QUERO SER COMO DAVI, TÃO PEQUENINO, NÃO CONFIAVA EM SI
“..._Diz
Davi, filho de Jessé, e diz o homem que foi levantado em altura, o ungido do
Deus de Jacó, e o suave em salmos de Israel” 2 Samuel 23:1 (ARC)
Desde que me
entendo por gente, ouço histórias sobre Davi. A mais conhecida, sem dúvida, é a
de sua vitória sobre Golias, o gigante filisteu.
Nas escolas
dominicais, nas pregações, nos estudos bíblicos e até nas conversas entre
cristãos, Davi sempre rende muito assunto. Sua coragem diante de Golias, sua
amizade com Jônatas, sua fuga de Saul, seus salmos, suas vitórias e também seus
erros fizeram dele um dos personagens mais lembrados de toda a Bíblia.
Em suas últimas
palavras, registradas em 2 Samuel 23, encontramos quase um resumo da vida de
Davi.
O texto começa
lembrando sua origem: ele era “filho de Jessé”. Depois aponta para aquilo que
Deus fez em sua trajetória: foi o “homem que foi levantado em altura”, elevado
por Deus a uma posição que não possuía originalmente. Em seguida, revela sua
relação especial com Deus: era “o ungido do Deus de Jacó”. Por fim, mostra
também o lado sensível daquele homem que, além de rei e guerreiro, foi
instrumento nas mãos do Senhor: “o suave em salmos de Israel”.
Em poucas palavras,
temos o menino de uma família comum, o homem levantado por Deus, o rei ungido e
o salmista cuja voz atravessaria gerações. Davi começa como “filho de Jessé” e
termina como alguém que Deus levantou, ungiu e usou de maneira extraordinária.
Não foi um homem sem falhas, mas foi um homem que conheceu o arrependimento,
voltou-se para Deus e ficou marcado nas Escrituras como alguém segundo o
coração dEle.
O Espírito do Senhor
falou por Davi, e a palavra de Deus esteve em sua boca. Ainda hoje, a
inspiração que recebemos por meio dos salmos que Davi escreveu nos consola nas
dores, nos fortalece nas lutas, nos ensina a confiar em Deus e nos impulsiona a
continuar caminhando.
Davi também apontou
profeticamente para o Messias ao registrar as palavras que recebeu de Deus: “Disse
o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que domine
sobre os homens, que domine no temor de Deus.” 2 Samuel 23:3 (ARC).
A declaração
apresenta o retrato do Rei ideal: justo, temente a Deus e governando com
retidão. Embora tenha aplicação ao próprio reinado de Davi e ao padrão esperado
para os reis de Israel, ela encontra em Cristo seu cumprimento pleno, pois nEle
vemos o Rei perfeitamente justo, cuja autoridade é exercida em total harmonia
com a vontade de Deus.
Profeticamente,
Davi descreve com uma bela metáfora aquilo que encontraria sua expressão
perfeita em Cristo: “E será como a luz da manhã, quando sai o sol, da
manhã sem nuvens, quando, pelo seu resplendor e pela chuva, a erva brota da
terra.” 2 Samuel 23:4 (ARC).
A imagem é de
renovação, vida e esperança. Assim como o sol da manhã dissipa a escuridão e,
junto com a chuva, faz a terra florescer, a presença de Cristo traz luz para as
trevas, vida para aquilo que estava seco e esperança para quem já não conseguia
enxergar um novo começo.
De todos os acordos
que Davi fez com reis, povos e nações desta terra, nenhum foi tão importante
quanto a aliança que Deus estabeleceu com ele. Sua segurança não estava apenas
nos tratados humanos, nas alianças políticas ou na força de seu reino, mas na fidelidade
do Senhor em quem confiava. Por isso, ao olhar para sua própria casa e
reconhecer suas limitações, Davi pôde declarar: “Ainda que a minha casa
não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo um concerto eterno, que
em tudo será ordenado e guardado.” 2 Samuel 23:5 (ARC).
Davi sabia que sua
casa não era perfeita, que sua história familiar carregava dores, conflitos e
fracassos, mas também sabia que a fidelidade de Deus era maior do que suas
imperfeições. Sua esperança não repousava na perfeição de sua família, mas na
firmeza da aliança que o Senhor havia estabelecido com ele.
Neste mês, em
especial, nossa igreja tem falado sobre dedicação: dedicação da nossa vida, dos
nossos bens, do nosso coração e de tudo o que somos ao Senhor. Quando olhamos
para Davi, percebemos que sua vida também foi marcada por essa entrega. Apesar
de suas falhas e limitações, havia nele um coração voltado para Deus, uma
confiança que colocava no Senhor sua esperança, sua segurança e seu prazer.
Por isso, ao falar
da aliança que Deus havia estabelecido com ele, Davi declara: “Porque
toda a minha salvação e todo o meu prazer estão nEle, apesar de que ainda não o
faz brotar.” 2 Samuel 23:5 (ARC).
Essa declaração
revela onde estava o centro da vida de Davi. Sua maior esperança não estava no
trono, nas vitórias, nos bens ou na grandeza de seu reino, mas no Senhor. Sua
salvação estava nEle, seu prazer estava nEle e sua confiança permanecia nEle. Dedicação
é exatamente isso: quando Deus deixa de ocupar apenas uma parte da nossa
vida e passa a ocupar o centro dela.
Há um louvor que
nossas crianças cantam e que diz: “Quero ser como Davi, tão pequenino, não
confiava em si.” A frase é simples, mas carrega uma verdade profunda.
Davi foi gente como
nós. Começou como um simples pastor de ovelhas e foi exaltado por Deus. Foi
servo, guerreiro, rei, salmista, amigo e ungido do Senhor. Teve momentos de
grande coragem e fé, mas também errou, caiu e sofreu as consequências de suas
escolhas. Ainda assim, quando confrontado, soube reconhecer seu pecado,
humilhar-se diante de Deus e buscar restauração.
Talvez seja
justamente isso que torne sua história tão próxima da nossa. Davi não foi um
homem perfeito; foi um homem dependente de Deus. Sua grandeza não estava em
nunca errar, mas em saber para onde voltar quando errava.
Por isso, ao
olharmos para sua vida, não devemos procurar apenas o herói que venceu Golias,
o rei que conquistou territórios ou o salmista que escreveu palavras tão belas.
Devemos procurar o homem que aprendeu a confiar em Deus, a depender dEle, a se
arrepender e a descansar em Sua misericórdia.
Busquemos nesse
exemplo aquilo que também possa trazer paz, direção e descanso para nossa alma.
E, com a simplicidade daquela canção, possamos dizer também: Eu quero ser como
Davi — não pela coroa, não pelas vitórias, mas por aprender a confiar em Deus,
reconhecer meus erros e permanecer com o coração voltado para Ele.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
09/out/26
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