O MEL QUE ESCORRE DA ROCHA


"Mas eu o sustentaria com o trigo mais fino e com o mel que escorre da rocha eu o satisfaria." (Salmos 81:16 – NVI)

Esse versículo mostra o quanto Deus deseja cuidar bem da minha e de sua vida. Ele quer nos alimentar com o melhor, com trigo da melhor qualidade e com mel que escorre da rocha. Essa é uma imagem muito bonita e profunda, que mostra como a graça de Deus é doce, abundante e surpreendente.

O mel, na Bíblia, representa algo bom, puro e valioso. Quando Jacó mandou presentes para o governador do Egito, entre os presentes havia mel. Era algo especial. Hoje, esse mel representa tudo o que Deus tem para nos oferecer por meio de Jesus, a Rocha que nos dá vida.

Esse mel é, antes de tudo, o mel da graça. Em João 1:16 está escrito: “Todos recebemos da sua plenitude, graça sobre graça.” A graça de Deus é um presente que não merecemos, mas que Ele nos dá porque nos ama. E o mais bonito é que essa graça vem de um lugar inesperado – da rocha. Assim como é estranho imaginar mel saindo de uma rocha, também é surpreendente pensar que do sofrimento de Cristo na cruz jorra graça para nos alimentar. Ele foi ferido por nós, e dessa ferida brotou vida. Cristo é essa Rocha inabalável.

O reformador João Calvino dizia que a graça não é apenas uma ideia bonita — ela é uma força viva, que age em nós. A graça nos salva, nos sustenta e nos transforma. Como está em 2 Coríntios 12:9: “A minha graça é suficiente para você.” A graça nos lembra que não conseguimos nada por nós mesmos. Ela acaba com o nosso orgulho e nos ensina a depender de Deus. A graça é doce, mas também nos humilha, porque mostra que somos totalmente carentes do Senhor.

Esse mel também é o mel da alegria. Jesus disse: “Ninguém tirará de vocês a sua alegria.” (João 16:22). A alegria verdadeira não vem das coisas que temos, nem dos momentos bons. Ela vem de Jesus. Quando os discípulos viram Jesus ressuscitado, eles se alegraram profundamente. (João 20:20). Isso nos mostra que a alegria que o Senhor nos dá é maior que qualquer tristeza. Mesmo em dias difíceis, quem tem Jesus tem motivos para sorrir.

Outro tipo de mel que escorre da Rocha é o mel da paz. Jesus disse: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou.” (João 14:27). A paz de Deus não é apenas silêncio ou calmaria. É a certeza de que Ele está conosco, mesmo nas tempestades. O salmista disse: “Em paz me deito e logo adormeço.” (Salmos 4:8). Essa paz vem da graça, e quando a temos, mesmo em meio aos problemas, conseguimos descansar. É também a paz da justificação, de quem foi perdoado por Deus e agora está em paz com o céu.

Existe ainda o mel da segurança da salvação. Em João 10:28, Jesus afirmou: “Dou-lhes a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão.” Isso nos dá certeza de que pertencemos a Ele. A obra está feita, a salvação está garantida. Nada pode nos separar do amor de Deus. Nenhuma tristeza, nenhum medo, nenhuma perda pode tirar isso de nós.

E, por fim, há o mel da transformação. Em 1 João 3:2, lemos: “Quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele.” Deus está nos moldando, dia após dia. “Se alguém está em Cristo, é nova criatura...” (2 Coríntios 5:17). Mesmo que por fora estejamos envelhecendo ou passando por lutas, por dentro estamos sendo renovados. A graça não apenas perdoa — ela nos transforma, nos faz mais parecidos com Jesus.

Precisamos desse mel. Não o mel comum, que é doce e passageiro, mas o mel que vem de Deus. O mel da graça, da alegria, da paz, da certeza da salvação e da transformação. Tudo isso escorre da Rocha, que é Cristo.

Que o Senhor nos alimente com essa doçura espiritual, que nos fortalece e nos satisfaz por completo.

“Da Rocha ferida por um amor puro escorre um mel que não se encontra nos campos deste mundo — é a doçura da graça que salva, da paz que consola, da alegria que permanece, da certeza que sustenta e da transformação que renova. Quem se alimenta dessa Rocha jamais permanece o mesmo.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/mai/25

 

QUANDO A MULTIDÃO GRITA SEM SABER POR QUÊ

“Uns gritavam uma coisa, outros outra, pois a assembleia estava em confusão; a maioria nem sabia por que estavam ali.” (Atos 19:32 – NVI)

O tumulto em Éfeso, relatado em Atos 19:23 a 41, revela como o evangelho pode causar impactos profundos em uma sociedade dominada por ídolos e interesses. Paulo, com sua pregação firme e clara, começou a alcançar muitas pessoas na cidade, e os frutos começaram a aparecer: a idolatria perdeu força, os negócios ligados ao culto a Ártemis começaram a enfraquecer, e a mensagem de Cristo se espalhava com poder.

Foi nesse contexto que Demétrio, um ourives que ganhava a vida fabricando miniaturas do templo da deusa Ártemis, sentiu-se ameaçado. Ele percebeu que, se todos passassem a crer no Deus verdadeiro, sua profissão perderia valor. Mas em vez de assumir isso abertamente, apelou para um discurso religioso. Reuniu outros artesãos e alegou que a nova fé estava colocando em risco a grandeza da deusa e da cidade. Na verdade, o que ele queria era proteger seu bolso. O que parecia zelo por uma divindade era apenas medo de prejuízo financeiro.

A revolta se espalhou rapidamente. A cidade inteira ficou em alvoroço. Pessoas começaram a correr, gritar e se aglomerar no teatro. Mas o verso 32 revela algo surpreendente e muito atual: a maioria nem sabia por que estava ali. Uns gritavam uma coisa, outros outra. Era uma confusão generalizada. Aquilo que começou como uma preocupação econômica se transformou em um movimento descontrolado, seguido por muitos sem reflexão, apenas por instinto ou influência.

Esse comportamento, que hoje chamamos de “efeito manada”, não é novidade. Ele mostra como a falta de discernimento pode levar pessoas a tomarem decisões erradas, guiadas apenas pela emoção e pelo barulho ao redor. Nos dias de hoje, esse mesmo espírito continua presente. Muitas pessoas seguem ideias, movimentos e discursos sem saber exatamente o que estão apoiando. Basta que alguém fale com autoridade ou emoção, e outros já acompanham sem refletir. A mídia e as redes sociais, por sua vez, têm grande habilidade em alimentar esse tipo de comportamento, amplificando vozes e direcionando opiniões. Quando não há convicção pessoal nem clareza de propósito, o resultado é confusão.

Mas o Espírito Santo que habita em nós nos dá discernimento. Ele nos capacita a identificar que nem toda voz que fala alto está com a razão. Existem muitas vozes no mundo: a voz da razão humana, a voz dos sentimentos do coração, que pode enganar, a voz do adversário tentando confundir, e a voz de Deus, que sempre nos conduz à verdade. Por isso, é fundamental aprender a escutar com atenção e pesar o que ouvimos à luz da Palavra. “Mas, quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir.” (João 16:13 – NVI)

O caso de Demétrio nos ensina que muitas causas que parecem nobres podem esconder interesses egoístas. Às vezes, alguém fala bonito, defende uma ideia com veemência, mas por trás há motivações pessoais. O discurso religioso, social ou político pode ser apenas uma máscara para manipulação. Sem discernimento espiritual, corremos o risco de nos envolver em batalhas que não são nossas e até lutar contra aquilo que Deus está fazendo. “Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.” (Hebreus 5:14 – NVI)

É por isso que o cristão precisa saber por que e a quem está seguindo. Nossa fé não pode se basear em gritos da multidão ou modismos religiosos. Ela deve estar firmada na Palavra de Deus, que é como uma bússola segura em tempos de confusão. Deus fala, sim, e está sempre pronto a nos orientar. Mas para ouvir Sua voz, precisamos silenciar o barulho ao redor e buscar intimidade com Ele. “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho...” (Hebreus 1:1-2 – ARA)

Seguir sem entender pode nos levar ao erro. Podemos acabar participando de algo que se opõe à vontade de Deus, pensando estar fazendo o bem. O evangelho não é barulho. É transformação. É direção clara. É vida eterna. A mensagem de Jesus aponta o caminho da salvação. E quem O segue, precisa fazer isso com entendimento, convicção e fé.

Seguir Jesus não é agir por impulso, mas por convicção; quem caminha sem discernir pode se perder até no que parece certo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/mai/25

 

ORGANIZAÇÃO E CUIDADO NO CULTO: LIÇÕES DE NEEMIAS 11

“Petaías, filho de Mesezabeel, dos filhos de Zerá, filho de Judá, estava à disposição do rei, para todos os negócios relativos ao povo.” (Neemias 11:24 – NAA)

O capítulo 11 de Neemias descreve como o povo reorganizou a vida em Jerusalém após a reconstrução dos muros. A cidade estava protegida, mas ainda pouco habitada. Por isso, Neemias e os líderes lançaram sortes para definir quais famílias passariam a morar ali, enquanto outras permaneceriam em suas localidades.

Viver em Jerusalém exigia renúncia, e aqueles que se voluntariaram foram honrados e abençoados — pois se colocaram à disposição do rei. Isso nos ensina sobre o valor do serviço realizado com disposição, renúncia e amor pela Obra de Deus.

A partir do verso 3, o capítulo apresenta os diferentes grupos que se comprometeram com essa missão: líderes, sacerdotes, levitas, homens valentes, porteiros e servos do templo. Cada um assumiu sua responsabilidade, revelando a importância da organização na preservação da vida espiritual do povo. Dentre todos os nomes citados, os versículos 23 e 24 ganham destaque por trazerem duas figuras estratégicas: os cantores levitas e Petaías.

O versículo 23 mostra que os cantores recebiam sustento diário por ordem do rei. Ainda que não se mencione qual rei deu essa ordem, é provável que tenha vindo do período persa, quando os judeus receberam apoio oficial para a restauração de Jerusalém. Esdras 6:9-10 confirma essa prática: o rei Dario determinou que tudo o que fosse necessário para o culto fosse fornecido diariamente, sem falta. Isso revela que até autoridades estrangeiras reconheciam a importância da adoração ao Deus de Israel.

A partir dessa realidade, aprendemos que Deus valoriza o culto com ordem, zelo e constância. Ele deseja que o louvor, a adoração e o serviço em Sua casa aconteçam com dignidade. Os cantores naquele momento eram sustentados para se dedicarem totalmente ao ministério. Entendemos hoje, que esse sustento vem do Senhor. É Ele quem capacita. Não basta ter talento ou domínio técnico sobre música e instrumentos. O verdadeiro sustento é espiritual e nasce da santificação, da leitura da Palavra e da oração.

Hoje, o Senhor continua desejando que aqueles que servem no ensino, na música, na intercessão e no cuidado pastoral tenham condições de exercer seu chamado com alegria e sem sobrecarga. Ele mesmo provê força, direção e os recursos necessários – tanto materiais quanto espirituais – àqueles que O servem com fidelidade. Por isso, devemos valorizar os que se dedicam ao ministério, sabendo que Deus habita no meio dos louvores, e a adoração deve ser tratada com reverência e entrega.

Já o versículo 24 nos apresenta Petaías, descendente de Judá, que atuava como conselheiro do rei em assuntos relacionados ao povo. Essa figura emblemática era mais do que um diplomata. Ele representa aqueles que se colocam à disposição do Rei — o Senhor — para serem usados conforme Sua vontade. Seu nome significa “O Senhor abre”, e isso reforça o papel que ele cumpria: alguém posicionado para abrir caminhos, representar o povo e servir ao rei com fidelidade.

Assim como Petaías foi colocado estrategicamente para interceder e servir, a Igreja hoje é chamada a ser esse canal de abertura espiritual entre o céu e a terra. Ela anuncia o Reino, proclama o Evangelho e convida o mundo a entrar pela porta estreita que conduz à vida — Jesus Cristo. Deus continua levantando servos fiéis e sábios para cumprir papéis específicos em Seu Reino. Cada membro que se entrega com disposição pode ser usado poderosamente por Ele.

Outro aspecto marcante de Neemias 11 é o espírito de serviço voluntário. Morar em Jerusalém era desafiador, mas alguns se ofereceram espontaneamente e outros foram sorteados. Isso nos lembra que servir ao Senhor exige entrega, disposição e, muitas vezes, renúncia. A obra de Deus precisa de pessoas que estejam dispostas a assumir responsabilidades, mesmo que isso implique deixar o conforto. Esse tipo de entrega agrada ao coração de Deus. Como nos ensina 1 Coríntios 15:58: “Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil.”

Neemias 11 nos ensina que o Reino de Deus não é feito de improvisos. Há ordem, há funções bem definidas e há honra no cumprimento de cada tarefa. Quando cada um entende seu papel e o cumpre com zelo, a Igreja caminha com equilíbrio, edificação e propósito.

Como é bom quando chegamos à nossa igreja e vemos tudo fluindo em perfeita harmonia: o acolhimento dos obreiros logo na chegada, as classes bem organizadas por faixa etária, as professoras preparadas para ensinar com dedicação, o grupo de louvor afinado, os hinos que tocam profundamente o coração durante os cultos, a mensagem revelada sendo entregue com clareza pelo pastor ou pelo obreiro escalado, e a atenção cuidadosa dada aos visitantes ao final de cada culto. Tudo isso é fruto da ação do Espírito Santo por meio de pessoas que se colocam à disposição para servir.

Quando cada membro do corpo de Cristo cumpre seu papel com amor e responsabilidade, a presença de Deus se manifesta com poder, trazendo edificação, consolo e transformação.

Que possamos seguir esse exemplo, organizando nossas igrejas com reverência e discernimento, lembrando que não se trata de fazer como queremos, mas como o Espírito Santo orienta.

Lembremos sempre: a Igreja é de Cristo. Que haja reconhecimento dos que servem, e que cada um de nós esteja disposto a colocar-se nas mãos do Senhor com fidelidade.

“Quando cada membro do corpo entende seu lugar, serve com dedicação e depende do sustento que vem do Senhor, a Igreja avança com ordem, propósito e louvor que agrada a Deus.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

13/mai/25

 

HERÓIS DA FÉ E DA OBEDIÊNCIA

“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” (Hebreus 11:1 – NVI)

Na nossa infância, muitos de nós crescemos admirando heróis de desenho animado. No meu tempo, havia um em especial: o Popeye. Quando a Olívia estava em perigo, bastava ele abrir a latinha de espinafre, comer, e de repente se tornava forte o suficiente para salvá-la. Nós, crianças, ficávamos na frente da televisão só esperando esse momento. Era emocionante. Mas, com o tempo, a gente percebe que os verdadeiros heróis não são os que aparecem na TV. Eles não têm superpoderes nem latas mágicas. Eles são de carne e osso. E muitos deles aparecem na Bíblia.

Hebreus 11 nos apresenta uma galeria especial: os heróis da fé. Homens e mulheres que viveram por aquilo que não podiam ver, mas que acreditaram nas promessas de Deus. Eles não eram super-homens ou super-mulheres, nem perfeitos. Mas tinham algo em comum: creram, obedeceram e perseveraram.

A fé é isso: certeza e convicção. Não é algo que se aprende em um curso, nem se compra na farmácia. Fé se vive. Fé é experiência. Não se explica com fórmulas, mas se ilustra com histórias. Por isso, o autor de Hebreus nos dá um retrato de vários homens e mulheres que confiaram em Deus, mesmo sem verem o cumprimento completo das promessas.

Quando oramos dizendo: “Senhor, aumenta a nossa fé”, precisamos entender que Deus, ao invés de nos dar um sentimento místico, geralmente nos dá experiências. É nelas que a fé é provada, fortalecida e confirmada.

Hebreus 11 nos leva por um passeio pela história: dos versículos 4 a 7, vemos os que viveram antes do dilúvio. Dos versos 8 a 22, aparecem os patriarcas. De 23 a 29, temos a fé de Moisés. E nos versos 30 e 31, encontramos Josué e Raabe.

Abraão é um grande exemplo. No verso 8, vemos que ele obedeceu sem saber para onde ia. A fé não é para ser debatida — é para ser obedecida. Abraão viveu 175 anos, recebeu promessas, mas nunca tomou posse física nem de um centímetro da terra prometida. Mesmo assim, caminhou confiando. Ele viveu como peregrino, assim como nós, que seguimos nesta terra com os olhos na eternidade.

Às vezes, as peças da nossa vida parecem não se encaixar. Mas a fé está justamente em seguir obedecendo, mesmo quando não entendemos o todo. No verso 11, Sara e Abraão riram da promessa de que teriam um filho em idade avançada. Mas Deus cumpriu sua palavra. E nasceu Isaque, cujo nome significa “riso”. Isso nos mostra que Deus é fiel e que sua promessa não falha, mesmo quando tudo parece impossível.

No verso 17, lemos sobre o teste de fé mais difícil de Abraão: entregar Isaque. Deus não queria a morte do menino. Ele queria tirar um ídolo do coração do pai – o filho de sua velhice. Às vezes, mesmo bênçãos legítimas podem ocupar o lugar de Deus na nossa vida. A fé nos ensina a entregar tudo.

Nos versos 20 e 21, vemos que a fé nos impulsiona a abençoar nossos filhos e netos. Um verdadeiro legado de fé não é construído com palavras bonitas, mas com atitudes que apontam para Deus. E no final do capítulo, nos versos 39 e 40, o autor nos lembra que muitos desses heróis não viram a promessa concretizada — mas viveram pela fé. Eles esperavam por algo que ainda viria. Nós, porém, vivemos num tempo onde já vemos o cumprimento em Cristo. O Espírito Santo nos dá essa clareza. E o texto diz que Deus preparou algo melhor para nós. “Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados.” (Hebreus 11:40 – NVI)

Esse “algo melhor” é Jesus. Ele é o melhor profeta, o melhor sacerdote, o melhor Filho. Tudo em Jesus é superior. Por isso, o capítulo nos inspira a deixar um legado. Todos aqueles que aparecem em Hebreus 11 falharam em algum momento. Mas não foram lembrados por suas falhas, e sim pela fé com que seguiram adiante. Eles foram heróis não pelo que fizeram com suas próprias forças, mas pelo que Deus fez neles e por meio deles.

E nós? Também podemos ser heróis da fé. Não porque somos fortes, mas porque confiamos em um Deus fiel. As experiências que vivemos com Ele têm impacto eterno. E isso é o que realmente importa.

"A verdadeira fé não se mede por conquistas visíveis, mas pela obediência perseverante à voz de Deus, mesmo quando os resultados parecem distantes — porque é nessa confiança que os heróis da fé são formados."

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

12/mai/25

 

O CORAÇÃO DE UMA MÃE

“Era por este menino que eu orava, e o Senhor Deus me concedeu o pedido que eu fiz. (1 Samuel 1:27 – NAA)

Hoje é um dia especial. É Dia das Mães, e queremos homenageá-las com carinho. Todos nós fomos gerados um dia e, por mais que o tempo passe, mantemos um lugar especial em nosso coração por aquelas que nos deram a vida. Algumas mães já partiram para o Senhor, outras ainda estão entre nós, mas o amor, o cuidado e a gratidão permanecem vivos em nossa memória.

A Bíblia está cheia de exemplos de mães que marcaram sua geração. Algumas oraram em silêncio. Outras batalharam com palavras firmes. Algumas choraram escondidas. Outras sonharam alto. Mas todas, de alguma forma, revelaram a graça, a força e a fé que só uma mãe tem. A maternidade é mais do que uma função biológica — é um ministério que envolve entrega, renúncia, fé e amor.

Lembramos de Ana, uma mulher estéril e humilhada, que decidiu transformar sua dor em oração. Ela se derramou diante de Deus e consagrou seu filho antes mesmo de tê-lo em seus braços. Quando recebeu a resposta, entregou Samuel ao Senhor com o coração cheio de gratidão. Ela mesma disse: “Era por este menino que eu orava, e o Senhor Deus me concedeu o pedido que eu fiz.” (1 Samuel 1:27 – NAA). Quantas mães hoje vivem como Ana, dobrando os joelhos pelos filhos antes mesmo que eles saibam o caminho da fé.

Maria, mãe de Jesus, também nos ensina muito. Ela foi escolhida para gerar o Salvador e viveu momentos de grande dor e também de profunda adoração. A Bíblia diz que, mesmo sem entender tudo o que estava acontecendo, ela “guardava todas estas coisas e sobre elas refletia em seu coração.” (Lucas 2:19 – NVI). Muitas mães seguem o mesmo exemplo: silenciosas, discretas, mas com o coração cheio de memórias, promessas e orações pelos filhos.

A mulher cananeia é outro exemplo marcante. Ela rompeu barreiras sociais e religiosas em busca da cura da filha. Foi ignorada, rejeitada, mas não desistiu. Sua fé persistente foi elogiada por Jesus: “Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja.” (Mateus 15:28 – NVI). Assim são muitas mães hoje — intercedendo sem cessar, enfrentando desafios e acreditando que a resposta virá, mesmo quando tudo parece contrário.

Há também a mãe dos filhos de Zebedeu, que se aproximou de Jesus e, com coragem, fez um pedido ousado: que seus filhos se assentassem ao lado d’Ele no reino. Ainda que seu pedido não estivesse alinhado com o plano de Deus, seu gesto revela algo que conhecemos bem — mães sonham grande para seus filhos. Querem vê-los bem, protegidos, realizados. E esse amor sonhador também é digno de honra.

Se formos olhar com atenção, encontraremos na Bíblia dezenas de mulheres que se posicionaram diante de Deus em favor dos seus filhos. Mulheres que agiram, choraram, intercederam e creram. Quando olhamos para nossas próprias mães, vemos nelas traços dessas personagens bíblicas. Há Anas, Marias, mulheres cananeias e mães sonhadoras bem pertinho de nós.

Vejo isso dentro da minha própria casa — e sei que muitos de vocês também veem. Mães que sofrem caladas, que preferem o silêncio para não pesar os ombros dos filhos. Mães que abrem mão de sonhos e carreiras para estarem presentes na criação dos filhos, com o desejo sincero de vê-los servindo ao Senhor.

A essas mães, nossa homenagem. Que neste dia especial, bênçãos sejam derramadas sobre suas cabeças. Que o Senhor renove suas forças, enxugue suas lágrimas e recompense sua dedicação.

Ser mãe é viver com o coração fora do peito. É amar sem medida, orar sem cessar e se doar sem reservas. E por tudo isso, vocês são dignas de honra, gratidão e amor.

Parabéns a todas vocês, mães! Pelo amor incansável, pela fé silenciosa, pelas batalhas travadas no secreto. Que Deus continue sustentando suas mãos, aquecendo seus corações e honrando cada semente de amor plantada na vida de seus filhos. Hoje celebramos vocês com alegria, respeito e gratidão.

"O coração de uma mãe é o altar onde fé, amor e sacrifício se encontram diante de Deus em favor dos filhos."

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/mai/25

 

QUANDO A OPINIÃO SE DIVIDE

“Assim o povo ficou dividido por causa de Jesus.” (João 7:43 – NVI)

Vocês ainda se lembram das quatro operações da matemática? Fala pra mim: quais são?
Muito bem! Percebo que vocês ainda guardam os princípios básicos que aprenderam na infância. Essas coisas simples, mas essenciais, ficaram registradas em nossa memória e nos acompanham até hoje. Isso mostra como os fundamentos certos, quando bem ensinados, permanecem conosco pela vida inteira — mesmo quando os anos passam e os desafios aumentam.

Mas, se por acaso vocês não lembraram de todas, aqui vai uma ajudinha: são elas — adição, subtração, multiplicação e divisão. Quatro operações simples, mas fundamentais.

E por que trazer esse assunto à tona? Porque, quando se trata das coisas de Deus, existe uma dessas operações que é a mais difícil e, ao mesmo tempo, a mais perigosa: a divisão. Dividir uma conta, um espaço ou até uma responsabilidade pode até ser simples. Mas dividir opiniões quando o assunto é Jesus... isso pode ter consequências eternas.

Somar esforços em favor do bem é algo bonito de se ver. Multiplicar bênçãos é o que todos desejamos. Subtrair o pecado da vida é essencial. Mas dividir a opinião diante da verdade? Isso é um risco que não deveríamos correr.

Foi exatamente isso que aconteceu em João 7:40-43. Jesus havia acabado de ensinar publicamente com autoridade, sabedoria e graça. A multidão estava diante da Verdade, mas muitos não conseguiram reconhecê-la. O texto diz: “Alguns dentre o povo disseram: ‘Certamente este homem é o Profeta’. Outros disseram: ‘Ele é o Cristo’. Ainda outros perguntaram: ‘Como pode o Cristo vir da Galileia?’ [...] Assim o povo ficou dividido por causa de Jesus.”  (João 7:40-43 – NVI)

Mesmo com tantos sinais, mesmo com a clareza das palavras e com as profecias se cumprindo diante dos olhos deles, houve confusão. Houve debate. E houve divisão. Eles haviam aprendido sobre o Messias desde cedo, conheciam as Escrituras, sabiam das promessas... mas não conseguiram fazer a conexão entre o que sabiam e o que estavam vendo.

Essa mesma preocupação continuou ao longo do tempo e apareceu nas cartas de Paulo. Quando escreveu aos coríntios, ele fez um forte pedido: “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer.” (1 Coríntios 1:10 – NVI). Paulo via o perigo de um corpo dividido por opiniões e preferências pessoais, mesmo entre os que já haviam crido. Ele sabia que a divisão atrapalha a união da igreja, enfraquece o testemunho dos cristãos e desvia a atenção do que realmente importa: Cristo, sua cruz e a mensagem viva do evangelho.

Faltou discernimento espiritual. Faltou fé viva. Faltou coragem para crer.

O mesmo pode acontecer conosco hoje. Podemos estar dentro de uma igreja, ouvindo a Palavra semana após semana, com a Bíblia em mãos e até no celular. Podemos conhecer versículos, ter histórias com Deus e até já termos experimentado milagres. Mas se o nosso coração estiver dividido, se a fé for apenas teórica, se a dúvida ocupar o lugar da convicção — então estaremos repetindo o erro daquela multidão.

Essa reflexão nos convida a olhar para dentro. Será que estamos guardando os fundamentos da fé com a mesma firmeza com que lembramos das lições da infância? Será que conseguimos reconhecer a voz de Jesus quando Ele nos chama? Ou temos nos perdido em meio a opiniões, julgamentos e incertezas? Assim instrui o apóstolo Paulo: "Examinem-se para ver se estão na fé; provem a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados!" (2 Coríntios 13:5 – NVI)

Jesus não veio para gerar confusão, mas para nos conduzir à verdade. Ele é a resposta que soma esperança à nossa vida, que multiplica graça sobre graça, que subtrai o pecado com o perdão da cruz — e que só divide quando é preciso separar o joio do trigo. Diante dEle, a decisão precisa ser clara, firme e pessoal.

E hoje, mais uma vez, estamos diante dessa escolha. Não sejamos como aqueles que conheciam a promessa, mas não reconheceram o Prometido. Que nosso coração não se divida. Que nossas convicções estejam firmadas na Palavra. E que nossa fé seja mais do que conhecimento — seja resposta viva à presença de Jesus.

Quem conhece a verdade, mas hesita em crer, corre o risco de viver dividido entre o saber e o não se entregar. Diante de Jesus, a neutralidade é impossível: ou cremos com firmeza, ou repetimos o erro da multidão.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/mai/25

 

O ÚLTIMO CONVITE

“O Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’ E todo aquele que ouvir diga: ‘Vem!’ Quem tiver sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida.”  (Apocalipse 22:17 – NVI)

Você já enviou um convite de casamento — seja o seu ou o do seu filho ou filha — para alguém que você não conhece? Provavelmente não. Isso não é comum, nem aconselhável. Os convites de casamento são enviados aos mais próximos, aos mais queridos, àqueles que fazem parte da nossa história.

Mas Deus não segue esse protocolo humano. Ele rompe com toda formalidade quando envia um convite muito especial — e o dirige a todos. Sim, a todos. Mesmo àqueles que ainda não O conhecem. Mesmo aos que ainda estão distantes. O convite é claro e abrangente: “O Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’ [...]”

Como pode ser isso? Que tipo de amor é esse que estende o convite a desconhecidos, pecadores, sedentos e perdidos? Que explicação podemos dar para esse gesto tão extraordinário?

A verdade é que esse convite não começou agora. Ele vem sendo feito desde o início da história da humanidade. Deus não tem feito outra coisa senão chamar o homem para voltar. Quando Adão pecou, Deus foi até ele e perguntou: “Onde estás?” Ao longo dos séculos, por meio dos profetas, o Senhor insistia: “Voltem para mim!” E agora, no último capítulo da Bíblia, o convite continua: “Vem!”

Isso mostra que o Deus que criou o universo é também o Deus que não desiste de nós. Mesmo diante da nossa infidelidade, mesmo diante da nossa frieza e dureza de coração, Ele continua chamando.

O versículo que lemos nos mostra que o convite vem do Espírito — o próprio Espírito Santo — e da noiva, que é a Igreja. Ambos falam com uma só voz: “Vem!” O Espírito fala ao coração, e a Igreja anuncia com os lábios. A mensagem é de amor, mas também de urgência. É como alguém chamando do alto de um muro antes que o portão se feche. É como alguém gritando da margem antes que o rio transborde. Há uma janela de tempo. E essa janela ainda está aberta.

Mas quem deve vir? O texto responde: “Quem tiver sede.” E aqui não se trata de sede física, mas daquela sede que ninguém vê. Sede de paz, sede de perdão, sede de sentido para viver. Quantas pessoas andam saciando essa sede com coisas que só aumentam o vazio! Mas Jesus é a fonte. Ele mesmo disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”

A melhor parte desse convite está no fim: “Receba de graça a água da vida.” Não é algo para ser comprado, nem conquistado com boas ações, nem herdado por tradição. É um presente. A salvação é oferecida gratuitamente porque alguém já pagou o preço. Jesus nos amou e nos libertou dos nossos pecados com o seu sangue — como diz Apocalipse 1:5.

Mas o mesmo livro de Apocalipse também alerta que o tempo está se esgotando. Haverá um dia em que a decisão de cada um será selada. Está escrito: “Aquele que é injusto, continue na injustiça; aquele que é sujo, continue na sujeira...” Isso significa que, para quem não aceitar o convite, restará apenas seguir com sua escolha. Não haverá uma nova chance depois que a porta se fechar.

Por isso, se hoje você ouve esse chamado, não endureça o coração. O convite está de pé. Ele é para você. Mesmo que esteja cansado, ferido, cheio de dúvidas ou até mesmo cheio de pecado, o chamado continua sendo o mesmo: “Vem!” A salvação está disponível, e Jesus está pronto para receber aquele que se aproxima com sede e sinceridade.

Não é tarde. Ainda há tempo. Cristo ainda salva. A água da vida ainda está disponível. E o convite continua ecoando do céu pela voz do Espírito e da Igreja: “Vem!”

E aqui está algo ainda mais impressionante: quando você aceita esse convite, você não apenas recebe perdão e vida eterna — você passa a fazer parte da noiva. Você se torna parte do povo redimido que está sendo preparado para o grande dia.

Um dia, essa noiva será apresentada, pura e gloriosa, diante do Cordeiro. Um dia, você participará das bodas de Cristo — o casamento celestial que unirá para sempre o Salvador aos que responderam ao Seu chamado.

É mais do que salvação — é comunhão eterna; é mais do que livramento — é casamento; é mais do que uma nova chance — é um novo começo com Cristo.

O Espírito e a noiva dizem: Vem!

“O convite de Deus não é apenas para beber da água da vida — é para participar do casamento do Cordeiro, como parte da noiva que Ele ama e espera.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/mai/25

  A VOZ QUE NOS TIRA PARA FORA “E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua ...