A GRATIDÃO NOS ABRE O CAMINHO E O LOUVOR NOS MANTÉM

 “Entrem por suas portas com ações de graças e, em seus átrios, com hinos de louvor; rendam-lhe graças e bendigam o seu nome.” Salmo 100:4 (NAA) —

O Salmo 100:4 nos apresenta um princípio simples e profundo, que continua atual para cada adorador. Ele mostra uma ordem espiritual que Deus mesmo estabeleceu: entrar pelas portas com ações de graças e, depois disso, permanecer nos átrios com hinos de louvor. Essa ordem não é apenas poética; é um caminho espiritual que transforma nossa maneira de nos aproximarmos do Senhor.

Quando o salmista fala sobre entrar pelas portas com ações de graças, ele está falando de chegar diante de Deus com um coração realmente grato. A palavra usada para “ações de graças” é todah, que significa uma gratidão expressa, verbalizada, clara. Não é apenas sentir algo internamente, mas dizer: “Senhor, eu reconheço o que o Senhor fez por mim.” É essa atitude que funciona como uma chave que abre o primeiro espaço da presença de Deus.

No Templo, as portas eram o ponto de transição: ao atravessá-las, a pessoa deixava o ambiente comum e entrava em um espaço dedicado ao Senhor. Assim também acontece conosco. Antes de pedir qualquer coisa, antes de apresentar nossas lutas, nossos medos e necessidades, Deus nos chama a começar pela gratidão. Ela prepara o coração, acalma a alma e abre espaço para algo mais profundo.

Podemos ver isso de forma muito prática. Pense em alguém que acorda pela manhã e, mesmo cansado ou com desafios pela frente, diz: “Senhor, obrigado por mais um dia.” Ou alguém que, diante de um diagnóstico difícil, ainda consegue agradecer por estar vivo, por ter pessoas ao lado, por sentir a força de Deus sustentando. Ou ainda alguém que, ao receber uma promoção no trabalho, antes de celebrar o resultado, agradece ao Senhor por ter guiado todos os passos até ali. Esses são exemplos simples, mas reais, que mostram o que significa entrar pelas portas com ações de graças. É o primeiro passo. É a porta que se abre.

Depois das portas, o salmista nos leva aos átrios. Os átrios eram os espaços internos do Templo, onde o povo passava mais tempo. Ali eles cantavam, adoravam, ofereciam sacrifícios e celebravam quem Deus é. Por isso, o texto diz que é ali que entramos com hinos de louvor. A palavra usada para “louvor” é tehillah, que significa exaltação, reconhecimento do caráter de Deus, declaração de Sua grandeza, Sua santidade, Seu amor e Sua bondade. Se a gratidão nos faz entrar, o louvor nos faz permanecer.

Louvar é olhar além das circunstâncias e dizer: “Deus, Tu és bom. Tu és fiel. Tu és digno.” É algo que nasce de dentro, quando percebemos não apenas o que Ele faz, mas quem Ele é. É como quando alguém está passando por um momento difícil, mas, mesmo assim, escolhe louvar ao Senhor por Sua fidelidade. Ou quando alguém, em meio a uma grande alegria, não apenas agradece, mas declara que Deus é Senhor de todas as coisas. A gratidão olha para as obras de Deus; o louvor olha para o coração de Deus.

O salmista revela que essa ordem é intencional. Ele mostra que existe um caminho espiritual: portas → átrios → presença. No Templo, ninguém chegava direto ao Santo dos Santos. Havia um processo. Primeiro as portas. Depois os átrios. Depois o lugar de sacrifício e entrega profunda. A jornada da adoração tem etapas, e todas elas são importantes. Primeiro reconhecemos o que Deus fez. Depois celebramos quem Ele é. E essa caminhada nos leva mais perto dEle.

Hoje, mesmo sem o Templo físico, esse princípio continua vivo. A gratidão abre a nossa alma. O louvor aprofunda a nossa comunhão. A adoração nos conduz ao íntimo de Deus. Quando seguimos essa ordem espiritual, nossa vida muda. Nossa forma de nos aproximar de Deus muda. Nosso coração muda. Por isso o salmista, em outras palavras, nos diz: “Quer entrar? Comece agradecendo. Quer permanecer? Continue louvando.”

Essa é a jornada espiritual do adorador. A gratidão nos abre o caminho; o louvor nos mantém na presença; e juntos eles nos levam ao coração de Deus.

“A gratidão abre o caminho até Deus, e o louvor nos mantém diante dEle.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/dez/25

 

OS AMIGOS NO TELHADO

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que recompensa os que o buscam.”  Hebreus 11:6 (NAA)

O versículo 20 de Lucas 5 nos revela algo extraordinário, algo que muitas vezes esquecemos em meio às nossas lutas diárias: a fé coletiva também alcança o necessitado.

Naquela cena tão conhecida da Bíblia, um paralítico recebeu cura e perdão não porque tivesse demonstrado fé com palavras ou atitudes, mas porque seus amigos creram por ele. Eles o carregaram até onde Jesus estava, enfrentaram a multidão e, quando viram que não havia espaço para entrar, subiram ao telhado, removeram as telhas e o desceram diante do Mestre. É comum lermos passagens em que Jesus diz: “a tua fé te salvou”, mas aqui acontece algo diferente e poderoso. O texto afirma: “Vendo-lhes a fé…” Lucas 5:20. A fé que Jesus viu não era apenas do paralítico, mas daquelas quatro pessoas que se recusaram a desistir.

Esse episódio nos lembra que há momentos da vida em que alguém precisa ser carregado pela fé dos outros. Nem sempre temos força para orar, acreditar, esperar ou nos levantar sozinhos. Às vezes, o sofrimento sufoca a esperança, a dor confunde, o cansaço pesa. E é exatamente nesses momentos que Deus usa amigos, irmãos, familiares e até desconhecidos para nos sustentar. É a fé que intercede, a fé que insiste, a fé que rasga telhados quando todas as portas parecem fechadas.

A carta aos Hebreus descreve a fé como “o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem” Hebreus 11:1 (NAA). Essa firmeza não nasce do mundo; nasce da eternidade. É por isso que nenhuma oposição pode abalá-la. A fé verdadeira não é construída sobre sentimentos, circunstâncias ou força humana. Ela nasce em Deus e se sustenta em Deus. E por isso, ainda que obstáculos se levantem, ela não desiste.

Os amigos do paralítico encontraram a casa cheia, a porta bloqueada e nenhuma forma natural de entrar. Era como quando, nos dias de hoje, buscamos ajuda para alguém e tudo parece travado: exames que demoram, portas profissionais que se fecham, crises emocionais que ninguém entende, ou aquele filho que se afasta de Deus sem vontade de voltar. Nessas horas, a fé natural se esgota. Mas a fé verdadeira — aquela que vem do alto — desperta alternativas que não estavam à vista. Ela não recua; ela se reinventa. Ela sobe no telhado quando não dá mais para entrar pela porta.

O que esses homens fizeram foi exatamente isso. Eles não discutiram, não reclamaram, não voltaram para casa. Eles criaram um caminho novo. Hoje, isso pode acontecer quando alguém carrega o amigo em oração, mesmo quando esse amigo não acredita mais; quando uma mãe ora pelo filho todos os dias, mesmo sem ver mudanças; quando um marido intercede pela esposa em silêncio; quando uma igreja decide jejuar por alguém que está sem forças. Às vezes, nossa fé é o telhado que abrimos para alguém que já não consegue nem levantar os olhos para Deus.

Quando o paralítico foi colocado diante de Jesus, algo ainda mais profundo aconteceu. O texto diz que Jesus viu a fé deles e, então, disse ao paralítico: “Homem, os seus pecados estão perdoados.” Lucas 5:20 (NAA). Perceba a ordem: primeiro veio o perdão, depois a cura. Era como se Jesus dissesse: “Eu não vejo apenas sua paralisia do corpo; vejo a do coração”. E tudo começou porque alguém o carregou.

Assim também acontece conosco. Quantas vezes recebemos cura, direção, proteção ou consolo porque alguém nos apresentou a Jesus em oração? Quantas vezes a fé de outros abriu portas que não poderíamos abrir sozinhos? A fé intercessora atrai o olhar do Senhor. Quando carregamos alguém até Ele, não apenas ajudamos o necessitado; participamos do milagre.

A fé dos amigos gerou duas bênçãos: perdão e cura. É assim na vida real também. Uma mãe que ora pelo filho pode ver não apenas a restauração dele, mas a cura emocional da própria família. Um amigo que carrega outro nos ombros espirituais pode vê-lo reconciliado com Deus. Uma igreja que intercede pode ser o canal pelo qual Deus transforma vidas que jamais chegariam sozinhas até Cristo.

Esse texto nos lembra que ninguém caminha sozinho. Em alguns dias, somos o paralítico; em outros, somos os amigos no telhado. O importante é que, em ambos os papéis, Deus continua operando.

“Quando nos faltam forças para chegar a Jesus, Deus envia pessoas cuja fé abre telhados e nos coloca diante do milagre.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/dez/25

 

RESISTINDO ÀS TENTAÇÕES

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo Espírito no deserto.” Lucas 4:1 (NAA)

A Bíblia ensina que qualquer pessoa pode ser tentada. Não importa a idade, a história ou a fé que tenha, ninguém está acima disso. A tentação pode vir de três lugares diferentes: do adversário, do mundo e da nossa própria natureza humana. O diabo tenta de fora, procurando nos afastar da vontade de Deus. O mundo tenta por meio de ideias, valores e exemplos que nos empurram para longe do Evangelho. E nosso próprio coração também nos tenta, porque, como Tiago explica, somos atraídos pelos nossos próprios desejos desordenados. A tentação, portanto, não é apenas uma força externa, mas também uma luta interna. Isso faz parte da experiência de todos nós. Até Jesus passou por isso, mostrando que ser tentado não é pecado. O que importa é como respondemos a essas tentações.

Jesus estava cheio do Espírito Santo quando foi levado ao deserto, e durante quarenta dias enfrentou o tentador. As três tentações que Ele viveu são profundas e continuam ensinando muito para nossa vida hoje.

A primeira tentação aconteceu quando Jesus estava com fome, depois de tanto tempo sem comer. Satanás disse: “Dize a esta pedra que se transforme em pão” Lucas 4:3 (NAA). Isso nos mostra que a tentação muitas vezes se aproveita dos nossos momentos de maior fraqueza. Quando estamos cansados, estressados, machucados ou frustrados, tendemos a querer soluções rápidas, mesmo que não sejam as melhores. É o que acontece quando alguém, por exemplo, desconta a ansiedade em comida, entra em um relacionamento apenas para não se sentir sozinho ou toma decisões impulsivas por medo de perder algo. A resposta de Jesus — “Nem só de pão viverá o homem” Deuteronômio 8:3 (NAA) — nos lembra que não podemos viver só de respostas imediatas. Precisamos da Palavra de Deus tanto quanto precisamos do pão de cada dia.

A segunda tentação foi uma oferta sedutora. Satanás mostrou “num instante” todos os reinos do mundo e prometeu entregá-los a Jesus se Ele o adorasse. O texto diz: “Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos… Portanto, se você me adorar, tudo será seu” Lucas 4:6–7 (NAA).

Essa tentação fala sobre atalhos. Muitas vezes queremos resultados rápidos: sucesso sem esforço, reconhecimento sem caráter, vitória sem sacrifício. É o que vemos quando alguém aceita comprometer seus valores para crescer na carreira, quando mente para se destacar, quando passa por cima de outros para conquistar algo, ou quando está disposto a abrir mão da própria fé por conveniência. Satanás ofereceu glória sem cruz, mas isso significaria adorar alguém que não é Deus. Jesus respondeu: “Ao Senhor, seu Deus, você adorará, e só a ele dará culto” Deuteronômio 6:13 (NAA). Ele nos ensina que nada neste mundo vale a troca da nossa adoração, da nossa fé e da nossa comunhão com o Senhor.

A terceira tentação aconteceu no alto do Templo. Satanás usou até a própria Bíblia para tentar Jesus. Ele disse que, se Jesus se lançasse dali, os anjos o guardariam. O texto diz: “Se você é Filho de Deus, jogue-se daqui, porque está escrito que os seus anjos o guardarão” Lucas 4:9–10 (NAA). Essa tentação é sutil. É a tentação de usar Deus para se promover, de tentar forçar um milagre, de exigir que Deus prove algo. Essa realidade aparece quando tratamos Deus como alguém que precisa fazer tudo do nosso jeito. É quando pensamos: “Se Deus me ama, Ele tem que fazer isso”, ou quando transformamos a fé em espetáculo, mais preocupados com aplausos do que com obediência. A resposta de Jesus foi firme: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus” Deuteronômio 6:16 (NAA). A verdadeira fé não exige sinais. Ela confia na Palavra, mesmo quando não vê nada extraordinário acontecendo.

Cada uma dessas tentações fala diretamente às nossas lutas diárias. Todos nós enfrentamos momentos em que queremos resolver algo de forma imediata, buscar poder ou reconhecimento, ou até tentar manipular Deus para atender nossos desejos. Mas assim como Jesus venceu no deserto, nós também podemos vencer. Não é pela nossa força, mas pelo Espírito Santo e pela verdade da Palavra.

Jesus respondeu a cada tentação com as Escrituras. Isso nos mostra que não basta conhecer a Bíblia apenas de ouvir dizer; precisamos guardá-la no coração e aplicá-la na prática, porque ela é nossa defesa contra as mentiras do inimigo e contra as ciladas do nosso próprio coração.

O deserto de Jesus é o retrato dos nossos próprios desertos. Ele venceu para nos ensinar o caminho. E cada vitória que vivemos hoje se apoia na vitória que Ele conquistou por nós.

“Quem vence a si mesmo, vence o mundo; e quem segue a Palavra, vence até no deserto.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/nov/25

 

EDIFICADOS PELO PAI, PELO FILHO E PELO ESPÍRITO

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo Cristo Jesus mesmo a pedra angular, no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para ser um templo santo no Senhor. Nele também vocês estão sendo edificados, junto com os outros, para serem morada de Deus no Espírito.” Efésios 2:20–22 (NAA)

Não existe acaso na Bíblia. Nada nela está ali por coincidência ou descuido. Cada nome, cada história e cada detalhe fazem parte de um plano eterno de Deus para resgatar e restaurar o ser humano. Por isso, quando olhamos para o trabalho de Zorobabel, Esdras e Neemias, percebemos um paralelo bonito e profundo com a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo na vida de cada pessoa. Não é uma doutrina formal, mas uma forma de enxergar como acontecimentos antigos apontam para a obra completa de Deus em nós: o fundamento, o interior e a proteção.

Zorobabel foi o líder que guiou o primeiro grupo de judeus de volta à sua terra depois de décadas de exílio na Babilônia. Com ele retornaram 42.360 pessoas, além de 7.337 servos e servas e 245 cantores e cantoras, como diz Esdras 2:64–65. Era uma verdadeira multidão voltando para casa depois de muitos anos vivendo entre estranhos. A primeira coisa que fizeram foi reconstruir o altar e lançar os alicerces do templo. Sem isso, não haveria culto, não haveria presença, não haveria recomeço.

Zorobabel nos lembra a ação de Deus Pai, que nos chama de volta quando estamos longe. Assim como aqueles judeus estavam distantes da sua terra, nós também vivíamos afastados de Deus por causa do pecado. Andávamos sem rumo, sem propósito, como pessoas que perderam o caminho e nem sabem mais para onde olhar. Foi o Pai quem, em sua graça, nos atraiu de volta. Jesus mesmo disse: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o trouxer” João 6:44 (NAA). É o Pai quem inicia tudo, quem lança o fundamento da salvação e quem abre espaço para que Ele mesmo faça morada em nós. Assim como Zorobabel lançou os alicerces do templo, Deus lança em nosso coração o alicerce da nova vida.

Muitos anos depois veio Esdras, um sacerdote e escriba respeitado, alguém profundamente dedicado às Escrituras. Ele liderou um segundo grupo de retorno, formado por cerca de 1.758 pessoas. Esdras chegou a Jerusalém quase 60 anos depois de Zorobabel. O templo já estava de pé, mas o povo precisava aprender novamente quem era Deus, como viver sua fé e como ser um povo santo no meio de tantas influências estranhas.

Esdras representa bem a obra de Jesus, o Filho. Assim como Esdras restaurou o ensino da Lei, Cristo restaura a verdade em nós. Esdras ensinava, corrigia, orientava e ajudava o povo a reencontrar sua identidade. Jesus faz o mesmo, mas de forma plena, pois Ele é a Palavra viva. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdadeJoão 17:17 (NAA). Ele molda nosso interior, cura nossa confusão, revela quem somos e nos mostra como viver de modo que agrada a Deus. Assim como Esdras conduziu o povo de volta às Escrituras, Cristo nos conduz a uma vida transformada pela verdade.

Depois de Esdras veio Neemias. Ele trabalhava como copeiro do rei persa, um cargo de confiança. Ao saber que Jerusalém ainda estava sem muros, com suas portas queimadas e desprotegida, Neemias pediu permissão para voltar e liderar a reconstrução. Chegou a Jerusalém por volta de 445 a.C., cerca de treze anos após Esdras. A Bíblia não registra quantas pessoas foram com ele, porque o objetivo dessa viagem não era trazer gente, mas levantar o que ainda faltava.

Neemias simboliza a obra do Espírito Santo. Assim como ele levantou os muros quebrados da cidade, o Espírito levanta os muros quebrados da alma. Ele nos fortalece quando estamos cansados, nos dá ânimo quando as forças acabam, nos lembra do que Deus já disse e nos guia quando não sabemos o que fazer. Ele é quem nos protege por dentro, quem organiza nossas áreas confusas, quem restaura nossa dignidade e quem estabelece limites que nos guardam. Muitos vivem hoje sem esses muros: sem forças emocionais, sem direção, sem estabilidade. E assim como Neemias restaurou a proteção de Jerusalém, o Espírito restaura nossa segurança interior.

Quando olhamos para esses três homens, percebemos que eles formam uma imagem completa da ação de Deus: o Pai lança o fundamento, o Filho molda o interior e o Espírito fortalece e protege. A obra é uma só, mas acontece em etapas, como aconteceu com Israel. Deus não reconstrói uma vida de uma só vez, mas passo a passo, com paciência, amor e propósito.

“A obra de Deus em nós é uma reconstrução completa: o Pai nos chama, o Filho nos transforma e o Espírito nos fortalece.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/nov/25

 

LEMBRAI-VOS DO SENHOR

“Vós, que escapastes da espada, ide-vos, não pareis; de longe lembrai-vos do Senhor, e suba Jerusalém à vossa mente.” Jeremias 51:50 (NAA)

Quando Jeremias pronunciou essas palavras, Israel vivia uma das fases mais difíceis de sua história. Jerusalém havia sido destruída pelo exército da Babilônia. O templo, que era o orgulho do povo, estava queimado; os muros da cidade estavam no chão; e muitos tinham sido levados cativos para uma terra distante.

Para quem ficou e para quem foi levado, era um tempo de tristeza profunda. Famílias estavam separadas, casas abandonadas, sonhos despedaçados. A Babilônia parecia invencível, e muita gente acreditava que Deus os havia deixado sozinhos. No entanto, Deus não os havia abandonado; Ele estava disciplinando a nação após longos anos de rebeldia e idolatria.

Jeremias permaneceu na terra quando quase todos tinham sido levados ao exílio. Foi nesse cenário de ruínas que Deus lhe deu uma mensagem inesperada: não apenas anunciar o juízo sobre Israel, mas também anunciar o juízo que viria sobre a própria Babilônia. Isso mostrava que nenhum poder da terra era maior do que o Senhor. E é exatamente nesse contexto que Jeremias fala aos poucos sobreviventes da espada, aos que tinham escapado da destruição. Ele lhes diz: não parem, sigam adiante, lembrem-se do Senhor, e permitam que Jerusalém volte ao coração de vocês.

Era um convite para não deixar o desespero tomar conta. Mesmo longe de tudo o que conheciam, mesmo tendo perdido tantas coisas, Deus ainda os chamava para levantar a cabeça, continuar caminhando e guardar no coração aquilo que realmente importa. Jerusalém, para eles, não era apenas uma cidade; era o símbolo da presença e da fidelidade de Deus. Lembrar de Jerusalém era lembrar que Deus ainda tinha um plano, mesmo quando tudo parecia perdido.

Hoje não vivemos exílios como aquele, mas todos nós enfrentamos momentos em que parece que as “muralhas” da vida caíram. Pode ser uma crise familiar, uma doença inesperada, um luto, uma perda financeira ou uma fase de escuridão na alma. Em tempos assim, alguns se perguntam se Deus ainda está perto. A Palavra nos lembra que existe um juízo sobre a terra, e ao mesmo tempo um amor que nos alcançou e nos livrou da verdadeira morte. Em Cristo, fomos resgatados da espada. Seu sangue nos comprou, nos alcançou quando estávamos longe, e nos trouxe de volta para perto de Deus.

Quando Jeremias diz “ide-vos e não pareis”, ele está falando sobre seguir adiante. Para nós, essa frase lembra que a vida cristã é uma caminhada. Depois de sermos resgatados por Cristo, um novo caminho se abre. Não é apenas um caminho para andar, mas um caminho com propósito. Jesus disse que devemos ir por todo o mundo, fazer discípulos, anunciar as boas-novas. Há pessoas esperando uma palavra de fé, uma demonstração de amor, um gesto de compaixão. Por isso, não podemos parar.

Pense no profeta Jonas. Ele decidiu parar. Virou as costas para o que Deus havia dito, desceu a Jope, desceu para um navio, desceu ao porão, e acabou descendo até a barriga de um grande peixe. Quando parou, afundou. Mas quando clamou ao Senhor, Deus o ouviu. E quando voltou a caminhar, sua obediência trouxe salvação para uma cidade inteira. Assim também acontece conosco: quando paramos, enfraquecemos; quando obedecemos, frutificamos – “ide-vos e não pareis”.

A segunda ordem de Jeremias é: “de longe lembrai-vos do Senhor”. Mesmo longe de tudo o que conheciam, mesmo em terra estranha, o povo não deveria esquecer de Deus. E nós também precisamos lembrar. Lembrar da cruz, lembrar do amor que nos alcançou, dos livramentos que recebemos, da família que Deus nos deu, do trabalho que sustenta nossa vida, da igreja que nos abraça, da salvação que nos assegura a vida eterna. A memória é uma arma espiritual. Quando lembramos do Senhor, nossa fé se fortalece.

E por fim Jeremias diz: “e suba Jerusalém à vossa mente”. Jerusalém era o lugar da adoração. Mesmo no exílio, Daniel abriu sua janela e orou voltado para Jerusalém. “Daniel… três vezes ao dia se punha de joelhos, orava e agradecia ao seu Deus, como de costume.” Daniel 6:10 (NAA). Ele estava longe, mas Jerusalém estava em seu coração. Assim também deve ser conosco. A adoração não é um endereço; é uma postura. É por isso que fomos criados. Quando adoramos, mesmo em terra estranha, permanecemos firmes.

No fim, a mensagem de Jeremias 51:50 ainda fala ao nosso coração. Assim como os sobreviventes do exílio, fomos alcançados pela graça quando estávamos perdidos. Deus nos chamou, abriu um caminho e nos convida a seguir sem parar.

Quando lembramos do Senhor e mantemos a adoração viva, mesmo nos dias difíceis, nossa fé se renova. Ter “Jerusalém no coração” é deixar Deus ser nosso centro em qualquer lugar. Caminhe, lembre-se, adore — o Deus que restaurou seu povo continua restaurando a nós também.

“Mesmo em terra distante, continue caminhando, lembre-se do Senhor e mantenha a adoração viva no coração.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/nov/25

 

O SOLO QUE DEUS REGA COM LÁGRIMAS

Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.” Salmo 126:5 (NAA)

Quando pensamos na salvação de almas, percebemos que muitas de nossas igrejas atravessam um deserto espiritual profundo. Em vários lugares, meses inteiros se passam sem que uma vida se renda a Cristo. E, se formos honestos, há lugares onde anos já se acumularam sem nenhum novo convertido. O que antes era comum — pessoas chorando aos pés da cruz, famílias sendo transformadas, batismos acontecendo com frequência — hoje se tornou raro. Basta perguntar: “Quantas pessoas levamos a Cristo este mês?” e quase sempre a resposta é silêncio. Se perguntarmos sobre este ano, a realidade entristece ainda mais. E, olhando os últimos dez anos, muitos perceberão que não houve crescimento espiritual verdadeiro, apenas manutenção.

A igreja existe para gerar vida, para anunciar o evangelho e trazer pessoas a Cristo. Assim como uma ovelha gera outra ovelha, a igreja foi criada para gerar salvos. Evangelizar não é um evento especial; é a respiração da igreja. Faz parte da sua identidade. Quando uma igreja deixa de evangelizar, ela não está apenas enfraquecida — ela está morrendo espiritualmente.

Mas por que isso está acontecendo? O que impede a colheita? Por que o movimento espiritual que deveria ser natural se tornou tão raro? A Bíblia mostra que, quando a colheita não vem, algo já aconteceu antes no coração.

Um dos primeiros problemas é a indiferença. Muitos cristãos se acostumaram a frequentar cultos como quem vai a um lugar para receber algo, e não para servir. A urgência pela salvação se perdeu. A eternidade deixou de pesar no coração. Esquecemos que todos os dias pessoas morrem sem Cristo e entram na eternidade sem esperança. Esse esquecimento torna a igreja fria.

Outro problema é a falta de compaixão. Jesus só pregou às multidões depois de senti-las como ovelhas sem pastor. Ele chorou por Jerusalém antes de entrar nela. Sem choro, não há semeadura. Sem amor sincero pelas almas, evangelização vira estratégia, não paixão. Em nossos dias, vemos muita organização e poucos joelhos dobrados, muitas reuniões e pouca compaixão real.

Também há falta de oração. Não existe colheita espiritual sem intercessão. Salvação é obra do Espírito Santo, e o Espírito se move onde há oração intensa. Quando a igreja para de orar pelos perdidos, ela deixa de gerar filhos espirituais. É como uma lavoura sem água: até tem sementes, mas não tem vida.

Outro obstáculo é o mundanismo, a chamada secularização do evangelho. Em muitos lugares, a igreja está deixando de impactar o mundo e passou a ser impactada por ele. Aos poucos, vai se conformando ao pensamento secular, até se parecer tanto com o mundo que perde seu poder de transformar. E uma luz que não brilha não pode guiar ninguém. É sal que ficou insípido.  Essa realidade aparece no dia a dia: cristãos que escondem a fé no trabalho, jovens que têm vergonha de falar de Cristo, igrejas que evitam temas difíceis para não desagradar. Quando a linha entre o santo e o profano se apaga, a mensagem perde força.

E existe também a falta de lágrimas. O salmista declara: “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.Salmo 126:5 (NAA). Quando não há lágrimas, é porque o coração endureceu. A semente até está presente, mas cai em solo seco — e solo seco não produz fruto. Hoje vemos igrejas que choram por necessidades materiais, mas quase nunca choram por almas perdidas. O deserto espiritual não é apenas falta de resultados; é falta de quebrantamento. É justamente a lágrima que cai no chão árido que amolece a terra e permite que a semente finalmente germine.

Mas a boa notícia é que Deus sempre restaura campos que voltam a ser regados. Quando a igreja retorna à oração, o céu volta a se mover. Quando volta a amar, vidas são tocadas. Quando volta ao jejum, correntes invisíveis se rompem. E quando volta a semear com lágrimas, a colheita inevitavelmente retorna. A escassez nunca é o fim. A falta de frutos não é definitiva.

Nenhum deserto permanece quando Deus é buscado de verdade. É por isso que Ezequiel, levado ao vale de ossos secos, não fica olhando de longe — ele é colocado bem no meio deles. Deus o conduz ao ponto mais morto do vale para mostrar que, quando a Palavra e o Espírito se manifestam, até aquilo que parecia perdido pode viver outra vez. O mesmo Deus que encheu aquele vale de vida é o Deus que pode restaurar qualquer igreja que voltar ao Seu altar.

Jesus contou uma parábola que explica por que a colheita é tão difícil. Ele disse que o semeador saiu a semear, mas tudo conspirava contra a semente. Mateus 13 mostra que algumas sementes caem à beira do caminho e os pássaros as comem. Outras caem em solo pedregoso, até brotam, mas morrem por não criar raízes. Outras caem entre espinhos e são sufocadas. Isso acontece hoje também. Os “pássaros” são distrações, tentações, notícias, pressões do mundo moderno. Os “espinhos” são preocupações, correria, ansiedade, prioridades erradas. As “pedras” são mágoas, orgulho, durezas do coração. A semente é preciosa, mas continua vulnerável.

O que fazer então para que a semente dê fruto no coração do homem que é terra seca? A resposta continua sendo a mesma: semear com lágrimas. Semear com sinceridade, dependência e quebrantamento. Continuar confiando quando nada muda. Plantar mesmo quando o coração está cansado. Orar quando parece inútil. Servir quando ninguém vê. Perdoar quando dói. A lágrima é a água que amolece o solo. A perseverança empurra espinhos. A humildade afasta os pássaros. A entrega abre espaço para raízes profundas.

A semente frutifica não porque somos fortes, mas porque somos dependentes. Toda colheita começa no choro, mas termina em cântico. Terra boa não é terra perfeita; é terra quebrada, amolecida pelas lágrimas. E Deus sempre faz florescer aquilo que é regado diante dEle. Lembre-se: nós podemos plantar e podemos regar, mas quem dá o crescimento é Deus.

“A colheita volta quando o coração volta; porque a semente sempre foi boa, mas é o solo quebrantado que a faz florescer.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/nov/25


 PENSAMENTOS QUE NOS CONDUZEM À ETERNIDADE

“Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” Jeremias 29:11 (ARC)

Estudos em neurociência estimam que uma pessoa tenha milhares de pensamentos por dia. Alguns falam em pouco mais de seis mil, outros chegam a dezenas de milhares. A diferença entre eles não muda um fato essencial: nossa mente não para. Ela trabalha enquanto andamos na rua, enquanto escovamos os dentes, enquanto esperamos uma mensagem chegar no celular. Pensamos em coisas urgentes e em coisas bobas, em medos que nunca vão se concretizar e em sonhos que ainda nem sabemos explicar. Entre tantos pensamentos, alguns iluminam nossa caminhada, mas muitos nos confundem, nos cansam e nos afastam da comunhão com Deus.

É justamente nesse ponto que a Palavra nos surpreende. Deus também pensa — e pensa sobre nós. Jeremias registra uma das declarações mais profundas da Bíblia sobre isso: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” Jeremias 29:11 (ARC). Quando lemos esse versículo devagar, percebemos algo extraordinário: o Criador do universo, que sustenta galáxias e organiza a história, guarda em seu coração pensamentos a nosso respeito. Ele não apenas sabe quem somos; Ele pensa no que é bom para nós.

Se tentássemos imaginar o número de pessoas no mundo e multiplicássemos por milhares de pensamentos que cada uma delas tem, ficaríamos diante de algo impossível de calcular. Ainda assim, Deus conhece cada mente, cada história, cada lágrima, cada suspiro silencioso. O que para nós seria uma confusão de números, para Ele é cuidado perfeito. E mesmo governando tudo, Ele encontra tempo para voltar Seus pensamentos para você.

Deus não pensa em nós como quem faz anotações rápidas para não esquecer um compromisso. Ele pensa com carinho, com propósito, com intenção de vida. A Bíblia diz que Seus pensamentos são de paz. Isso significa que, mesmo quando falhamos, mesmo quando fazemos o que não deveríamos ou deixamos de fazer o que deveríamos, Ele continua desejando o nosso bem. Nossos erros não anulam o amor dEle. Nossas omissões não apagam os planos que Ele traçou.

Quando Deus pensa ao nosso respeito, Ele nos dá esperança. E esperança sempre olha para frente, nunca para trás. É como quem planta hoje esperando colher amanhã. É como um estudante que acorda cedo porque acredita que, lá na frente, seu esforço abrirá portas. É como uma mãe que guarda dinheiro aos poucos para dar um futuro melhor ao filho. A esperança é assim: ela nos faz dar passos em direção ao que ainda não vemos. E Deus alimenta essa esperança com Seus pensamentos.

Mas Ele vai além. Nossa visão de futuro normalmente se limita a alguns anos, talvez a uma vida inteira. A de Deus alcança a eternidade. Ele não apenas pensa no que viveremos aqui, mas no dia em que estaremos com Ele para sempre. Seu plano não termina quando nossas forças acabam; termina quando chegamos em casa — a casa dEle. E é nesse grande futuro que Seus pensamentos estão firmados.

Às vezes, porém, nossos pensamentos sobre Deus não são tão claros. Em momentos difíceis, podemos nos perguntar se Ele está perto ou longe, se está vendo nossa luta, se realmente se preocupa com o que dói em nós. Perguntas assim fazem parte da experiência humana. Todos nós, em algum momento, nos perguntamos: “O que Deus pensa sobre mim? Será que Ele ainda tem um plano? Será que Ele se importa com minha salvação, com meus medos, com meus sonhos?

A resposta de Deus continua ecoando: Ele pensa pensamentos de paz. Ele pensa além do que podemos imaginar. Enquanto nós pensamos no próximo passo, Ele vê a estrada inteira. Enquanto imaginamos pequenas bênçãos, Ele prepara algo maior e mais profundo. Enquanto pensamos no hoje, Ele pensa na eternidade. Seus pensamentos são mais altos, mais sábios e mais cheios de amor do que os nossos. “Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos”, diz o Senhor. “Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os caminhos de vocês, e os meus pensamentos, mais altos do que os pensamentos de vocês.” Isaías 55:8–9 (NAA)

Assim, diante da agitação da mente humana, podemos descansar no pensamento divino. Deus não está indiferente. Ele não está distante. Ele não está ocupado demais para lembrar de você. Seus pensamentos percorrem a eternidade, mas passam também pelo seu nome, pela sua história, pelo seu coração. E nisso encontramos paz.

“Enquanto nossos pensamentos se perdem no dia a dia, os pensamentos de Deus nos encontram na eternidade e nos conduzem para o futuro que Ele mesmo preparou.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

26/nov/25

 

ORAR SEMPRE

“Jesus lhes contou uma parábola para mostrar que deviam orar sempre e nunca desanimar.” Lucas 18:1 (NAA)

Orar é uma das necessidades mais profundas da vida cristã e, ao mesmo tempo, uma das práticas que mais enfrentam resistência dentro de nós. Segundo a Bíblia, a natureza humana foi criada boa e à imagem de Deus, mas tornou-se corrompida pelo pecado, inclinada ao mal e separada dEle. Em Cristo, porém, podemos receber uma nova natureza e começar um caminho de restauração, vivendo a tensão entre a carne e o espírito, mas com a verdadeira possibilidade de redenção. Ainda assim, essa velha natureza continua contrária à oração, e o inimigo de nossa alma faz de tudo para nos impedir de orar.

Há um antigo louvor que canto desde a minha infância e que diz: “Quantas bênçãos, dize-as quantas são; recebidas da divina mão...” Ele nos lembra que muitas bênçãos Deus nos dá sem sequer pedirmos. Mas há outras que só chegam quando buscamos, quando abrimos a boca, quando insistimos em oração.

A Bíblia ilustra isso de forma marcante na história de Zacarias e Isabel. Em Lucas 1:13 lemos: “Não tenha medo, Zacarias, porque a sua oração foi ouvida.” Não sabemos por quanto tempo eles oraram por um filho — talvez anos, talvez décadas — mas é impressionante lembrar que Israel vivia um silêncio profético de cerca de quatrocentos anos. Mesmo assim, a oração daquele casal alcançou o coração de Deus e resultou no nascimento de João Batista, considerado pela própria Escritura o maior entre os profetas. A alegria que chegou à casa de Zacarias e Isabel se espalhou para muitos outros, como confirma Lucas 1:14: “Você terá prazer e alegria, e muitos ficarão contentes com o nascimento dele.”

Jesus reforça a importância da oração constante em Lucas 18:1, quando diz que devemos “orar sempre e nunca desanimar”. Segundo Jesus, orar é clamar. Existem muitos tipos de oração, mas naquele texto Ele destaca a insistência, a determinação e a confiança de quem continua pedindo, mesmo quando tudo parece igual. Até Jesus orou assim. Hebreus 5:7 (NAA) diz que Ele, “nos dias da sua vida aqui na terra, ofereceu orações e súplicas, com forte clamor e lágrimas”. Se o próprio Filho de Deus orou assim, por que nós desistimos tão rápido?

Talvez você esteja enfrentando algo difícil hoje. Se sofre injustiça, clame ao Senhor. Se está enfermo, clame ao Senhor. Se precisa de libertação, clame ao Senhor. Se sua família está ferida, clame ao Senhor. Se tua causa parece impossível, clame ao Senhor. A oração não é só um gesto espiritual: ela é uma resposta prática de fé.

É verdade que a parábola da viúva insistente pode parecer distante de nós. Não somos viúvas, não estamos totalmente desamparados e Deus certamente não é um juiz injusto. Então por que Jesus usa essa comparação? Porque, se até um juiz sem caráter cede à insistência de alguém, quanto mais o nosso Pai amoroso ouvirá seus filhos. Não somos viúvas, somos filhos. O Espírito Santo nos ajuda em nossas fraquezas. Não estamos sozinhos. Somos coerdeiros com Cristo, e temos um intercessor diante do Pai: Jesus Cristo, nosso Salvador.

Deus nos escolheu para a salvação, mas também nos escolheu para viver uma vida de oração. O salmista reconhece isso quando diz: “À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e Ele ouvirá a minha voz.” Salmos 55:17 (NAA). Isso nos mostra que a oração não é apenas um pedido ocasional, mas um relacionamento constante, um diálogo que acompanha o ritmo do nosso dia.

Hoje em dia, se você tentar marcar uma audiência com uma autoridade importante — um prefeito, um governador, um secretário — provavelmente vai enfrentar longos prazos, condições e, talvez, nem consiga ser atendido. Mas quando oramos, temos acesso direto ao maior de todos os tronos. Somente o povo de Deus tem o privilégio de entrar na sala do Rei dos reis. E entramos não por mérito, mas pela autoridade de Jesus, que abriu o caminho com Seu próprio sangue.

Por isso, a oração não é apenas um mandamento. É uma necessidade. E, acima de tudo, é um privilégio imenso. Deus nos chama a falar com Ele, a descansar Nele e a entregar nossas causas em Suas mãos. Ele nos ouve. Ele se importa. Ele responde no tempo certo.

A oração é o lugar onde a fraqueza humana encontra a força de Deus, e onde o impossível começa a mudar de direção.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/nov/25

 

LIBERDADE QUE NOS CONVIDA À ENTREGA

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” Marcos 8:34 (NAA)

John Stott, em seu livro A Cruz de Cristo, faz uma afirmação profunda que merece nossa atenção: “todo cristão é, ao mesmo tempo, um pouco Simão de Cirene e um pouco Barrabás”. Essa comparação simples revela uma verdade poderosa sobre a nossa fé.

Somos como Simão de Cirene, aquele homem que, vindo do campo, foi obrigado a carregar a cruz de Jesus (Marcos 15:21). Ele não planejava isso, mas foi chamado, de repente, a participar do sofrimento do Mestre. Da mesma forma, a vida cristã nos chama a um caminho que não é só bênção e vitória, mas também renúncia e cruz. Seguir Jesus inclui participar de seus sofrimentos e aprender a andar como Ele andou.

Mas também somos como Barrabás, o criminoso que foi solto enquanto Jesus foi condenado em seu lugar. Ele escapou da morte porque outro tomou a sua cruz. É exatamente o que aconteceu conosco espiritualmente: estávamos condenados, mas Cristo assumiu a nossa culpa, tomou a nossa sentença e morreu a nossa morte. Como diz Paulo: Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” 2 Coríntios 5:21 (NAA).

Em cada cristão existe essa dupla realidade. Como Barrabás, somos livres porque Jesus morreu em nosso lugar. Como Simão, somos discípulos chamados a carregar a cruz e segui-lo. Essa consciência nos mantém humildes, agradecidos e comprometidos com Aquele que nos salvou.

A expressão de Jesus — “tome a sua cruz e siga-me” — é uma das mais fortes de todo o evangelho (Marcos 8:34). Não é um convite a uma religiosidade superficial, mas um chamado radical a entregar a vida inteira. Simão foi forçado a carregar a cruz de Cristo, mas nós somos convidados a tomá-la de forma voluntária. E como Barrabás, fomos libertos porque Jesus levou a cruz que era nossa.

Naquele tempo, a cruz era um símbolo conhecido. Os romanos crucificavam rebeldes e criminosos, e a cena de alguém carregando sua própria cruz era comum. Plutarco, filósofo grego, escreveu que “todo criminoso condenado à morte carrega nas costas a sua própria cruz”. O evangelista João confirma isso quando relata: “Jesus, carregando ele mesmo a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira.” João 19:17 (NAA) Ou seja, cruz significava uma coisa: morte.

Hoje, muitos pensam que sua cruz é um problema difícil, um marido irritadiço ou uma esposa rancorosa. Mas cruz não é apenas dificuldade: cruz é símbolo de morte. Quando Cristo nos chama para carregar a cruz, Ele nos chama a morrer. Mas morrer de que forma?

A primeira morte é a morte para o pecado. Pela fé, fomos unidos à morte e ressurreição de Cristo. Paulo explica: “Considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.” Romanos 6:11 (NAA). Essa é a base da vida cristã: morrer para o velho homem e viver para Deus.

A segunda é a morte para o “eu”. É a morte do orgulho, do egoísmo, da vontade própria. Jesus disse: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.” João 12:24 (NAA). Negar a si mesmo significa abrir mão do trono do coração e deixar Cristo reinar. É uma escolha diária, sustentada pelo Espírito Santo, que nos ajuda a crucificar a carne e viver em comunhão com Deus.

A terceira é a morte que carregamos em nosso corpo, como diz Paulo: “Trazemos sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.” 2 Coríntios 4:10 (NAA) Essa morte é enfrentada nas enfermidades, nas perseguições, no envelhecimento, nas dores do corpo. É lembrar que, embora o exterior se desgaste, o interior se renova dia após dia (2 Coríntios 4:16). É uma morte que nos lembra de nossa fragilidade, mas também nos aproxima da esperança da vida eterna.

Em resumo, podemos dizer: a morte para o pecado aconteceu de uma vez por todas em Cristo; mas a morte para o ego e a morte física são experiências que vivemos diariamente, como parte de nosso discipulado.

Assim, tanto Simão quanto Barrabás ficaram marcados para sempre. Barrabás experimentou a liberdade que não merecia, porque alguém morreu em seu lugar. Simão experimentou a responsabilidade de carregar a cruz de Cristo, ainda que por alguns passos. Nós, cristãos, carregamos essas duas marcas: libertos pela graça e chamados à responsabilidade da cruz.

Seguir a Cristo não é uma caminhada de promessas fáceis, mas uma jornada de renúncia e fé. A cruz não é um peso que destrói, mas o caminho que liberta. Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida a perderá; e quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho a salvará.” Marcos 8:35 (NAA). A vida verdadeira é encontrada quando estamos dispostos a morrer para nós mesmos e viver para Ele.

O chamado é claro: não existe discipulado sem cruz. A graça nos faz como Barrabás — libertos e perdoados. O discipulado nos faz como Simão — seguidores que carregam a cruz. Quando entendemos isso, nos aproximamos do coração do evangelho: uma vida de entrega, amor e esperança na glória que há de vir.

A cruz nos lembra que somos livres porque Cristo morreu em nosso lugar como Barrabás, mas também chamados a segui-lo carregando a cruz como Simão; a liberdade recebida nos convida à entrega, e a entrega nos conduz à verdadeira vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/nov/25


 

ESCOLHIDOS PARA CONHECER, VER E OUVIR

 “Então ele disse: ‘O Deus de nossos pais escolheu você de antemão para conhecer a vontade dele, ver o Justo e ouvir a voz dele.’”  Atos 22:14 (NAA)

A fala de Ananias para Paulo revela algo que atravessa séculos e chega até nós hoje: Deus nos escolhe antes que qualquer coisa aconteça, antes que entendamos, antes que nos achemos dignos, e muitas vezes antes mesmo de imaginarmos que Ele poderia nos chamar.

Assim como Paulo não encontrou Jesus por acaso no caminho de Damasco, nossa própria história com Deus também não é fruto de coincidência. É graça. É decisão soberana. É amor que chega primeiro.

Quando Ananias diz a Paulo que “o Deus de nossos pais” o havia escolhido, ele estava lembrando a multidão de Jerusalém que aquele chamado não era algo isolado, mas uma continuidade da fidelidade de Deus desde Abraão, Isaac e Jacó. Em outras palavras: a história de Paulo começou muito antes do seu nascimento. E, de forma surpreendente e misteriosa, a nossa também.

Hoje, muitos de nós carregamos histórias cheias de tropeços, culpas, fases confusas ou até mesmo períodos de indiferença espiritual. Outros cresceram em família cristã, ouviram sobre Deus desde cedo, mas só muito tempo depois entenderam o Evangelho de fato. Ainda assim, independentemente do caminho, a verdade permanece: Deus nos alcança apesar da nossa história, e não por causa dela. Essa é a beleza da graça.

Assim como Paulo foi escolhido para “conhecer a vontade de Deus”, nós também somos chamados a essa mesma intimidade. Saber a vontade de Deus não é apenas ouvir uma instrução, mas aprender a reconhecer seu coração. É como uma criança que, depois de tanto conviver com o pai, sabe identificar seu tom de voz, seu jeito de andar, seu modo de olhar. Conhecer a vontade de Deus é fruto de convivência, não de pressa.

E Ananias acrescenta: Paulo foi escolhido para “ver o Justo”. Esse título — “Justo” — era reconhecido pelos judeus como uma referência direta ao Messias. Ananias não estava falando apenas de ver Jesus fisicamente, mas de enxergar quem Ele realmente é. Hoje essa visão continua acontecendo, não com os olhos do rosto, mas com os olhos da fé.

Ainda hoje encontramos pessoas cegas espiritualmente até que Cristo ilumina seus caminhos. É como alguém que passa anos vivendo no desespero e, de repente, encontra esperança onde nunca imaginou; ou como o jovem que andava perdido em escolhas que o destruíam e, de repente, percebe uma luz interior que ele jamais havia notado. Foi assim também com Bartimeu: quando seus olhos se abriram, a primeira visão que teve foi do próprio Jesus — Aquele que tira da escuridão e conduz à vida.

E isso continua acontecendo em cada pessoa que finalmente reconhece Cristo não apenas como uma figura histórica, mas como Salvador vivo. Pois o que realmente transforma não é enxergar o Jesus dos livros, mas o Jesus que fala, que chama, que revela. O Jesus histórico muitos conhecem; o Jesus profético, porém, só vê quem Ele decide alcançar com Sua graça.

Mas não basta ver. Também é necessário ouvir. Ananias declara que Paulo ouviria a voz dEle. E isso muda tudo. Ouvimos muitas coisas todos os dias — opiniões, notícias, medos, conselhos apressados — porém ouvir Jesus é diferente. Não é apenas captar palavras. É deixar que a voz dEle encontre lugar dentro de nós. É obedecer mesmo quando não entendemos tudo. É confiar quando os pés tremem. É se submeter quando a vontade pede o contrário.

Nos dias de hoje, ouvir a voz de Jesus pode acontecer em situações muito simples: numa leitura da Bíblia que toca uma ferida antiga, numa oração que traz paz inesperada, num conselho sábio que confirma algo que já ardia no coração. Também acontece quando percebemos que Deus está nos conduzindo, mesmo que as circunstâncias ao redor pareçam confusas. Ouvir é permitir que Ele nos direcione — e, sobretudo, agir a partir dessa direção.

Paulo não viveu de rumores sobre Jesus. Viveu de encontro real. De revelação. De voz. Por isso sua vida mudou completamente. E esse padrão continua sendo o mesmo para nós. Deus chama pessoas comuns — trabalhadores, estudantes, mães, idosos, jovens cansados, pessoas que se sentem insuficientes — para obras extraordinárias. Ele chama antes que a pessoa esteja pronta. Ele chama antes que ela entenda. Ele chama antes que ela se ache capaz. O chamado não começa quando a pessoa se organiza. Começa quando Deus fala. E quando Ele fala, tudo muda de lugar.

“A graça nos encontra antes que saibamos procurá-la; Deus nos escolhe para vê-Lo, ouvi-Lo e caminhar com Ele, porque todo chamado nasce do encontro e nunca da nossa capacidade.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/nov/25

 

ESTAIS PRONTOS?

“Então Paulo respondeu: ‘O que vocês estão fazendo, chorando e partindo o meu coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.’”  Atos 21:13 (NAA)

Estar pronto nem sempre tem a ver com ter tudo sob controle, saber exatamente o que vai acontecer ou sentir-se totalmente seguro. Quando Paulo declarou que estava pronto, ele não se apoiava em garantias humanas, mas na confiança que tinha no Senhor. Essa prontidão nasce de um coração que aprendeu a descansar na vontade de Deus, mesmo quando ela parece nos levar por caminhos difíceis. No fundo, estar pronto é viver com o coração disponível, atento e sensível ao propósito divino, disposto a obedecer mesmo quando a obediência exige coragem.

Nos nossos dias, a ideia de prontidão aparece em muitas situações simples do cotidiano. Uma mãe que acorda no meio da madrugada para acalmar o filho está pronta. Um amigo que para o que está fazendo para ouvir alguém em crise está pronto. Uma pessoa que decide agir com honestidade mesmo quando seria mais fácil mentir está pronta. Essas atitudes mostram que prontidão não é apenas conhecimento ou habilidade, mas também disposição, entrega e amor.

Paulo entendia isso profundamente. Quando declarou estar pronto para sofrer ou até morrer por causa de Cristo, ele mostrou uma entrega que ia além das circunstâncias. A prontidão cristã não nasce de força humana, mas da confiança no Deus que sustenta cada passo. Ela nasce na oração, cresce na leitura da Palavra e se fortalece na prática diária da fé. Assim como um atleta treina para estar pronto para competir, o cristão também se prepara espiritualmente para viver aquilo que Deus pede. Não é uma prontidão perfeita, mas uma prontidão sincera: coração, mente e vida colocados diante do Senhor.

Essa prontidão também se revela quando enfrentamos adversidades. Todos nós passamos por dias difíceis: problemas no trabalho, doenças, conflitos familiares, perdas, decisões difíceis. Mesmo assim, a fé nos chama a permanecer firmes.

Quando Paulo decidiu seguir para Jerusalém apesar de saber do perigo, ele mostrou que a coragem cristã não é ausência de medo, mas a determinação de seguir adiante confiando que Deus está no controle. Hoje, essa coragem se manifesta quando alguém decide não desistir do casamento, quando permanece íntegro no ambiente de trabalho, quando continua acreditando mesmo após uma série de frustrações. É a prontidão que resiste, que continua, que permanece.

Mas estar pronto não diz respeito apenas a suportar batalhas pessoais; envolve também servir ao próximo. Jesus nos ensinou que devemos estar atentos às necessidades ao nosso redor. Às vezes, prontidão é simplesmente perceber alguém triste ao nosso lado e oferecer uma palavra de encorajamento. É visitar um enfermo, enviar uma mensagem de apoio, dividir um alimento, ouvir alguém que só precisa desabafar. Em um tempo em que muitos vivem isolados, uma atitude simples pode mudar o dia — ou até a vida — de alguém. A prontidão cristã se manifesta quando a fé se transforma em gesto concreto, pois, como Tiago ensina, “a fé sem obras é morta”.

Essa disposição de servir não nasce de um coração apressado, mas de um coração maduro. A maturidade espiritual é fruto de caminhada, não de pressa. Paulo não nasceu pronto; ele se tornou pronto. Sua vida com Deus foi moldada em oração, silêncio, renúncias, aprendizados e experiências profundas com Cristo.

A prontidão verdadeira cresce quando nos aproximamos de Deus diariamente, quando permitimos que Ele nos transforme por meio da Palavra, quando obedecemos mesmo nas pequenas coisas. Assim, aos poucos, vamos ganhando sensibilidade para ouvir a voz do Espírito, sabedoria para agir no tempo certo e coragem para enfrentar o que vier.

No fim, prontidão é viver com o coração entregue. É acordar a cada dia dizendo: “Senhor, eis-me aqui.” É confiar que Deus sabe o que faz, mesmo quando não entendemos. É caminhar com Ele, sabendo que Sua graça nos prepara para tudo o que precisamos enfrentar. Assim como Paulo, podemos declarar: “Estou pronto.” Não porque somos fortes, mas porque Ele é fiel.

Prontidão cristã é viver com o coração disponível para Deus, preparado para obedecer, servir e permanecer firme, confiando que a graça nos capacita para cada passo do caminho.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/nov/25

 

A ALEGRIA DE AJUDAR

“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Atos 20:35 (NAA)

A discussão sobre fé e obras sempre aparece entre nós. Alguns acham que as obras são mais importantes; outros colocam a fé acima de tudo. Mas, na verdade, a própria Bíblia mostra que não existe competição entre elas — fé e obras caminham juntas, cada uma no seu lugar.

Desde o início da igreja, o cuidado pelos necessitados era algo levado muito a sério. Em Atos, quando os apóstolos perceberam que viúvas e órfãos estavam sofrendo, eles reuniram o povo e escolheram homens especiais para cuidar dessa missão. Eles entenderam que amar a Deus também significa cuidar de quem precisa.

Paulo, no versículo que usamos como base, fala sobre isso com força e urgência. Ele diz que ajudar os necessitados é necessário — quase como se dissesse: “Não deixem isso para depois”. E para reforçar, ele lembra uma frase de Jesus: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Essas palavras de Jesus não aparecem nos Evangelhos, mas foram guardadas com carinho pela igreja primitiva. Isso mostra que nem tudo o que Cristo disse está escrito, mas suas palavras ecoavam forte entre os primeiros cristãos.

Tiago também nos ajuda a entender esse assunto quando afirma: “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” Tiago 2:17 (NAA). Ele repete essa ideia no versículo 26. Mas isso não quer dizer que somos salvos pelas obras. A própria Bíblia afirma: “Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé… não de obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:8–9 (NAA). Paulo fala sobre a fé que salva; Tiago fala sobre a fé que se prova viva através das atitudes. Não há contradição — há complemento.

Quando voltamos ao texto de Atos 20:35, percebemos por que Paulo tinha tanta autoridade para falar disso. Ele não apenas pregava; ele vivia o que ensinava. Trabalhou com as próprias mãos para não ser peso para ninguém. Sua vida era seu sermão. Ele mostrava que ajudar não é apenas uma ideia bonita — é prática diária.

Quando Paulo fala em “auxiliar os enfermos”, ele não está falando apenas de quem tem doenças físicas. “Enfermos” inclui os fracos, os pobres, os cansados, os que lutam sozinhos, os que passam fome, os que carregam fardos que parecem maiores que eles. Hoje, seriam aqueles que não conseguem pagar um exame, o irmão que perdeu o emprego, a mãe que vive sozinha com seu filho, sem amparo do marido e que precisa de apoio, o idoso que vive esquecido, o adolescente que luta contra a ansiedade. Nós, como igreja fiel de Cristo, somos chamados para ser abrigo para todos eles.

E por que dar é tão especial? Porque, quando damos, nos parecemos mais com Deus. Foi Ele quem primeiro deu: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito.” João 3:16 (NAA). Dar quebra nosso egoísmo, abre espaço para compaixão, cria pontes, trata feridas, espalha vida.

E dar não significa apenas doar dinheiro. Paulo nos mostra que dar é oferecer tempo, presença, cuidado, gentileza, paciência, carinho e até as habilidades que temos. Hoje, dar pode ser: cozinhar para alguém que não tem forças; visitar um hospital; ligar para quem está em depressão; entregar um par de sapatos a quem precisa; ajudar um idoso a atravessar a rua; ouvir alguém que só precisa desabafar. É um estilo de vida.

Paulo nos ensina a trabalhar não apenas para acumular bens, mas para abençoar. Ele nos lembra que nosso serviço cristão não é para aparecer, mas porque Cristo serviu primeiro. Nossa vida deve ser um sermão vivo — e às vezes o único “Evangelho” que alguém vai ler é aquilo que fazemos quando ninguém está olhando.

E, no fim, descobrimos uma verdade simples e profunda: quem dá se enche de alegria. Não é emoção barata, é felicidade que nasce da generosidade. É como se, ao ajudar alguém, algo dentro de nós também fosse curado.

Dar é uma bênção. Dar é cura. Dar é imitar Jesus.

“A fé verdadeira floresce quando se transforma em cuidado — porque quem se oferece ao próximo descobre que o coração de Deus bate mais forte na mão que ajuda do que na mão que recebe.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/nov/25

 

A VITÓRIA QUE JÁ É NOSSA

“Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês.” Tiago 4:7 (NAA)

Como podemos entrar na vitória de Cristo e prevalecer contra o poder do diabo? Como podemos ser contados entre os vencedores? E como é possível derrubar o adversário de nossa alma — não apenas em nossa vida pessoal, mas também em um mundo que ele tenta dominar? A resposta começa com uma certeza: a vitória já foi conquistada por Jesus.

Antes de tudo, é preciso lembrar da ordem clara que a Igreja recebeu: “Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês.” Tiago 4:7 (NAA). Isso significa que não precisamos ter medo do inimigo. Ele já foi vencido na cruz. Como está escrito: “Despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” Colossenses 2:15 (NAA). A maioria de suas ameaças é apenas blefe — sustentado pelo medo, pela culpa e pela ignorância da verdade.

Quando o cristão conhece sua posição em Cristo, entende que o diabo não tem mais autoridade legal sobre sua vida. Por isso, somos chamados a resistir firmes, com fé. Não em pânico, mas com a confiança de quem sabe que a vitória do Cordeiro é também a nossa.

No entanto, enfrentar o inimigo exige preparação. A batalha é real, e não se vence com força humana ou boa intenção. A Bíblia nos orienta claramente: “Revistam-se de toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo.” Efésios 6:11 (NAA)

Essa armadura espiritual inclui a verdade como cinto, a justiça como couraça, os pés calçados com o evangelho da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus (Efésios 6:14–17). Equipados com essas armas, podemos ficar firmes, mesmo quando o inimigo ataca com toda sua fúria.

Importante lembrar: não fomos chamados para fugir, mas para resistir. E quando resistimos, quem foge é ele. A autoridade para isso, porém, não está em nós mesmos. Nossa voz por si só não impõe respeito ao inimigo. Não temos o poder de dizer como Jesus: “Vai-te, Satanás” (Mateus 4:10 – NAA) e esperar que ele fuja com base em nosso próprio nome.

Mas podemos fazer isso em nome de Jesus. Ele mesmo disse: “Em meu nome expulsarão demônios...” Marcos 16:17 (NAA). É o nome de Jesus que carrega autoridade, não o nosso. Quando nos posicionamos em fé e invocamos esse nome com reverência, as trevas não resistem. O diabo sabe que foi vencido na cruz e teme aquele que venceu.

Além de resistir ao inimigo, há uma outra ordem igualmente clara: proclamar Jesus Cristo. Não fomos chamados apenas para nos defender, mas para avançar com a luz do evangelho. E essa mensagem, a da cruz, ainda é, e sempre será o poder de Deus para salvar.

O apóstolo Paulo escreveu: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, é poder de Deus.” 1 Coríntios 1:18 (NAA)

A proclamação do evangelho não é apenas um dever — é uma arma de vitória. Ela expõe as mentiras do inimigo, ilumina corações e liberta os cativos. Onde Cristo é anunciado com fidelidade, o inferno treme. A Igreja triunfa não apenas porque resiste, mas porque anuncia com ousadia o nome que está acima de todo nome. Foi o próprio Jesus quem revelou a Paulo a natureza desse chamado: “...abrir-lhes os olhos, a fim de que se convertam das trevas para a luz e da autoridade de Satanás para Deus...” Atos 26:18 (NAA)

Agora, só não podemos correr o risco de sermos como os sete filhos de Ceva (Atos 19:11–20), que pronunciavam o nome de Jesus, mas não viviam debaixo do senhorio de Jesus. Tentaram usar uma autoridade que não possuíam, imitar o que não compreendiam e proclamar o que não praticavam — e por isso foram envergonhados pelo inimigo. A verdadeira autoridade espiritual não nasce de fórmulas, mas de relacionamento; não flui de repetir um nome, mas de viver rendido ao Nome que está acima de todo nome: Jesus.

Uma coisa é certa: nada substitui a proclamação da cruz. Nenhuma mensagem é mais honrada pelo Espírito Santo. Não é o talento do pregador que transforma vidas, mas a mensagem da cruz, proclamada com fidelidade e poder. Esse é o canal que Deus escolheu para quebrar cadeias, gerar fé e libertar os que estão oprimidos.

A vitória sobre o inimigo não vem da força do homem, mas do sangue do Cordeiro e da Palavra proclamada com fé. Resistimos com coragem, vencemos com a armadura de Deus, e triunfamos quando exaltamos a cruz de Cristo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/nov/25

  

QUE SEGURANÇA TENHO EM JESUS, MEU PROTETOR!

“Guarda-me como a menina dos teus olhos” — Salmo 17:8 (NAA)

A proteção é um direito assegurado em nossa Constituição, e cabe ao Estado garantir a segurança e o bem-estar do povo. No entanto, quando lemos o Salmo 17, percebemos que existe uma proteção ainda mais elevada, mais segura e totalmente infalível: a proteção que vem de Deus.

Davi escrevia esse salmo em meio a perseguições, injustiças e ameaças reais contra sua vida. Ele conhecia o peso de ser alvo de inimigos, conflitos e calúnias. Mesmo assim, em vez de se desesperar, correu para aquele que é o verdadeiro defensor de todos os que confiam nEle. Davi sabia que, mesmo quando tudo falha — governos, estruturas humanas, sistemas de segurança — o Senhor permanece como escudo, refúgio e justiça perfeita.

O salmo é, acima de tudo, uma oração sincera. Spurgeon disse que Davi não teria sido chamado de um homem segundo o coração de Deus se não fosse, antes de tudo, um homem de oração.[1] Isso é profundamente verdadeiro. A vida de Davi mostra que a força dele não estava em sua coragem militar, em seu talento com a harpa ou em sua habilidade de liderança. A força de Davi estava no hábito constante de buscar a Deus. Ele orava quando estava feliz, quando estava triste, quando estava confuso e quando estava sendo injustiçado. Era na comunhão com o Senhor que ele encontrava direção, calma e equilíbrio para viver conforme a vontade divina. E isso é um exemplo poderoso para os nossos dias.

Hoje, quando nos sentimos pressionados, ansiosos, sobrecarregados ou ameaçados por situações que fogem do controle, a tendência natural é correr para todos os lados procurando solução. Davi nos ensina a fazer o contrário: correr primeiro para Deus.

No verso 6, Davi mostra uma certeza que sustentava seu coração. Ele diz: “Inclina para mim os teus ouvidos.” Salmo 17:6 (NAA). A expressão é muito forte. Ela mostra que Davi não somente acreditava que Deus ouvia suas orações, mas que Deus se inclinava para ouvi-lo.

Imagine isso: o Deus que criou galáxias, mares, montanhas e tudo o que existe, o Deus que governa o universo com perfeição, se inclina para escutar a voz de um filho. Essa imagem é tão profunda que conforta qualquer coração abatido. Não é um Deus distante, ocupado, indiferente. É um Pai presente, atento, sensível, que percebe cada lágrima e cada palavra. É como um pai que desce até a altura da criança para ouvir melhor o que ela tem a dizer. Isso nos dá uma segurança real.

Em um mundo onde tantas pessoas se sentem ignoradas, onde tantos clamam por atenção e não recebem resposta, é extraordinário saber que Deus nos ouve com cuidado. Ele nos vê, nos conhece e se envolve com nossas necessidades. Por isso podemos orar com confiança, mesmo quando tudo parece incerto.

Essa verdade se torna ainda mais profunda no final do salmo. Em Salmo 17:15, Davi afirma: “Eu, porém, na justiça contemplarei a tua face; quando acordar, me satisfarei com a tua semelhança.” No hebraico, a ideia de “contemplar a face de Deus” não significa ver fisicamente, mas experimentar a presença íntima e espiritual do Senhor. Já a expressão “me satisfarei com a tua semelhança” aponta para ser completamente preenchido por quem Deus é.

Davi está dizendo que a verdadeira alegria e a verdadeira paz não vêm de vitórias, conquistas, riquezas ou respostas imediatas. Sua maior recompensa é estar na presença de Deus. Seja quando Deus o livrasse da aflição que enfrentava naquele momento, seja no grande “despertar” da eternidade, Davi sabia que nada no mundo poderia trazer mais satisfação do que contemplar o Senhor.

Isso é muito atual. Hoje, muitas pessoas buscam segurança em dinheiro, status, carreira, relacionamentos ou reconhecimento. Buscam satisfação nessas coisas como se elas fossem capazes de preencher o coração. Mas, com o tempo, descobrem que tudo isso é instável e passageiro. Davi nos lembra que só Deus é fonte de satisfação plena e permanente.

Assim, o Salmo 17 nos chama a confiar profundamente na proteção divina, a cultivar uma vida de oração sincera e constante e a encontrar verdadeira segurança e alegria na presença do Senhor. Em um tempo cheio de medo, pressões, desafios e incertezas, esse salmo é como uma âncora que estabiliza o coração.

“A maior segurança não está nas mãos humanas, mas no Deus que se inclina para nos ouvir e cuja presença é a nossa verdadeira satisfação.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/nov/25



[1] Spurgeon, Charles H.  Os tesouros de Davi, vol. 1. Rio de Janeiro: CPP, 2024, p.225

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