dons, nossos recursos, nossa inteligência,
nossas oportunidades e tudo aquilo que colocamos sob Seu senhorio deixam de
existir apenas para nossa satisfação. Começamos a perguntar: “Senhor, como
aquilo que colocaste em minhas mãos pode servir aos Teus propósitos?”
Uma casa pode
acolher alguém. Um carro pode transportar uma pessoa que necessita. Dinheiro
pode alimentar uma família. Conhecimento pode ensinar. Um telefone pode levar
uma palavra de consolo. Uma profissão pode servir com honestidade. Algumas
horas do nosso dia podem ser usadas para visitar quem está sozinho, ouvir quem
sofre ou anunciar o Evangelho. Os bens deixam, então, de ser simplesmente
propriedades e passam a ser instrumentos.
É interessante
observar que Abrão não aceitou a riqueza oferecida pelo rei de Sodoma. Ele
declarou: “nada tomarei de tudo o que é seu, nem um fio, nem uma correia
de sandália, para que você não diga: ‘Fui eu que enriqueci Abrão.’” Gênesis
14:23 (NAA). Abrão sabia que sua segurança não estava naquilo que o rei poderia
lhe oferecer.
Essa também é uma
lição para nós. O problema não é possuir bens; é permitir que os bens nos
possuam. Podemos segurar dinheiro nas mãos sem permitir que ele domine nosso
coração. Podemos administrar propriedades sem transformar aquilo que temos em
nossa identidade. Podemos desfrutar das bênçãos que Deus nos concede sem
esquecer Quem é o verdadeiro Senhor de nossa vida. E talvez a pergunta mais
séria seja esta: estamos usando as coisas para servir às pessoas ou estamos
usando as pessoas para conseguir coisas?
No Reino de Deus,
essa ordem precisa estar muito clara. As coisas devem servir às pessoas. As
pessoas devem servir a Deus.
Jamais deveríamos
amar mais um patrimônio do que uma família, proteger mais uma conta bancária do
que um relacionamento ou valorizar alguém pela quantidade de bens que possui.
Vamos nos lembrar: Jesus morreu por pessoas.
O que possuímos
permanecerá aqui quando nossa caminhada terminar. Casas terão outros moradores,
carros terão outros proprietários, dinheiro passará por outras mãos e aquilo
que levamos tantos anos para acumular ficará para trás. Mas nossa relação com
Cristo aponta para a eternidade.
Por isso, quem
reconhece Jesus como Senhor começa também a olhar de maneira diferente para
aquilo que possui. Já não pergunta apenas: “Quanto tenho?”, mas: “Para que Deus
colocou isso em minhas mãos?”
Nós temos um Dono: Jesus.
E, quando reconhecemos essa verdade, entendemos que os bens são passageiros,
enquanto as pessoas devem ser amadas, alcançadas e cuidadas. Tudo aquilo que
Deus colocou em nossas mãos pode ser usado para tocar aquilo que está em Seu
coração.
Quem pertence a
Jesus aprende que os bens são apenas instrumentos colocados em nossas mãos por
algum tempo; pessoas, porém, não têm preço, e aquilo que possuímos encontra seu
verdadeiro valor quando é usado para servir àquilo que Deus ama.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
08/out/26
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