QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA)

A declaração de Jó nasce depois de um período de perdas profundas, dor e muitas perguntas sem resposta. Ele perdeu bens, saúde e filhos, viu sua vida mudar de forma brusca e, por muito tempo, não compreendeu o motivo de tanto sofrimento. Ainda assim, ao final de sua jornada, Jó reconhece algo que sustenta todo cristão: Deus continua no controle, mesmo quando não entendemos o que acontece.

Nossa vida também passa por momentos assim. Existem dias em que tudo parece caminhar bem, porém, de repente, surge uma notícia difícil, um problema na família, uma enfermidade ou uma perda inesperada. Nessas horas, a primeira reação costuma ser perguntar: “Por quê?” Queremos explicações rápidas e soluções imediatas. Só que nem sempre recebemos respostas na hora que desejamos. É nesse ponto que aprendemos que fé não depende de explicações completas, e sim de confiança em quem Deus é.

Muitas pessoas, em nossos dias, enfrentam crises semelhantes às de Jó. Há pais preocupados com filhos que se afastaram de casa ou da fé. Existem trabalhadores que perdem o emprego após anos de dedicação. Outros lutam contra doenças longas que cansam o corpo e o coração. Nessas horas, percebemos como somos pequenos diante da dor.

Esta semana recebi uma mensagem de uma irmã e amiga - uma mãe aflita - contando que seu filhinho havia sido internado na UTI. A angústia, o medo e a sensação de impotência diante daquela situação podiam ser sentidos até mesmo na breve mensagem enviada pelo WhatsApp.

Nesses momentos não há palavras capazes de explicar o sofrimento nem respostas prontas que tragam alívio imediato. Resta apenas confiar, orar e colocar tudo nas mãos de Deus. E é justamente em situações assim que aprendemos que o Senhor continua presente, sustentando quando nossas forças acabam.

Também aprendemos que nem sempre compreendemos os caminhos pelos quais Deus nos conduz. Existem fases em que tudo parece confuso. Planos falham, portas se fecham e sonhos parecem distantes. Contudo, o tempo revela que muitas dessas experiências produzem crescimento e maturidade.

Quantas pessoas, após uma demissão, descobriram um novo caminho profissional? Quantas famílias se aproximaram depois de uma enfermidade? Quantos cristãos passaram a buscar mais a Deus depois de uma dificuldade? Aquilo que parecia derrota se transforma em aprendizado e fortalecimento.

Outro ponto importante aparece quando percebemos que não caminhamos sozinhos. A graça de Deus sustenta cada passo. A vida cristã não é livre de lutas. Pelo contrário, muitas vezes surgem pressões, tentações e momentos de cansaço. Por isso, precisamos pedir forças diariamente ao Senhor. Há dias em que mal conseguimos fazer outra coisa além de orar: “Senhor, ajuda-me a continuar”. E essa oração sincera encontra resposta no cuidado de Deus, que, pouco a pouco, renova nossas forças.

Pense em alguém que enfrenta uma luta silenciosa, como uma mãe que ora todos os dias por um filho distante, ou um trabalhador que sai cedo de casa buscando sustento digno para a família. Essas pessoas continuam caminhando porque confiam que Deus cuida de cada detalhe. A fé não elimina a dificuldade, porém dá coragem para seguir em frente.

Quando reconhecemos o cuidado e o amor do Senhor, nosso coração encontra um novo caminho: a adoração e a entrega. Em vez de viver apenas reclamando das dificuldades, aprendemos a colocar tudo nas mãos de Deus. Entregar não significa desistir, e sim confiar. Significa dizer: “Senhor, minha vida pertence a Ti, e eu continuo caminhando sob a Tua direção”.

Adorar em meio às lutas transforma nosso interior. O problema pode continuar existindo, só que o coração encontra paz para atravessar a situação. A confiança em Deus muda nossa maneira de enfrentar a vida. Em vez de desespero, nasce esperança. Em vez de revolta, surge confiança. E, aos poucos, percebemos que Deus esteve presente em cada etapa do caminho.

Jó começou sua jornada cheio de perguntas e terminou cheio de reverência. Ele compreendeu que Deus sempre soube o que fazia. O mesmo acontece conosco. Um dia também olharemos para trás e perceberemos que o Senhor nunca perdeu o controle de nossa história.

No fim, nossa maior segurança não está na ausência de problemas, e sim na presença constante de Deus ao nosso lado, conduzindo cada passo com amor e propósito.

Quanto ao amado Heitor, ele está nas mãos de Deus, que irá curá-lo e fazê-lo crescer, e isso será testemunho do grande amor do Senhor por todos nós.

Quando não entendemos o caminho, podemos descansar sabendo que Deus entende, conduz e sustenta cada passo da nossa jornada.

Pr Decio Fonseca

 

A FELICIDADE QUE NINGUÉM PODE ROUBAR

“Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus.” Mateus 5:11–12 (NAA)

Com essas palavras, Jesus encerra as bem-aventuranças de forma direta, pessoal e profunda. Ele deixa de falar apenas sobre “os que” e passa a falar sobre “vocês”. O ensino agora toca a vida real dos discípulos. Jesus mostra que seguir a Ele não é apenas adotar bons valores, mas assumir um compromisso que pode gerar oposição.

Aqui, Jesus amplia o significado da perseguição. Ele fala de insultos, perseguições e mentiras. Nem sempre a perseguição vem em forma de violência física. Muitas vezes, ela aparece em palavras que ferem, acusações injustas, zombarias e rejeição. É quando alguém é mal interpretado, criticado ou excluído simplesmente por viver de acordo com a fé em Cristo.

Jesus é muito claro ao dizer: “por minha causa”. Não se trata de sofrer por atitudes erradas, falta de sabedoria ou orgulho pessoal. Trata-se de sofrer por viver uma fé coerente, por amar a verdade, por escolher obedecer a Deus. Essa distinção é importante, especialmente para quem está começando na caminhada cristã.

O mais surpreendente é que Jesus chama essas pessoas de bem-aventuradas. Aos olhos do mundo, elas parecem derrotadas. Aos olhos de Deus, são felizes. Não porque o sofrimento seja bom, mas porque ele revela pertencimento. Sofrer por causa de Jesus é sinal de que a vida está alinhada com o Reino dos Céus.

Jesus não manda negar a dor. Ele não diz que insultos e mentiras não machucam. Mas Ele convida a olhar além do momento presente. “Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus.” Mateus 5:12 (NAA). A alegria aqui não é superficial. É a alegria de quem sabe que Deus vê, conhece e honra cada ato de fidelidade.

Essa palavra traz consolo e firmeza para a caminhada. Muitos novos convertidos se frustram quando descobrem que seguir Jesus não elimina os problemas. Jesus, porém, nunca escondeu isso. Ele disse claramente: “No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA). A vitória de Cristo não significa ausência de lutas, mas certeza de esperança.

Jesus também lembra que esse caminho não é novo. Os profetas que vieram antes também foram perseguidos. Homens e mulheres fiéis, que falaram a verdade e obedeceram a Deus, enfrentaram rejeição. Isso nos mostra que a fé verdadeira sempre teve um custo. Ainda assim, sempre valeu a pena.

Esse fechamento nos ajuda a entender todo o Sermão do Monte. Jesus começa falando de humildade, dependência, arrependimento, mansidão, justiça, misericórdia, pureza e paz. Ele termina mostrando que viver assim pode trazer oposição. O mundo nem sempre aceita esses valores. Mas o Reino de Deus permanece.

Para o cristão, essa palavra traz equilíbrio. Não vivemos para agradar a todos, mas para agradar a Deus. Não buscamos conflitos, mas não abrimos mão da verdade. Não provocamos perseguição, mas também não negociamos a fé para sermos aceitos.

A felicidade que Jesus promete não depende de aplausos, reconhecimento ou aprovação humana. Ela nasce da certeza de que pertencemos a Deus. Pode até haver lágrimas no caminho, mas há esperança firme no coração. Pode haver rejeição aqui, mas há recompensa eterna prometida.

Assim, Mateus 5:11–12 fecha as bem-aventuranças com um chamado à perseverança. Jesus nos lembra que o Reino dos Céus pertence àqueles que permanecem fiéis, mesmo quando isso custa caro. Essa é uma felicidade que ninguém pode roubar.

A fidelidade a Jesus pode custar aceitação na terra, mas garante pertencimento eterno no Reino dos Céus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor Décio Fonseca

            10/fev/26

 

FELICIDADE QUE RESISTE À OPOSIÇÃO

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.” Mateus 5:10 (NAA)

Ninguém gosta de sofrer perseguição. A rejeição dói, a crítica machuca e a oposição cansa. Mesmo quando sabemos que estamos fazendo o que é certo, o sofrimento nunca parece algo desejável. Ainda assim, Jesus surpreende ao afirmar que existe felicidade para aqueles que sofrem perseguição por causa da justiça. No Sermão do Monte, Ele nos convida a olhar além do momento difícil e a compreender o valor eterno de permanecer fiel a Deus.

Quando Jesus fala de perseguição, Ele não está se referindo a qualquer tipo de problema ou consequência de erros pessoais. Ele fala da perseguição que surge por causa da justiça, ou seja, por viver de forma correta diante de Deus. É o sofrimento que nasce quando alguém decide obedecer, mesmo sabendo que isso pode gerar rejeição, zombaria ou prejuízo.

Nos dias de Jesus, isso era muito claro. Seus seguidores eram rejeitados por não se encaixarem no sistema religioso da época. Eles não viviam para agradar os homens, mas para obedecer a Deus. Hoje, essa realidade continua. Quem escolhe viver segundo os valores do Reino muitas vezes é visto como estranho, ultrapassado ou inconveniente.

Ser perseguido por causa da justiça pode acontecer de várias formas. Às vezes, não envolve violência física, mas palavras duras, exclusão, ironia ou perda de oportunidades. Um cristão pode ser ridicularizado por não participar de práticas desonestas no trabalho. Um jovem pode ser pressionado por não seguir certos comportamentos comuns entre os amigos. Uma família pode ser criticada por defender valores bíblicos. Tudo isso também é perseguição.

Jesus não promete que Seus seguidores terão uma vida fácil. Pelo contrário, Ele prepara o coração para enfrentar dificuldades com fé e esperança. A felicidade que Jesus anuncia não está no sofrimento em si, mas no sentido desse sofrimento. Sofrer por fazer o bem é diferente de sofrer por fazer o mal. Quando a perseguição vem por causa da justiça, ela revela que estamos caminhando no rumo certo.Estas coisas eu lhes tenho dito para que tenham paz em mim. No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA)

Por isso, Jesus repete aqui a mesma promessa feita aos pobres em espírito: “porque deles é o Reino dos Céus.” O Reino pertence àqueles que confiam em Deus mesmo quando o caminho se torna estreito. A perseguição não é sinal de abandono, mas de pertencimento. Quem vive para agradar a Deus não será sempre compreendido por um mundo que vive segundo outros valores.

É importante lembrar que Jesus não nos chama a procurar perseguição ou a provocá-la. O cristão não deve ser ofensivo, agressivo ou orgulhoso. A perseguição que Jesus menciona surge quando a vida coerente com o Evangelho entra em choque com um mundo que rejeita a verdade. É a fidelidade silenciosa, firme e constante que, muitas vezes, incomoda.

Nos nossos dias, isso se manifesta quando alguém escolhe a verdade em vez da mentira, a honestidade em vez do ganho fácil, o perdão em vez da vingança. Essas escolhas nem sempre são aplaudidas. Muitas vezes, geram oposição. Mas Jesus nos ensina que nenhuma dessas dores passa despercebida aos olhos de Deus.

A felicidade prometida por Jesus aponta para algo maior do que o presente. Ele nos lembra que a vida não se resume ao aqui e agora. O Reino dos Céus é a herança daqueles que permanecem firmes. Deus vê cada lágrima, cada renúncia e cada ato de fidelidade. Nada é em vão.

Essa bem-aventurança também fortalece o coração nos dias difíceis. Quando somos perseguidos por fazer o que é certo, podemos lembrar que Jesus passou por isso antes de nós. Ele foi rejeitado, acusado injustamente e condenado, mesmo sendo perfeito. Seguir Jesus é, muitas vezes, caminhar pelo mesmo caminho que Ele percorreu.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não depende da aprovação dos homens, mas da certeza de que pertencemos a Deus. A perseguição pode tirar conforto, reconhecimento ou vantagens momentâneas, mas não pode tirar o Reino dos Céus. Quem vive para Deus pode até sofrer agora, mas vive com esperança, paz interior e promessa eterna.

A fidelidade a Deus pode trazer oposição na terra, mas garante pertencimento ao Reino dos Céus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor Décio Fonseca

09/fev/26

 

FILHOS DA PAZ EM UM MUNDO FERIDO

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” Mateus 5:9 (NAA)

A paz é buscada por muitos. Em um mundo marcado por conflitos, pressa, ansiedade e palavras duras, quase todos dizem desejar paz. No entanto, nem sempre ela é compreendida em sua profundidade. A Bíblia nos ensina que a verdadeira paz não nasce das circunstâncias favoráveis, mas do agir de Deus no coração. Por isso, a paz é apresentada como fruto do Espírito, algo que Deus produz dentro de nós quando caminhamos com Ele.

A paz traz descanso à alma. Ela acalma o coração, organiza os pensamentos e nos ajuda a enfrentar os dias difíceis com equilíbrio. Quando Jesus fala sobre os pacificadores no Sermão do Monte, Ele não está se referindo apenas a pessoas tranquilas ou que evitam problemas. Ele fala de algo muito mais profundo e ativo. Em Mateus 5:9, Jesus declara: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (NAA).

Ser pacificador, segundo Jesus, não é fugir de conflitos a qualquer custo, nem fingir que os problemas não existem. O pacificador não é alguém passivo ou indiferente. Pelo contrário, é alguém que carrega a paz de Deus no coração e trabalha para que essa paz alcance os relacionamentos e os ambientes onde vive. É uma paz que se move, que age e que transforma.

A paz ensinada por Jesus começa dentro. Não é possível promover paz fora se o coração está cheio de inquietação, raiva ou ressentimento. Por isso, o pacificador é alguém que permite que Deus trate primeiro o seu interior. Ele aprende a lidar com suas emoções, a controlar suas palavras e a não agir movido pela ira. Essa paz interior se reflete naturalmente nas atitudes.

Jesus é o maior exemplo de pacificador. Ele entrou em um mundo marcado pelo pecado e pela separação entre Deus e os homens. Sua missão foi reconciliar. Pela cruz, Ele fez a paz entre Deus e a humanidade. Essa reconciliação nos ensina que a paz verdadeira muitas vezes exige sacrifício, humildade e disposição para amar.

Nos nossos dias, ser pacificador é algo muito prático. É escolher o diálogo em vez da discussão. É falar com calma quando o outro fala com dureza. É buscar reconciliação quando há afastamento. É não espalhar fofocas, não alimentar intrigas e não aumentar conflitos com palavras impensadas. Muitas brigas se prolongam não pelo problema em si, mas pela forma como as pessoas reagem.

Ser pacificador também significa agir com sabedoria dentro da família. Quantos lares vivem em tensão constante por falta de diálogo, perdão e paciência? O pacificador não ignora os problemas, mas busca resolvê-los com amor, respeito e verdade. Ele entende que a paz não se constrói com gritos, mas com atitudes firmes e serenas.

No trabalho, o pacificador é aquele que não entra em disputas desnecessárias, não provoca conflitos e não responde ofensa com ofensa. Ele procura ser justo, respeitoso e equilibrado. Mesmo quando enfrenta injustiça, escolhe agir com maturidade, confiando que Deus vê e cuida de todas as coisas.

Jesus afirma que os pacificadores serão chamados filhos de Deus. Essa expressão revela identidade. Quem promove a paz se parece com o Pai. Deus é o Deus da paz, e Seus filhos refletem Seu caráter. Não é um título dado por homens, mas um reconhecimento espiritual. O pacificador revela, com sua vida, que pertence a Deus.

É importante lembrar que promover a paz não significa abrir mão da verdade. Jesus nunca sacrificou a verdade para manter uma falsa paz. A paz do Reino caminha junto com a justiça, a misericórdia e a pureza de coração. O pacificador fala a verdade, mas o faz com amor. Corrige, mas não humilha. Confronta, mas não destrói.

Em um tempo em que muitos alimentam divisões, Jesus chama Seus seguidores a serem instrumentos de reconciliação. Isso não é fácil. Exige maturidade espiritual, domínio próprio e dependência de Deus. Mas é justamente por isso que essa bem-aventurança aponta para uma vida abençoada. Quem vive espalhando paz colhe paz no coração.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em vencer discussões, mas em promover reconciliação. Não em impor razão, mas em refletir o caráter do Pai. Os pacificadores carregam no coração a paz que o mundo não pode dar — e essa paz se torna testemunho vivo do Reino de Deus.

Quem carrega a paz de Deus no coração se torna instrumento de reconciliação nas mãos do Pai.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/fev/26

 

CORAÇÃO LIMPO, OLHOS ABERTOS

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Mateus 5:8 (NAA)

Ver a Deus é tudo o que realmente desejamos. No fundo, é isso que move o coração humano. Assim como Bartimeu clamou para ver Jesus e não se conformou em continuar na escuridão, nós também precisamos desejar, a cada dia, enxergar o Senhor com mais clareza. Não apenas com os olhos físicos, mas com o coração. É nesse caminho que Jesus nos conduz ao declarar: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Mateus 5:8 (NAA).

Quando Jesus fala de pureza de coração, Ele não está se referindo à perfeição moral absoluta, como se apenas pessoas sem falhas pudessem se aproximar de Deus. Pureza de coração, na linguagem de Jesus, significa sinceridade, inteireza e transparência diante de Deus. É um coração sem duplicidade, que não vive dividido entre agradar a Deus e agradar ao próprio ego.

O coração puro é aquele que não usa máscaras espirituais. Não vive uma fé de aparência. Não finge ser algo que não é. É o coração que se apresenta diante de Deus como realmente é, com suas lutas, fraquezas e desejos, pedindo transformação. Deus não rejeita um coração imperfeito, mas rejeita um coração fingido.

Nos dias de Jesus, muitos líderes religiosos tinham aparência de santidade, mas o coração estava longe de Deus. Cumpriam regras, seguiam tradições e faziam orações públicas, mas tudo isso era feito para serem vistos pelos homens. Jesus confronta esse tipo de religiosidade e ensina que Deus olha para dentro, não para fora.

Ser puro de coração significa ter um desejo sincero de agradar a Deus. É buscar fazer o que é certo, não para receber elogios, mas porque se ama o Senhor. É quando a fé deixa de ser apenas comportamento externo e passa a ser relacionamento verdadeiro.

Bartimeu nos ajuda a entender isso. Ele não pediu dinheiro, não pediu posição, não pediu reconhecimento. Ele pediu para ver. Seu clamor foi simples e direto. Ele sabia o que precisava. Da mesma forma, um coração puro sabe o que deseja: ver Deus agir, conhecer Sua vontade e caminhar em Sua presença.

Na prática, pureza de coração se manifesta em escolhas diárias. É dizer a verdade quando a mentira parece mais conveniente. É resistir a pensamentos e desejos que afastam de Deus. É tratar as pessoas com sinceridade, sem segundas intenções. É viver uma fé coerente dentro e fora da igreja.

Um coração dividido perde a sensibilidade espiritual. Começa a justificar erros, a normalizar o pecado e a se acostumar com aquilo que entristece a Deus. Aos poucos, a visão espiritual fica embaçada. Jesus ensina que só quem tem o coração limpo consegue ver Deus com clareza.

Ver a Deus não significa vê-lo fisicamente, mas perceber Sua presença, discernir Sua vontade e experimentar Sua ação na vida diária. Quem tem o coração puro reconhece Deus nas pequenas coisas, nas decisões simples, nos momentos difíceis e também nas alegrias.

Nos nossos dias, vivemos cercados de distrações, informações e pressões. Tudo isso tenta ocupar o coração. Por isso, a pureza de coração exige vigilância. Não se trata de isolamento do mundo, mas de cuidado com aquilo que permitimos entrar na mente e permanecer no coração.

A boa notícia é que Deus não exige pureza sem oferecer ajuda. Ele mesmo limpa o coração de quem se aproxima com sinceridade. Quando confessamos nossos pecados, quando abrimos o coração em oração e quando buscamos viver segundo Sua Palavra, o Senhor nos transforma de dentro para fora. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9 (NAA)

Jesus promete algo precioso aos puros de coração: eles verão a Deus. Essa promessa começa aqui, na vida diária, e se completa na eternidade. Quanto mais o coração é purificado, mais clara se torna a visão espiritual. Quanto mais nos rendemos a Deus, mais percebemos Sua presença.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em aparentar santidade, mas em ter um coração alinhado com Deus. Um coração limpo vê mais longe. Vê Deus onde outros não veem. E essa visão transforma a vida.

Um coração sincero diante de Deus enxerga aquilo que os olhos não conseguem ver.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor. Décio

07/fev/26

 

FELIZES OS QUE APRENDERAM A TRATAR COM GRAÇA

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Mateus 5:7 (NAA)

Dando continuidade às reflexões sobre o Sermão do Monte, procurando compreender o que Jesus transmitia à multidão, chegamos agora à felicidade declarada sobre os misericordiosos, os puros de coração e os pacificadores. Nessas palavras, Jesus apresenta um tipo de vida que revela, de forma prática, o caráter do Reino de Deus. Ele não fala de sentimentos isolados, mas de atitudes que nascem de um coração transformado.

No sentido comum, ser misericordioso já significa ter compaixão, perceber a dor do outro e agir com bondade. Esse conceito, por si só, já é importante. Porém, no Sermão do Monte, Jesus aprofunda a misericórdia e lhe dá um peso espiritual muito maior. Ele mostra que misericórdia não é apenas uma qualidade humana, mas uma marca de quem foi alcançado pela graça de Deus.

Em Mateus 5:7, Jesus declara: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” (NAA). Essa palavra revela uma relação direta entre receber e oferecer misericórdia. Jesus não está ensinando que conquistamos o favor de Deus por boas obras, mas que quem experimenta a misericórdia divina passa a viver de forma misericordiosa.

Para Jesus, misericórdia não é apenas sentir pena ou ter um coração sensível. Ela nasce da experiência pessoal com a graça de Deus. O misericordioso é alguém que reconhece que foi perdoado, alcançado e tratado com paciência pelo Senhor. Por isso, passa a olhar os outros com o mesmo olhar que recebeu de Deus.

No ensino de Jesus, a misericórdia começa pelo olhar. É enxergar a pessoa além do erro, da fraqueza ou da aparência. Jesus via pessoas feridas, não apenas pecadores. Ele não ignorava o pecado, mas também não ignorava a dor humana. Esse olhar muda a forma como lidamos com quem falha, com quem erra e com quem decepciona.

A misericórdia também envolve sentir. Ela não é fria nem distante. É permitir que o sofrimento do outro toque o coração. Muitas vezes, é mais fácil julgar do que se compadecer. É mais simples apontar o erro do que caminhar junto. Jesus nos chama a um coração sensível, capaz de se importar, mesmo quando isso exige esforço emocional.

Mas a misericórdia ensinada por Jesus não para no olhar e no sentir. Ela se expressa em ação. No Sermão do Monte, misericórdia sempre se transforma em atitude concreta. Não é apenas perdoar com palavras, mas agir com paciência, oferecer ajuda, estender a mão e dar novas oportunidades. É o oposto de uma religião dura, que cobra muito, mas oferece pouco.

Nos nossos dias, isso se torna muito prático. Ser misericordioso é perdoar alguém da família que nos feriu. É tratar com respeito quem falhou no trabalho. É ajudar alguém sem esperar reconhecimento. É responder com calma quando somos provocados. É lembrar que nós mesmos já erramos muitas vezes e fomos alcançados pela graça de Deus.

Jesus não chama de bem-aventurados os que apenas exigem justiça dos outros, mas os que sabem equilibrar justiça com misericórdia. Ele não nos ensina a passar por cima da verdade, mas a tratar a verdade com amor. A misericórdia não ignora o erro, mas oferece caminho de restauração.

Por isso, a misericórdia ensinada por Jesus vai além do conceito humano. Ela inclui perdoar quando há motivo para ressentimento, ajudar quando não há obrigação e tratar com graça quem falhou. Esse tipo de misericórdia não nasce do esforço humano, mas de um coração moldado pelo Espírito de Deus.

Jesus não redefine a misericórdia; Ele a leva à sua essência. Quem foi alcançado pela misericórdia de Deus aprende a oferecê-la aos outros. E essa prática revela um coração alinhado com o Reino dos Céus.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em julgar menos por conveniência, mas em amar mais por convicção. O misericordioso vive de forma leve, porque entende que a graça recebida precisa ser compartilhada. E sobre esses, Jesus declara: são felizes.

Quem experimenta a misericórdia de Deus aprende a olhar, sentir e agir com graça diante dos outros.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/fev/26

 

FOME QUE NÃO SE SATISFAZ COM APARÊNCIA

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão satisfeitos.” Mateus 5:6 (NAA)

Sede e fome de justiça são o tema de nossa quarta reflexão nas bem-aventuranças. Jesus escolhe essas palavras com muito cuidado. Ele fala de fome e sede porque está tratando de um desejo profundo, contínuo e essencial, não de algo superficial ou ocasional. Em Mateus 5:6, Ele declara: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão satisfeitos.” (NAA). Jesus nos ensina que a justiça do Reino de Deus precisa ser buscada como algo indispensável à vida.

Fome e sede não são caprichos. São necessidades básicas. Quando alguém sente fome de verdade, não se contenta com a aparência de comida. Quando alguém sente sede de verdade, não se satisfaz com palavras, promessas ou explicações. Precisa de algo real. Ao usar essas imagens, Jesus mostra que a justiça não pode ser apenas discurso religioso, tradição ou fachada espiritual. Ela precisa ser desejada com intensidade, como algo sem o qual não conseguimos viver.

Ao longo da história, o povo sempre clamou por justiça. O necessitado clama por justiça. O oprimido clama por justiça. A Bíblia reconhece esse clamor, especialmente quando a justiça humana falha, demora ou é negada. Muitas vezes, a injustiça se torna parte do cotidiano, e o sofrimento se prolonga. Diante disso, Deus levanta profetas para denunciar uma fé vazia e chamar o povo de volta ao caminho correto.

Um desses profetas foi Amós. Ele falou contra uma religião bonita por fora, cheia de rituais, mas vazia por dentro. Em meio às injustiças praticadas contra os pobres e fracos, Amós declarou: “Corra o juízo como as águas, e a justiça, como um ribeiro perene.” Amós 5:24 (NAA). Essa imagem é forte. Deus não quer uma justiça que aparece de vez em quando, nem uma justiça seletiva, que favorece alguns e ignora outros. Ele deseja uma justiça que flui continuamente, como um rio que nunca seca.

Por isso se diz que justiça tardia não é justiça. Quando a justiça demora demais, ela deixa de cumprir seu propósito e se transforma em opressão. Deus não se agrada de uma fé que canta, oferece sacrifícios e frequenta cultos, mas ignora o pobre, o fraco e o injustiçado. A justiça que agrada a Deus precisa alcançar a vida real.

Jesus retoma esse ensino e o aprofunda. Ele não está falando apenas de justiça social, embora ela esteja incluída. Jesus fala, sobretudo, de justiça diante de Deus. Trata-se do desejo sincero de viver de forma correta, reta e alinhada com a vontade do Senhor. Não é aparência religiosa. Não é discurso bonito. Não é frequentar lugares santos sem mudança de vida. É querer, de verdade, viver o que Deus aprova.

Por isso Jesus não diz: “Bem-aventurados os que falam de justiça” ou “os que exigem justiça dos outros”. Ele diz: “os que têm fome e sede de justiça”. Isso descreve pessoas que sentem falta da justiça quando ela não está presente, que se incomodam com o erro e sofrem ao ver o pecado — primeiro em si mesmas, depois ao redor. É um desejo que começa no coração e se reflete nas atitudes.

Nos nossos dias, esse ensino é muito atual. Vivemos em um tempo em que muitos exigem justiça, mas poucos querem praticá-la. Cobram honestidade, mas dão jeitinho. Pedem respeito, mas ferem com palavras. Criticam a corrupção, mas são injustos nas pequenas coisas do dia a dia. Jesus aponta outro caminho: antes de exigir justiça do mundo, permita que a justiça de Deus governe o seu coração.

Ter fome e sede de justiça significa desejar agir corretamente mesmo quando ninguém está vendo. É escolher a verdade quando a mentira parece mais fácil. É tratar as pessoas com dignidade, mesmo quando isso não traz vantagem. Isso se manifesta no trabalho, na família, nos relacionamentos e nas decisões simples da vida.

Essa fome espiritual também revela dependência de Deus. Ninguém consegue viver a justiça do Reino apenas com força de vontade. Por isso Jesus promete: “porque serão satisfeitos.” O próprio Deus sacia esse desejo. Ele concede graça, direção e transformação interior. A justiça que Deus exige é a justiça que Ele mesmo produz em nós.

Assim, Jesus ensina que a verdadeira felicidade não está em parecer justo, mas em desejar ser justo. Não em usar a religião como máscara, mas em permitir que Deus transforme o interior. Quem tem fome e sede de justiça não se acomoda, não se conforma com o erro e não se contenta com pouco. Busca viver aquilo que agrada ao Senhor. E esse desejo sincero nunca fica sem resposta. Deus promete saciar.

Deus não se agrada da justiça que parece correta, mas da justiça que nasce de um coração faminto por viver a Sua vontade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

05/fev/26

 

FORÇA QUE ESCOLHE AMAR

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” Mateus 5:5 (NAA)

De volta às bem-aventuranças, nesta terceira reflexão Jesus nos conduz a um tema que costuma ser mal compreendido: a mansidão. Vivemos em um tempo em que força é confundida com agressividade, autoridade com gritos e firmeza com dureza. Por isso, quando Jesus declara “Bem-aventurados os mansos”, muitos estranham. No entanto, a mansidão, segundo o Reino de Deus, não é fraqueza. É força sob controle.

Ser manso é ter capacidade de reagir, mas escolher não agir movido pela ira, pelo orgulho ou pelo desejo de vingança. É a pessoa que possui força interior, mas permite que Deus governe suas atitudes. A mansidão aparece quando alguém tem poder para ferir, mas opta por perdoar; quando poderia responder com palavras duras, mas escolhe falar com graça. Não é falta de reação, é domínio próprio.

Na ótica do céu, o manso não é aquele que se cala por medo, mas aquele que se cala por sabedoria. Não é quem aceita injustiça por covardia, mas quem confia que Deus é justo e cuida da causa. A mansidão revela um coração seguro em Deus, que não precisa se impor o tempo todo para provar seu valor. Quem confia no Senhor não vive defendendo o próprio ego.

Jesus é o maior exemplo de mansidão. Ele foi acusado injustamente, humilhado publicamente e tratado com desprezo. Ainda assim, não perdeu o domínio de si mesmo. Sua mansidão não o impediu de confrontar o erro, mas determinou a maneira como Ele tratava as pessoas — com verdade, amor e firmeza. Quando precisava corrigir, corrigia. Quando precisava silenciar, silenciava. Tudo no tempo certo e com o coração certo.

Essa mansidão fica clara quando Jesus é provocado, questionado e até agredido. Ele tinha todo o poder para reagir, mas escolheu obedecer ao Pai. Isso nos ensina que a mansidão não anula a força; ela a direciona. É força guiada pelo amor e pela obediência a Deus.

Nos nossos dias, ser manso é algo muito prático. Significa controlar as palavras quando somos contrariados. É não explodir em discussões dentro de casa, no trabalho ou na igreja. É não responder com ironia, agressividade ou desprezo. Ser manso é saber ouvir, ponderar e responder com respeito, mesmo quando o outro não age da mesma forma.

A mansidão também se manifesta quando alguém prefere conversar em vez de discutir, perdoar em vez de guardar mágoa, esperar em vez de agir por impulso. É escolher a paz sem abrir mão da verdade. É agir com equilíbrio, mesmo quando as emoções pedem outra coisa. Isso não é fácil, mas é fruto da ação de Deus no coração.

Muitos pensam que, para vencer na vida, é preciso ser duro o tempo todo. Jesus ensina o contrário. Ele afirma que os mansos herdarão a terra. No Reino de Deus, não vence quem grita mais alto, mas quem confia mais profundamente. Não prospera quem atropela os outros, mas quem caminha com humildade e fé.

Essa promessa aponta para algo maior do que conquistas materiais. Herdar a terra fala de descanso, segurança e cuidado de Deus. O manso aprende a esperar, a confiar e a caminhar sem ansiedade. Ele sabe que Deus está no controle e que nenhuma injustiça passa despercebida aos olhos do Senhor.

Para quem está começando na fé, a mansidão é um aprendizado diário. Não nasce pronta. Ela cresce à medida que aprendemos a andar com Cristo, a ouvir Sua Palavra e a permitir que o Espírito Santo molde nosso caráter. Cada situação difícil se torna uma oportunidade de praticar a mansidão.

Assim, Jesus nos chama de bem-aventurados não quando somos duros, mas quando somos mansos. A mansidão é o retrato de um caráter moldado por Cristo. É força com propósito, firmeza com amor e autoridade com humildade. É viver de um jeito que revela o coração do Pai ao mundo.

A verdadeira força não está em reagir com dureza, mas em confiar em Deus e escolher agir com amor.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/fev/26

 

LÁGRIMAS QUE CURAM O CORAÇÃO

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” Mateus 5:4 (NAA)

Na segunda reflexão sobre as bem-aventuranças, Jesus nos convida a pensar sobre sensibilidade espiritual, arrependimento sincero e a dor que encontra consolo em Deus. À primeira vista, pode parecer estranho chamar de felizes aqueles que choram. Afinal, chorar costuma ser associado à tristeza e à perda. No entanto, Jesus nos ensina que existe um tipo de choro que não afasta da vida, mas conduz à restauração.

Lembro-me de minha mãe dizendo que gostava de chorar. Ela afirmava que o choro lhe fazia bem, como se as lágrimas aliviassem o peso do coração. Essa lembrança sempre volta quando leio as palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que choram.” Então surge a pergunta natural: será que é desse choro que o Senhor está falando?

Jesus não se refere apenas ao choro emocional que alivia a alma, aquele que faz parte da nossa humanidade e, muitas vezes, nos ajuda a seguir em frente depois de um dia difícil, uma notícia ruim ou uma perda. Esse tipo de choro tem seu valor e não é desprezado por Deus. A Bíblia mostra que o Senhor conhece nossas lágrimas e se importa com nossa dor. Porém, o choro mencionado por Jesus vai além do alívio emocional.

O choro que Jesus destaca é o choro de quem desenvolve sensibilidade espiritual. É a lágrima que nasce quando o coração percebe a própria condição diante de Deus. É quando reconhecemos nossos pecados, nossas falhas e atitudes que não agradam ao Senhor. Esse choro não nasce do medo da punição, mas do arrependimento sincero, do desejo de mudança e de um coração quebrantado.

Muitas pessoas hoje não choram porque o coração se endureceu. Vivem correndo, distraídas, tentando preencher vazios com trabalho, consumo, redes sociais ou religião sem vida. A bem-aventurança de Jesus nos chama a parar, olhar para dentro e permitir que Deus nos mostre o que precisa ser tratado. Quando o coração volta a sentir, as lágrimas aparecem — e isso não é fraqueza, é começo de cura.

Esse choro também inclui as dores da vida. Todos enfrentamos perdas, enfermidades, frustrações, decepções e lutos. A diferença está em como lidamos com essas dores. Há quem se feche, se isole e se torne amargo. Jesus aponta outro caminho: levar a dor para Deus. Chorar diante do Senhor é reconhecer que não damos conta sozinhos e que precisamos do Seu cuidado.

Por isso Jesus afirma: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” Mateus 5:4 (NAA). O consolo prometido não vem apenas de palavras humanas ou do tempo que passa. Ele vem da presença de Deus, que se aproxima do coração quebrantado. É o consolo que traz paz em meio à dor, esperança no meio da perda e força para continuar.

Nos nossos dias, isso se torna muito prático. Quando alguém reconhece um erro e pede perdão a Deus, muitas vezes chora — e encontra alívio. Quando uma pessoa, cansada e sobrecarregada, decide orar com sinceridade, pode chorar — e sai renovada. Quando alguém perde um ente querido e encontra em Deus o amparo que ninguém mais pode oferecer, experimenta esse consolo prometido por Jesus.

Esse choro não termina em desespero. Ele aponta para a esperança. As lágrimas não são o fim do caminho, mas parte do processo de restauração. Deus transforma lágrimas em aprendizado, dor em amadurecimento e arrependimento em nova vida. Onde há lágrimas sinceras diante do Senhor, há espaço para a ação do Espírito Santo.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em negar a dor, mas em levá-la para Deus. O Reino dos Céus alcança aqueles que não escondem o coração, que não fingem força o tempo todo, mas se permitem ser tratados pelo Senhor. Chorar, nesse sentido, é sinal de vida espiritual sensível e de fé verdadeira.

As lágrimas que levamos a Deus se transformam em consolo, cura e esperança.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

03/fev/26

 

DE MÃOS VAZIAS, CORAÇÃO CHEIO

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” Mateus 5:3 (NAA)

O Sermão do Monte, registrado em Mateus capítulos 5 a 7, reúne alguns dos ensinamentos mais claros e transformadores de Jesus sobre a vida cristã. Nele, Jesus nos mostra que a fé não se resume a práticas religiosas externas, nem a cumprir regras por obrigação. A fé verdadeira começa no coração e se revela nas atitudes do dia a dia. Jesus fala de humildade, amor, perdão, confiança em Deus e obediência sincera, ensinando um caminho que muda o interior do ser humano e se reflete na forma como ele vive, escolhe e se relaciona.

Nos próximos dias, refletiremos sobre esse ensino tão precioso. Aprender diretamente de Jesus sempre nos conduz a uma fé mais simples e verdadeira. Começamos pelas bem-aventuranças, registradas em Mateus 5:1–11, que abrem o Sermão do Monte e apresentam os valores do Reino de Deus.

A primeira delas diz: “Bem-aventurados os pobres em espírito”. Essa frase pode parecer estranha à primeira vista, mas ela carrega uma verdade essencial para a vida cristã.

Jesus não está dizendo que é bom ser ignorante, fraco emocionalmente ou miserável financeiramente. Ser pobre de espírito não tem relação com falta de inteligência, autoestima baixa ou dificuldades materiais. Trata-se de uma postura interior diante de Deus. Em Mateus 5:3, Jesus afirma: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” (NAA)

Ser pobre de espírito é reconhecer que não somos autossuficientes. É admitir que, espiritualmente, não damos conta sozinhos. Não temos méritos, obras ou qualidades que possam nos tornar aceitáveis diante de Deus. Quem é pobre de espírito entende que depende totalmente da graça, do perdão e da misericórdia do Senhor.

Essa atitude se parece com alguém que chega diante de Deus de mãos vazias. Sem arrogância. Sem orgulho. Sem confiança em títulos, cargos, conhecimento bíblico ou experiências religiosas. É o coração que ora com sinceridade: “Senhor, eu preciso de Ti.” Essa oração simples revela uma fé verdadeira.

Jesus começa as bem-aventuranças por aqui porque esse é o ponto de partida da vida cristã. Enquanto alguém acredita que é forte, justo ou suficiente por si mesmo, não vê necessidade de salvação. Mas quando reconhece sua pobreza espiritual, abre espaço para Deus agir. A graça só alcança quem reconhece que precisa dela.

Nos nossos dias, ser pobre de espírito significa não viver confiando apenas em si mesmo, no dinheiro, no conhecimento, na posição social ou até na religião. Muitas pessoas frequentam a igreja, conhecem palavras bíblicas e participam de atividades religiosas, mas continuam confiando mais em si mesmas do que em Deus. A pobreza de espírito nos ensina a depender do Senhor diariamente, em decisões simples e também nas grandes escolhas da vida.

Por exemplo, quando alguém ora antes de tomar decisões importantes, reconhece que precisa da direção de Deus. Quando pede perdão com humildade, demonstra pobreza de espírito. Quando aceita ajuda, conselhos e correção, mostra que entende seus limites. Tudo isso revela um coração que confia mais em Deus do que em si mesmo.

Por isso Jesus afirma que o Reino dos Céus pertence aos pobres de espírito. Não aos que se exaltam, mas aos que se rendem. Não aos autossuficientes, mas aos que confiam. O Reino não é conquistado por esforço humano, mas recebido pela fé simples e humilde.

A pobreza de espírito não nos diminui. Pelo contrário, nos coloca no lugar certo diante de Deus. É ali que encontramos perdão, restauração, nova vida e verdadeira alegria. Quando reconhecemos nossa necessidade, Deus se revela suficiente. Quando esvaziamos o orgulho, Ele enche o coração com Sua graça.

O Reino de Deus começa quando o coração reconhece que precisa totalmente de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/fev/26

 

O PODER QUE VENCE A MORTE E SUSTENTA A IGREJA


“o qual exerceu em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais.” Efésios 1:20 (NAA)

Vivemos em um mundo que valoriza muito o poder. As pessoas buscam poder para mandar, controlar, influenciar e ser reconhecidas. Poder político, poder financeiro, poder de imagem, poder nas redes sociais. Para muitos, ter poder é sinônimo de sucesso. Mas esse tipo de poder é frágil. Hoje alguém está no topo, amanhã pode cair. Hoje é aplaudido, amanhã é esquecido. É um poder que dura pouco e não sustenta a vida.

Todos os dias vemos exemplos disso. Pessoas que tinham fama perdem tudo. Governos mudam. Empresas gigantes quebram. Pessoas fortes adoecem. O poder humano é sempre limitado. Ele não vence a morte, não cura o coração e não resolve o problema mais profundo do ser humano: o pecado e a separação de Deus.

A Bíblia nos mostra que existe um poder diferente. Um poder que não nasce da força humana, nem do dinheiro, nem da posição social. Efésios 1:20 nos diz que esse poder é o poder de Deus. Foi esse poder que Deus usou para ressuscitar Jesus dentre os mortos e colocá-lo à sua direita. Isso significa que Deus venceu aquilo que ninguém consegue vencer: a morte.

Jesus morreu de verdade. Seu corpo foi colocado em um túmulo. Aos olhos humanos, tudo parecia acabado. Mas Deus entrou em ação. Com seu poder, Ele levantou Jesus dentre os mortos. A morte não conseguiu segurá-lo. O túmulo não conseguiu detê-lo. Esse é um poder que não tem comparação. Um poder eterno.

Depois da ressurreição, Deus colocou Jesus à sua direita. Isso fala de honra, autoridade e governo. Jesus não apenas vive, Ele reina. Ele governa sobre tudo. Nada está acima dele. Nada foge do seu controle. O mundo pode parecer confuso, mas Cristo continua reinando.

O mais impressionante é que a Bíblia diz que esse mesmo poder age na vida dos que creem. A igreja é portadora desse poder. Não porque seja forte em si mesma, mas porque está unida a Cristo. Muitas pessoas não entendem isso. Olham para a igreja e veem pessoas simples, cheias de falhas, com lutas diárias. Mas esquecem que o poder da igreja não está nas pessoas, e sim em Deus.E eu também lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Mateus 16:18 (NAA)

Esse poder não foi dado para dominar pessoas ou impor medo. Não é um poder de opressão. É um poder que gera vida. É o poder que transforma corações, que levanta quem caiu, que fortalece quem está fraco. É o poder que ajuda alguém a abandonar um pecado antigo, a perdoar uma ferida profunda, a continuar firme mesmo em meio à dor.

Hoje vemos isso acontecer. Pessoas presas em vícios encontram liberdade em Cristo. Famílias destruídas são restauradas. Pessoas sem esperança voltam a sorrir. Não é força humana. É o poder de Deus agindo. O mesmo poder que ressuscitou Jesus continua operando.

A igreja não precisa disputar espaço com o mundo nem buscar reconhecimento humano. Ela não vive de aplausos, números ou visibilidade. Também não precisa de defensores humanos, porque o Espírito Santo é quem a sustenta, guia e protege. O valor da igreja está no poder que carrega. Um poder silencioso, que não faz barulho, mas transforma vidas. Um poder que não aparece nos noticiários, mas muda histórias e corações todos os dias.

Quando entendemos isso, nossa fé muda. Paramos de confiar apenas em nós mesmos. Aprendemos a depender de Deus. Sabemos que, mesmo quando tudo parece difícil, Deus continua agindo. O Cristo que venceu a morte está vivo e cuida do seu povo. porque andamos por fé e não pelo que vemos. 2 Coríntios 5:7 (NAA)

Efésios 1:20 nos lembra que a igreja vive ligada a um Salvador vivo e poderoso. Não seguimos um líder morto, mas um Senhor ressuscitado. Isso traz segurança, esperança e paz. O mundo pode mudar, mas o poder de Deus permanece.

A igreja caminha neste mundo não sustentada por força própria, mas pelo poder do Deus que ressuscita, governa e cuida. Esse poder não passa. Ele é eterno.

A igreja não vive do poder dos homens, mas do poder do Deus que venceu a morte e continua sustentando o seu povo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/fev/26

 

FIDELIDADE QUE DEUS VÊ, MESMO QUANDO NINGUÉM VÊ


“Sucedeu que, quando Jezabel exterminava os profetas do Senhor, Obadias tomou cem profetas, e os escondeu de cinquenta em cinquenta em cavernas, e os sustentou com pão e água.” 1 Reis 18:4 (NAA)

Vivemos tempos em que servir a Deus com fidelidade nem sempre é fácil. Muitos cristãos enfrentam pressões no trabalho, na família, na escola e até dentro da própria sociedade. Às vezes, seguir a Cristo significa “remar” contra a corrente, ficar em silêncio quando todos gritam ou manter a fé quando o ambiente não ajuda. A história de Obadias nos mostra que Deus continua tendo servos fiéis mesmo quando o cenário espiritual parece totalmente contrário.

Obadias vivia em um contexto muito difícil. Ele era administrador do palácio do rei Acabe, um rei que havia se afastado do Senhor e se deixado dominar pela influência de Jezabel. Jezabel perseguia os profetas de Deus e promovia a idolatria em Israel. Servir ao Senhor naquele tempo não era apenas desconfortável, era perigoso. Mesmo assim, a Bíblia registra algo precioso sobre Obadias: ele temia ao Senhor desde jovem (1 Reis 18:3). Sua fé não dependia das circunstâncias. Ela vinha do coração.

Quando Jezabel decidiu matar os profetas do Senhor, Obadias poderia ter se omitido. Poderia ter pensado primeiro em sua posição, em sua segurança ou em seu futuro. Mas ele escolheu fazer o que era certo diante de Deus. Ele escondeu cem profetas em cavernas e os sustentou com pão e água. Ele fez isso em silêncio, longe dos holofotes, correndo riscos reais. Sua fidelidade não foi vista pelo povo, mas foi vista por Deus. E Deus usou essa fidelidade para preservar vidas.

Muitas vezes, pensamos que servir a Deus significa sempre estar em destaque, falar em público ou enfrentar grandes confrontos. Mas a história de Obadias nos mostra que o Reino de Deus também avança nos bastidores. Avança quando alguém ajuda em segredo. Quando alguém protege, sustenta e cuida, mesmo sem reconhecimento. Hoje isso acontece quando um cristão permanece honesto em um ambiente corrupto, quando alguém ora em silêncio por outros ou quando alguém escolhe fazer o bem mesmo sem aplausos.

Mais tarde, Obadias encontra o profeta Elias. Nesse encontro, vemos o lado humano de Obadias. Ele sente medo. Ele teme ser morto se Elias desaparecer novamente, como já havia acontecido antes. Obadias não é apresentado como um herói sem falhas. Ele é um servo fiel que também enfrenta conflitos internos. Ainda assim, ele obedece. Ele confia na palavra do Senhor e vai até Acabe anunciar a presença de Elias.

Essa parte da história nos ensina algo muito importante: fidelidade não é ausência de medo. Fidelidade é obedecer mesmo com medo. Muitas vezes, achamos que só servimos bem a Deus quando estamos totalmente seguros e confiantes. Mas Deus usa pessoas reais, com limitações, medos e lutas. O que Ele procura é um coração disposto a obedecer.

Obadias nos lembra que nem todos são chamados para confrontos públicos como Elias. Alguns são chamados para sustentar a obra em silêncio – na oração. Ambos são importantes. Deus usa os Elias, que aparecem diante do povo, e usa os Obadias, que trabalham nos bastidores. O Reino de Deus cresce tanto no púlpito quanto fora dele.

Hoje, Deus continua olhando para o coração. Ele vê o cristão que permanece fiel no trabalho, mesmo sendo pressionado a agir errado. Ele vê a mãe ou o pai que ensina os filhos no caminho do Senhor em um mundo confuso. Ele vê o jovem que decide seguir a Cristo mesmo sendo zombado. Nada disso passa despercebido aos olhos do Senhor.

A história de Obadias nos encoraja a permanecer firmes. Onde Deus nos colocar, ali devemos servi-lo com temor, integridade e coragem. Mesmo que ninguém perceba, Deus percebe. Mesmo que pareça pequeno, Deus usa. A fidelidade que nasce no coração sempre produz frutos no tempo certo.

A fidelidade que Deus mais usa nem sempre é a que aparece, mas a que permanece firme quando só Ele está

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/jan/26

 

ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ

“Este é o dia que o Senhor fez; exultemos e alegremo-nos nele.” Salmos 118:24 (NAA)

Nem todo dia nasce por acaso. Muitos dias começam como qualquer outro, seguem a rotina comum e terminam sem grandes marcas. Porém, existem dias que carregam algo diferente. Dias que, mesmo simples à primeira vista, revelam depois a mão de Deus em ação. São dias preparados, pensados e conduzidos pelo Senhor. É sobre esses dias que o salmista declara com alegria: “Este é o dia que o Senhor fez”.

Desde o princípio, a Bíblia nos mostra que Deus trabalha com propósito e com tempo certo. Ele não age de forma improvisada. Nada acontece fora do seu cuidado. Deus conduz a história, guia caminhos e permite encontros que, muitas vezes, só compreendemos depois. Isso nos ensina que alguns dias não são apenas resultado das circunstâncias, mas fazem parte do agir soberano de Deus na vida das pessoas.

Ao longo da vida, todos nós experimentamos dias assim. Um encontro inesperado. Uma conversa que muda tudo. Uma decisão difícil. Uma porta que se abre ou se fecha. No momento, parecem acontecimentos comuns. Com o passar do tempo, percebemos que Deus já estava ali, preparando aquele dia antes mesmo de entendermos. Por isso, nem todo dia é igual. Há dias comuns, e há dias marcados pela ação do Senhor.

A Bíblia também nos ensina que nem todo “grande dia” vem acompanhado de festa. O profeta Sofonias fala de um grande dia com um tom diferente: “O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o poderoso.” Sofonias 1:14 (NAA)

Nesse caso, o grande dia não é de celebração, mas de confronto. É o dia em que a pessoa se vê diante da verdade sobre si mesma e diante de Deus. É um dia de correção, de arrependimento e de ajuste de rota. Isso nos ensina que Deus também age nos dias difíceis. Nem todo dia preparado por Deus é confortável, mas todo dia tem propósito.

A caminhada cristã não é feita apenas de dias alegres. Há dias de consolo, mas também há dias de amadurecimento. Há momentos em que Deus nos anima, e outros em que Ele nos chama à reflexão. Ambos fazem parte do cuidado do Senhor. A fé não elimina os desafios da vida, mas nos ensina a atravessá-los com Deus.

O grande consolo do evangelho é saber que Deus está presente em todos os dias. Não apenas nos dias bons, mas também nos dias difíceis. A fé cristã não promete ausência de conflitos, mas a presença fiel do Senhor em cada etapa da caminhada. Deus não abandona seus filhos quando o dia pesa. Ele sustenta, fortalece e conduz.

No Novo Testamento, o apóstolo João nos apresenta outro grande dia. Ele escreve: “No último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”  João 7:37 (NAA)

Em meio à celebração, Jesus fala de sede. Uma sede que não é apenas física. É sede de sentido, de perdão, de recomeço, de vida verdadeira. Essa sede pode aparecer até em dias bons. Nenhuma experiência humana, por mais marcante que seja, consegue preencher completamente o coração. Existe um espaço dentro de nós que só Cristo pode ocupar.

Por isso, Jesus faz um convite simples e profundo: “Venha a mim”. Ele não oferece apenas um momento de alívio, mas uma nova vida. Ele se apresenta como resposta para a sede da alma, para os dias vazios e também para os dias confusos.

Esse grande dia anunciado por Jesus aponta para algo ainda maior. Aponta para o futuro, para a esperança eterna, quando o povo de Deus estará para sempre com o Senhor. Cada dia preparado por Deus aqui na terra carrega um sinal dessa esperança. Deus continua escrevendo histórias, conduzindo vidas e chamando pessoas para caminharem sob sua graça.

Por isso, quando reconhecemos que um dia vem do Senhor, somos chamados a vivê-lo com gratidão, fé e responsabilidade. Um dia feito por Deus é motivo de alegria, mas também de compromisso. Compromisso de confiar nEle nos dias leves e nos dias difíceis, certos de que Ele governa cada passo.

Este dia não nasceu por acaso. Não é apenas fruto de decisões humanas ou circunstâncias aleatórias. É um dia que o Senhor fez. Fez com propósito, com cuidado e com amor. E, em todos os dias que virão, o convite de Jesus continua ecoando: “Venha a mim”. Porque onde Ele está, há vida, renovação e esperança que permanece.

Nem todo dia é igual. Mas todo dia entregue a Deus pode se tornar um dia marcado por propósito, graça e esperança.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/jan/26

 

QUANDO DEUS ESCUTA O QUE ACONTECE DENTRO DE CASA

“Então o Senhor ouviu o que disseram.” Números 12:2 (NAA)

A família de Joquebede ficou marcada na história de Israel como um lar do qual Deus levantou grandes líderes. Seus filhos — Miriã, Arão e Moisés — exerceram papéis decisivos na condução do povo do Senhor. Diante disso, é natural que haja honra, alegria e legítimo contentamento no coração dos pais ao verem seus filhos sendo usados por Deus.

No entanto, nem mesmo uma família tão abençoada esteve isenta de tensões e conflitos. A própria Escritura nos lembra que lares piedosos não são lares perfeitos. Onde há pessoas, há desafios; e mesmo sob a direção divina, o convívio familiar pode revelar fragilidades, disputas e lições profundas que Deus utiliza para formar caráter e ensinar dependência dEle.

O conflito começou quando Moisés se casou com uma mulher que não fazia parte do povo de Israel. Essa situação se tornou o gatilho para questionamentos, críticas e murmuração dentro da própria família. Miriã e Arão passaram a falar contra Moisés, colocando em dúvida sua autoridade espiritual: “Por acaso o Senhor falou somente por meio de Moisés? Não falou também por meio de nós?”  (Números 12:2 (NAA). O problema não foi apenas o casamento, mas o coração tomado por ciúmes e disputa por espaço.

Ciúmes, competições e brigas por reconhecimento surgem em muitas famílias. São conflitos comuns, presentes em lares simples e também em famílias que servem a Deus. Muitas vezes, enfrentamos mais batalhas dentro de casa do que fora dela. A espada da língua fere profundamente. Palavras duras, acusações e comparações machucam mais do que ataques externos. Isso não é algo novo. Até na Bíblia vemos situações semelhantes, como no caso de Davi e seu irmão Eliabe, que o desprezou antes da batalha contra Golias.

Um ensino forte desse texto é que Deus observa atentamente o que acontece dentro de casa. A murmuração de Miriã e Arão não foi pública, mas Deus ouviu. A Palavra diz claramente: “O Senhor ouviu.” O que é dito entre quatro paredes, com a porta fechada, não passa despercebido no céu. Por isso, somos chamados a ter cuidado com nossos sentimentos, palavras e atitudes, não apenas com a família de sangue, mas também com a família da fé, os nossos irmãos da igreja.

Nesse contexto, a atitude de Moisés chama a atenção. A Bíblia afirma: “Moisés era um homem muito manso, mais do que qualquer outro sobre a terra.”  Números 12:3, (NAA). Ele tinha autoridade, posição e poder, mas escolheu o silêncio. Não se defendeu, não atacou, não discutiu. A mansidão não é fraqueza; é poder sob controle. Quem sabe que foi chamado por Deus não precisa se justificar diante das pessoas.

Jesus ensinou esse mesmo princípio ao dizer: Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.  Mateus 5:5 (NAA). E também afirmou: Aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração.”  Mateus 11:29 (NAA). Moisés refletiu esse caráter. Ele confiou que Deus cuidaria da situação.

Conflitos familiares não se resolvem com mais confronto, nem com palavras endurecidas. Eles precisam ser colocados nas mãos de Deus. O texto mostra que o Senhor agiu de forma imediata: Imediatamente o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã…” Números 12:4 (NAA).

A palavra “imediatamente” nesse versículo carrega um ensinamento precioso. Ela nos lembra que problemas dentro do lar não devem ser ignorados, adiados ou varridos para debaixo do tapete. Deus não age com indiferença diante das tensões familiares. Ele vê, chama, confronta com justiça e corrige com amor. No tempo certo, o Senhor intervém para tratar o coração, restaurar a ordem e preservar aquilo que Ele mesmo estabeleceu.

Miriã foi disciplinada por Deus, ficando separada do acampamento por sete dias. Mesmo assim, Moisés não guardou rancor. Pelo contrário, ele intercedeu pela irmã, clamando por sua cura. Isso nos ensina que quem deseja restauração na família não paga o mal com o mal, mas escolhe a intercessão. A disciplina de Deus nunca tem como fim a destruição, mas a restauração.

Outro detalhe importante é que o povo não seguiu viagem enquanto Miriã não foi totalmente restaurada: O povo não partiu enquanto Miriã não foi trazida de volta.  Números 12:15 (NAA). Família não se abandona. Família se espera. Há críticas, tensões e correções, mas também há cuidado, processo e restauração. O avanço de todos depende da cura de cada um.

Eis aqui, nesse exemplo, o caminho do servo de Deus quando se depara com conflitos dentro da família. Ninguém está imune a essas situações. Elas podem surgir até mesmo em lares piedosos, entre pessoas que amam ao Senhor.

Diante disso, o caminho não é a reação impulsiva nem o confronto agressivo, mas a mansidão, a entrega e a confiança em Deus. O Senhor vê o que acontece dentro de casa, ouve o que é dito no secreto e age no tempo certo. Ele disciplina quando necessário, restaura quando há arrependimento e conduz a família para que ninguém fique para trás.

Essa história nos ensina que Deus ouve murmurações, mesmo quando feitas dentro de casa; que Ele defende seus servos quando escolhem a mansidão; que Ele disciplina, mas também restaura; e que a mansidão abre espaço para a atuação da graça. Onde há humildade, Deus age. Onde há silêncio confiado, Deus trabalha, trazendo cura, restauração e avanço para toda a família.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/jan/26

  QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA) A d...