QUANDO O SENHOR SE RETIRA

“Mas ele não sabia que o Senhor já se havia retirado dele.” Juízes 16:20 (NAA)

É uma honra indescritível sermos morada do Espírito Santo. O Criador do universo decidiu habitar dentro de nós — gente comum, cheia de limitações, mas lavada pelo sangue de Jesus. Isso é pura graça: favor que não merecemos. No entanto, junto com esse privilégio vem uma advertência séria. O Espírito que habita em nós pode ser entristecido, ignorado e, se insistirmos no pecado, silenciado.

A história de Sansão nos mostra isso de forma impressionante. Desde o ventre, ele havia sido separado por Deus. Era cheio do Espírito e possuía uma força incomum. Mas, em vez de usar esse dom para cumprir o propósito divino, ele escolheu viver do seu jeito, seguindo seus impulsos. Brincou com o pecado, menosprezou os avisos, confiou demais em si mesmo. Quando foi atacado, disse: “Sairei como antes e me livrarei.” Mas o Senhor já havia se retirado — e ele nem percebeu. Sua força se foi, e ele se tornou igual a qualquer outro homem. A ausência de Deus transforma gigantes em prisioneiros, e promessas em ruínas.

Essa história nos leva a uma pergunta séria: o que acontece quando Deus se retira? A Bíblia e a vida nos mostram a resposta. A aparência até pode continuar a mesma — cultos, pregações, atividades — mas algo vital se perde: a presença. Sem ela, tudo vira ritual vazio. Foi assim nos dias de Ezequiel, quando a glória do Senhor se afastou do templo, e ninguém notou. Continuaram adorando, mas Deus já não estava mais lá.

Sem a presença do Espírito, perdemos a sensibilidade. O que antes nos tocava, já não comove. Pecados que geravam lágrimas agora são vistos com naturalidade. O arrependimento cede lugar à indiferença. A consciência se adormece. A verdade se torna relativa, e o coração se esfria. Onde antes havia temor, agora há apenas agitação. Onde havia unção, agora há performance. Discursos bonitos ocupam o lugar da Palavra viva. A emoção substitui a conversão. As pessoas se comovem, mas não mudam. Cantam, aplaudem, elogiam, mas continuam presas aos mesmos pecados.

E há ainda um sintoma mais profundo: a perda da fome por Deus. Reuniões que antes eram esperadas com alegria agora parecem um peso. Jovens desmotivados, irmãos e irmãs ausentes, cultos esvaziados de fervor. Quando o Espírito se retira, o povo perde o apetite espiritual. Não há mais sede de oração, nem desejo pela Palavra. Fica tudo mecânico, repetitivo, cansado. É como uma fonte que secou, mas ninguém quer admitir.

E o mais assustador: às vezes, a ausência de Deus é tão sutil que ninguém percebe. Como aconteceu com Sansão. Ele achava que tudo estava normal. Mas o Espírito já havia partido. Isso pode acontecer com uma igreja. Com uma família. Com uma vida. Quando o brilho da presença de Deus é trocado por holofotes, e o altar é substituído pelo palco, é sinal de que algo se perdeu no caminho.

Mas ainda há esperança. O Deus que se retira por causa do pecado volta quando encontra arrependimento. Sansão, mesmo cego e humilhado, fez uma última oração: “Senhor, lembra-te de mim!” E Deus o ouviu. Porque onde há quebrantamento, a graça encontra espaço para agir. Onde há sinceridade, a presença volta.

Hoje, mais do que nunca, precisamos clamar como Davi: “Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito.” (Salmo 51:11). Precisamos valorizar a presença de Deus mais do que qualquer talento, estratégia ou estrutura. Porque, quando Ele está presente, até os desertos florescem. Até os fracos se levantam. Até os mortos revivem.

Que nossa oração diária seja: “Senhor, não nos deixes seguir sem a Tua presença.” Porque sem ela, tudo é vaidade. Mas com ela, tudo encontra sentido. Que o Senhor nunca se retire de nós — e que jamais nos acostumemos a viver sem a doce presença do Espírito.

 “Quando o Espírito se vai, até os fortes se perdem. Mas onde Ele habita, até os fracos se tornam instrumentos da glória de Deus.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/ago/25


 

EU QUERO ESTAR NO COLO DO PAI

“Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha.” Salmo 126:1 (NAA)

Este salmo é uma canção de peregrinos — entoada por aqueles que subiam a Jerusalém nas grandes festas religiosas. Enquanto caminhavam em direção à cidade santa, seus lábios se enchiam de cânticos que expressavam alegria, esperança, gratidão e fé. O Salmo 126, em especial, celebra o retorno do povo após um tempo de exílio e, ao mesmo tempo, clama por novas intervenções divinas. Mas quando olhamos para esse texto com olhos espirituais, percebemos que ele fala de algo ainda mais profundo: o retorno do coração humano à presença do Pai.

Muito mais do que um retorno geográfico, trata-se de uma restauração espiritual. Jerusalém era o lugar da adoração, o símbolo da comunhão com Deus. Assim, este salmo aponta profeticamente para a obra redentora de Cristo, que nos tirou do cativeiro do pecado e abriu novamente o caminho para a presença de Deus. É sobre isso que este salmo canta — e é disso que nosso coração também precisa cantar: a alegria de estar de volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído — o colo do Pai.

Jerusalém, afinal, era o lugar da adoração, onde a glória de Deus habitava. No princípio, o ser humano foi criado para viver em comunhão com o Senhor, mas o pecado rompeu essa ligação. O que antes era plenitude se transformou em separação. Porém, por meio do sacrifício de Cristo, o caminho de volta foi aberto. Fomos reconciliados com o Pai. Por isso o salmista exclama: “Ficamos como quem sonha.” É a linguagem de quem experimenta algo tão grandioso que parece irreal — o retorno à presença do Deus vivo.

Essa restauração produz uma alegria profunda, espontânea, incontida. O versículo 2 nos diz que “então a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo”. Quando o Senhor nos resgata, quando sentimos o peso da culpa sendo removido, quando a graça nos alcança, o riso e o louvor brotam naturalmente. Essa alegria não se limita ao íntimo — ela se expressa, se espalha, se torna visível. As pessoas ao nosso redor percebem, e até mesmo os que estão distantes reconhecem: “Grandes coisas fez o Senhor por eles.” A ação de Deus na vida do Seu povo é tão marcante que se torna um testemunho público. A restauração que começa no coração acaba sendo vista no rosto, nas atitudes, na história.

E no versículo 3, o salmista reafirma: “Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres.” Dentre todas essas grandes obras, a maior de todas é a nossa salvação. Hebreus 2:3 a chama de “tão grande salvação” — e ela realmente é. Foi por meio do sacrifício de Jesus no Calvário que o preço da nossa liberdade foi pago, a porta da reconciliação foi aberta e a promessa da vida eterna foi concedida. Não há bênção maior do que essa. Essa é a fonte da nossa alegria, o motivo do nosso louvor, a razão do nosso sorriso. Tudo o que temos — perdão, paz, esperança, novo nascimento — flui da cruz e do amor incondicional de Deus por nós.

O pecado e a morte, que antes nos mantinham cativos, não têm mais domínio sobre nós. Em Cristo, fomos libertos. Essa liberdade nos conduz à renovação da alma, ao florescimento da vida e ao cumprimento do propósito de Deus.

O versículo 4 compara essa restauração à chuva que enche novamente os leitos secos dos rios no deserto. Onde havia sequidão, agora há água viva. Não somos mais terras áridas. Como Jesus disse à mulher samaritana, “aquele que beber da água que eu lhe der, do seu interior fluirão rios de água viva.” É isso que o Espírito Santo opera em nós: vida onde antes havia morte, plenitude onde antes havia vazio.

Por fim, o salmo encerra com uma linda imagem da perseverança e da recompensa. A jornada da fé nem sempre é fácil. Muitas vezes obedecemos mesmo sem entender, sem ver resultado imediato, semeando com lágrimas, enfrentando lutas, dores e renúncias. Mas continuamos firmes, confiando na promessa. E o Deus que vê o secreto honra nossa fé. O tempo da colheita chega — e com ele, a alegria. Voltamos com os braços cheios de feixes, com o coração transbordando de gratidão, cantando e celebrando o cumprimento da Palavra. A semeadura foi feita com esforço, mas a colheita veio com júbilo. E isso nos lembra que tudo o que fazemos em obediência a Deus não é em vão. "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é vão." 1 Coríntios 15:58 (NAA)

A restauração que Deus opera é tão profunda que nos faz sonhar, rir e cantar — porque Ele não apenas nos tira do cativeiro, mas nos conduz de volta à Sua presença, onde há colheita, alegria e vida abundante.

 Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/jul/25

 

JESUS: O CENTRO DO CULTO

“Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles.” Mateus 18:20 (NAA)

Com base na Palavra de Deus, podemos afirmar com plena convicção: Jesus é o centro do culto. Desde o Gênesis até o Apocalipse, tudo aponta para Ele. Ele é o princípio e o fim, o alfa e o ômega. Todas as coisas foram criadas por meio d’Ele e para Ele. Nada no culto tem valor se não estiver centrado em Cristo. Ele é a razão da nossa reunião, o motivo do nosso louvor e o alvo da nossa adoração.

No Antigo Testamento, vemos os rituais, os sacrifícios, o tabernáculo e o templo como sombras do que haveria de vir. Eles preparavam o coração do povo para o Messias. O cordeiro era símbolo, o altar era símbolo, o sacerdote era símbolo — tudo anunciava a vinda d’Aquele que seria a expressão perfeita do amor e da presença de Deus. Quando Cristo veio, essas figuras ganharam rosto e voz. Ele é o verdadeiro Cordeiro, o Sumo Sacerdote eterno, o verdadeiro Templo, a própria glória de Deus entre nós. Em Jesus está presente, de forma completa e real, tudo o que é próprio de Deus. Por isso, toda adoração verdadeira — antes e depois da cruz — precisa estar voltada para Jesus.

Spurgeon dizia que um culto sem Cristo é vazio, mesmo que tenha belos hinos, liturgias bem estruturadas e palavras bem pronunciadas. Para ele, o culto deve ser marcado por reverência, sinceridade e foco em Jesus. A adoração precisa partir do coração, e não ser apenas um ritual bonito. Também enfatizava que a pregação da Palavra é a parte mais importante do culto, pois é nela que Deus fala ao Seu povo. Ele alertava sobre o perigo de transformar o culto em espetáculo, lembrando que o objetivo não é agradar às pessoas, mas glorificar a Deus. Além disso, via a oração como a alma do culto. Sem oração, o culto perde sua vida e seu poder espiritual. Para Spurgeon, um culto verdadeiro é aquele em que Cristo é exaltado, a Palavra é pregada com fidelidade, a oração é viva e a adoração é sincera.

Quando vamos à igreja, não estamos apenas cumprindo um costume ou seguindo uma programação. Estamos indo ao encontro de Jesus.

É comum ouvirmos em alguns cultos a afirmação de que Jesus é o "convidado especial". Embora bem-intencionada, essa expressão não reflete com precisão o que as Escrituras nos ensinam. Jesus não é apenas alguém que foi convidado a participar da adoração — Ele é o Senhor do culto. É Ele quem dá sentido à nossa reunião. Ele não vem porque O chamamos com gentileza, mas porque o culto é Dele, pertence a Ele e é centrado Nele.

Jesus não está entre nós como alguém que deve ser ocasionalmente homenageado, mas como o dono da casa, o centro da nossa adoração, aquele por quem tudo existe e em quem tudo se sustenta. O culto verdadeiro não é construído sobre nossas preferências ou emoções, mas sobre a Sua presença gloriosa. Não se trata de nós — é para Ele, por meio d’Ele e por causa d’Ele.

Agora me diga: você se sente como um convidado na sua própria casa? Claro que não! Você é o dono. Então por que tratar Jesus como um visitante no lugar que é Dele?
No culto, Ele não deve ser apenas lembrado — deve ser entronizado.

Ele mesmo prometeu: onde dois ou três estiverem reunidos em Seu nome, ali Ele estará. E quando está presente, não vem como espectador, mas como aquele que serve com graça, cura, salvação e vida.

Jesus não vai ao culto para ser agradado com palavras bonitas, porque Ele é a própria Palavra. Ele não vai para ser impressionado com música bem ensaiada, porque no céu Ele já é adorado por anjos com louvores mais belos do que os nossos. O que Ele busca é um coração quebrantado, uma fé viva, uma adoração sincera.

No culto, é Ele quem nos alimenta com a Palavra viva. Ele é o Pão do Céu que sacia nossa fome espiritual. É d’Ele que recebemos direção, perdão, renovo e consolo. Ele se revela àqueles que O buscam de todo o coração. Ele mesmo disse: "Quem me vê, vê o Pai." Ele é a imagem perfeita do Deus invisível. Quando nos reunimos, Ele caminha entre nós como andava entre os candeeiros na visão de João. Ele conhece nossa dor, nossa esperança, nossa necessidade — e age com graça e poder no meio do Seu povo.

Por isso, precisamos nos lembrar de que o culto não é um momento para oferecer algo a Deus como se Ele precisasse de nós. É o momento em que somos alcançados por Sua presença e por Sua generosidade. Ele não está ali para receber o que Lhe falta, porque nada Lhe falta. Ele está presente para nos dar tudo o que realmente precisamos: salvação, vida, paz, direção, força, alegria.

Quando Cristo é o centro, o culto ganha vida. O Pai é glorificado, o Espírito Santo se move com liberdade, e o povo é edificado. Quando nos reunimos com esse entendimento, não há frieza que resista, não há cansaço que permaneça, não há vazio que não seja preenchido. A presença de Jesus transforma tudo. Ele é o centro, o sentido e o sustento da nossa adoração.

“No culto verdadeiro, não vamos oferecer algo a Cristo como se Ele dependesse de nós — vamos porque Ele está presente, pronto para nos dar tudo o que o nosso coração realmente precisa.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/jul/25

 

A FÉ QUE RECUSA — UMA VERDADE IGNORADA EM HEBREUS 11

"Pela fé Moisés, já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó." Hebreus 11:24 (NAA)

Esse texto não é de minha autoria. É uma porção adaptada de uma reflexão intitulada “A verdade ignorada em Hebreus 11”, escrita por Charles Spurgeon. Ouvi recentemente e fui profundamente tocado. Por isso, resolvi reapresentá-lo — se assim posso dizer — ajustando apenas sua forma, para compartilhá-lo aqui com vocês, no nosso grupo. Trata-se de uma reflexão rica, sensível e repleta de verdades que merecem nossa atenção e meditação.

“No coração de Hebreus 11 surge um nome que carrega poder, privilégio e prestígio: Moisés, filho adotivo da filha de Faraó. Criado no palácio mais rico do mundo, educado com o melhor que o Egito oferecia, preparado para o trono — condenado ao conforto. Mas algo aconteceu dentro dele. Algo invisível, profundo, que nenhum ouro pôde calar. Uma inquietação espiritual o fez enxergar que tudo aquilo — poder, posição, prazer — era apenas pó. “Pela fé Moisés, já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó.” (Hebreus 11:24)

Recusou. Essa é uma das palavras mais fortes da fé. A fé verdadeira não é apenas aceitar o que Deus oferece — é também recusar o que o mundo entrega. Moisés recusou o título que todos sonhavam. Recusou o palácio. Recusou o conforto. Recusou o direito de viver como rei para sofrer como escravo. Isso é fé. A fé que o céu honra. A fé que diz “não” ao mundo quando todos dizem “sim”. A fé que abre mão da fama, da riqueza, da reputação — porque viu algo maior. “Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que, por um pouco de tempo, ter o gozo do pecado.” (Hebreus 11:25)

Moisés entendeu o que esta geração tem ignorado: o prazer do pecado é real — mas passageiro. E a eternidade é longa demais para ser trocada por alguns poucos anos de prazer. O pecado é doce por um instante, mas amargo na eternidade. A fé de Moisés o fez enxergar além do presente. Ele sabia que cada prazer terreno tem um preço, e que a recompensa do céu vale cada renúncia. “Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito, porque contemplava a recompensa.” (Hebreus 11:26)

Moisés fez uma conta que poucos hoje sabem fazer. Ele comparou os tesouros do Egito com a vergonha de ser fiel a Deus — e decidiu que a vergonha valia mais. O mundo talvez o tenha chamado de louco. Os príncipes do Egito o tenham chamado de ingrato. Mas o céu o chamou de herói da fé.

Isso nos mostra que a fé verdadeira é uma fé de perdas, de escolhas difíceis, de renúncia consciente. Não é uma fé que acumula, mas uma fé que abandona. E talvez, o que mais nos falte hoje, não seja fé para receber, mas fé para recusar.

Fé para recusar o adultério disfarçado de romance. Fé para recusar o dinheiro fácil travestido de bênção. Fé para recusar o palco quando Deus está chamando para o altar.
Fé para recusar o conforto que nos afasta do propósito.

Quantos hoje recusariam o trono para abraçar o deserto? Quantos deixariam o palácio por amor ao povo de Deus? Quantos aceitariam o vitupério de Cristo — a vergonha, a rejeição, o escárnio — em vez da aprovação popular?

Moisés aceitou. Porque ele não olhava para o agora. Ele tinha em vista a recompensa.
E aqui está a chave: a fé que renuncia é a fé que enxerga o invisível. Quem só olha para o presente vive agarrado ao que tem. Quem contempla o que está por vir é livre para deixar tudo.

Talvez você esteja num dilema: entre o que o mundo oferece e o que Deus exige. Entre o prazer do Egito e a dor do deserto. E Hebreus 11 nos diz claramente: os heróis da fé foram aqueles que recusaram o que parecia seguro, porque desejavam o que era eterno.

A fé de Moisés não o levou direto ao trono — o levou ao confronto com Faraó, à perseguição, à rejeição, ao deserto. Mas também o levou ao monte Sinai, à glória de Deus, à redenção de um povo e a um testemunho eterno registrado nas Escrituras. Não se engane: a fé que o mundo elogia, Deus despreza. Mas a fé que o mundo despreza, o céu eterniza.

Por isso, se hoje você tiver que escolher entre parecer tolo diante dos homens ou fiel diante de Deus — escolha a fé que renuncia. Porque aquele que recusa o mundo por amor a Cristo, receberá do próprio Cristo aquilo que o mundo jamais poderá dar.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/jul/25

 

UMA PORTA ABERTA NO CÉU

“Depois dessas coisas olhei, e diante de mim estava uma porta aberta no céu. A voz que eu tinha ouvido no princípio, falando comigo como trombeta, disse: ‘Suba para cá, e eu lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas.’” Apocalipse 4.1 (NAA)

Na visão que Deus deu a João na ilha de Patmos, algo extraordinário acontece: ele vê uma porta aberta no céu. Essa porta não está entreaberta, nem limitada — ela está completamente aberta, como um convite direto do Senhor ao seu servo. Mas por que Deus mostraria uma porta aberta? E por que a ordem: “Suba para cá”?

João havia acabado de registrar as mensagens às sete igrejas da Ásia. Essas cartas revelavam o cenário da igreja na terra — suas virtudes, falhas, lutas e chamadas ao arrependimento. Era, de certa forma, o retrato do reino terrestre: limitado, marcado pelo tempo, frágil em sua caminhada. Mas agora, Deus o chama para algo mais elevado. A partir daquele ponto, João não apenas verá — ele ouvirá. E não com os olhos naturais, mas com o coração sensível à voz do céu.

O convite “suba para cá” é um chamado espiritual. Não é uma exaltação, mas uma aproximação. Deus o chama para uma nova dimensão de comunhão, de discernimento e de contemplação da glória. No versículo seguinte, João afirma que imediatamente se achava “em espírito”, mostrando que essa subida não foi por mérito ou esforço próprio, mas pela ação do Espírito Santo.

Na sequência da visão, João contempla o céu como ele é: o trono de Deus, os anciãos prostrados, os seres viventes adorando sem cessar. Ele vê o Cordeiro vitorioso, o livro selado, e o desenrolar da história do ponto de vista do trono. O que ele contempla não é apenas bonito — é glorioso, eterno, verdadeiro. A perspectiva muda: antes ele via a igreja lutando na terra; agora vê o céu governando com justiça. Antes o esforço humano; agora a majestade divina.

É importante destacar que a porta não foi apresentada como um prêmio para quem chegou até ali, mas como um chamado. A iniciativa é de Deus, mas a resposta parte de João. Ele ouve a voz — como uma trombeta, clara, firme, irresistível — e sobe. E essa dinâmica continua válida até hoje. Deus ainda fala. Ainda abre portas. E continua a chamar seus servos para mais perto, para mais alto, para mais fundo.

Num tempo como o nosso, marcado por distrações, superficialidades e tanto ruído ao redor, essa imagem tem muito a nos ensinar. Deus ainda chama. Ele continua dizendo: “Suba para cá.” Não permaneça olhando com os olhos da terra. Suba em oração, suba na Palavra, suba em comunhão. Há coisas eternas que o Senhor deseja nos revelar — e não apenas sobre o que virá, mas sobre quem Ele é.

Muitos estão em busca de respostas sobre o futuro, desejando entender os tempos, decifrar sinais ou antecipar eventos. Mas o maior propósito dessa visão não foi informar João sobre os acontecimentos vindouros, e sim revelar quem está no trono. A grande revelação não é sobre o que vai acontecer, mas sobre quem reina sobre tudo o que vai acontecer.

A glória de Deus e a centralidade de Cristo são o ponto mais alto dessa experiência. O trono não está vazio. A adoração não cessou. A história não está sem direção. João viu, ouviu e registrou. E hoje, pela fé, nós lemos e cremos. Assim como ele, também somos convidados a subir — não fisicamente, mas espiritualmente. A viver mais atentos ao céu do que às circunstâncias. A ouvir mais a voz de Deus do que os ruídos do mundo. A enxergar a vida com os olhos do alto, onde Cristo reina soberanamente.

A porta aberta no céu não é apenas um vislumbre do futuro. É um convite à intimidade, um chamado para uma nova perspectiva. É a chance de ver com os olhos do céu, ouvir com o coração sensível e confiar que, mesmo quando tudo parece incerto, o trono permanece ocupado. Deus reina — e Ele ainda fala.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/jul/25

 

HERANÇA DE FÉ ENTRE GERAÇÕES

“Recordo-me da sua fé sem fingimento, a mesma que primeiro habitou em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em você.”  2 Timóteo 1:5 (NAA)

Com a correria do dia a dia, a rotina intensa dos pais e as exigências da vida moderna, os avós vêm assumindo um papel cada vez mais ativo na criação e formação dos netos. Em muitos lares, sua presença vai muito além da ajuda prática — ela se tornou essencial para o desenvolvimento emocional, social e até espiritual das crianças.

Falo não apenas como observador, mas como avô. Tenho quatro netinhos encantadores — e um quinto a caminho. O convívio com eles é, sem dúvida, divertido e cheio de ternura, mas também carrega uma responsabilidade profunda. Cada momento ao lado deles é uma oportunidade para transmitir valores que sustentam a vida. E entre todos esses valores, os espirituais são os mais importantes.

Esse cenário me faz lembrar de um personagem da Bíblia que mostra bem como uma geração pode influenciar a outra: Lóide, a avó de Timóteo. Ao escrever sua segunda carta ao jovem discípulo, o apóstolo Paulo faz questão de destacar a fé que habitava naquela família. Ele não menciona apenas Timóteo, mas também sua mãe Eunice e sua avó Lóide. Isso mostra que a fé de Timóteo não surgiu do nada. Foi cultivada ao longo dos anos, dentro de casa, por mulheres que deixaram uma marca profunda em sua vida.

Lóide é citada apenas uma vez nas Escrituras, mas essa única menção carrega um peso enorme. Ela não foi uma personagem pública, não fez milagres nem pregou em multidões. Mas ela viveu uma fé verdadeira, sincera, que foi passada adiante — e isso transformou a história de seu neto. O testemunho dela ecoou até Paulo. Isso nos ensina que os maiores feitos espirituais, muitas vezes, acontecem nos bastidores da vida cotidiana, ao redor da mesa, no quarto de oração, nas conversas simples com os netos.

Timóteo cresceu cercado por um ambiente de fé. Ele aprendeu com a avó e com a mãe, desde pequeno, os princípios da Palavra de Deus. A Bíblia diz que ele conhecia as Escrituras desde a infância, e tudo indica que foi no convívio familiar que isso aconteceu. Esse lar era como um solo fértil, onde valores como respeito, gratidão, temor ao Senhor e obediência à verdade eram plantados e cultivados com zelo.

Hoje, muitos netos têm a oportunidade de ouvir de seus avós as primeiras orações. Aprendem com eles os hinos antigos, as histórias da Bíblia e os conselhos cheios de sabedoria que só o tempo ensina. Há uma ternura no olhar dos avós que transmite segurança. Há tempo para escutar, paciência para ensinar, e amor para acolher. E são justamente esses gestos, simples aos olhos do mundo, que moldam a alma dos pequenos e fortalecem seus caminhos.

Especialistas da psicologia têm reconhecido o que a Bíblia já revelava há séculos: a convivência próxima com os avós contribui para a formação da identidade, da autoestima e da visão de mundo das crianças. Eles transmitem heranças culturais, valores morais e, acima de tudo, fé. São pontes entre as gerações. São colunas espirituais dentro da família, especialmente quando os pais estão ausentes, sobrecarregados ou afastados da fé.

Deus, em sua sabedoria, deu aos avós um lugar de honra nessa missão familiar. A sua influência pode ser decisiva. Lóide não foi apenas uma avó amorosa — ela foi um instrumento de Deus na formação de um jovem que se tornaria pastor, missionário e companheiro fiel do apóstolo Paulo. E assim como ela, os avós de hoje também podem — e devem — abraçar esse chamado.

Mais do que contar histórias, os avós são chamados a fazer parte da história da fé dos seus netos. Através da oração constante, de palavras cheias de sabedoria, de conselhos que edificam e de um exemplo de vida que glorifica a Deus, eles deixam uma marca que o tempo não apaga.

Se você é avô ou avó, saiba: cada momento ao lado dos seus netos é uma semente. Que seja uma semente de fé. Que, como Lóide, você seja lembrado não apenas pelo carinho, pelas brincadeiras, ou pelas comidas preferidas, mas pela fé sem fingimento que habitou em você — e que, pela graça de Deus, continuará habitando nas gerações que virão.

Hoje, celebramos o Dia dos Avós, uma data especial dedicada a homenagear aqueles que são verdadeiros pilares de amor, sabedoria e cuidado em muitas famílias.

Como avô de quatro netinhos — com mais um a caminho — posso afirmar que essa missão é uma das mais gratificantes da vida. Não se trata apenas de mimar, rolar com eles no chão, ou contar histórias, mas de transmitir valores, partilhar experiências e semear fé nos corações dos pequenos.

Quero estender essa homenagem com muito carinho a todos os avós do nosso grupo. Sei que muitos de vocês têm sido fonte de acolhimento, firmeza e oração para filhos e netos. Ainda que, infelizmente, nem todas as famílias vivam essa realidade, nossa oração é para que os lares reconheçam e valorizem esse vínculo tão precioso.

Aos avós que se dedicam com amor, que oram pelos seus, que oferecem colo, conselhos e exemplo de vida — nossa sincera gratidão e reconhecimento. Que o Senhor os fortaleça e os recompense com alegrias e saúde.

Feliz Dia dos Avós!

"Os avós não apenas contam histórias — eles constroem heranças. E a maior delas é a fé que se transmite com amor, exemplo e oração, moldando corações para Deus através das gerações."

26/jul/25


 

SAMUEL: UM JOVEM CHAMADO PARA OUVIR E OBEDECER

“Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.” 1 Samuel 3:10 (NAA)

Certa vez, ouvi de um companheiro de ministério a seguinte crítica: segundo ele, na igreja tradicional de onde viera, os jovens só se interessavam por festas, futebol e retiros espirituais — momentos em que se divertiam bastante, mas onde, segundo suas palavras, não havia compromisso real com o evangelho. E ainda generalizou: “Todas as igrejas tradicionais são assim.”

Naquele momento, senti que precisava intervir. Com respeito e serenidade, compartilhei meu testemunho. Também cresci em uma igreja tradicional e, é verdade, gostávamos das atividades típicas da juventude — brincávamos, participávamos de retiros, jogávamos bola e pingue-pongue. Mas havia algo que diferenciava nosso grupo: a prioridade entre nós era o Evangelho. Tínhamos fome de Deus e um amor sincero pela obra evangelística. Vibrávamos ao ver alguém se render a Cristo. A salvação era algo vivo entre nós — real, poderosa, transformadora. Ver o agir de Deus naquele tempo marcou profundamente minha juventude e deixou cicatrizes de graça na minha alma.

Inclusive, alguns dos que caminharam comigo naquele tempo — e que hoje fazem parte deste grupo Gotas de Orvalho — continuam firmes na fé. São testemunhas vivas daquela fase marcante. Jovens comprometidos com a Palavra, cheios de zelo missionário, que levavam a sério sua fé mesmo em meio às alegrias e desafios da juventude.

Por isso, convido você a meditar hoje sobre a história do jovem Samuel — uma história que começa antes mesmo de seu nascimento. Sua mãe, Ana, era estéril, mas orou ao Senhor com lágrimas e fé, suplicando por um filho. E fez um voto: se fosse atendida, consagraria o menino a Deus por todos os dias da sua vida. Deus ouviu sua oração. Assim nasceu Samuel — um filho gerado na dor, sustentado pela fé e entregue totalmente ao Senhor.

Desde pequeno, ele foi levado ao templo e passou a viver ali, servindo ao Senhor sob a orientação do sacerdote Eli. Samuel cresceu cercado por uma geração corrompida, inclusive os filhos de Eli, que desprezavam a Deus e abusavam de seu cargo sacerdotal. Mesmo nesse ambiente espiritual degradado, Samuel escolheu andar em integridade. Ele era apenas um menino, mas já demonstrava um coração sensível e disposto a obedecer. Sua juventude foi marcada pela consagração e pelo compromisso com o Senhor.

Muitos jovens acham que sua fé não fará diferença num mundo tão confuso. Mas Samuel prova o contrário. Mesmo cercado de más influências, ele permaneceu puro. Mesmo jovem, era exemplo. Isso nos ensina que a idade não é desculpa para negligenciar a comunhão com Deus. É possível viver de forma santa, firme e coerente, mesmo em meio a pressões e tentações. Jovens cristãos podem — e devem — fazer diferença onde estão: na escola, na faculdade, no trabalho, na família e na igreja.

Um dos momentos mais marcantes da vida de Samuel aconteceu ainda na juventude. Certa noite, enquanto dormia, ele ouviu uma voz chamando: “Samuel!” Pensando ser Eli, foi até ele. Isso se repetiu algumas vezes até que Eli entendeu que era Deus quem estava falando com o menino. Eli então o orientou a responder da maneira certa: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.” A partir desse momento, Samuel passou a reconhecer a voz de Deus — e sua vida nunca mais foi a mesma.

Aprender a ouvir a voz de Deus é essencial para todo jovem cristão. Isso não acontece de forma mágica. É fruto de uma vida de oração, leitura da Palavra, comunhão com irmãos e sensibilidade ao Espírito Santo. Ouvir, nesse contexto, não é apenas escutar com os ouvidos — é acolher com o coração e obedecer com disposição. Foi isso que Samuel fez. E Deus o honrou.

A Bíblia diz que o Senhor estava com ele e nenhuma de suas palavras caiu por terra. Isso significa que sua vida foi marcada por fidelidade e verdade. Com o passar dos anos, Samuel se tornou juiz, profeta e líder espiritual de Israel. Foi ele quem ungiu os primeiros reis de Israel: Saul e, mais tarde, Davi. Seu ministério atravessou décadas, sempre marcado por integridade, coragem e submissão à vontade de Deus.

Samuel não foi apenas um bom ouvinte. Ele também teve coragem de confrontar. Quando o povo de Israel se desviou para a idolatria, ele não se calou. Chamou o povo ao arrependimento, conduziu a nação de volta à aliança com Deus e restaurou a adoração verdadeira. Depois da vitória contra os filisteus, levantou uma pedra e declarou: “Ebenezer — até aqui nos ajudou o Senhor.” Ele foi voz profética em tempos difíceis, não por imposição, mas com autoridade espiritual e amor pelo povo.

A vida de Samuel nos ensina que vale a pena começar cedo. Ele foi fiel desde jovem e, por isso, viveu toda a sua história sob a direção de Deus. Não teve riquezas, fama ou status mundano. Mas teve a aprovação do Senhor e o respeito do povo. E isso vale mais que qualquer glória passageira.

Se você é jovem, reflita: você tem separado tempo para ouvir a voz de Deus? Ou tem vivido tão distraído que não consegue mais discerni-la? Em que áreas da sua vida Deus está pedindo obediência? Que tipo de influência você tem sido para os seus amigos? Não é tarde para começar — ou recomeçar. Deus procura jovens como Samuel: disponíveis, fiéis e atentos à Sua voz.

"A história de Samuel nos lembra que ouvir a voz de Deus é privilégio de corações dispostos, e obedecer a essa voz é o segredo de uma vida que faz diferença no mundo e permanece diante de Deus."

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/jul/25

 

JAIRO: UM PAI QUE BUSCOU JESUS POR SUA FILHA

“Não tenha medo; apenas creia.” Marcos 5:36 (NAA)

Quando meu primogênito ainda era um bebê, vivemos um episódio que jamais esquecerei. Ele começou a passar mal com febre alta e, de repente, teve uma convulsão. O desespero tomou conta de mim e da minha esposa. Ver aquela criança tão frágil se contorcendo em meus braços foi uma das experiências mais angustiantes que já enfrentamos. Corremos de um lado para o outro, tentando qualquer solução para reverter aquele quadro. Mas, diante da possibilidade real de perder um filho, todo recurso humano parece insuficiente. Foi nesse momento, quebrados e sem forças, que de nossa alma só saiu um clamor: “Senhor, tem misericórdia!”

Tal experiência me fez compreender, em parte, o que viveu Jairo. Sua história é uma das mais comoventes dos Evangelhos. Diante da doença da filha, ele não hesita: sai à procura de Jesus, crendo que só Ele pode intervir. A cena é marcante. Um pai angustiado se lança aos pés do Mestre, implorando por socorro. Nesse encontro entre desespero e fé, aprendemos lições profundas sobre o papel de um pai segundo o coração de Deus.

Jairo era uma figura respeitada em sua comunidade. Como líder da sinagoga, tinha prestígio e influência. Mas quando sua filha adoece gravemente, ele não envia um mensageiro, nem tenta resolver por meios institucionais. Ele vai pessoalmente até Jesus. Isso revela algo essencial: um pai verdadeiro não terceiriza sua responsabilidade diante da dor dos filhos. Ele se envolve, toma iniciativa, busca ajuda onde há esperança.

Mais do que isso, Jairo se humilha. Ele se ajoelha diante de Jesus, publicamente, mesmo correndo o risco de ser criticado pelos colegas religiosos. Para ele, a vida da filha valia mais do que qualquer reputação. Seu coração de pai o levou a se curvar diante daquele que tem todo poder. E é assim que começa a verdadeira liderança: com humildade. Muitos filhos jamais esquecerão o dia em que viram o pai orando, chorando e buscando ao Senhor por sua família.

Ao se encontrar com Jesus, Jairo não é vago. Ele é direto: sua filha está morrendo, e ele crê que, se Jesus tocar nela, ela viverá. Não pede qualquer bênção. Ele crê no toque restaurador do Mestre. Essa oração específica, confiante e insistente é o modelo da verdadeira intercessão. Pais que colocam seus filhos diante de Deus com fé e perseverança estão exercendo um dos papéis mais nobres que existem.

Mas a fé de Jairo é provada. No caminho até sua casa, Jesus é interrompido por uma mulher enferma. Enquanto aguardam, chega a notícia mais temida: “Sua filha morreu. Não incomode mais o Mestre.” Era o fim. Mas Jesus olha para Jairo e diz: “Não tenha medo; apenas creia.” A fé que antes era esperança agora precisa se tornar confiança. Mesmo diante da morte, o Senhor o chama a continuar crendo.

Quantos pais, ao receberem notícias difíceis sobre seus filhos — espiritualmente, emocionalmente ou fisicamente — sentem que já não há o que fazer? Contudo, a voz de Jesus ainda ecoa: Não tenha medo; apenas creia.” O tempo de Deus nunca é atraso. Sua voz é mais forte que qualquer diagnóstico. Quando Ele fala, até a morte obedece.

Jesus chega à casa de Jairo sem alarde. Entra no quarto da menina, toma-a pela mão e declara: “Menina, eu ordeno a você: levante-se!” A morte se retira. A tristeza se transforma em alegria. A presença de Jesus muda tudo. Onde havia lágrimas, agora há vida. Onde havia silêncio, agora há riso. Quando Jesus entra em casa, o milagre acontece.

Pais cristãos precisam entender que abrir as portas do lar para Jesus não é apenas um gesto religioso — é uma necessidade vital. Quando Cristo é bem-vindo no cotidiano da casa, quando há oração, leitura da Palavra e comunhão sincera, o ambiente é transformado. Jesus continua entrando em lares, restaurando famílias e reescrevendo histórias.

Jairo nos ensina que o maior legado de um pai não é financeiro, mas espiritual. O maior presente que um filho pode receber é saber que seu pai orava por ele, que lutava em oração, que nunca deixou de crer. Pais assim deixam marcas que nem o tempo nem a eternidade apagarão.

E você, pai? E você, mãe? Têm sido uma presença espiritual na vida dos seus filhos? Eles sabem que vocês oram por eles? Vocês têm levado suas lutas familiares aos pés de Jesus? Estão dispostos a crer – mesmo quando tudo parece ter chegado ao fim?

Não tenha medo. Apenas creia. O mesmo Jesus que entrou na casa de Jairo continua agindo hoje, trazendo vida, esperança e transformação onde há fé.

“O maior presente que um pai pode dar aos filhos é uma fé viva que os leve até Jesus. Porque, quando o lar se torna um altar, a presença de Cristo transforma dor em milagre e desespero em esperança.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

26/jul/25

 

O DEUS QUE SUPRE TUDO

“E o meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.”  Filipenses 4.19 (NAA)

Todos nós temos muitas necessidades. Algumas são visíveis, como as de ordem física, de saúde ou financeiras. Outras são mais silenciosas, como as emocionais, familiares ou espirituais. São carências que nos acompanham no dia a dia e que, por mais que tentemos, nem sempre conseguimos satisfazer por nós mesmos. Algumas necessitam de certa urgência, apertam, doem. Outras vão se arrastando com o tempo, escondidas nos cantos do coração.

E é nesse cenário tão humano que o apóstolo Paulo, escrevendo aos filipenses, nos entrega uma das promessas mais poderosas e reconfortantes da Bíblia. Ele declara com fé que Deus é capaz de suprir todas as nossas necessidades — todas, sem exceção — segundo as Suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus. Não segundo nossos esforços, nem segundo o que julgamos merecer, mas segundo a abundância que há no próprio Deus.

A verdade é que, por mais força, influência ou recursos que tenhamos, somos limitados. Por mais que façamos planos e trabalhemos com dedicação, há áreas em que simplesmente não conseguimos dar conta. A vida nos mostra, cedo ou tarde, que não podemos controlar tudo. E quando nossos limites aparecem, é ali que mais precisamos nos lembrar: Deus pode. Ele vê o que nos falta, conhece o que nem conseguimos expressar, e sabe exatamente onde, quando e como agir.

Se não conseguimos suprir muitas das nossas necessidades, temos um consolo seguro: servimos a um Deus que pode suprir todas elas. Ele não se assusta com nossa fragilidade, nem se atrasa em Sua fidelidade. Ele provê, fortalece, sustenta e guia. Quando os recursos acabam, quando a força se esgota, Deus ainda é suficiente. E aquilo que Ele promete, Ele cumpre — sempre.

Há algo ainda mais maravilhoso na promessa de Paulo: Deus não supre por causa dos nossos méritos, mas por causa da Sua natureza. Ele não faz isso porque somos bons, justos ou especiais. Ele o faz segundo as Suas gloriosas riquezas — ou seja, segundo a generosidade, o amor e o poder infinito que existem n’Ele. Ele dá com perfeição, sem falta, sem medida. Sua provisão não depende de desempenho humano, mas da graça que flui do Seu coração.

E essa provisão tem um nome, tem um canal claro: Cristo Jesus. É por meio d’Ele que recebemos tudo o que precisamos. Cristo é o elo entre o céu e a terra, entre a necessidade e a resposta, entre a limitação humana e a suficiência divina. Nele, encontramos graça, sustento, consolo, direção e salvação. Fora d’Ele, nada é garantido. Mas em Cristo, tudo nos é dado com abundância e propósito eterno.

Muitas vezes, confundimos o que queremos com o que realmente precisamos. Achamos que nossos desejos são necessidades absolutas, e quando eles não se realizam, sentimos que fomos abandonados. Mas Jesus, em Sua perfeita sabedoria, sabe separar com amor o que é vontade passageira do que é essencial para nossa vida e nosso crescimento. Ele não alimenta caprichos, mas cuida de nós com verdade, graça e profundidade. Ele supre o que realmente importa — ainda que, no momento, nem consigamos entender.

Essa promessa de Filipenses 4.19 não é um bilhete para conquistar tudo o que se deseja, mas um convite para descansar na suficiência de Cristo. Tudo o que de fato precisamos está n’Ele, e Ele nunca falha. A provisão pode vir de maneiras inesperadas, mas ela virá — do jeito certo, no tempo certo, com o propósito certo. Porque o nosso Deus é fiel para suprir todas as coisas.

O Deus que conhece cada necessidade é o mesmo que supre com perfeição, não segundo nossos méritos ou desejos, mas segundo Suas riquezas em Cristo Jesus — onde encontramos tudo o que verdadeiramente importa.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/jul/25

 

TÃO GRANDE SALVAÇÃO

"Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?" Hebreus 2:3a (NAA)

Ontem refletimos sobre o evangelho poderoso que recebemos — um evangelho que Paulo chama de dýnamis, a mesma raiz da palavra “dinamite” que conhecemos hoje. Um evangelho que não apenas informa, mas transforma. Que não apenas consola, mas confronta. Que chega até nós para revelar Jesus, o autor da nossa fé, e nos oferecer aquilo de que mais precisamos: a salvação.

Mas, diante disso, alguém pode perguntar: salvação de quê? Ou até mesmo dizer: não preciso ser salvo. A verdade é que muitos caminham assim — sem perceber o perigo de se afastar da verdade, de se acomodar, de ignorar a urgência do evangelho. É por isso que o autor da carta aos Hebreus nos alerta: precisamos dar atenção redobrada às verdades que temos ouvido, para que não nos desviemos. E ele ainda nos desafia com uma pergunta que deve ecoar em nossa consciência: como escaparemos, se negligenciarmos tão grande salvação?

Essa salvação foi anunciada primeiramente pelo próprio Senhor Jesus. Depois, foi confirmada por aqueles que a ouviram, os apóstolos, com testemunho e poder. E, por fim, foi selada em nossos corações pela ação do Espírito Santo. Não é uma ideia, uma doutrina fria ou uma teoria religiosa. É uma realidade viva e transformadora. E que fique bem claro:  só há salvação em Jesus.

O salmista já anunciava, e Hebreus reforça: para ser nosso Salvador, Jesus foi colocado, por pouco tempo, em posição inferior à dos anjos. Ele se humilhou. Ele assumiu nossa forma. Ele se fez homem. E Deus o exaltou, coroando-o de glória e honra, e colocando todas as coisas debaixo de Seus pés.

Ainda que não vejamos hoje todas as coisas sob domínio humano, vemos Jesus. Vemos aquele que, por amor, desceu até nós, sofreu, morreu, e agora está vivo — reinando. Ele passou pela morte para, pela graça de Deus, morrer por todos. E foi através do sofrimento que o Pai o tornou o autor da nossa salvação, o guia perfeito de todos os filhos que Ele deseja conduzir à glória.

Jesus é quem nos purifica dos nossos pecados. Ele nos chama de irmãos porque compartilhamos da mesma humanidade. Ele não se envergonha de se identificar conosco. Pelo contrário, assumiu a nossa carne e o nosso sangue, para que, por meio da morte, destruísse o diabo — aquele que tinha o poder sobre a morte — e libertasse todos os que viviam escravizados pelo medo.

A morte já não tem a última palavra. Cristo venceu. E é importante lembrar: Ele não veio para salvar anjos. Ele veio por nós. Ele veio por mim e por você. Ele veio por todos aqueles que, como diz a Escritura, são descendência de Abraão — isto é, todos os que creem.

Por isso, foi necessário que Ele se tornasse como nós em tudo. Para ser nosso Sumo Sacerdote — bondoso, fiel, compassivo — e assim oferecer o sacrifício definitivo pelos nossos pecados. Ele não veio apenas ensinar o caminho; Ele é o caminho. Ele não veio apenas nos observar de longe; Ele se fez um de nós, para nos alcançar de perto. E hoje, ainda que exaltado, continua intercedendo por nós diante do Pai.   "Meus filhinhos, estas coisas lhes escrevo para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo." 1 João 2:1 (NAA)

É por isso que podemos confiar. Só Jesus pode nos libertar da tentação e nos sustentar em meio às lutas. Porque Ele mesmo foi tentado e sofreu, e sabe como socorrer os que são tentados. Ele conhece nossas dores, nossas fragilidades, nossos limites. E ainda assim nos chama de irmãos. Ainda assim nos ama e nos convida à salvação. "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." Romanos 5:8 (NAA)

A grande questão, então, não é se Deus está disposto a salvar — Ele está. A pergunta é: estamos atentos? Estamos ouvindo? Estamos respondendo? O perigo não está na falta de salvação, mas na negligência diante dela. O evangelho é poder de Deus. É Cristo, vivo, presente, oferecendo nova vida. Como, então, escaparemos, se o desprezarmos?

A salvação em Cristo não é apenas um livramento — é um reencontro. Um Deus que se fez homem para nos chamar de irmãos, vencer a morte em nosso lugar e nos conduzir, com amor e fidelidade, à verdadeira vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/jul/25

 

O PODER QUE TRANSFORMA VIDAS

“Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...”  Romanos 1.16 (NAA)

O evangelho não é apenas uma mensagem sobre Deus. Ele é o próprio poder de Deus em ação — um poder que salva, transforma, restaura e conduz o ser humano à vida eterna. A palavra usada por Paulo para “poder” em Romanos 1.16 é a palavra grega dýnamis, que aparece mais de cem vezes no Novo Testamento. Ela não descreve força física, mas sim um poder espiritual ativo, eficaz e transformador.

Esse poder vem do próprio Deus. É Ele quem faz milagres, dá força aos que estão fracos, traz vida aos que estão mortos, liberta os que estão presos e guia toda a história. O evangelho não depende de ideias humanas, nem da forma como alguém fala ou das estratégias que usamos. É o próprio Deus agindo, de forma visível e invisível, para cumprir o Seu plano de salvação.

No entanto, vivemos tempos em que esse evangelho tem sido diluído. Muitos têm tentado esvaziar sua essência, substituindo-o por versões mais agradáveis ao gosto humano. O evangelho da prosperidade, por exemplo, coloca o homem no centro e confunde bênçãos materiais com salvação. Pode ser popular, mas não é verdadeiro. É um evangelho sem cruz, sem arrependimento e sem transformação.

Outro desvio é o evangelho centrado apenas em milagres e experiências. Sim, Deus realiza milagres, pois Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Mas Jesus não veio apenas para aliviar dores físicas — Ele veio para salvar o pecador e nos livrar da condenação eterna. A salvação que Ele oferece vai além do corpo: transforma o coração e restaura a comunhão com Deus.

Também não podemos nos esquecer de outro risco: o evangelho do descompromisso, que ignora o senhorio de Cristo e promove uma fé sem obediência. A verdadeira salvação não é apenas adesão a uma igreja — é novo nascimento. É preciso, além de entrar na igreja da terra, ser parte da igreja do céu. Há muita adesão sem conversão. Mas o evangelho de Jesus não deixa o pecador como está. Ele regenera, santifica e conduz à glória.

Ao longo da história, grandes homens de Deus reconheceram a força transformadora do evangelho. Agostinho de Hipona, impactado por um trecho de Romanos, chamou o evangelho de “remédio divino para as enfermidades da alma”. Ele não o via como mera instrução, mas como instrumento vivo do Espírito para gerar fé e arrependimento.

Martinho Lutero, ao redescobrir a justiça de Deus revelada no evangelho, afirmou que essa mensagem não é doutrina fria, mas graça viva. Segundo ele, “o evangelho é a palavra de salvação, o poder de Deus que opera em nós a justiça divina, pela fé”.

João Calvino descreveu o evangelho como o meio pelo qual Deus comunica Sua graça aos eleitos. Para ele, o evangelho não apenas informa — transforma. Atua com eficácia nos que são chamados, regenerando o coração e fazendo filhos os que antes estavam distantes.

Charles Spurgeon dizia que o evangelho é poder em si mesmo, independentemente da aceitação humana. “Onde o evangelho é pregado com fé, vidas são restauradas.” Ele o via como a força que arranca o pecador das trevas e o conduz ao Reino do Filho.

John Stott declarou: “O evangelho é poder porque não apenas informa sobre salvação — ele confere salvação.” Não é um convite educado, mas uma operação espiritual de Deus no coração humano.

Mas até onde vai esse poder?

Esse poder ultrapassa qualquer limite humano. Transcende o natural, porque opera no sobrenatural. Age no íntimo, quebrando resistências, moldando o caráter e curando feridas. Rompe cadeias espirituais, alcança o perdido, sustenta a missão da igreja e conduz toda a história da criação à consumação.

O evangelho é dýnamis porque faz o que nenhuma filosofia, discurso ou esforço humano pode realizar: salva, liberta, transforma e prepara o homem para a eternidade. Tudo isso pelo Espírito Santo, que aplica essa Palavra viva ao coração.

Hoje, num tempo em que muitos confiam no marketing religioso, na persuasão ou nas aparências, somos chamados a lembrar: o que transforma não é o formato — é o conteúdo. Não é o pregador — é o Deus que fala por meio da Sua Palavra. O evangelho é poder porque é Deus se aproximando, revelando-se e chamando o pecador de volta para Si.

O evangelho é o poder vivo de Deus que não apenas anuncia salvação, mas a realiza — transformando o perdido, restaurando o quebrado e conduzindo à eternidade com Cristo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/jul/25


 

DEUS FALOU COMIGO, DEUS QUER FALAR COM VOCÊ

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.”  Hebreus 1:1,2 (ARA)

No domingo passado vivi algo que muitos chamariam de coincidência, mas que, para quem crê num Deus que governa com propósito, é mais do que isso — é direção. Nós que andamos com o Senhor sabemos: Ele fala. E quando fala, confirma. E quando confirma, é impossível ignorar.

Pela manhã, enquanto acompanhava a Escola Bíblica Dominical pelo YouTube, ouvi algo marcante do pastor que ministrava a lição. Ele disse que o Salmo 23 retrata a caminhada do servo — desde o momento em que ele conhece o Senhor até o dia do seu descanso eterno. Aquela imagem me tocou profundamente. A clareza dessa visão me inspirou a escrever uma devocional sobre esse salmo tão conhecido e, ao mesmo tempo, tão profundo. Em breve, com alegria, pretendo compartilhar com os irmãos essa reflexão, destacando esses detalhes que tanto me abençoaram.

Vocês conhecem bem o Salmo 23, que começa com uma declaração firme e reconfortante: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Uma tradução mais próxima do original diria: “de nada terei falta”. Essa verdade sustentou Davi, fortaleceu gerações e continua a nos lembrar que, com Ele, nada nos falta — porque o Senhor nos basta. Nele encontramos tudo o que precisamos, pois Ele é plena e eternamente suficiente.

Mais tarde, à noite, durante o culto, algo ainda mais especial aconteceu. Meu amigo pessoal e pastor transmitia a mensagem com clareza, seguindo uma linha firme de raciocínio. Mas, ao final, pouco antes do último louvor, houve uma pausa. Ele desviou do plano inicial e fez uma pergunta à congregação que, embora simples, carregava grande profundidade: Por que os servos do passado, mesmo enfrentando tantas lutas, não se desviavam do propósito de Deus? As respostas da congregação vieram com coerência, cada uma com peso e verdade. Mas, naquele momento, o Espírito soprou uma frase no coração do pastor. E ele simplesmente disse:  “O Senhor nos basta. Esta é a resposta.”

Aquela frase ficou ecoando no meu coração. Parecia que Deus estava ligando tudo o que aconteceu no dia só para me mostrar uma coisa simples e importante: Ele é tudo o que eu preciso. Mas não parou por aí.

Após o culto, cheguei em casa com essa verdade pulsando no coração. Decidi ver o resultado do Fla-Flu, e lá estava: vitória do meu time por 1 a 0. O autor do gol? Pedro. Um servo do Senhor. Ele vinha de dias difíceis, envolvido em um episódio conturbado dentro do clube, que o afastou dos gramados por decisão do técnico. E justamente ele, após marcar o gol, tirou a camisa e revelou outra por baixo — preta, com letras vermelhas. Nela estava escrito: Jesus é o suficiente.”

Fiquei em silêncio. Arrepiado. Aquilo era mais que uma imagem bonita ou uma frase de impacto. Era a confirmação do que havia sido dito no púlpito algumas horas antes. Era a mesma mensagem que o Senhor havia plantado em mim pela manhã, através do Salmo 23. Em um único dia, Deus falou por meio da Palavra, da EDB, da pregação, de uma pergunta inesperada, de um gol de futebol — e até de uma camiseta. Uma mesma mensagem

Sim, o Senhor é o nosso Pastor. Ele nos guia por verdes pastos, restaura nossas forças, nos conduz por veredas de justiça. Ainda que passemos pelo vale da sombra, Ele está conosco. E mesmo quando não compreendemos o caminho, Sua presença basta. Nada nos falta quando Ele está.

Compartilho tudo isso não apenas como um relato curioso, mas como um testemunho vivo de que Deus fala. Muitas vezes imaginamos que Ele só se manifesta em momentos solenes ou em ambientes sagrados. Mas Ele é o Senhor de toda a vida — e, quando deseja nos ensinar algo, pode usar o que quiser e quem quiser: a pregação de um pastor, a pergunta de um servo, o gesto de um jogador ou a simplicidade de um versículo já tão conhecido. Por isso, mantenha-se atento. A voz do Senhor pode vir quando você menos espera.

Cristo é suficiente. Essa foi a mensagem que ecoou do começo ao fim do meu dia. Uma verdade que não apenas consola, mas que sustenta, direciona e dá sentido à nossa caminhada.

Como diz o salmista, O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Que isso seja mais do que um versículo decorado. Que seja o fundamento sobre o qual repousamos nossa fé — e nossa vida inteira.

 “Deus fala conosco nas Escrituras, na pregação e até nos detalhes mais simples do cotidiano. Quando o coração está atento, toda a vida se torna um púlpito para a verdade de que Cristo é — e sempre será — o suficiente.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/jul/25

 

MARCAS NO CORPO OU MARCAS NA ALMA?

“Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus.” Gálatas 6:17( NAA)

A recente notícia sobre uma igreja em Balneário Camboriú, cujos membros fizeram tatuagens com referência a Mateus 24:14, reacendeu o debate sobre a verdadeira natureza das marcas que um cristão deve carregar. Embora a intenção dos participantes fosse lembrar o propósito de anunciar o Reino, a pergunta que surge é: será que a marca no corpo realmente expressa a essência do evangelho que deve transformar o coração?

O apóstolo Paulo também falou de “marcas”, mas com um significado bem diferente. Em Gálatas 6:17, ele afirma que carrega no corpo as marcas do Senhor Jesus. A palavra grega usada ali, stigmata, refere-se a feridas, cicatrizes e sofrimentos reais que ele experimentou por causa do evangelho — perseguições, prisões, apedrejamentos, fome e desprezo. Paulo não falava de algo estético ou simbólico. Falava de dores reais por causa de uma fé viva.

Mais adiante, no mesmo capítulo, ele declara que o que realmente importa não é a marca externa, mas a transformação interior: “nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser uma nova criatura” (Gálatas 6:15). Ou seja, o verdadeiro sinal do Reino não está na pele, mas no coração regenerado. O Espírito Santo não grava versículos em tinta, mas escreve a Lei de Deus na mente e no coração, conforme declara o escritor de Hebreus no capítulo 10, verso 16.

Não há nada de novo em buscar símbolos visíveis como forma de afirmar identidade espiritual. No Antigo Testamento, os judeus se orgulhavam da circuncisão; no Novo Testamento, alguns queriam exigir isso dos cristãos gentios. Paulo combateu essa mentalidade, ensinando que o sinal do novo nascimento é uma vida crucificada com Cristo — marcada pelo fruto do Espírito, pela santidade, pela renúncia de si mesmo e pela fidelidade à Palavra.

O risco de reduzir a fé a um símbolo externo é trocar a cruz pelo marketing. Transformar o evangelho em uma marca cultural — como bem alertou um internauta na reportagem — é secularizar o que deveria ser santo.

A geração atual precisa mais do que tatuagens com versículos; precisa de vidas escritas com o amor de Cristo. E essas vidas, embora talvez não brilhem nas redes sociais, são cartas vivas, lidas todos os dias pelo mundo. Como Paulo escreveu, são cartas de Cristo, “não escritas com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações humanos” (2 Coríntios 3:2–3 – NAA). O mundo não precisa apenas ver símbolos — precisa ler o caráter de Cristo impresso em cada discípulo verdadeiro.

É bem possível que muitos dos jovens que participaram da ação tenham agido com sinceridade — e isso não está em discussão. A sinceridade, por si só, não é condenável. O zelo pode ser legítimo, mas zelo sem discernimento é perigoso. Como disse o apóstolo Paulo: “Dou-lhes testemunho de que têm zelo por Deus, porém sem entendimento.” (Romanos 10:2 – NAA). Sinceridade não substitui clareza bíblica, e a boa intenção não anula a necessidade de fundamento sólido. O zelo precisa estar alinhado com a verdade, ou corre o risco de transformar expressão em exagero, e devoção em confusão.

Que sejamos uma geração marcada por dentro — não por uma arte gravada por mãos humanas na pele, mas pelo caráter de Cristo, impresso na alma – no coração – onde ninguém vê, mas todos percebem.

"A marca que o céu reconhece não está na pele, mas no coração; não é desenhada com agulha, mas com arrependimento, fé e obediência ao Senhor Jesus."

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/jul/25

 

O VALOR DE UM BOM NOME

“Mais vale o bom nome do que muitas riquezas; e ser estimado é melhor do que a prata e o ouro.” Provérbios 22.1 (NAA)

Papai sempre nos ensinou que o bom nome é uma das maiores riquezas que alguém pode deixar. Ele dizia que não tinha bens materiais para herdar aos filhos. Éramos pobres e vivíamos com simplicidade, mas havia algo que ele considerava mais precioso do que qualquer bem: uma vida espiritual coerente, ensino com valor e um nome limpo. Para ele, isso era legado — e dos mais duradouros.

Esse ensinamento de papai ecoa nas Escrituras. Em Provérbios 22.1, lemos que o bom nome vale mais do que muitas riquezas, e que ser estimado é melhor do que a prata e o ouro. Em um mundo onde tanto se busca prestígio, lucro e projeção, essa palavra soa como um chamado à essência. O nome que carregamos, a reputação construída ao longo da vida, ainda é — e sempre será — um tesouro que nenhum ladrão pode roubar.

Lembro que os mais antigos costumavam dizer que “um fio de bigode e a palavra dada valiam mais do que assinatura em papel”. Um simples aperto de mão bastava para selar compromissos, porque a honra falava mais alto do que qualquer cláusula escrita. Hoje, porém, vemos que muita coisa mudou. Em vez de confiança, temos desconfiança. Em vez de palavra firme, contratos longos e burocráticos. A verdade, muitas vezes, é ajustada conforme o interesse, e o caráter cede espaço para a conveniência.

Perdemos parte daquilo que um dia foi natural: a integridade silenciosa. Aquela que não precisa ser jurada, apenas vivida. Ser verdadeiro, honesto, coerente — não por obrigação, mas por convicção. Vivemos tempos em que a aparência vale mais que o conteúdo, a influência mais que a essência. Mas, como filhos da luz, não podemos nos conformar com isso.

A Bíblia nos adverte que vivemos dias maus. Paulo descreveu com precisão os tempos difíceis quando escreveu a Timóteo que, nos últimos dias, os homens seriam egoístas, amantes de si mesmos, orgulhosos, ingratos e desobedientes. Jesus também nos alertou sobre o esfriamento do amor por causa da multiplicação da maldade. E fez uma pergunta que atravessa os séculos: “Quando o Filho do Homem vier, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18.8).

Essas palavras não devem nos assustar, mas nos despertar. Mesmo com tudo isso ao nosso redor, ainda podemos ser encontrados fiéis. Podemos cultivar uma fé viva, um amor sincero e um nome que inspire respeito, mesmo que ninguém nos aplauda. Ainda há tempo de resgatar esses valores — começando por nós mesmos. Que nossa palavra volte a ter peso. Que a integridade seja mais do que um discurso. Que o nosso nome, mesmo simples, seja um reflexo de quem somos diante de Deus.

Ainda em Provérbios 22, no versículo 2, aprendemos uma lição de humildade: “O rico e o pobre têm isso em comum: o Senhor é o criador de ambos.” Aos olhos humanos, há muitos degraus e divisões. Mas diante do Criador, somos todos obra de Suas mãos. Essa verdade nos ensina que nenhum valor terreno nos faz mais importantes, e nenhuma falta de posses nos torna menores. Deus nos vê com equidade e espera de cada um o mesmo: um coração íntegro e um viver que O honre.

A herança mais nobre que podemos deixar não está em imóveis, números ou títulos. Está naquilo que vive em silêncio nas memórias de quem conviveu conosco. Está na lembrança de alguém que manteve a palavra, que tratou a todos com respeito, que viveu com honestidade mesmo quando ninguém estava olhando. Que sejamos esses homens e mulheres. Que nosso nome seja, sim, conhecido — não por grandeza humana, mas por fidelidade ao Deus que nos formou.

O bom nome é um legado silencioso que atravessa gerações — fruto de uma vida coerente com Deus, cultivada em humildade, sustentada na verdade e lembrada com honra.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/jul/25

 

QUANDO OS PLANOS FALHAM, O PROPÓSITO PERMANECE

“O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações.”  Salmo 33.11 (NAA)

Todo ser humano faz planos — em maior ou menor escala. Planejar faz parte da nossa natureza. Desde pequenas decisões, como o que faremos amanhã, até grandes projetos de vida, como a escolha de uma carreira, o casamento, a construção de um lar ou mesmo o ministério, estamos sempre olhando para o futuro. Planejamos porque buscamos segurança, realização e sentido. No entanto, por mais cuidadosos que sejamos, há algo que sempre nos escapa: o controle total das circunstâncias.

A Bíblia nos mostra que, mesmo que façamos planos, é o Senhor quem tem a palavra final. O salmista declara no Salmo 33.10 que Deus desfaz os planos das nações e frustra os intentos dos povos. Isso não significa que Ele esteja contra todo planejamento humano, mas sim que nada pode prevalecer contra o Seu propósito soberano. Ele pode intervir, mudar rotas e desfazer estratégias humanas quando elas não se alinham à Sua vontade perfeita. “Muitos são os planos do coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor.” (Provérbios 19.21)

Na prática, isso significa que nem sempre o que sonhamos se realiza — e isso pode nos frustrar. Quantas vezes investimos tempo, recursos, dedicação e até orações em um projeto e, mesmo assim, ele não se concretiza? Isso dói. É natural sentir tristeza, confusão e até fazer perguntas a Deus. Há quem diga: “Mas eu orei tanto, Senhor, por que não aconteceu?” O coração do homem pode fazer planos, sim, mas é do Senhor que vem a resposta final (Provérbios 16.1).

Por vezes, a frustração não é sinal de fracasso, mas de cuidado divino. Deus vê além da curva que não enxergamos. Quando um caminho se fecha, pode ser a bondade do Pai nos desviando de algo que, lá na frente, nos traria dor. Ele fecha portas que não devemos atravessar e, às vezes, até desmorona os nossos castelos de areia para que aprendamos a construir sobre a rocha. Os nossos projetos podem ser soprados como folhas ao vento, mas os propósitos de Deus são firmes como casa edificada sobre rocha.

Somente o Senhor é capaz de estabelecer planos que permanecem para sempre e alcançam gerações futuras. Os nossos pensamentos mudam com o tempo, nossos desejos oscilam, nossas decisões são afetadas por emoções, pressões ou modismos. Mas o Senhor permanece o mesmo. Seus desígnios carregam a marca da eternidade. O que hoje parece sabedoria para nós, amanhã pode se revelar uma tolice. Já a sabedoria de Deus nunca perde o valor e nem precisa de revisão. Ela é perfeita, infalível, imutável e atravessa os séculos.

A Palavra nos mostra que Deus não mudou. O mesmo que foi absoluto sobre Faraó no tempo de Moisés continua reinando soberanamente sobre tudo e todos. Seus caminhos não mudam. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. E ainda que os nossos planos falhem, os propósitos de Deus nunca deixam de se cumprir.

Quantos testemunhos ouvimos de pessoas que disseram: “Eu tinha outros planos, mas hoje entendo que Deus me levou por outro caminho — e foi o melhor para mim.” Um jovem que não passou no vestibular e acabou descobrindo uma vocação ainda mais alinhada com seus dons. Um casal que não pôde ter filhos biológicos, mas que viu sua vida ser transformada ao adotar uma criança. Um pastor que teve um projeto interrompido, mas que foi levantado em outra cidade para ser resposta de Deus em um tempo específico. Essas histórias nos ensinam que o Senhor continua dirigindo os passos dos que O temem. Glória a Deus por isso!

Sendo assim, embora seja natural e até necessário fazer planos, devemos fazê-lo com humildade, oração e dependência do Senhor. Reconhecer que Ele é soberano sobre tudo nos livra da ansiedade e nos ensina a descansar. Mesmo quando não entendemos, podemos confiar.

Os três últimos versículos do Salmo 33 são um convite à esperança: “A nossa alma espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo. Nele o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome. Seja sobre nós, Senhor, a tua misericórdia, como de ti esperamos.” (Salmos 33.20–22)

Os nossos planos podem falhar, mas o propósito de Deus nunca se frustra; e quem confia n’Ele encontra direção, consolo e esperança, mesmo quando não entende o caminho.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/jul/25

  QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA) A d...