A PEDAGOGIA DA AFLIÇÃO

“Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus decretos.” (Salmo 119:71 – NVI)

Ninguém em sã consciência gosta de sofrer. Não há quem deseje, voluntariamente, ser afligido, amargurado ou passar por provações. Mas há momentos na vida em que essas experiências, embora indesejadas, tornam-se instrumentos preciosos nas mãos de Deus. O salmista nos conduz a essa reflexão em alguns versos do Salmo 119, especialmente nos versículos de 66 a 72.

Ele começa reconhecendo a bondade do Senhor. Sua oração não parte de um espírito amargurado ou revoltado, mas de um coração que compreende que Deus é bom e que tudo o que Ele faz é bom — mesmo quando não entendemos de imediato. No verso 65, ele expressa isso claramente: "Trata com bondade o teu servo, Senhor, conforme a tua promessa." Aqui está um resumo não apenas da vida do salmista, mas da nossa também. Ele enxerga tanto a prosperidade quanto a adversidade como manifestações da bondade de Deus.

Vivemos num tempo em que as pessoas querem tudo fácil e sem sofrimento. Qualquer dor ou dificuldade é vista como algo ruim, que deve ser evitado. Mas, para quem segue a Jesus, sabemos que Deus usa até o sofrimento para nos ensinar. Através das dificuldades, Ele nos ajuda a melhorar, a fazer o que é certo e a ficar mais perto dEle.

O salmista então se dobra diante de Deus como um aluno diante de um mestre. Ele suplica não por um conhecimento acadêmico, mas por um entendimento profundo das verdades eternas. Clama por sabedoria e discernimento, consciente de que os preceitos do Senhor são mais valiosos que qualquer conhecimento humano. Ele quer aprender não apenas com a mente, mas com o coração.

É nesse contexto que ele começa a falar de uma aflição que lhe foi imposta. Antes de ser corrigido, andava pelo caminho do erro. Quantas vezes isso se aplica a nós! Quantas decisões tomamos movidos pelos nossos próprios desejos, colocando nossos planos acima da vontade de Deus. É fácil se desviar quando confiamos demais em nossa própria sabedoria.

E é aí que, muitas vezes, as provações nos alcançam como cercas de espinhos. Elas não surgem para nos destruir, mas para nos proteger — para nos manter no bom pasto, sob os cuidados do Bom Pastor. Assim como um pai que disciplina o filho por amor, Deus permite que certas dificuldades nos ensinem lições que jamais aprenderíamos de outro modo.

Hoje, quando olhamos para trás, percebemos que algumas das experiências mais dolorosas foram também as mais formadoras. Um diagnóstico inesperado, uma perda repentina, uma crise no trabalho ou um conflito familiar — situações que nos forçaram a buscar em Deus aquilo que o mundo não poderia nos oferecer. No auge da dor, clamamos por sabedoria e direção, assim como o salmista: "Ensina-me bom senso e conhecimento, pois confio nos teus mandamentos." (v. 66)

Ao final, ele reconhece com gratidão: “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus decretos.” (v. 71) O sofrimento não foi em vão. Ele o conduziu a um conhecimento mais profundo da vontade de Deus. Ele aprendeu que a verdadeira segurança não está na ausência de problemas, mas na presença constante da Palavra de Deus como guia e sustento.

Nos dias de hoje, essa lição continua válida. Em meio às pressões da vida moderna — a busca incessante por sucesso, a ansiedade gerada pelas redes sociais, os desafios nas relações e as incertezas econômicas — podemos nos lembrar de que Deus continua usando cada circunstância para nos moldar. Não devemos fugir do processo, mas abraçá-lo com fé, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28).

Que possamos, como o salmista, reconhecer a bondade de Deus em todas as estações da vida e aprender, mesmo nas aflições, a amar mais profundamente os Seus decretos.

“Algumas das lições mais valiosas da vida só florescem no solo da aflição; Deus transforma dor em sabedoria e sofrimento em maturidade.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/jun/25

 

O POVO DE DEUS COMO TEMPLO VIVO DO ESPÍRITO SANTO.

“Seja confirmado, para que o teu nome seja exaltado para sempre, e se diga: ‘O Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, é Deus para Israel!’ E que a descendência de Davi, teu servo, permaneça estável diante de ti.” 1 Crônicas 17:24 (NVI)

Essas palavras fazem parte da oração de Davi, logo após Deus ter feito com ele uma aliança eterna. O Senhor promete que da linhagem de Davi viria alguém cujo trono seria estabelecido para sempre. Essa promessa, além de abençoar diretamente Davi e sua casa, apontava profeticamente para Cristo, o Filho de Davi, o Rei eterno.

Profundamente tocado por essa revelação, Davi entra na presença do Senhor com humildade e reverência. Ele reconhece sua pequenez diante da grandeza divina, e se coloca em oração, não para buscar glória própria, mas para exaltar o nome do Senhor. O versículo 24 é especialmente marcante, pois revela o coração de um rei que compreendia que toda promessa de Deus tem como fim a exaltação do próprio Deus.

Davi reconhece não apenas quem Deus é, mas quem Deus é para o Seu povo. Ele clama para que se diga: “O Senhor dos Exércitos é Deus de Israel — e Deus para Israel.” É uma declaração que une dois aspectos fundamentais: soberania e proximidade. O Senhor dos Exércitos governa com poder absoluto, é o Rei supremo. Mas ao mesmo tempo, Ele se faz próximo, pessoal, presente. Ele é o Deus que caminha com o povo, que intervém na história, que se importa com cada detalhe da vida de Seus filhos.

Essa dimensão de Deus como “o Deus para Israel” é carregada de graça. Ele não reina à distância. Não é apenas o Deus de longe, mas também o Deus de perto. É o Deus todo-poderoso, sim — mas também o Deus acessível, que se inclina, que responde, que permanece. O onipotente e o imanente. O eterno e o presente. E isso continua verdadeiro para nós hoje.

Na mesma oração, Davi expressa sua confiança no caráter de Deus. Ele sabe que a estabilidade do futuro não depende de suas próprias estratégias como rei, mas da fidelidade de Deus. Por isso, ele ora para que sua descendência permaneça firme diante do Senhor. E essa oração se cumpre de maneira gloriosa em Jesus Cristo — o verdadeiro Filho de Davi, cujo Reino jamais terá fim. Cristo é a rocha inabalável que sustenta o povo de Deus em todas as gerações.

Há também, nessa oração, um vislumbre do plano redentor de Deus. Ao dizer que Deus escolheria um homem para manifestar Sua presença, Davi está, sem saber, lançando luz sobre a encarnação. Em Jesus, o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ele é o verdadeiro Templo, a habitação perfeita de Deus entre os homens. Em Cristo, Deus está conosco, para nós, em nós e através de nós.

Mesmo com todo o poder e prestígio de um rei, Davi se curva diante do Altíssimo. No versículo 16, ele diz: “Quem sou eu, Senhor Deus, e o que é a minha família, para que me tenhas trazido até aqui?” Ele reconhece que não há em si mesmo mérito algum. É o Senhor quem honra. É Ele quem distingue seus servos, não pelo que são, mas por quem Ele é.

Mais adiante, Davi declara: “Não há outro como tu, Senhor, e não há Deus além de ti” (v.20). Esse reconhecimento o enche de temor e gratidão. Deus havia prometido edificar uma casa — não apenas um templo físico, mas uma descendência eterna. Mais do que isso: Deus faria do Seu povo um templo vivo, morada do Espírito Santo.

Essa oração de Davi continua nos ensinando. Ela nos lembra que as promessas de Deus não giram em torno de nós, mas da Sua glória. Que Ele não apenas governa do alto, mas também caminha ao nosso lado. Que o verdadeiro Rei veio habitar entre nós — e agora deseja habitar em nós.

“O Deus que reina sobre nós é o mesmo que escolheu habitar em nós — para sempre exaltado, para sempre presente.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/06/25

  

CAMINHANDO COM O CORPO, MAS DISTANTES COM O CORAÇÃO

“Mas nossos antepassados recusaram-se a obedecer-lhe. Ao contrário, rejeitaram-no e em seu coração voltaram para o Egito.” Atos 7:39 (NVI)

Há algo profundamente triste em viver com o corpo em um lugar e o coração em outro. Estar fisicamente presente, cumprir tarefas, seguir rotinas, mas por dentro estar distante, desconectado. Foi exatamente isso que aconteceu com o povo de Deus no deserto. Eles caminhavam rumo à Terra Prometida, mas seus corações nunca saíram do Egito.

Estêvão, em seu último discurso antes do martírio, lembra essa realidade. Mesmo tendo visto os milagres — o mar se abrir, a água jorrar da rocha, o maná cair do céu — o povo optou por fazer para si deuses de metal e segui-los, rejeitando o Deus vivo que os havia libertado. Eles caminhavam com Moisés, mas ansiavam pelas panelas de carne e pelos confortos ilusórios do cativeiro. A escravidão havia saído de seus corpos, mas ainda habitava suas almas.

Esse distanciamento espiritual continua sendo um alerta para nós hoje. Quantos frequentam igrejas, participam de cultos, cantam louvores, mas vivem com o coração preso ao “Egito”? Preso ao passado, aos velhos hábitos, ao pecado disfarçado de conforto. É possível estar com a Bíblia nas mãos e a mente cheia de distrações. É possível dobrar os joelhos e continuar de pé no orgulho. É possível falar em nome de Deus e ainda assim viver como se Ele não existisse.

Em Marcos 7:6, Jesus cita Isaías ao dizer: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” E em João 4:23, Ele afirma que o Pai procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Deus não se agrada de aparências religiosas. Ele quer inteireza. Quer o coração inteiro, entregue, sem reservas.

Isso significa viver com autenticidade. É ter os pés firmes no caminho da fé, os olhos voltados para a promessa e o coração rendido à verdade. Deus não quer apenas que estejamos no templo aos domingos; Ele quer que sejamos dEle todos os dias.

É comum vermos hoje pessoas envolvidas em projetos da igreja, servindo em ministérios, liderando departamentos — mas, por dentro, desanimadas, distantes, cansadas. Quando o coração se afasta, tudo perde sentido. O serviço vira obrigação, o louvor vira performance, e a fé vira costume. O segredo está em manter o coração perto de Deus; aquecido pelo fogo do Espírito.

E aqui cabe um lembrete essencial: Deus não precisa de nós para realizar a Sua obra. Ele é soberano, eterno, e plenamente capaz de cumprir Seus planos sem a nossa ajuda. A obra é dEle, nasceu no Seu coração, e será completada com ou sem a nossa participação.

Mas Ele escolheu nos incluir. Ele nos chamou, não porque precisava, mas porque desejava repartir conosco a glória de algo eterno. Até os anjos desejaram anunciar esse evangelho, mas foi a nós — frágeis vasos de barro — que Ele confiou esse tesouro. Não por merecimento, mas por graça.

Deus é Deus sem nós. Mas nós não somos nada sem Ele. Dependemos da Sua presença, da Sua direção, do Seu poder. Servir a Deus não é um favor que fazemos, é um privilégio imenso. É a oportunidade de fazer parte do que é eterno, de cooperar com o que tem peso de glória.

Por isso, precisamos estar inteiros diante dEle — corpo, mente e espírito. Ele não quer só nossas mãos ocupadas, mas nosso coração presente. Ele não quer só palavras bonitas, mas atitudes sinceras. Ele quer verdade.

E se, em algum momento, percebemos que nosso coração está distante, que a alma se perdeu entre memórias do Egito ou cansaços do deserto, ainda há tempo. Deus continua chamando. Ainda é possível voltar, se render e segui-Lo de coração inteiro.

“Mais do que nossos passos, Deus deseja nosso coração. Estar no caminho certo não basta, se a alma ainda mora no Egito.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/jun/25

 

FONTES PARA A VIDA

“Dá-me um presente. Já que me deste terra seca, dá-me também fontes de água.”  Juízes 1:15 (NVI)

Esse é um dos textos mais citados por pastores em cultos de celebração de casamento. Há uma razão para isso. Nele se encontra não apenas um episódio histórico das primeiras conquistas em Canaã, mas uma profunda lição espiritual sobre bênção, visão e dependência de Deus. Quando Acsa pede fontes de água a seu pai, Calebe, ela está reconhecendo que, embora já tenha recebido algo valioso, aquilo não seria suficiente sem o essencial: a água que sustenta a vida.

Antes de explorarmos o sentido profético dessa cena, é importante entender o contexto. Após a conquista de Hebrom, Calebe e sua família avançam contra Debir, também chamada de Quiriate-Sefer. No calor da batalha, Calebe lança um desafio aos seus guerreiros: aquele que conquistar a cidade receberá sua filha Acsa como esposa. Otniel, seu sobrinho, aceita o desafio, conquista a cidade e casa-se com Acsa.

Depois do casamento, Acsa demonstra sabedoria e coragem. Ela pede a Otniel que solicite um campo a Calebe, mas ela mesma toma a iniciativa de falar com seu pai. Reconhecendo a limitação da terra seca que havia recebido, faz um pedido direto: "Dá-me também fontes de água." E Calebe lhe concede as fontes superiores e inferiores.

Estamos aqui no início do período dos juízes, quando Israel estava se estabelecendo na terra prometida. Ainda havia lutas a enfrentar e espaços a ocupar. Calebe, homem fiel desde os tempos em que espiou a terra (Números 13), continua guerreando e liderando, mesmo em idade avançada. Otniel, que viria a ser o primeiro juiz de Israel, já demonstra coragem, prontidão e capacidade de liderança. Mas é Acsa quem chama a atenção por sua postura proativa e cheia de discernimento.

Ela poderia simplesmente aceitar o que recebeu, mas compreende que a terra, sem água, seria estéril. Sua atitude revela não apenas senso prático, mas visão de futuro. E Calebe, reconhecendo o valor do pedido, atende com generosidade.

Esse episódio, embora breve, carrega elementos espirituais preciosos. Otniel nos ensina que o serviço e a coragem são recompensados. Deus honra aqueles que se levantam para batalhar pelo que é justo. Acsa nos mostra que pedir com sabedoria é essencial. Muitos recebem promessas, posições ou oportunidades, mas não clamam pelas “fontes” que darão vida e permanência ao que receberam. E Calebe nos lembra que Deus, como Pai, é bom e generoso, disposto a conceder mais do que apenas o mínimo necessário.

Trazendo isso para os nossos dias, podemos dizer que também habitamos em uma terra seca. As realidades da vida nem sempre são favoráveis. Iniciamos famílias, ministérios, projetos — e muitas vezes o terreno parece duro, difícil de cultivar. Por isso, como Acsa, também devemos ousar pedir: "Senhor, não nos deixe apenas com a terra. Dá-nos as fontes."

As fontes superiores simbolizam as bênçãos que vêm do alto: graça, sabedoria, direção, alegria no Espírito, consolo eterno. São os dons do céu que sustentam o nosso espírito. Já as fontes inferiores representam as provisões da terra: sustento, saúde, trabalho, recursos, paz no lar — aquilo que alegra nossa alma no dia a dia.

Um lar, um ministério, uma vida que só tem terra seca se tornará cansativa. Mas, quando há fontes, tudo floresce. O segredo está em reconhecer que precisamos mais do que o que se vê. Precisamos da água que vem do alto e também da que brota na terra. E essa fonte que sacia plenamente é o próprio Cristo. Ele disse: Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” (João 4:14). Jesus é a fonte das águas vivas — Ele renova, restaura e dá vida em abundância. A sabedoria está em saber pedir, e a fé está em confiar que o Pai nos ouve e supre com generosidade.

Assim como Calebe deu à sua filha o que ela pediu, também o nosso Pai celestial se agrada quando o buscamos com humildade e clareza de propósito. Ele não se contenta em nos dar apenas a terra; Ele quer nos dar também as fontes que a farão frutificar.

A terra é herança, mas são as fontes que sustentam a vida. O Pai que dá a promessa também supre com generosidade aqueles que ousam pedir com sabedoria.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

07/jun/25

 

O MONTE DA VITÓRIA FINAL

“Neste monte o Senhor dos Exércitos preparará um farto banquete para todos os povos... destruirá neste monte o véu que envolve todos os povos... acabará com a morte para sempre... Naquele dia dirão: ‘Este é o nosso Deus, nós confiamos nele, e ele nos salvou!’”
Isaías 25:6-9 (NVI)

Nestes quatro versículos do capítulo 25 de seu livro, o profeta Isaías fala de um monte especial, onde Deus realiza algo grandioso: prepara um banquete, remove o véu que cobre todos os povos, destrói a morte e enxuga as lágrimas de todos os rostos. Embora o nome do monte não seja mencionado, o contexto nos leva ao Monte Sião, em Jerusalém, frequentemente citado pelos profetas como o lugar da presença de Deus, da salvação e da restauração para o Seu povo.

Mas quando olhamos esse texto à luz de Cristo, é impossível não pensar no Monte Calvário. Foi ali que Jesus entregou sua vida. Foi ali que Ele venceu a morte, rasgou o véu que nos separava de Deus e preparou o caminho para um banquete eterno. O que Isaías anunciou em linguagem profética se cumpriu de forma concreta e poderosa na cruz e na ressurreição de Jesus.

Antes de morrer, Jesus instituiu a Ceia, um sinal visível de algo profundo e eterno. Ele partiu o pão e deu o cálice aos discípulos, dizendo que aquele seria o Seu corpo e o Seu sangue, oferecidos por amor. Mas também disse algo mais: que não voltaria a beber do fruto da videira até o dia em que o fizesse novamente com os seus no Reino de seu Pai. Com essas palavras, Jesus nos apontava para o futuro — para o grande banquete prometido, quando Ele voltará e estaremos à mesa com Ele para sempre. Essa promessa ecoa no texto de Apocalipse 19:9: “Felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro!”

Enquanto Jesus morria no Calvário, o véu do templo se rasgava de alto a baixo. Era mais que um sinal físico. Era o cumprimento do que Isaías profetizou: o véu foi removido. Em 2 Coríntios, Paulo explica que esse véu representa a separação espiritual entre Deus e os homens, e que ele só é tirado em Cristo. A cruz nos dá acesso direto ao Pai. Não há mais barreiras. A presença de Deus agora habita conosco e em nós.

Isaías também diz que, nesse monte, a morte seria vencida. Isso se cumpre com perfeição na ressurreição de Jesus. Ao terceiro dia, Ele ressuscitou pelo poder do Espírito Santo. A morte não teve a última palavra. O túmulo não conseguiu segurá-Lo. Como declara Paulo em 1 Coríntios 15:54: “A morte foi destruída pela vitória.” É sobre essa vitória que nossa fé se firma. Se Ele não tivesse ressuscitado, nossa fé seria inútil. Mas Ele vive, e por isso vivemos também.

Por fim, Isaías fala do clamor de alegria dos que reconhecem a salvação: “Este é o nosso Deus, nós confiamos nele, e ele nos salvou!” Essa é a expressão de um povo que esperou com fé e agora contempla o Salvador. Ele é o Deus que nos ouviu, nos alcançou e nos libertou. Ele é o Senhor em quem esperamos. E por isso, mesmo em meio às lutas, podemos nos alegrar e exultar em Sua presença.

Embora Isaías estivesse olhando para o Monte Sião como símbolo da ação redentora de Deus, o Calvário é o lugar em que essa promessa se cumpriu de forma definitiva. Foi ali que Deus derrotou a morte, rasgou o véu e ofereceu salvação a todos os povos. O monte da profecia se tornou realidade quando Jesus estendeu os braços na cruz.

Hoje, nós vivemos entre a Ceia e o Banquete. Participamos da mesa como memória da cruz e antecipação do grande dia. E, enquanto isso, anunciamos, assim como Isaías o fez no verso 9 deste capítulo 25: “Este é o nosso Deus. Ele nos salvou!”

“No alto do Calvário, Deus cumpriu a promessa do monte: rasgou o véu, venceu a morte e preparou o banquete eterno para todos os que nEle confiam.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/jun/25

 

ACHADOS E PERDIDOS NO CÉU

“Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.” Lucas 19:10 (NVI)

Grandes empresas que lidam com o público costumam ter um setor chamado “achados e perdidos”. Já precisei contar com esse serviço durante uma viagem e, para minha alegria, consegui recuperar um objeto que havia perdido. Quem já passou por isso sabe como é bom encontrar algo que se julgava perdido — principalmente quando o objeto tem valor emocional ou financeiro. A perda, mesmo que pareça pequena, causa desconforto e até sofrimento. Mas o reencontro traz alívio, alegria e até uma esperança renovada.

Às vezes fico imaginando se no céu também existe um setor assim. Um lugar onde o perdido é cuidadosamente procurado, e onde a alegria transborda quando algo ou alguém é reencontrado. Se existisse, com certeza Jesus seria o responsável por esse setor. Ele é especialista em encontrar o que se perdeu. E essa, na verdade, foi a missão que Ele mesmo declarou: “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.” Lucas 19:10 (NVI). Nenhuma vida escapa ao seu olhar. Ninguém está tão longe que Ele não possa alcançar. E toda vez que uma alma é resgatada por Ele, há festa no céu.

A Bíblia conta três histórias muito conhecidas sobre perda e reencontro. Elas estão todas em Lucas 15. A primeira é sobre uma ovelha que se afastou do rebanho. O pastor, ao notar sua ausência, deixou as noventa e nove e foi atrás da que se perdeu. Quando a encontrou, colocou-a nos ombros com alegria e voltou celebrando. Depois, temos a história da moeda que caiu e se perdeu dentro de casa. A mulher acendeu a lâmpada, varreu cuidadosamente e não descansou até encontrá-la. Por fim, temos o filho que saiu de casa, desperdiçou tudo, e depois de muito sofrimento, decidiu voltar. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou, correu ao seu encontro e o recebeu com um abraço e uma festa.

Em todas essas histórias, o desfecho é marcado por uma alegria profunda. A expressão Alegrem-se comigo!” aparece em mais de uma delas, revelando o coração de Deus que celebra cada reencontro, cada volta, cada alma restaurada. Com Jesus também é assim. Ele não quer perder ninguém. Seu amor é tão grande que não mede esforços para buscar quem se afastou. Como Ele mesmo afirmou: Não perdi nenhum dos que me deste.” João 18:9 (NVI)

Jesus é o Bom Pastor que deixa tudo para ir atrás da ovelha que se perdeu. E Ele já havia prometido isso por meio dos profetas: A perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei...” (Ezequiel 34:16). Seu amor não é passivo — é amor que se move, que procura, que insiste até encontrar.

Até nos detalhes Jesus mostra esse cuidado. Quando multiplicou os pães, após todos se alimentarem, Ele pediu que recolhessem os pedaços que sobraram para que nada se perca. João 6:12 (NVI). Nada é pequeno demais para o cuidado dEle. Nada é desprezível em Suas mãos. Ele nunca perdeu nada, nem ninguém.

Muitos podem pensar: “Jesus perdeu a Sua vida...” Mas Ele mesmo deixou isso muito claro: Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha própria vontade.” João 10:18 (NVI). Sua morte não foi uma derrota, foi uma entrega. Ele ofereceu Sua vida voluntariamente, por mim, por você, por todos. Porque, para Jesus, ninguém é insignificante. Cada vida tem valor eterno. E tudo o que está perdido, no coração d’Ele, merece ser procurado… e encontrado.

Quão glorioso foi aquele dia em que Jesus me encontrou. Nada mais foi igual depois disso. E com você, também foi assim? Você se lembra do momento em que Ele te achou? Porque quando Jesus nos encontra, a vida começa de verdade.

E se você ainda não foi encontrado, abra o coração e deixe-se achar por Ele. Jesus está à sua procura — e não vai descansar até te trazer de volta para casa.

Para Jesus, nada está fora de alcance. Ele busca, encontra e celebra cada vida restaurada — porque, no coração dEle, ninguém é perdido demais para ser achado.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

05/jun/25

 

DORMIR EM PAZ: UM ATO DE FÉ

“Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança.” Salmos 4:8 (NVI)

A insônia tem se tornado uma das maiores queixas do mundo moderno. Estima-se que entre 30% e 35% dos adultos enfrentem dificuldades para dormir em algum momento da vida. E, em cerca de 10% desses casos, o problema se transforma em insônia crônica, afetando diretamente a saúde do corpo e da mente.

Mulheres, pessoas mais velhas e quem enfrenta problemas de saúde ou emoções difíceis costumam sofrer mais com a insônia. A ansiedade, o estresse e até as dificuldades financeiras são fatores que atrapalham o sono e tiram a paz de muita gente durante a noite.

Mas, em meio a esse cenário, o salmista nos convida a contemplar outra realidade. Ele afirma que consegue deitar-se e logo adormecer, porque confia no Senhor. Que declaração poderosa! Em um tempo em que muitos se debatem em meio à ansiedade noturna, essa paz parece um privilégio inalcançável. Mas ela está disponível para todos os que aprendem a descansar em Deus. Como está escrito: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo.”  João 14:27 (NVI)

A verdadeira paz interior não vem de colchões caros, travesseiros anatômicos ou comprimidos noturnos. Embora essas coisas possam ajudar, elas não alcançam a raiz do problema. O coração humano só encontra descanso verdadeiro quando repousa em Deus. O salmo nos ensina que essa paz nasce da certeza de que estamos seguros nas mãos do Senhor. Como disse Isaías: “Tu guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em ti confia.” Isaías 26:3(NVI)

Dormir, em muitos sentidos, é um ato de fé. É como dizer: “Senhor, não posso resolver tudo agora. Vou parar, fechar os olhos e confiar que o Senhor cuida de mim.” É reconhecer que não temos controle sobre todas as coisas. Que bom saber que, mesmo enquanto dormimos, o nosso Deus continua acordado, atento, soberano. O Salmo 121:4 nos lembra disso: “De fato, aquele que guarda Israel não dormirá, ele está sempre alerta!”

No entanto, a insônia também pode ser um sinal de que algo dentro de nós precisa de atenção. Muitos carregam medos, dores e culpas que se intensificam durante a noite. A ansiedade, chamada por muitos de o “mal do século”, tem tomado conta de mentes e corações, interrompendo o descanso e gerando sofrimento. Por isso, a Palavra nos orienta: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” 1 Pedro 5:7(NVI). Deus não apenas vê nossas lutas; Ele deseja aliviar nossos fardos.

Isso não quer dizer que a fé substitui a ajuda profissional. O próprio Deus nos dá sabedoria para buscarmos apoio quando precisamos. Assim como cuidamos da nossa alma, também devemos cuidar do corpo e da mente. Se o problema com o sono continua, vale a pena procurar um médico, conversar com um conselheiro ou terapeuta e seguir hábitos saudáveis. Essas pessoas receberam de Deus a capacidade de cuidar das nossas enfermidades. Fé e responsabilidade andam juntas. Como está escrito em Provérbios 3:21 e 24: “Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio [...] Quando se deitar, não terá medo, e o seu sono será tranquilo.” (NVI)

A oração pode ser o primeiro e grande passo para vencer a insônia. Falar com Deus antes de dormir, abrir o coração, agradecer pelas bênçãos do dia, confessar os pecados e entregar a vida ao cuidado do Senhor é algo que traz alívio à alma. Quando fazemos isso com sinceridade, o coração se acalma e o sono chega como um presente, não por acaso, mas vindo de um Deus que cuida de nós até quando estamos dormindo. Como diz Provérbios 3:24: “Quando você se deitar, não terá medo, e o seu sono será tranquilo.” (NVI)

O verdadeiro descanso não nasce do silêncio da noite, mas da confiança no Deus que vela por nós enquanto dormimos.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/jun/25

  ENTRE AS MÃOS, OS PÉS E A PALAVRA DE DEUS “Na verdade, amas os povos; todos os teus santos estão na tua mão; postos serão no meio, entre...