COM OS FIÉIS DA TERRA, ESSES É QUE TERÃO O MEU FAVOR

“Os meus olhos aprovam os fiéis da terra, e eles habitarão comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá.” Salmos 101.6 (NAA)

Há momentos em que o céu parece se inclinar sobre a terra. Quando um servo ou uma serva do Senhor parte para a eternidade, algo se silencia em nós — mas, ao mesmo tempo, algo se ergue com força. Cala-se a voz do amigo, do irmão, do pastor, do pai ou da mãe… mas se levanta um testemunho que fala mais alto do que qualquer palavra: o testemunho de uma vida vivida com fidelidade diante de Deus — aquilo que muitos chamam de legado.

O Salmo 101 é um salmo de compromisso. Nele, Davi expressa seu desejo de reinar com justiça e santidade. No versículo 6, ele declara algo profundo e belo: “Os meus olhos aprovam os fiéis da terra, e eles habitarão comigo.” Embora essas palavras tenham sido proferidas por um rei terreno, elas apontam para o Rei Eterno, que também tem os olhos atentos sobre os fiéis — e que garante que eles habitarão com Ele.  Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar." João 14.2 (NAA)

Na partida de um servo ou de uma serva fiel, essa promessa se cumpre com toda a sua força. O que andou em retidão, o que serviu com sinceridade, o que permaneceu mesmo nos dias difíceis, agora é acolhido na eternidade por Aquele que jamais esquece um coração consagrado. Deus vê os fiéis. E mais: Deus os recebe.

O olhar de Deus não é apressado nem distraído. Ele não mede com base em aparências, números ou elogios humanos. Ele vê o coração. Ele vê o aquele que orou em silêncio, que semeou no secreto, que perdoou sem reconhecimento, que serviu com amor mesmo quando cansado. Ele vê o que ninguém viu — e recompensa como ninguém pode recompensar.

Quando um servo ou uma serva parte, a dor da separação é real. A ausência pesa, e as lembranças chegam em ondas — algumas doces, outras dolorosas. Mas, junto com a saudade, nasce uma esperança diferente: a certeza de que a morte não é o fim, mas o início de um gozo eterno na presença do Pai. Para quem viveu com fidelidade, a morte não é uma perda — é um ganho. Como declarou o apóstolo Paulo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.”  Filipenses 1.21 (NAA). É nesse momento que se ouve, com o coração cheio de paz, a doce voz do Senhor: “Vem, servo bom e fiel. Entra no gozo do teu Senhor.”

Essa esperança é o consolo para os que ficam. Não apagamos a dor, mas a envolvemos com fé. Não negamos o luto, mas o atravessamos com a certeza de que há uma morada preparada. “Eles habitarão comigo”, diz o Senhor. E isso basta. Nenhuma homenagem na terra se compara ao acolhimento do céu.

A fidelidade não se mede por grandes feitos, mas pela constância no caminho. O texto declara: O que anda em reto caminho, esse me servirá.” Não fala de perfeição, mas de integridade. Não exalta fama, mas firmeza. É o passo após passo, dia após dia, buscando viver aquilo em que se crê — e crendo, mesmo quando não se vê. É caminhar com a fé como firme fundamento, sustentado não pelas circunstâncias, mas pela confiança no Deus que vê o oculto e recompensa o fiel.

Quando lembramos de alguém fiel que partiu, nossa mente se enche de gratidão. Gratidão pelo exemplo, pela influência, pelos gestos, pelas palavras. Mas acima de tudo, gratidão por sabermos que Deus está com ele agora. Aquele que andou com o Senhor na terra agora habita com Ele na glória.

Se você está hoje enfrentando a dor da despedida de alguém assim, receba esta promessa como alívio e certeza: os olhos de Deus estavam sobre ele. E agora, ele está nos braços do Pai. Se você ainda caminha por este mundo, que esse texto seja um chamado: viva com fidelidade. Sirva com sinceridade. Permaneça no caminho. Porque o Senhor continua olhando — e Ele ainda promete: “Eles habitarão comigo.”

Aos olhos de Deus, nenhuma fidelidade passa despercebida. O servo fiel que parte desta vida não é esquecido — é recebido. E a eternidade se torna, então, o lar preparado por um Deus que honra aqueles que O servem com retidão.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/jul/25

 

O SERVO QUE REINA

“Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”  Marcos 10:45 (NVI)

Essas palavras de Jesus registradas por Marcos expressam, com simplicidade e profundidade, o coração de toda a sua missão. Ele, sendo Senhor de tudo, escolheu o caminho da humildade. Não veio para ser servido, mas para servir. Não veio para tomar, mas para dar. Sua grandeza se revelou no gesto de se colocar à disposição dos outros, até o ponto máximo de entregar sua própria vida por amor.

Esse é também o chamado para todos os que o seguem: servir em vez de buscar ser servido. Viver com generosidade, abrir mão de direitos, colocar a vida em favor do outro. A verdadeira grandeza, no Reino de Deus, se manifesta por meio do serviço.

Mas esse mesmo Jesus, descrito por Marcos com a toalha nos ombros e a bacia nas mãos, é visto por Daniel em uma visão celestial completamente diferente. Em Daniel 7:13-14, o Filho do Homem aparece vindo com as nuvens do céu, aproximando-se do Ancião e recebendo autoridade, glória e um Reino eterno. Nessa cena, todos os povos, nações e línguas se prostram diante Dele. Não há mais dor, nem escárnio, nem cruz. Ele agora é adorado, exaltado e entronizado.

Essas duas imagens não se contradizem. Pelo contrário, elas se completam de maneira maravilhosa. Em Marcos, Jesus desce para servir. Em Daniel, Ele é elevado para reinar. Na primeira cena, Ele oferece a vida. Na segunda, Ele é coroado como Rei de todos. A conexão com Apocalipse 5 é imediata: o Cordeiro que foi morto é o único digno de abrir o livro e receber toda honra, glória e louvor.

O mesmo Jesus que segura a toalha e a bacia também empunha a espada. Ele é o Servo que lava os pés dos discípulos, mas também o Rei que cavalga com justiça, com a espada afiada da Palavra saindo de sua boca. Na primeira vinda, Ele veio manso, curando, ensinando, servindo e salvando. Mas haverá um dia em que Ele virá com poder e glória, para julgar as nações e estabelecer definitivamente o seu Reino.

A toalha representa o serviço, a compaixão e o sacrifício. A espada representa a justiça, a autoridade e a soberania. E é justamente nessa aparente contradição que habita a beleza do Evangelho. O Rei serve. O Servo reina. Ele não deixou de ser Senhor quando se ajoelhou diante dos discípulos, nem deixará de ser manso quando vier com majestade.

Quem não entende a toalha, teme a espada. Mas quem reconhece o serviço do Cordeiro, se prostra com alegria diante do Leão.

Jesus não precisa que o sirvamos para ser Deus. Ele já é — eternamente. Mas quando O reconhecemos, passamos a desejá-Lo, a adorá-Lo e a servi-Lo com toda a alma. Não por imposição, mas por amor e reverência.

Foi por meio do serviço que Ele foi verdadeiramente servido. Foi pelo sofrimento que Ele entrou em sua glória. Em Lucas 24:26, Ele mesmo diz: “Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?” Não havia outro caminho. O trono foi alcançado pela estrada da cruz.

Filipenses 2 confirma isso com clareza: “Humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte — e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou à mais alta posição.” A grandeza de Jesus não está apenas em sua divindade, mas na disposição de se esvaziar, se entregar e amar até o fim.

Foi lavando os pés que Ele ensinou o que é realeza no Reino de Deus. Foi na cruz, coroado com espinhos, que Ele venceu o mundo. E foi da sepultura vazia que Ele nos abriu as portas da eternidade.

Hoje, quando O servimos, não o fazemos para elevá-lo a algo que ainda não é. Ele já é Senhor. Já é Rei. Já está glorificado. Servimos porque fomos alcançados por um amor que nos constrange. Um amor que desce, que se ajoelha, que morre — mas que também vive, reina e voltará.

"O Rei que se ajoelha para servir é o mesmo que reinará para sempre; e quem reconhece a toalha do Cordeiro se curva com alegria diante da espada do Leão."

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/jul/25

 

UMA RAIZ NA TERRA SECA PARA QUE VOCÊ FLORESÇA JUNTO AO RIBEIRO

“Em verdade, em verdade lhes digo que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto.” João 12:24 (NAA)

Usando uma metáfora bem prática, podemos dizer que, se hoje você é uma árvore frondosa, firmada junto a ribeiros de águas, é porque alguém — comparado a uma raiz em terra seca — precisou brotar antes. Essa é a beleza do plano da salvação: a nossa abundância espiritual nasce do sofrimento redentor de Cristo. Ele floresceu onde não havia esperança, para que nós pudéssemos florescer onde há vida. Ele foi esmagado no deserto, para que pudéssemos crescer junto às águas vivas.

São dois ambientes completamente opostos: de um lado, beleza e vida junto ao ribeiro; do outro, feiura e morte na terra seca. De um lado, gozo e frutificação; do outro, desprezo e sofrimento. Mas foi justamente nesse cenário de dor que nasceu a raiz. Jesus, brotando da terra seca, nos abriu o caminho que conduz à abundância espiritual, às águas tranquilas.

O Salmo 1 descreve o justo como uma árvore plantada à beira de águas correntes, com folhas sempre verdes e frutos no tempo certo. Essa imagem representa a vida daquele que anda com Deus, que se alimenta da Palavra e é sustentado pela presença do Espírito. Mas, antes que alguém pudesse desfrutar dessa realidade, uma raiz precisou brotar em terra seca — em um solo sem vida, em um mundo marcado pelo pecado, pela rejeição e pela dor. O justo plantado junto ao ribeiro só é justo porque foi justificado por Aquele que foi rejeitado — a raiz que nasceu em um ambiente seco por amor a nós.

O Reino de Deus é contrário à lógica humana. O Reino que Jesus veio anunciar é o oposto daquilo que o mundo valoriza: o maior é o que serve, o último será o primeiro, e o Salvador veio como Cordeiro, e não como imperador. Ele mesmo afirmou: “Meu Reino não é deste mundo.” O plano de Deus é diferente do que as pessoas esperam e valoriza aquilo que o mundo costuma desprezar.

Jesus não poderia nascer em um castelo, cercado de luxo ou aclamado pelos homens, pois isso desviaria completamente da missão que o Pai lhe confiou: servir, sofrer, morrer e vencer a morte em nosso lugar. Ele nasceu em um estábulo, cresceu em uma vila desprezada, foi rejeitado pelos seus, humilhado pelos líderes religiosos e crucificado como maldito — para que os rejeitados fossem aceitos, os pecadores perdoados, e os mortos, ressuscitados.

Isaías 53 descreve Jesus como essa raiz que brota em terra seca. Ele nasceu em um lugar impróprio até mesmo para um bebê. Veio ao mundo em um ambiente árido, espiritualmente seco e socialmente hostil. Cresceu sem aparência atraente, sem prestígio, sem honra — mas cheio de graça, verdade e propósito eterno. Ele não apenas sobreviveu nesse mundo marcado pela maldade — Ele floresceu. E por meio da sua vitória, nos deu acesso à verdadeira vida abundante.

Quando Isaías fala de uma raiz em terra seca, está apresentando algo improvável. Uma raiz não deveria brotar ali. Mas Jesus brotou. Ele frutificou onde ninguém esperava ver vida. Enfrentou rejeição, sofrimento e morte, e ainda assim permaneceu firme, porque sua fonte não era a terra — era o céu.

Para que você fosse plantado junto ao ribeiro, Ele foi fincado na terra seca. Para que você frutificasse, Ele foi moído por nossas transgressões. Para que suas raízes encontrassem vida, Ele desceu até a morte e venceu. A nossa estabilidade, nutrição e fruto espiritual não vêm de nós mesmos. São resultado direto da obra consumada de Cristo. Ele é a raiz de Davi, a videira verdadeira, a fonte de vida que nos sustenta.

Se você está firme em Cristo, lembre-se de onde vem sua força: do sangue derramado por amor a você, da raiz que brotou em um terreno de dor. E se hoje você se sente em terra seca, espiritualmente árido ou emocionalmente cansado, saiba que Jesus conhece esse lugar. Ele esteve aí — e pode fazer brotar vida onde tudo parece estéril.

Valorize sua posição junto ao ribeiro. Medite na Palavra dia e noite, como ensina o Salmo 1. Beba da fonte, cresça em fé, produza frutos. Não viva distraído do privilégio que lhe foi dado. Você está plantado junto às águas porque alguém pagou o preço de nascer, sofrer e resistir em solo seco.

Jamais se esqueça do custo da graça que te sustenta. Uma raiz precisou descer à terra sem beleza, sem vida e sem honra para que você pudesse se tornar uma árvore forte, cheia de folhas e frutos. A vida que hoje brota de você é prova viva do poder da cruz.

A vida abundante que desfrutamos hoje junto ao ribeiro só é possível porque Cristo, como raiz em terra seca, suportou a rejeição, venceu a morte e abriu o caminho para que florescêssemos na presença de Deus”.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

07/jul/25

 

OFERTA SEM VIDA NÃO AGRADA A DEUS

“Afaste de mim o som das suas canções! Não quero ouvir a música das suas liras.” Amós 5:23 (NVI)

Sem sombra de dúvidas, para Deus o ofertante é mais importante do que a oferta. Antes de aceitar qualquer coisa que lhe apresentamos, o Senhor quer aceitar a nós mesmos. O texto de Amós 5:21-23 nos mostra isso de maneira contundente. Ali vemos um povo que mantinha uma fachada de religiosidade — um culto cheio de cânticos, ofertas e rituais — mas cuja vida estava distante da santidade e da justiça que Deus requer.

Há momentos em que a prática religiosa é intensa, mas falta uma vida verdadeiramente comprometida com Deus. Existe uma aparência de devoção, mas os corações permanecem distantes do Senhor. E Deus, que vê além das palavras e das aparências, não se agrada de um culto vazio e sem sinceridade.

Israel, nos dias do profeta Amós, vivia exatamente essa situação. Cantavam belamente, ofereciam sacrifícios e seguiriam as práticas religiosas, mas Deus rejeitava tudo aquilo. Por quê? Porque o seu caráter não refletia o caráter de Deus. Havia injustiça, opressão e pecado. Eram carismáticos, mas não eram santos. Tinha-se o talento, mas faltava transformação. Cantavam bonito, mas não tocavam o trono de Deus.

A advertência de Amós permanece atual. Que tipo de culto estamos apresentando ao Senhor? Temos nos preocupado mais com a estética do culto — a música, a liturgia, a apresentação — ou com a integridade de nossa vida diante de Deus? Não basta frequentar a igreja, cantar com emoção, levantar as mãos ou participar ativamente das atividades. Se nossa vida, de segunda a sábado, não está em sintonia com os princípios da Palavra, o culto de domingo perde seu valor diante do Senhor.

O culto que agrada a Deus nasce de um coração rendido, de uma vida em constante busca por santidade e justiça. Deus quer adoradores que o adorem em espírito e em verdade (João 4:23-24). Isso significa que a verdade do nosso viver deve acompanhar a sinceridade do nosso louvor. Não se trata de perfeição, mas de autenticidade. Deus não busca performances impecáveis, mas corações humildes e quebrantados.

O que fazemos na igreja precisa estar conectado com o nosso dia a dia. Não podemos separar o culto do viver. Nossas atitudes no trabalho, em casa, nas relações pessoais devem refletir o caráter de Cristo. Se cantamos sobre amor, precisamos praticar o amor. Se exaltamos a justiça de Deus, precisamos buscar a justiça em nossos relacionamentos. Se falamos de perdão, precisamos ser perdoadores. Caso contrário, o som de nossas canções será apenas barulho vazio aos ouvidos do Senhor.

Como diz um cântico da atualidade: Deus não vem à igreja para ouvir nossas músicas bem cantadas — afinal, Ele já tem um louvor muito mais especial no céu. Deus rejeitou os cânticos de Israel não porque a música fosse má, mas porque os músicos estavam distantes de Sua vontade.

É um alerta para nós. O culto genuíno não é medido pela beleza externa, nem pela performance vocal ou instrumental, mas pela sinceridade do coração. A canção que realmente agrada a Deus é aquela que nasce de um coração que O busca com verdade e que O serve em todas as áreas da vida. Não é a arte que impressiona o céu — é a vida consagrada por trás do louvor.

Assim, antes de oferecermos qualquer coisa a Deus, devemos nos apresentar a Ele. Mais do que o que temos a dar, Ele deseja quem somos. Ele quer o nosso coração, a nossa vida, a nossa entrega diária. Quando isso acontece, então nossas ofertas, nossos cânticos, nossas orações sobem como aroma agradável ao trono da graça.

Que possamos examinar nosso culto e nosso viver. Que nosso louvor na igreja seja um reflexo de uma vida consagrada fora dela. Que nosso testemunho brilhe no mundo e confirme as palavras que entoamos no templo.

Lembre-se: Deus não quer apenas a canção; Ele quer o cantor. Deus não quer apenas a oferta; Ele quer o ofertante.

O culto que agrada a Deus nasce de um coração íntegro e de uma vida rendida — quando há sintonia entre o louvor dos lábios e o testemunho diário.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/jul/25

 

O EVANGELHO: PODER QUE SALVA, DERRUBA MUROS E CONSTRÓI PONTES

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” Romanos 1:16 (NVI)

Sei que você gosta de receber boas notícias. Pois bem, o Evangelho é a melhor notícia que a humanidade já recebeu. É a certeza de que Deus, em seu infinito amor, enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para salvar os pecadores e oferecer reconciliação e vida nova a todos que crerem. A palavra "evangelho" vem do grego euangelion, que significa literalmente "boa nova". Mas essa boa nova não é apenas uma mensagem — é uma pessoa: Jesus Cristo. Ele é a expressão viva da graça de Deus, que veio ao mundo para nos buscar, nos restaurar e nos conduzir de volta ao Pai.

Não se trata de uma proposta religiosa, nem de um conjunto de regras morais. O Evangelho é o próprio poder de Deus em ação, que transforma vidas, renova mentes e cura corações. É uma obra que começa de dentro para fora.

Quando aceitamos o Evangelho, não recebemos apenas uma mudança de comportamento — experimentamos uma nova natureza, uma regeneração espiritual. Não é um remendo em roupas velhas, é uma roupa nova, feita sob medida por Deus.

O apóstolo Paulo afirma que fomos reconciliados com Deus por meio de Cristo, e agora também somos chamados a reconciliar outros com Ele (2 Coríntios 5:18-19). Esse é o milagre da graça: o Evangelho transforma pecadores em filhos e inimigos em amigos de Deus.

Mas o Evangelho não apenas reconcilia o homem com o Criador. Ele também derruba os muros erguidos pelo pecado e pelo orgulho. O pecado constrói barreiras — entre o homem e Deus, entre irmãos, entre famílias e até entre nações. São barreiras de mágoas, preconceitos, egoísmo, vingança. Mas a cruz de Cristo derrubou todas essas divisões. Como Paulo escreveu aos efésios: “Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade...”  Efésios 2:14 (NVI)

O Evangelho traz paz. Onde ele chega, as divisões são vencidas, as feridas começam a ser curadas, e os relacionamentos são restaurados. A cruz não é apenas vertical — ligando o homem a Deus —, mas também horizontal, nos ligando uns aos outros com laços de perdão e comunhão. “Portanto, aceitem-se uns aos outros, da mesma forma como Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus.” Romanos 15:7 (NVI)

Onde há Evangelho, há pontes sendo construídas: pontes de misericórdia, de reconciliação, de recomeço. O Evangelho faz isso porque ele é mais do que uma boa notícia do passado — é uma força viva e atual, que continua operando salvação em todo lugar onde encontra corações abertos.

Ele alcança lares quebrados, corações feridos, famílias fragmentadas. Ele continua salvando, curando, restaurando e libertando. Como diz Romanos 10:13: “E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”

O Evangelho é a graça salvadora de Deus derramada sobre os perdidos. Ele dá vida aos mortos espirituais, ilumina a escuridão da alma e oferece uma nova forma de viver — com propósito, direção e esperança. Ele nos confronta com nossa real condição e, ao mesmo tempo, nos convida a experimentar a graça redentora de Cristo.

O Evangelho abre os céus para o pecador arrependido. Ele não é apenas uma mensagem a ser pregada — é Cristo em pessoa, que se fez carne, habitou entre nós e hoje quer habitar em nós. Evangelho é salvação. É o maior presente já ofertado. É o poder de Deus em movimento, transformando vidas até os dias de hoje.

O Evangelho é o poder de Deus que derruba muros, constrói pontes e transforma corações — porque onde Cristo entra, a salvação acontece e tudo se torna novo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

05/jul/25

 

CONFLITOS DA ALMA E O PODER DA GRAÇA

“Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?”
Romanos 7:24 (NVI)

Quem nunca enfrentou um conflito interior que atire a primeira pedra. Todos nós, sem exceção, lidamos com essa realidade. O conflito faz parte da condição humana desde a queda. Quando Adão pecou, a natureza humana foi corrompida. O coração, antes completamente voltado para Deus, passou a se inclinar para o egoísmo, a desobediência e a autossuficiência.

A Bíblia nos alerta sobre isso: “O coração é enganoso e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). É dessa fonte instável que brotam tantas lutas internas. Por mais que a mente saiba o que é certo, os desejos nem sempre caminham na mesma direção. Surge, então, a batalha entre o querer e o fazer, entre o ideal e a realidade, entre o espírito e a carne.

O apóstolo Paulo descreveu essa tensão com uma honestidade tocante em sua carta aos Romanos. Ele não fala como um incrédulo, mas como um homem salvo pela graça que reconhece o conflito que ainda habita dentro de si. Ele afirma: “Porque no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente...” Romanos 7:22-23 (NVI). E conclui com um grito de angústia que também é um clamor de consciência: “Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” Romanos 7:24 (NVI)

Essa confissão revela mais do que fraqueza — revela lucidez espiritual. Paulo sabia que, por si só, não venceria a luta. Ele reconhecia que havia uma guerra interior entre o bem que desejava fazer e o mal que, por vezes, ainda praticava.

Por mais estranho que pareça, o conflito interior não é sinal de fracasso, mas de que há vida espiritual. Ouça o que vou dizer: quem está morto espiritualmente nem sente essa luta — apenas se entrega ao pecado sem resistir. A pessoa regenerada, porém, passa a sentir essa tensão porque agora possui o Espírito Santo, que o chama à santidade. Como ele mesmo explicou aos gálatas: “Porque a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam.” Gálatas 5:17 (NVI)

Esse conflito é parte do processo de santificação. A carne ainda está presente, mas o Espírito trabalha, dia após dia, para moldar em nós a imagem de Cristo. E a boa notícia é que Paulo não termina sua reflexão em desespero. Após o lamento, ele aponta a solução: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!” Romanos 7:25 (NVI)

E logo em seguida, ele anuncia a libertação que todo crente pode experimentar: “Agora, pois, já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1 (NVI)

A vitória sobre os conflitos interiores não está na força de vontade, nem em estratégias humanas, nem na busca por paz interior através de métodos de autoajuda, isolamento ou filosofias que propõem o autoconhecimento como chave. A verdadeira vitória está em Cristo, na comunhão com Ele e na vida conduzida pelo Espírito Santo. É Ele quem nos convence, fortalece, consola e transforma.

Sim, o conflito interior é real e constante. Ele nos lembra de que ainda estamos em construção. Mas também é sinal de que o Espírito de Deus está operando em nós. A luta faz parte da jornada cristã, mas não caminhamos sozinhos. Cristo venceu por nós, e por meio dEle podemos vencer também.

O conflito interior revela nossa fragilidade, mas também a presença do Espírito em nós. Em Cristo não há condenação, pois nEle encontramos força para lutar e graça para vencer.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/jul/25

 

PASTORES SÃO SERVOS, NÃO REIS

“O que é que você tem que não tenha recebido? E, se o recebeu, por que se orgulha, como se assim não fosse?”  1 Coríntios 4:7 (NAA)

O Dia do Pastor é comemorado, oficialmente, no segundo domingo de junho. Essa data foi instituída por lei federal como forma de homenagear e reconhecer o trabalho dos pastores evangélicos em todo o país. Algumas denominações, no entanto, adotam datas específicas. Por exemplo, a Igreja Presbiteriana celebra essa data em 17 de dezembro, e a Igreja Adventista do Sétimo Dia, no penúltimo sábado de outubro.

Em nosso grupo, temos alguns queridos companheiros de ministério — pastores fiéis, chamados por Deus — e é para eles que escrevo este texto. Mais do que marcar uma data, desejo que esta reflexão seja um momento de encorajamento, gratidão e renovação diante do Senhor, que nos chamou e nos sustenta.

Esta palavra tem como base o capítulo 4 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, dos versículos 6 ao 13, onde o apóstolo, de forma clara e cirúrgica, apresenta a essência do ministério pastoral e coloca esse serviço tão glorioso em seu devido lugar.

Nós, pastores, somos servos — não reis. Vivemos um tempo em que, no meio religioso, o ministério tem sido cada vez mais associado a reconhecimento, visibilidade, sucesso e influência. Mas o apóstolo Paulo nos mostra um caminho bem diferente: o verdadeiro ministério, segundo a Palavra, não é feito de aplausos, mas de entrega.

Essa também é a visão de ministério que temos na Obra que o Senhor nos confiou. Enquanto muitos buscam conforto, Paulo fala de cruz. Enquanto muitos procuram status, ele mostra o serviço. E, em vez de buscar a glória dos homens agora, Paulo aponta para a glória que ainda virá — a glória eterna, reservada aos que permanecem fiéis até o fim.

Paulo nos alerta com firmeza sobre o perigo da soberba espiritual. Ele repreende a igreja por se orgulhar de homens e promover divisões e contendas entre líderes, mostrando como isso compromete a essência do evangelho.

A pergunta central do verso 7 é profunda e desarma toda arrogância: “O que é que você tem que não tenha recebido?”

Tudo o que temos neste serviço — dons, chamado, frutos — nos foi dado por Deus, pela Sua graça. Por isso, não faz sentido nos vangloriarmos de algo que não veio de nós mesmos. A soberba espiritual desvia o coração do propósito de Deus e transforma o ministério em palco. Ela nos afasta da cruz, onde servimos, e nos empurra para a vaidade, onde buscamos ser servidos. Entendemos, como Paulo, que pastor não é dono do rebanho, é mordomo. Tudo nos foi confiado por Deus — por isso, o orgulho é incoerente com o chamado pastoral.

Nos versículos de 8 a 10, percebemos o contraste profundo entre a autopercepção da igreja de Corinto e a realidade vivida pelos apóstolos. Paulo, com tom irônico, declara: “Vocês já estão satisfeitos! Já são ricos! Chegaram a reinar!”

Aquelas palavras expõem a ilusão dos coríntios, que se viam como espiritualmente completos e vitoriosos, quando na verdade estavam distantes da essência do evangelho.

Enquanto eles buscavam reinar, os verdadeiros apóstolos enfrentavam sofrimento e humilhação por amor a Cristo. A igreja se enxergava como forte e influente, mas os apóstolos — fiéis ao chamado — eram tratados como fracos e desprezados. Paulo se vê como alguém exposto à vergonha pública, como os prisioneiros que seguiam rumo à morte nos coliseus. Ele deixa claro que ser apóstolo não era sinônimo de glória, mas de sofrimento, entrega e humilhação por fidelidade ao evangelho.

Devemos lembrar que o ministério autêntico nem sempre é reconhecido ou aclamado — muitas vezes, ele é carregado em silêncio e dor. Não fomos chamados para reinar agora, mas para servir, muitas vezes com lágrimas nos olhos e peso no coração. O ministério pastoral é uma jornada de renúncia, e não de autopromoção.

Nos versículos 11 a 13, Paulo revela a dura realidade enfrentada pelos apóstolos: fome, sede, nudez, agressões, desprezo, cansaço, ofensas e calúnias. Mas, mesmo em meio a tanta dor, eles não revidavam. Escolhiam abençoar, suportar, promover a paz. Eles nos ensinam que o verdadeiro ministério responde ao mal com graça e persevera com o coração firme em Deus. Paulo encerra esse trecho dizendo que eles eram considerados o lixo do mundo, a escória de todos. Aos olhos humanos, o ministério fiel pode parecer fracasso — mas, diante de Deus, é vitória.

Queridos companheiros, o ministério exige entrega total. Não é um lugar de honra humana, mas um altar de sacrifício. Não é palco, é chão. Não é glória agora, é fidelidade até o fim. É viver com os olhos na Palavra, com os pés no Caminho, buscando agradar ao Senhor e caminhando diariamente na dependência da revelação divina.

O que Paulo queria ensinar àquela igreja, o Espírito quer ensinar à igreja de hoje — especialmente a nós, pastores. Isso se resume em três afirmações fundamentais: não somos reis, somos servos; não somos donos, somos mordomos; não buscamos glória agora, vivemos pela cruz.

Se hoje somos vistos como escória do mundo, glória a Deus! Estamos no caminho certo. Não foi isso que o próprio Jesus declarou em sua oração sacerdotal? “O mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou” (João 17.14). Somos rejeitados porque temos a Verdade — e a tua Palavra é a verdade (João 17.17). No final, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus (1 Coríntios 4.5).

Diante dessa exposição de Paulo, somos levados a refletir com sinceridade: no ministério que o Senhor nos confiou, estamos buscando os aplausos dos homens ou a fidelidade diante de Deus? Temos servido com humildade ou competido por posições de destaque? Nosso ministério exala o perfume do sacrifício no altar ou o brilho passageiro dos palcos deste mundo?

Que o Senhor nos ajude a servir no ministério com alegria genuína — não aquela alegria superficial que depende de aplausos, mas a que nasce da certeza de que estamos no centro da vontade do nosso Deus. Que, mesmo em meio às renúncias, críticas, lutas e invisibilidades, tenhamos prazer em obedecer, consolar, exortar com amor, corrigir com firmeza e orientar com base na Palavra de Deus, sempre com o objetivo de conduzir ao arrependimento, promover o crescimento espiritual e buscar a restauração da ovelha. “Não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que fumega; com fidelidade trará justiça.”  Isaías 42.3 (NAA)

Que possamos também ensinar com paciência e caminhar com o rebanho que nos foi confiado pelo Senhor, com fidelidade e graça. E que jamais nos esqueçamos de duas verdades fundamentais: primeiro, que o rebanho pertence ao Senhor; e segundo, que quem nos chamou é fiel.

Nosso Pai Celestial vê o que ninguém vê, conhece o nosso coração e recompensará cada lágrima derramada, cada gesto de amor, cada passo dado em obediência nesse árduo serviço.

Que a nossa oração seja sempre: “Senhor, não nos deixes servir por vaidade, nem temer a vaia.” Que sirvamos por vocação e por amor. Não fomos chamados por homens, mas pelo Senhor. E, no tempo certo, o próprio Senhor nos honrará — e isso nos basta. “... e então cada um receberá o seu louvor da parte de Deus.”  1 Coríntios 4.5(b)

O ministério não é um trono de glória, mas um caminho de cruz; não é para quem busca reconhecimento, mas para quem aceita servir — com lágrimas, com fé e com a esperança de ouvir, no tempo certo, o louvor que vem de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/jul/25

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