PALAVRA DE ESPERANÇA PARA 2026

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós.” João 1:14 (NAA)

Amados irmãos, estamos diante de um novo ano. Um novo ciclo. E ao cruzarmos essa fronteira entre o que passou e o que está por vir, somos lembrados de uma verdade eterna: Deus caminha conosco.

Assim como Israel, que viveu tempos de opressão, incertezas e crises espirituais, muitos de nós também chegamos ao final de 2025 com o coração cansado — cercados por lutas, diagnósticos, pressões, tempestades silenciosas, batalhas que só o céu viu. Mas, para aqueles que buscaram o Senhor e se colocaram diante dEle, a promessa permanece: Deus fará morada com o Seu povo.

Foi assim que Ele disse ao profeta: “Criará o SENHOR, sobre todo o monte Sião e sobre as suas congregações, uma nuvem de dia e fumaça e um resplendor de fogo flamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá um tabernáculo. E haverá um abrigo para sombra contra o calor do dia, e refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva.” Isaías 4:5–6 (NAA)

O tabernáculo não é apenas um lugar — é um modo de Deus dizer: “Eu estarei perto.”
Nos dias de Israel, era uma tenda que se movia conforme o Senhor orientava. O povo não guiava o caminho pelo mapa. O GPS era a nuvem. A bússola era a presença. A rota era decidida pelo próprio Deus.

E assim será 2026. Não entraremos nele confiando em previsões humanas, metas, nem em nossas próprias forças. Entraremos guiados por Jesus — Emanuel, Deus conosco.
Aquele que se fez carne e habitava no meio do povo… é o mesmo que habita hoje dentro de nós.

Se em 2025 você atravessou desertos, saiba: você só chegou até aqui porque havia um tabernáculo te mantendo de pé. Quando o calor das lutas queimou, Deus foi sombra.
“O que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” Salmo 91:1 (NAA) Quando a alma procurou abrigo, Ele foi refúgio. “Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.” Salmo 91:2 (NAA) Quando a culpa tentou acusar, Ele nos lembrou: “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1 (NAA)

E quando o inimigo rodeou como fera, querendo nos engolir por dentro, Ele nos escondeu em Seu amor. Porque viver escondido em Deus não é fugir da vida — é ser protegido enquanto vive.

2026 talvez traga tempestades — mas nós já conhecemos Aquele que as repreende:
Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.” Mateus 8:26 (NAA)

E vencerá, não quem sabe prever o futuro, mas quem sabe onde está firme: “Quem ouve as minhas palavras e as cumpre é semelhante ao homem que construiu sua casa sobre a rocha.” Mateus 7:24 (NAA)

Por isso, ao iniciarmos este novo ano, recebemos a promessa: Deus tem um tabernáculo preparado para a Sua Igreja em 2026. Um lugar para estar, um Deus que cuida, um caminho para seguir, uma eternidade para esperar.

Dentro desse tabernáculo há: cuidado quando faltar força; proteção quando vier o medo; rumo quando faltar direção; paz quando o mundo tumultuar e a maior de todas as certezas: não caminharemos sozinhos.

O tabernáculo de Deus não é só onde estamos — é Aquele que está conosco. Ele nos guia, nos protege, nos abriga e nos conduz até o lar eterno. E em 2026, caminharemos sob essa presença.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/jan/26

 

FUJAM! SALVEM A SUA VIDA!

“Fugi, salvai a vossa vida e sede como a tamareira no deserto.” Jeremias 48:6 (NAA)

Ao olharmos para trás, neste fim de ano, percebemos quantas bênçãos o Senhor nos concedeu ao longo de 2025. Em meio aos desafios, aprendemos a confiar na direção de Deus — e uma palavra se tornou o nosso lema, a bússola diária que nos guiou: “Fujam! Salvem a sua vida!” Não foi apenas um comando; foi um ato de preservação.

Durante este ano, essa mensagem deixou de ser apenas um versículo lido e se tornou experiência vivida. Muitos cristãos começaram a perceber que estavam em ambientes espirituais que pareciam seguros, mas, na verdade, diluíam a verdade, manipulavam a fé e alimentavam o orgulho religioso. Permanecer ali não era fidelidade — era se expor ao risco da própria alma.

Alguns ouviram a voz de Deus e decidiram sair. Muitos foram criticados, chamados de rebeldes, julgados como quem abandona a fé. Mas, na verdade, estavam obedecendo. Eles entenderam que fugir, naquele contexto, não era covardia — era sobrevivência espiritual. Era Deus dizendo: “Preserve sua vida, proteja sua fé, guarde seu coração.”

Às vezes, seguir a voz de Deus significa escolher o deserto em vez da cidade fortificada; o lugar simples em vez da estrutura grandiosa; o caminho solitário em vez da multidão. Mas, como Jeremias diz, a tamareira no deserto vive — porque depende somente do Senhor.

E o que significa, espiritualmente, ser “como a tamareira no deserto”? A tamareira floresce e frutifica mesmo onde nada mais cresce. Sobrevive a temperaturas de 50–60°C quando tudo ao redor murcha. Ela tem raízes profundas, tão profundas que alcançam fontes de água escondidas debaixo da areia. E, quando ninguém espera, ela produz doce, alimento e sombra em um lugar que parece não ter nada para oferecer.

Ser como tamareira é um chamado profético: Deus está convidando Seu povo a sobreviver em tempos difíceis, a não depender do ambiente, mas das fontes ocultas da graça, a permanecer de pé quando tudo ao redor morrer. A tamareira ensina que viver diante de Deus é maior do que parecer estar bem diante dos homens.

Essa foi uma palavra declarada para 2025, mas não deve pertencer apenas ao passado. Ela precisa ser lembrada por nós enquanto caminharmos nesta terra, porque continua verdadeira hoje. Muitas vezes, acreditamos que nossa vida está segura porque temos um bom emprego, uma igreja organizada, uma rotina tranquila ou uma aparência de estabilidade. Porém, isso pode ser apenas uma sensação ilusória. Existe uma segurança que parece firme, mas não sustenta a alma.

Essa palavra foi dirigida primeiramente a Moabe, e aquele povo do passado se tornou um alerta vivo para nós. Deus não trouxe juízo sem aviso. Ele chamou, corrigiu, alertou — mas Moabe recusou-se a ouvir Sua voz, rejeitou a correção divina e escolheu viver sem depender do Senhor. Eles tinham religião, mas faltava arrependimento. Guardavam tradição, mas não havia quebrantamento.

Moabe se tornou um espelho do coração humano quando ele se acostuma com o funcionamento da fé, mas esquece o Deus que dá sentido a ela. É quando a alma sabe falar sobre Deus, mas não O busca; quando os lábios confessam, mas o coração não obedece. Esse contraste continua ecoando hoje, como um convite para avaliarmos nossa fé: estamos apenas vivendo um formato ou realmente vivendo diante do Deus vivo?

A mensagem do passado continua atual porque ainda existem muitos vivendo assim: seguros no que é visível, mas vazios diante de Deus. E a voz do Senhor continua ecoando: “Fujam! Salvem a sua vida!” — não do mundo físico, mas de tudo que mata lentamente o coração.

Às vezes, fugir é obedecer. A Bíblia não pede para enfrentar tudo. Ela também diz: “Fujam da imoralidade” (1Co 6:18), “Fujam da idolatria” (1Co 10:14), “Fujam do amor ao dinheiro” (1Tm 6:11). Fugir do mal não é covardia. É sabedoria. É discernimento. É escolher a vida.

Quando Jeremias diz: “Salvem a vida de vocês”, ele não está dizendo “esperem alguém resgatar vocês”. É responsabilidade pessoal. Nenhum pastor, tradição ou instituição pode crer no seu lugar. Cada um precisa cultivar sua própria comunhão com Deus. Estar dentro de uma igreja não significa automaticamente estar no centro da vontade dEle.

Deus diz também que os que fugirem serão como uma “tamareira no deserto”. Isso parece frágil, mas fala de dependência total. Em 2025, muitos grupos pequenos, casas simples, pessoas sem nome ou título floresceram porque escolheram a verdade em vez da estrutura. Alguns ficaram sozinhos por um tempo, cortaram vínculos, perderam posições. Mas ganharam algo invisível: vida diante de Deus.

O juízo virá sobre tudo o que é orgulhoso, vazio, religioso apenas por fora. Mas Deus sempre guarda os que discernem o tempo, escutam Sua voz e decidem obedecer, mesmo que isso signifique andar sem aplausos.

Jeremias 48:6 é um chamado urgente: quando Deus diz “fujam”, Ele está oferecendo salvação. Fugir não é abandonar a fé, é protegê-la. Não é deixar a missão, é deixar o pecado. Em toda geração, Deus separa um povo que prefere ser pequeno com Ele do que grande sem Ele. E sempre — sempre — Ele salva os que escolhem a vida.

A verdadeira segurança não está no lugar onde estamos, mas em quem estamos confiando.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/dez/25

 

LEVADOS PARA FORA

“Então Jesus os levou até as proximidades de Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou.” Lucas 24:50 (NAA)

A obra que Deus realiza em nós é feita de detalhes. Às vezes, ao ler a Bíblia, nos deparamos com versículos que nos fazem perguntar: “Por que Jesus fez assim? Por que Ele levou alguém para tal lugar? Por que esse cenário?” Um desses textos está em Lucas 24:50 – texto básico.

Jesus estava com os discípulos em Jerusalém, mas decide tirá-los de lá e conduzi-los até as proximidades de Betânia, no Monte das Oliveiras. Nesse lugar específico, Ele os abençoa e é elevado ao céu. Esse detalhe do gesto nos faz perguntar: por que não subiu ao céu na própria Jerusalém? Por que levar os discípulos para outro lugar para que a ascensão acontecesse?

A Bíblia não traz uma explicação direta, mas quando juntamos detalhes bíblicos, geográficos e proféticos, percebemos algo profundo. Uma das razões é o cumprimento de profecia. Deus vela por Sua Palavra e nada do que Ele faz é por acaso.

O Antigo Testamento já havia anunciado um momento em que os pés do Senhor estariam sobre o Monte das Oliveiras. Está escrito em Zacarias 14:4 (NAA): “Naquele dia, os seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras, que está diante de Jerusalém, para o lado leste…” Esse texto profético aponta para a manifestação final do Senhor. Quando Jesus sobe aos céus naquele monte, Ele está colocando um marco: o mesmo lugar de onde Ele subiu é o lugar onde Ele voltará, como Atos 1:11–12 afirma.

Outro elemento que chama atenção é o contraste simbólico entre Jerusalém e o Monte. Jerusalém representa rejeição, dor, julgamento e sistema religioso. Foi ali que Jesus foi condenado, humilhado, rejeitado e crucificado. O Monte, por sua vez, representa separação, visão e envio. Ser levado para fora das muralhas para ser exaltado comunica uma verdade espiritual: a glória de Deus não está presa às estruturas humanas, mas à própria presença de Cristo. É como se Jesus dissesse: “Vocês viram o que fizeram comigo dentro dos muros; agora vejam quem Eu sou fora deles.”

Esse movimento também ecoa a história do povo de Deus no Antigo Testamento. Assim como no Êxodo o Senhor chamou Israel para fora do Egito, Jesus tira seus discípulos para fora da cidade. Ele os retira para formar um novo começo, inaugurar uma nova era (a Igreja) e marcá-los como enviados ao mundo. A própria palavra “igreja” vem de “eklesia”, que significa “chamados para fora”.

Além disso, a ascensão fora da cidade reforça a missão. Em Lucas 24:47–49, Jesus afirma que a mensagem do arrependimento e do perdão dos pecados seria anunciada “a partir de Jerusalém…”. Eles deveriam voltar para Jerusalém para esperar o Espírito Santo, mas antes precisavam ser tirados dali. Eles foram removidos do lugar da rejeição para receber a bênção no lugar da promessa.

Cada vez que Jesus tira os discípulos de um lugar, Ele faz isso para ensiná-los. Ele os faz começar em Jerusalém — lugar marcado pela dor, pela memória da cruz e pelo medo — e então os conduz ao Monte, um lugar elevado, onde a visão se amplia e a esperança renasce. Ali, distante dos muros, dos sistemas e das lembranças que feriram a alma, Ele os abençoa. Somente depois disso eles retornam, mas não mais os mesmos — voltam transformados, fortalecidos e cheios de alegria, como Lucas 24:52 (NAA) registra: Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria.” Assim, aprendemos que antes de enviar, Jesus retira para revelar; e depois, retorna para capacitar — o que se consumou no Pentecostes, quando o Espírito Santo os revestiu de poder.

A escolha do Monte das Oliveiras não foi por acaso. Jesus subiu ao céu daquele lugar para deixar uma marca profética sobre Sua volta e para mostrar que Deus não depende de templos, tradições ou aparência humana. A glória não está em paredes ou estruturas, mas na própria pessoa de Cristo. Ele saiu da cidade que O rejeitou para ser exaltado no alto, onde qualquer pessoa, de qualquer lugar, pode levantar os olhos e lembrar: Ele reina. Como diz Salmos 121:1 (NAA): “Elevo os olhos para os montes: de onde virá o meu socorro?”

E assim Jesus também age conosco. Ele nos retira do “mundo” — nem sempre fisicamente, mas retirando nossos afetos, nossa identidade, nossa confiança em coisas terrenas — e nos chama para mais alto, para o “monte da fé”, onde a visão fica limpa e o coração aprende. Lá Ele nos revela quem Ele é e, então, nos envia de volta ao cotidiano — para nossas famílias, nossos trabalhos, nossas cidades — não mais como quem teme, mas como quem carrega a missão do Cristo vivo.

Jesus primeiro nos leva para fora dos lugares da dor e da confusão, para então, em Sua presença, abrir nossos olhos, abençoar nossa vida e nos enviar de volta ao mundo como testemunhas cheias de alegria.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/dez/25

 

QUANDO OS OLHOS NÃO VEEM, A FÉ APRENDE PRIMEIRO

“Aconteceu que os olhos deles estavam como que impedidos de o reconhecer.” Lucas 24:16 (NAA):

Existem momentos na vida em que Deus está perto, caminhando ao nosso lado, mas nós não conseguimos reconhecê-lo. Foi exatamente isso que aconteceu com os dois discípulos no caminho de Emaús. Eles voltavam para casa depois da morte de Jesus com o coração abatido e a esperança quebrada. Para eles, parecia que a história tinha acabado. Mas Jesus ressuscitou, aproximou-se e andou com eles. Mesmo assim, eles não perceberam que aquele que caminhava junto era o próprio Senhor. A Bíblia diz que os olhos deles estavam como que impedidos de O reconhecer. Lucas 24:16

Essa expressão “olhos impedidos” é profunda. Ela significa que Deus, naquele momento, permitiu que eles não reconhecessem Jesus. Talvez alguém pergunte: “Por quê?” A resposta aparece quando vemos o que Jesus faz em seguida. Em vez de se revelar logo, Ele primeiro explica as Escrituras. Ele queria que aqueles discípulos aprendessem a crer não pelo que veem, mas pelo que ouvem da Palavra. Isso está claro em Lucas 24:27 (NAA): “E, começando por Moisés e todos os Profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras.”

A fé precisa nascer primeiro na Palavra antes de florescer na visão. Às vezes queremos ver para crer, mas Deus nos ensina o contrário: crer para ver. Há pessoas que dizem: “Se Deus me mostrasse um milagre, então eu acreditaria.” Mas Jesus trabalha diferente. Ele quer primeiro tratar o coração. Ele quer que creiamos em quem Ele é, e não apenas no que Ele faz. Ouvir a verdade de Deus forma raízes mais profundas do que apenas ver algo com os olhos. Romanos 10:17 (NAA) diz: E, assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo.”

Além da ação divina, aqueles discípulos estavam com o emocional ferido. Eles estavam confusos, decepcionados e tristes. O sofrimento nublou a visão. Muitas vezes acontece conosco. Quando a dor toma conta do coração, é difícil enxergar Deus. Quando perdemos um emprego, quando o diagnóstico médico chega, quando um relacionamento acaba, quando alguém nos fere — a mente se enche de pensamentos, e é como se os olhos da alma se apagassem.

Talvez hoje você também esteja como aqueles discípulos. Você lê a Bíblia, vai à igreja, canta, ora, mas ainda assim sente como se estivesse sozinho e como se Jesus estivesse distante. O texto nos lembra: Ele está perto, mesmo quando você não percebe. Ele está falando, mesmo quando você não sente. Ele está caminhando, mesmo quando você não consegue vê-lo. O problema não é a presença de Jesus, mas os nossos olhos, que nem sempre estão prontos.

Somente quando Jesus decide abrir os olhos daqueles discípulos é que eles finalmente o reconhecem. A Bíblia registra: Lucas 24:31 (NAA): Então os olhos deles se abriram, e o reconheceram… Isso nos ensina que o reconhecimento de Cristo não é fruto da nossa força, mas da graça. Deus é quem abre nossos olhos. A visão que importa não é a dos olhos, mas a do coração. É possível estar em meio a uma multidão religiosa e não perceber Jesus. É possível saber versículos de memória, mas não ter o coração ardendo.

Os discípulos de Emaús só perceberam quem estava com eles depois que Ele ensinou, explicou, falou e partiu o pão. Hoje, Jesus continua fazendo o mesmo. Ele abre nossos olhos quando a Palavra é anunciada, quando o Espírito Santo nos toca e quando nos sentamos com Ele em comunhão. No silêncio da oração, muitas vezes descobrimos que Ele sempre esteve ali.

Nosso mundo costuma exigir provas visíveis. Queremos resultados imediatos, respostas rápidas, sinais no céu. Mas o caminho do Evangelho é outro. Ele nos chama a confiar. Nem sempre Deus vai mostrar primeiro para depois pedir que você creia. Às vezes Ele permitirá um tempo de “olhos impedidos” para que sua fé amadureça e você aprenda a caminhar não pelo que sente, mas pelo que sabe. 2 Coríntios 5:7 (NAA) diz: Porque vivemos por fé e não pelo que vemos.”

Se neste momento você sente ausência, silêncio, escuridão ou dúvida, lembre-se: isso não significa que Jesus abandonou você. Talvez seja apenas o tempo em que Ele está ensinando seu coração antes de abrir seus olhos. Quando a Palavra entra, a visão se acende. Quando o coração crê, os olhos reconhecem. E, assim como em Emaús, talvez você descubra que Ele sempre esteve ao seu lado — desde o começo do caminho.

Só reconhece Jesus quem permite que Ele primeiro abra os olhos do coração.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/dez/25

 

QUAL TEMPO ESCOLHER?

“Diga ao povo que marche.”  Êxodo 14:15 (NAA)

A vida é feita de escolhas, e muitas delas são decisões sobre qual tempo iremos habitar. Há momentos em que nos encontramos exatamente como o povo de Israel diante do mar Vermelho: o passado atrás de nós, o presente nos pressionando e o futuro ainda invisível, sustentado apenas pela promessa de Deus. Foi nesse cenário que o Senhor disse algo aparentemente simples, mas profundamente desafiador: “Diga ao povo que marche.” Êxodo 14:15 (NAA). Não havia estrada, não havia ponte, não havia explicação lógica. Havia apenas uma palavra e a necessidade de confiar.

Essa ordem foi dada quando o mar ainda estava fechado, o exército de Faraó se aproximava e o medo dominava o coração do povo. Deus não mandou o povo reclamar, nem negociar com o passado, nem esperar que tudo se resolvesse sozinho. Ele disse: marche. Marchar, naquele momento, não era um gesto de coragem humana, mas um ato de fé. Era obedecer mesmo sem entender, era avançar mesmo sem ver, era confiar que Deus agiria enquanto o povo se movia.

Diante do mar Vermelho, Israel estava cercado por três tempos bem definidos. O passado era o Egito, lembrado com saudade pelas “cebolas”. Era uma memória seletiva, pois ali havia alimento, mas também havia escravidão, dor e humilhação. O passado era conhecido, previsível, mas aprisionador. Quantas vezes acontece o mesmo conosco? Pessoas que preferem voltar a velhos hábitos, relacionamentos tóxicos ou situações que machucam, apenas porque são conhecidas e dão uma falsa sensação de segurança.

O presente, por sua vez, era assustador. O povo olhava para frente e via o mar. Olhava para trás e via o inimigo. Ficar parado parecia mais seguro do que avançar, mas, na verdade, permanecer ali significava morrer. O presente, quando vivido sem fé, se torna um lugar de paralisia, medo e desespero. É assim também hoje quando alguém se sente preso a uma crise financeira, a um diagnóstico difícil ou a uma situação familiar complicada. O medo faz parecer que não há saída.

O futuro, porém, era diferente e desconhecido. Ainda invisível, ainda distante, mas sustentado pela promessa de Deus. Canaã representava liberdade, identidade e uma nova história. Não era um futuro baseado em circunstâncias, mas na fidelidade do Senhor. Confiar nesse futuro exigia fé, pois implicava avançar sem garantias visíveis. Deus estava chamando o povo a não viver prisioneiro do passado nem refém do medo do presente, mas sustentado pela esperança do que Ele havia prometido.

Em dois desses tempos tudo era conhecido. O passado já havia sido vivido: no Egito, eles haviam construído túmulos, as pirâmides, símbolos de morte e opressão para glorificar faraós. O presente, se fosse escolhido como permanência, também se tornaria um lugar de morte, pois ficar parado diante do mar seria como construir o próprio túmulo. O futuro, porém, era o lugar onde não seriam erguidos túmulos, mas altares. Altares de adoração ao Deus vivo, o Deus de Israel. Escolher o futuro da promessa era escolher a vida, a liberdade e a adoração.

Mas como marchar sem caminho? Como obedecer quando tudo parece impossível? Marchar significava ver o invisível, confiar na Palavra antes do milagre e crer na promessa antes da abertura do mar. O milagre não veio antes da obediência; ele veio depois. A Bíblia nos mostra que Deus agiu quando Moisés respondeu à ordem do Senhor: “Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar-se o mar por um forte vento oriental toda aquela noite, e o mar se tornou em terra seca, e as águas se dividiram.” Êxodo 14:21 (NAA). O princípio é claro: o povo só marchou porque confiou.

Esse ensinamento continua atual. Muitas pessoas querem ver o caminho aberto antes de obedecer, querem segurança antes da fé, querem garantias antes da entrega. Mas Deus continua dizendo: marche. Dê o primeiro passo. Confie. O caminho se abre enquanto caminhamos. A vida avança quando escolhemos viver guiados não pelo medo do agora nem pela saudade do que passou, mas pela fidelidade daquele que prometeu estar conosco.

A fé não é escolher o passado conhecido nem se render ao medo do presente, mas marchar em direção ao futuro que Deus prometeu, confiando que o caminho se abre para quem decide obedecer.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/dez/25

 

ESCOLHA O CAMINHO CERTO

“E, avisados em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram para a sua terra por outro caminho.”  Mateus 2:12 (NAA)

A Bíblia nos apresenta a vida como um caminho. Todos nós estamos andando por algum deles, fazendo escolhas, tomando decisões e seguindo direções que moldam quem somos e quem nos tornaremos. Desde cedo aprendemos a escolher caminhos que parecem mais fáceis, mais rápidos ou mais seguros aos nossos próprios olhos. No entanto, a Palavra de Deus nos lembra que nem todo caminho que parece bom realmente conduz à vida. “Há caminho que ao ser humano parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” Provérbios 14:12 (NAA). Confiar apenas na própria percepção pode nos afastar da vontade de Deus, mesmo quando as intenções parecem corretas.

Jesus veio ao mundo para nos mostrar que existe um caminho diferente. Ele não apenas apontou uma rota ou ofereceu conselhos morais; Ele se apresentou como o próprio caminho que conduz ao Pai. Em outro momento, Ele afirmou com clareza que esse caminho é seguro porque é guiado pela verdade e pela vida. Trata-se de um caminho estreito, não porque seja cruel ou inacessível, mas porque exige decisão, renúncia e fidelidade. É estreito porque não comporta duplicidade, não permite seguir em duas direções ao mesmo tempo. Ainda assim, é um caminho cheio de graça, pois foi aberto pelo próprio Cristo para que pudéssemos caminhar com esperança e confiança.

A história dos magos do Oriente ilustra essa verdade de forma simples e profunda. Eles saíram de sua terra movidos por uma busca sincera, seguiram a estrela e chegaram até Jesus. Depois desse encontro, algo mudou. A Bíblia diz que, avisados em sonho, eles não voltaram pelo mesmo caminho. Essa mudança de rota não foi apenas uma estratégia para evitar Herodes, mas um sinal de que o encontro com Jesus havia transformado o rumo de suas vidas. Quem encontra Cristo de verdade não consegue seguir exatamente como antes. Há uma nova consciência, um novo olhar e uma nova direção que se impõem naturalmente.

Isso também acontece conosco hoje. Muitas pessoas começam a caminhar pela vida buscando sucesso, reconhecimento, dinheiro ou segurança. Alguns acreditam que a felicidade está em uma carreira bem-sucedida, outros em relacionamentos, outros ainda no acúmulo de bens. No entanto, quando alguém encontra Jesus no meio dessa jornada, percebe que nada disso, por si só, é suficiente para preencher o coração. O encontro com Cristo redefine prioridades, transforma valores e muda a forma de caminhar. Não significa ausência de lutas, mas presença de sentido.

O encontro com Jesus é verdadeiramente transformador porque salvação não é apenas uma promessa futura, mas uma vida que começa a ser renovada agora. É mudança interior que se expressa em atitudes concretas: no perdão que antes parecia impossível, na honestidade em um mundo de atalhos fáceis, na esperança que permanece mesmo em meio às perdas. Essa nova vida não é perfeita, mas é conduzida por Aquele que é fiel.

Andar nesse caminho é viver na presença constante de um Pastor que cuida e protege. Em tempos de incerteza, quando surgem crises familiares, problemas financeiros ou doenças inesperadas, há um abrigo seguro. Jesus se apresenta como aquele que sustenta, orienta e fortalece. Ele também se revela como o Pão vivo que desceu do céu, aquele que alimenta a alma cansada e dá forças para continuar. Em um mundo onde muitos vivem esgotados emocionalmente, esse alimento espiritual se torna essencial para a caminhada diária.

Além disso, nesse caminho a alma encontra descanso. A sede interior, tão comum em nossos dias, é saciada pela fonte das águas vivas. Quantas pessoas tentam aliviar o vazio interior com distrações, vícios ou excesso de trabalho e continuam sedentas? Em Cristo, encontramos uma fonte que não se esgota, uma presença que renova e consola mesmo quando tudo ao redor parece instável.

Andar nesse caminho é experimentar a vida abundante prometida por Jesus. Não significa ter tudo o que se deseja, mas receber tudo o que é necessário para viver com dignidade, fé e esperança. É saber que não se caminha sozinho, pois há um Amigo fiel que permanece ao nosso lado em todos os momentos, guiando cada passo e conduzindo com amor até o Pai.

Encontrar Jesus é permitir que Ele mude o rumo da nossa caminhada, transformando caminhos comuns em uma jornada viva, segura e cheia de sentido.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/dez/25

 

QUANDO A RESPOSTA ESTÁ NO CORAÇÃO

“Disse o Senhor ao meu Senhor: Assente-se à minha direitaLucas 20:42 (NAA)

O que Jesus realmente representa para você? Para muitas pessoas, Ele é apenas um personagem da história, alguém importante do passado, digno de respeito, estudo ou admiração. Alguns o veem como um grande mestre, um filósofo, um poeta ou um líder religioso que deixou bons ensinamentos morais. Seu nascimento é lembrado no dia 25 de dezembro, e sua morte é recordada na Páscoa, muitas vezes cercada de tradições, mesas fartas e encontros familiares. Mas precisamos fazer a pergunta com sinceridade: será que Jesus é apenas isso?

Essa pergunta não é dirigida apenas àqueles que estão fora da igreja. Ela também alcança quem lê e estuda a Bíblia, frequenta cultos, conhece a linguagem da fé e sabe cantar os hinos. Porque uma coisa é conhecer a Escritura; outra bem diferente é se submeter ao Senhor da Escritura. Essa não é apenas uma questão de conhecimento teológico, mas uma questão de rendição do coração.

Essa pergunta, inclusive, não é nova. O próprio Jesus a fez de forma direta e profunda aos líderes religiosos do seu tempo. Em Lucas 20:41–44, Jesus questiona os escribas sobre a identidade do Messias. Eles sabiam que o Cristo seria descendente de Davi, e isso estava correto. A Escritura afirmava isso claramente. O problema é que eles haviam limitado o Messias a um rei apenas humano, político e nacional, alguém que resolveria problemas externos, mas não confrontaria o coração nem exigiria transformação interior.

Jesus então cita o Salmo 110, escrito pelo próprio Davi, onde lemos: “Disse o Senhor ao meu Senhor…”. Com isso, Jesus apresenta uma pergunta simples, mas profunda: se o Messias é filho de Davi, como o próprio Davi o chama de Senhor? Culturalmente e biblicamente, isso era difícil de aceitar, pois um pai jamais chamaria seu descendente de Senhor. Ali estava uma verdade que não cabia na lógica deles.

Jesus não responde a pergunta de forma direta porque o problema não era falta de informação, mas resistência interior. Eles esperavam um Messias que se encaixasse em suas expectativas, em seus esquemas religiosos e em seus projetos de poder. Mas Jesus revela que o Messias é maior do que tudo isso. Ele é Filho de Davi segundo a carne, pois nasceu da sua linhagem, cumprindo a promessa. Mas Ele é Senhor de Davi segundo a sua natureza divina, pois existe antes de Davi e reina acima dele. Ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.

Reconhecer essa verdade exigia mais do que interpretação bíblica. Exigia adoração, submissão e a coragem de admitir que o Messias estava ali, diante deles. Exigia abrir mão do controle e se render. E foi exatamente nesse ponto que muitos se calaram. O silêncio deles revelou que o problema não estava na pergunta, mas no coração.

Essa mesma pergunta continua ecoando hoje. Se Jesus for apenas um personagem da história, podemos analisá-lo, discuti-lo e até admirá-lo à distância. Mas se Ele é Senhor, então nossa resposta precisa ser outra. Senhor não é apenas um título bonito; é alguém que governa, orienta e conduz a vida.

Isso se revela de forma muito prática no nosso dia a dia. Jesus é Senhor apenas no discurso ou também nas decisões? Ele governa apenas os domingos ou também a forma como lidamos com dinheiro, família, perdão, trabalho e escolhas diárias? É possível saber muito sobre Jesus e, ainda assim, não viver debaixo do seu senhorio.

Jesus não deixou essa pergunta sem resposta. Ele a colocou diante do coração de cada um de nós. Não se trata apenas de entender quem Ele é, mas de decidir o que faremos com Ele. Porque, diante de Jesus, não existe neutralidade. Ou Ele é apenas alguém sobre quem falamos, ou Ele é Senhor de quem somos. E somente quem se rende é capaz de responder corretamente.

Conhecer Jesus pode nos informar, mas somente reconhecê-lo como Senhor é o que transforma a nossa vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

26/dez/25

 

 

PORQUE UM MENINO NOS NASCEU

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Isaías 9:6 (NAA)

Não há nada mais frágil do que uma criança, um bebê. Totalmente dependente, incapaz de sobreviver sozinho, precisando de cuidado constante. E é justamente assim que o profeta Isaías anuncia um dos maiores acontecimentos da história: o nascimento do Messias. Deus escolhe começar Sua obra de salvação não com força visível, poder político ou imponência militar, mas com a simplicidade de um menino. Nesse nascimento, estão reunidas a humildade e a humanidade do Salvador. O plano divino não começa de cima para baixo, mas de perto, ao alcance das mãos, do coração e da vida comum.

Quando Isaías declara: “porque um menino nos nasceu”, ele não fala apenas de um fato histórico, mas de um acontecimento carregado de significado pessoal. O uso da palavra “nos” revela propósito e direção. Esse menino nasceu para nós. Para pessoas reais, com dores reais, medos reais e limitações reais. Ele nasce para um povo que andava em trevas, para quem vivia sob a sombra da morte. Não nasce para si mesmo, mas para cumprir um plano de amor que alcança cada pessoa de forma direta e pessoal.

Isaías poderia anunciar um rei poderoso, um conquistador ou um líder imbatível, mas escolhe anunciar um menino. Isso mostra que o Reino de Deus começa de maneira simples e, aos olhos humanos, frágil. Ainda assim, esse menino carrega algo extraordinário: “o governo está sobre os seus ombros”. Ele é verdadeiramente humano, porque nasceu, chorou, cresceu e viveu entre nós. Ao mesmo tempo, é divino, porque sobre Ele repousa toda a autoridade do Reino. Seu governo não se estabelece pela força, mas pela entrega; não pela imposição, mas pelo amor.

O texto também afirma: um filho se nos deu. Aqui, Isaías aprofunda ainda mais a mensagem. Um filho não é apenas alguém que nasce, mas alguém que é oferecido. O verbo dar aponta para a iniciativa amorosa de Deus: o Messias não é resultado do esforço humano, nem recompensa por boas obras, nem fruto da religiosidade. Ele vem como dom. Assim como um presente verdadeiro não é conquistado, mas recebido, o Filho é a expressão máxima do amor de Deus entregue à humanidade. O Messias é dado não porque o homem mereceu, mas porque Deus decidiu amar, oferecendo Sua graça de forma livre, generosa e acessível a todos.

Isso confronta a lógica comum dos nossos dias. Vivemos em uma cultura que valoriza desempenho, mérito e conquista. Desde cedo aprendemos que precisamos provar valor, alcançar metas e merecer reconhecimento. Mas Isaías anuncia algo completamente diferente: a salvação não vem das mãos do homem para Deus, mas das mãos de Deus para o homem. O Filho é dado para iluminar os que estão em trevas e trazer vida aos que vivem sob a sombra da morte.

A expressão “o governo está sobre os seus ombros” também carrega uma imagem profunda. Nos tempos antigos, carregar algo sobre os ombros simbolizava responsabilidade e autoridade. Isaías afirma que todo o peso do Reino repousa sobre o Messias. Não parte dele, não uma divisão de tarefas, mas tudo. Isso inclui o juízo que cabia ao homem, a culpa do pecado, a restauração do relacionamento com Deus e a condução do povo para a vida verdadeira.

Essa verdade traz descanso para os nossos dias. Em um mundo onde pessoas vivem sobrecarregadas, tentando controlar tudo, resolver tudo e sustentar tudo sozinhas, Isaías lembra que o governo não está sobre os nossos ombros. Está sobre os dEle. Não somos nós que carregamos o peso da salvação, do futuro ou da esperança. Ele carrega por nós. Seu governo não oprime, não esmaga, não cansa. Pelo contrário, sustenta, liberta e conduz.

Por isso, o menino recebe nomes que revelam quem Ele é e o que faz: Maravilhoso Conselheiro, porque guia com sabedoria; Deus Forte, porque tem poder para salvar; Pai da Eternidade, porque oferece cuidado permanente; Príncipe da Paz, porque traz reconciliação verdadeira. Esses atributos não são ideias abstratas, mas realidades vivas que se manifestam no Seu ministério, na cruz e na vida daqueles que Nele confiam.

Assim, o nascimento do menino anunciado por Isaías não é apenas uma lembrança distante. É a declaração de que Deus escolheu entrar na nossa história, carregar o nosso peso e iluminar as nossas trevas com a luz da vida.

Deus escolheu salvar o mundo não pela força de um trono, mas pela fragilidade de um menino, mostrando que a verdadeira esperança nasce quando o céu se aproxima do coração humano.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/dez/25


 

O PRESENTE CHAMADO JESUS

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu.”   Isaías 9:6 (NAA)

Para muitas pessoas, o Natal é um tempo marcado por presentes. Dar e receber faz parte dessa celebração, e, para a maioria de nós, isso traz alegria. A própria psicologia reconhece que o ato de presentear está ligado a novos começos. Quando alguém se casa, inicia uma nova fase da vida, damos presentes. Quando visitamos um bebê recém-nascido, quase sempre levamos um presente. Presentes costumam acompanhar novos ciclos, novas histórias e recomeços.

Quando olhamos com atenção para a vida, percebemos que somos constantemente presenteados por Deus. A existência, o fôlego, a criação, as oportunidades e os relacionamentos são dádivas que muitas vezes passam despercebidas. No entanto, acima de todos os presentes, existe um que se destaca de forma única: Jesus. Ele é o maior presente que Deus poderia dar à humanidade. Quem recebe esse presente é profundamente abençoado, não apenas por algo que ganha, mas por uma nova vida que começa.

O nascimento de Jesus marca o início de uma nova fase para toda a humanidade e, de forma pessoal, para cada um que o recebe. Quando Jesus entra em nossa vida, um novo tempo se inicia dentro de nós. Não se trata apenas de uma mudança externa, mas de uma transformação profunda do coração. Por isso o profeta declarou: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu.” Isaías 9:6 (NAA). Jesus não apenas nasceu; Ele foi dado. Ele é um presente oferecido por Deus, carregado de amor e propósito.

Jesus é o presente divino, dado diretamente pelo Pai. Muitas vezes, ao longo da vida, recebemos presentes que não precisamos ou que acabam não sendo úteis. Alguns ficam guardados, outros são esquecidos. Com Jesus, isso não acontece. Nós precisamos dEle. Deus sabe exatamente do que o ser humano necessita, e por isso nos deu Jesus. Sem Ele, estamos perdidos, sem direção e sem esperança eterna – sem vida eterna.

A Bíblia afirma claramente que a vida verdadeira está em Jesus. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.” João 1:12 (NAA). Precisamos de Jesus para nos tornarmos filhos de Deus, para termos um relacionamento restaurado com o Pai e para experimentar a vida eterna. Sem esse presente, não há como alcançar aquilo que o coração humano mais deseja: sentido, perdão e esperança.

Jesus também é o presente que funciona. Quem nunca recebeu algo e precisou ler um manual complicado para entender como usar? Ou então um presente que parecia bom, mas não cumpria o que prometia? Com Jesus é diferente. Ele é plenamente funcional na vida de quem o recebe. A Palavra diz: “O povo que andava em trevas viu uma grande luz.” Isaías 9:2 (NAA). A humanidade precisava de luz, e Jesus veio para iluminar caminhos escuros, trazer alegria ao coração aflito e libertação ao que estava preso. Onde Jesus entra, a vida começa a fazer sentido.

Jesus é, ainda, o presente que dura para sempre. Muitos presentes que damos ou recebemos são passageiros: com o tempo se desgastam, quebram ou perdem o valor. Jesus não é assim. Quando O recebemos, Ele passa a caminhar conosco nesta vida, no dia a dia, nas alegrias e nas lutas, e permanece conosco além dela, por toda a eternidade. O próprio Senhor afirmou: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu não teria dito que vou preparar lugar para vocês.” João 14:2 (NAA). E completa logo em seguida: “E, quando eu for e preparar lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também.” João 14:3 (NAA). Isso deixa claro que Jesus não é apenas um presente para nos ajudar aqui, mas o presente que nos conduz a estar com Ele para sempre. Receber Jesus é experimentar Sua presença agora e ter a certeza de uma eternidade ao Seu lado.

Ele também é o presente que não merecemos. Ao longo da vida, damos e recebemos presentes, alguns merecidos, outros não. No caso de Jesus, nenhum de nós poderia dizer que merecia. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito.” João 3:16 (NAA). A razão desse presente não está em nós, mas no coração amoroso de Deus. E esse presente não veio de forma distante, pois Jesus declarou: “Eu e o Pai somos um.” João 10:30 (NAA). Ao nos dar Jesus, Deus se deu a Si mesmo.

O Natal não celebra apenas um presente simbólico, mas Deus se aproximando de nós. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” João 1:14 (NAA). É Deus entrando na história humana para caminhar conosco.

Jesus é o presente que quem recebe não troca por nada. Muitas vezes, ao ganharmos um presente, a própria pessoa que nos deu avisa: “Se não gostar, tem um cupom de troca aí dentro.” Isso é comum, porque nem todo presente agrada, nem todo presente supre o que precisamos. Com Jesus não é assim. Quem O recebe não procura substituição, não pensa em troca e não sente vontade de devolvê-Lo.

Certa vez, após ouvir palavras difíceis, muitos abandonaram Jesus. Então Ele perguntou aos discípulos: “Vocês também querem se retirar?” Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós?” João 6:68 (NAA). Essa resposta revela que quem encontra Jesus entende que não há alternativa melhor, não há outro caminho e não há outro presente que possa ocupar o Seu lugar. Não existe troca possível, porque Jesus é tudo o que precisamos.

Você já recebeu esse presente hoje? Se ainda não, hoje é o dia certo para isso. A Bíblia nos lembra que hoje é dia de salvação, hoje é o dia oportuno para abrir o coração e receber aquilo que Deus oferece com amor. Receber Jesus não é apenas aderir a uma ideia ou tradição, mas acolher o maior presente que alguém pode ganhar. Hoje pode ser o dia de um novo começo, de uma vida transformada e de uma esperança renovada. Hoje é dia de receber esse presente.

O Natal revela que o maior presente não é algo que Deus fez por nós, mas Aquele que Ele decidiu nos dar: Jesus, o presente eterno que transforma, permanece e jamais perde o valor.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/dez/25

 

NOSSA ESPADA É A PALAVRA

“Deixem isso; basta!”  Lucas 22:51 (NAA)

O capítulo 22 do Evangelho de Lucas apresenta um ensino profundo e muito atual sobre como o Reino de Deus avança em meio aos conflitos. A repetição da palavra “espada” ao longo do texto não é acidental. Pelo contrário, Lucas conduz o leitor por um caminho pedagógico que revela, passo a passo, que a violência nunca foi, nem será, o método do Reino. O Evangelho não prospera pela força humana, mas pelo poder do Espírito Santo. “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” Zacarias 4:6 (NAA)

Tudo começa com uma fala de Jesus que, à primeira vista, causa estranheza: “E aquele que não tem espada venda a sua capa e compre uma.”  Lucas 22:36 (NAA). Essa ordem não pode ser lida de forma isolada nem literal. Jesus está às vésperas da cruz e anuncia uma mudança de cenário. Até então, os discípulos haviam experimentado acolhimento, provisão e certa tranquilidade. Agora, Ele deixa claro que virão oposição, rejeição e perseguição. A espada, nesse contexto, não aponta para um método de defesa armada, mas simboliza a gravidade do momento e o conflito que se aproxima. Jesus não está ensinando a ferir, mas a estar consciente de que o caminho do Reino passa pela cruz.

A reação dos discípulos mostra como ainda não compreendiam plenamente esse ensino. Eles respondem: “Senhor, eis aqui duas espadas.”  Lucas 22:38 (NAA). A resposta de Jesus é curta e decisiva: “Basta”. Com essa palavra, Ele encerra o assunto e estabelece um limite claro.

Se a intenção fosse realmente armar o grupo, duas espadas seriam totalmente insuficientes. O “basta” de Jesus revela uma reprovação silenciosa e amorosa, deixando evidente que os discípulos haviam entendido mal Sua fala. Quantas vezes isso também acontece conosco, quando reagimos de forma literal, impulsiva e humana a ensinamentos que pedem discernimento espiritual?

Pouco depois, no Getsêmani, o conflito se torna real. Diante da chegada dos que vinham prender Jesus, os discípulos perguntam: “Senhor, feriremos à espada?” Lucas 22:49 (NAA). Antes mesmo de aguardarem a resposta, um deles age e fere o servo do sumo sacerdote.

Aqui aparecem claramente o medo, a confusão e a reação instintiva diante do perigo. É a tentativa humana de resolver uma crise espiritual com ferramentas erradas. Essa atitude está longe de ser incomum em nossos dias. Muitas pessoas ainda tentam vencer discussões pela agressividade, no grito, respondem ofensas com ódio ou procuram defender a fé por meio de ataques verbais, especialmente nas redes sociais, como se a verdade precisasse ser imposta. Agem como se Deus necessitasse de advogado, quando, na realidade, Ele continua sendo plenamente capaz de sustentar Sua própria verdade pelo poder do Seu Espírito.

Jesus intervém imediatamente e traz a correção definitiva: “Deixem isso; basta!” Lucas 22:51 (NAA). Em seguida, Ele toca no ferido e o cura. Esse gesto fala mais alto do que qualquer discurso. Jesus rejeita a violência, restaura o que foi quebrado e reafirma que Seu Reino não avança pela força. Logo depois, Ele questiona os que O prendem: “Vocês vieram com espadas e porretes, como para prender um salteador?”  Lucas 22:52 (NAA). Com isso, expõe a incoerência da situação e redefine completamente o significado da espada naquele contexto.

Ao longo desses versículos, fica claro que Lucas constrói um caminho de aprendizado. Primeiro, há o anúncio do conflito. Depois, a má interpretação humana. Em seguida, o uso indevido da força. Por fim, a correção de Jesus acompanhada de restauração.

O leitor é conduzido à conclusão correta: a espada não pertence ao método do Reino de Deus. O Reino enfrenta conflitos reais, mas vence por meio do sacrifício, da obediência e do amor, não pela reação violenta.

Esse ensino é extremamente necessário para os nossos dias. Vivemos em um mundo marcado por polarizações, agressividade verbal e respostas impulsivas. Dentro e fora da igreja, muitas vezes somos tentados a “usar a espada” para impor opiniões, defender posições ou vencer debates. No entanto, o caminho de Jesus continua sendo o mesmo. A verdadeira força do cristão não está na imposição, mas no testemunho. Não está no ataque, mas na fidelidade.

À luz de todo o Novo Testamento, compreendemos que a única espada legítima do discípulo é espiritual. A Palavra de Deus é viva, eficaz e transformadora, capaz de alcançar o coração humano sem ferir, de confrontar sem destruir e de iluminar sem gerar morte. É com essa espada que o cristão é chamado a caminhar, anunciando a verdade com amor, vivendo o Evangelho com coerência e confiando que é Deus quem realiza a obra.

O Reino de Deus não avança pela lâmina da violência, mas pela luz da Palavra vivida em amor, obediência e confiança no agir de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/dez/25


 

NA ÁGUA OU NO FOGO?

“Mas eu roguei por você, para que a sua fé não desfaleça; e você, quando voltar para mim, fortaleça os seus irmãos.”  Lucas 22:32 (NAA)

A história de Pedro é uma das mais humanas e realistas entre os discípulos de Jesus. Ele não foi escolhido por ser perfeito, estável ou seguro de si, mas justamente por carregar contradições profundas. Sua vida foi marcada por altos e baixos, coragem e medo, fé vibrante e quedas dolorosas. Pedro representa bem aquilo que somos: pessoas sinceras, mas inconstantes; cheias de boas intenções, mas também de fragilidades.

Antes de Jesus mudar seu nome, Pedro se chamava Simão. Foi o próprio Jesus quem declarou: Você é Simão, filho de João; você será chamado Cefas (que quer dizer Pedro). João 1:42 (NAA)

Essa mudança não foi apenas simbólica. Jesus não estava dando um apelido, mas revelando identidade e destino. Simão descrevia quem ele era naquele momento: instável, impulsivo, inseguro. Pedro apontava para quem ele se tornaria: alguém firme, fortalecido pela graça e usado por Deus. Jesus viu em Pedro algo que ele mesmo ainda não conseguia enxergar. Isso nos ensina que Deus não nos chama apenas pelo que somos, mas pelo que Ele pretende fazer de nós.

Mesmo caminhando ao lado de Jesus, ouvindo Seus ensinamentos e presenciando milagres, Pedro ainda carregava lutas internas. Sua mente e seu coração precisavam de uma transformação profunda. Em muitos momentos, ele colocou sua racionalidade à frente da fé, sua autoconfiança acima da dependência de Deus. Prometia fidelidade até a morte, mas poucas horas depois negava conhecer o Mestre. Declarava amor com fervor, mas cedia ao medo diante da pressão.

A Bíblia não esconde essas falhas porque elas fazem parte do processo. Pedro não caiu porque era falso, mas porque ainda era imaturo. Sua fé era real, porém frágil. Quantas vezes isso também acontece conosco? Quantas vezes amamos a Jesus sinceramente, mas falhamos quando somos confrontados? Quantas vezes prometemos mais do que conseguimos cumprir? Quantas vezes damos passos de fé e, logo depois, recuamos por medo?

Jesus conhecia Pedro profundamente. Sabia da queda que viria, mas também da restauração que se seguiria. Por isso, não disse: “Se você voltar”, mas “quando você voltar”. A restauração já estava no plano. O chamado não era apenas para retornar, mas para retornar transformado. Aquele que experimentasse a própria fraqueza e o perdão seria capaz de fortalecer outros.

Essa palavra atravessa o tempo e chega até nós hoje. Há muito de Pedro em mim e em você. Há o Pedro que ama Jesus, mas também o Pedro que age por impulso. O Pedro que começa bem, mas se perde no caminho. O Pedro que quer andar pela fé, mas calcula demais. Quantas vezes colocamos a razão à frente da confiança? Quantas vezes o medo fala mais alto do que a esperança?

Ainda assim, Jesus não nos descarta. Ele ora por nós, caminha conosco e nos chama de volta. Cada tropeço se torna uma oportunidade de amadurecimento. Cada retorno, um novo começo. Quando voltamos quebrantados, mais conscientes da nossa dependência, nos tornamos instrumentos de graça na vida de outros.

Foi exatamente isso que aconteceu com Pedro. Depois de sua conversão genuína, ele se tornou um dos pilares da igreja em Jerusalém. O homem que antes negou Jesus agora pregava com autoridade. No primeiro sermão após a descida do Espírito Santo, milhares foram alcançados. Aquele coração inconstante foi fortalecido pelo poder de Deus.

Isso também vale para os nossos dias. Não é a ausência de quedas que nos define, mas a disposição de voltar. Não é a força própria que nos sustenta, mas a graça de Deus. Quando somos cheios do Espírito Santo, nossa fraqueza se transforma em testemunho, e nossa história passa a fortalecer outros.

Deus não usa pessoas perfeitas, mas pessoas que voltam; porque quem experimenta a graça na própria fraqueza se torna força nas mãos de Deus para sustentar outros.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/dez/25

 

OU VOCÊ CAI SOBRE A PEDRA OU ELA CAIRÁ SOBRE VOCÊ

“Uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmigalhou.” Daniel 2:34 (NAA)

A estátua do sonho de Nabucodonosor apresenta uma imagem clara dos governos humanos, de sua força e de seu poder, ainda que marcados pela decadência ao longo do tempo. Ela revela a grandiosidade das construções humanas, mas também expõe sua fragilidade. Por mais impressionantes que pareçam, todos os impérios levantados pelos homens estão sujeitos ao tempo, à corrupção e ao fim. Acima de tudo, o sonho revela que existe um poder infinitamente maior, que está acima de toda obra humana.

Bastou uma pedra, cortada sem o auxílio de mãos humanas, para atingir os pés da estátua e reduzi-la completamente a pó. Essa pedra representa um Reino que não tem origem humana, mas divina. Ao atingir justamente a base da estátua, ela demonstra que todo sistema humano, por mais sólido que pareça, é frágil diante do Reino de Deus. Enquanto os reinos dos homens são passageiros, o Reino que vem do Senhor é eterno e inabalável.

Essa mesma imagem é retomada por Jesus em Lucas 20, quando Ele se apresenta como a Pedra enviada por Deus. Ao falar aos escribas e fariseus no templo, Jesus aplica a si mesmo a metáfora da pedra e revela que rejeitá-lo é rejeitar o próprio governo de Deus. Assim como em Daniel, a Pedra confronta e julga os poderes humanos, não apenas políticos, mas espirituais e religiosos. “Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.” Lucas 20:18 (NAA)

Jesus aprofunda essa revelação ao mostrar que existem apenas duas reações possíveis diante da Pedra. Ou alguém cai sobre ela, ou a Pedra cai sobre ele. Não há uma terceira opção. Não existe neutralidade diante de Cristo.

Cair sobre a Pedra é escolher o caminho do quebrantamento, do arrependimento e da rendição. É um encontro que dói, porque expõe e derruba o orgulho, a autossuficiência, a hipocrisia e os falsos fundamentos sobre os quais muitas vezes construímos a vida.

“Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, ó Deus, não desprezarás.” Salmos 51:17 (NAA). Esse texto revela que Deus não rejeita o coração que se rende. O quebrantamento que Ele acolhe não destrói, mas transforma. É nesse lugar que a graça encontra espaço para agir, e onde a rendição se torna o início de uma vida restaurada e conduzida por Deus.

Cair sobre a Pedra é perder para o mundo para, então, ganhar para Deus – é vida eterna. É abrir mão do controle, da autossuficiência e do orgulho para encontrar graça, perdão e uma nova vida em Cristo. O quebrantamento diante da Pedra não destrói o que é eterno; ele remove apenas o que é passageiro. Não aniquila, mas reconstrói. É nesse lugar de rendição que o velho homem morre e uma nova vida nasce — uma vida que já não pertence a si mesma, mas pertence inteiramente a Deus.

Por outro lado, ser atingido pela Pedra é permanecer endurecido, resistindo ao governo de Cristo até que chegue o dia do juízo. Em Daniel, a estátua não se rende e, por isso, é completamente destruída. Em Lucas, Jesus deixa claro que ainda há oportunidade de quebrantamento antes do juízo definitivo. A mesma Pedra que oferece salvação aos que se rendem é a que julga os que a rejeitam.

Diante de Cristo, só há dois caminhos. Ou escolhemos o quebrantamento que conduz à vida, ou o endurecimento que conduz ao juízo. A Pedra permanece. Os reinos passam. E a decisão é inevitável.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/dez/25

 

O SOFRIMENTO NÃO CALA O TESTEMUNHO

“E vos acontecerá isso para testemunho.” Lucas 21:12,13 (ARC)

Vivemos dias em que muitas pessoas estão enfrentando sofrimentos profundos. Há quem lute contra enfermidades que parecem não ter fim, quem esteja sufocado por dificuldades financeiras, quem carregue dores emocionais silenciosas ou enfrente crises familiares e espirituais. Em momentos assim, surgem perguntas difíceis: vale a pena continuar crendo? Onde está Deus no meio de tudo isso? O que fazer quando as forças parecem acabar? A Palavra de Deus não ignora essas perguntas, e Lucas 21 nos ajuda a enxergar o sofrimento por uma perspectiva diferente.

Jesus nunca prometeu aos seus discípulos uma vida sem dor. Pelo contrário, Ele foi honesto ao dizer que haveria perseguições, rejeições, prisões e perdas. Antes de falar sobre o fim dos tempos, Jesus afirma: “Antes, porém, de todas essas coisas, lançarão as mãos sobre vocês e os perseguirão” (Lucas 21:12, NAA). Em seguida, Ele faz uma declaração surpreendente: “E isto lhes acontecerá para testemunho” (Lucas 21:13, NAA). Ou seja, aquilo que parece derrota, Deus pode transformar em testemunho.

Isso muda completamente a forma como olhamos para o sofrimento. Jesus não romantiza a dor, mas também não a trata como algo inútil. Ele revela que as provações podem se tornar palco da manifestação da fé. Não é apenas sobre falar de Deus, mas sobre revelar quem Deus é por meio de uma vida que permanece fiel mesmo quando tudo parece contrário.

Nos dias de hoje, vemos isso com clareza. Penso em um filho que acompanha sua mãe em um leito de CTI — uma realidade que temos vivido de perto em nossa igreja — e que, ainda assim, escolhe continuar confiando em Deus. Ou em uma família que passa por dificuldades financeiras, mas escolhe manter a honestidade, a fé e a esperança. Ou ainda em alguém injustiçado, que poderia revidar com ódio, mas decide responder com graça. Essas atitudes falam mais alto do que muitos discursos. Elas se tornam testemunho vivo.

Mais adiante, Jesus diz algo ainda mais profundo: “É na perseverança que vocês ganharão a sua alma” (Lucas 21:19, NAA). Aqui, Ele não está falando de merecer a salvação por esforço próprio, mas do resultado de uma fé que permanece firme. Perseverar não é ser passivo, nem fingir que não dói. Perseverar é continuar confiando, mesmo chorando; é seguir em frente, mesmo com medo; é permanecer em Deus, mesmo sem entender tudo.

O mundo diz: “Salve-se como puder, custe o que custar.” Jesus diz o oposto: “Permaneça fiel, custe o que custar.” No Reino de Deus, a vida verdadeira não é preservada pela fuga do sofrimento, mas pela fidelidade a Deus no sofrimento. Pode-se perder bens, segurança, status e até a própria liberdade, mas quem persevera não perde a alma.

Essa verdade tem uma ligação direta com a cruz. Aos olhos humanos, a cruz foi o maior fracasso da história. Um Messias crucificado parecia o fim de tudo. Mas foi ali que Deus revelou Seu maior testemunho de amor, justiça e redenção. Jesus perseverou até o fim. Ele entregou tudo. E, por meio da cruz, veio a ressurreição. Aquilo que parecia derrota tornou-se vitória eterna.

Assim, Jesus ensina aos seus discípulos — a mim e a você — que o sofrimento não precisa ser o fim da história. Ele pode ser o lugar onde Deus se revela de maneira mais profunda. Quando tudo vai bem, a fé passa despercebida. Quando tudo vai mal e, ainda assim, alguém permanece fiel, isso testemunha algo que palavras não conseguem explicar. Enquanto o mundo espera desespero, Cristo produz esperança.

Lucas 21 nos revela uma lógica invertida do Reino. A vida não se ganha segurando tudo, mas entregando. Quem confia totalmente em Deus aprende a perseverar. Quem persevera testemunha. E quem caminha por essa estrada descobre que a alma, guardada por Deus, jamais se perde. O sofrimento não cala o testemunho. Pelo contrário, ele o amplifica.

Quando a fé permanece em meio à dor, o sofrimento deixa de ser derrota e se transforma em testemunho vivo da esperança que só Cristo pode gerar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/dez/25

 

JESUS VÊ VIDA, A VERDADEIRA

“Jesus estava observando e viu os ricos que lançavam seu dinheiro na caixa de ofertas. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas.” Lucas 21:1-2 (NAA)

Neste mês, tenho morado em um endereço especial. Não é uma rua, nem uma casa física, mas um lugar onde tenho encontrado descanso e direção: o Evangelho do Senhor Jesus Cristo segundo Lucas. A cada mês, procuro “mudar de endereço”, mergulhando em um livro das Escrituras, e muitas das reflexões que compartilho com os irmãos nascem das experiências que o Senhor tem me concedido ali. Neste tempo, tenho caminhado com Lucas, e hoje, em especial, descansei nas recâmaras do capítulo 21.

Esse capítulo começa com uma cena simples, quase invisível aos olhos humanos. Jesus está no templo e levanta os olhos para observar as pessoas. Esse detalhe é precioso. Quando Jesus olha, Ele não vê como nós vemos. Nada escapa ao Seu olhar. Ele percebe não apenas gestos visíveis, mas sentimentos silenciosos, histórias escondidas, intenções profundas. Seu olhar atravessa a aparência e alcança o coração.

Lucas registra que Jesus viu uma viúva pobre lançando duas pequenas moedas no tesouro. Logo em seguida, Ele afirma: “Esta viúva pobre deu mais do que todos” (Lucas 21:3, NAA). Humanamente, isso não faz sentido. Outros haviam dado muito mais em valor. Mas Jesus não mede como nós medimos. Ele não estava avaliando quantidades, mas entrega. Não observava apenas o que foi colocado naquela caixa, mas o que ficou no coração.

Naquela observação, Jesus sabia que aquela mulher era viúva, sabia que era pobre e sabia que havia dado tudo o que possuía para viver. Como Ele poderia ter todas essas informações apenas olhando? Porque Seu olhar não é comum. Somente o Filho de Deus, que tudo vê, pode discernir não apenas a oferta, mas a condição da alma, a história de vida e a intenção do coração. Jesus não via moedas; Ele via fé, dependência e confiança total em Deus.

Vivemos dias em que somos constantemente avaliados por aparência, desempenho e números. Valemos pelo que produzimos, pelo que mostramos ou pelo que acumulamos. Mas o Reino de Deus funciona de outra forma. Jesus nos ensina que o valor de uma vida não está no quanto se possui, mas no quanto se confia. Aquela viúva não fez discurso, não chamou atenção, não buscou reconhecimento. Seu gesto foi silencioso, mas aos olhos de Jesus, foi grandioso.

Quando Jesus diz que ela deu tudo o que possuía, é impossível não perceber uma ligação profunda com Seu próprio caminho. Aquela mulher entregou tudo o que tinha para viver. Pouco tempo depois, o próprio Jesus entregaria tudo o que era. Ele daria Sua vida. O gesto daquela viúva ecoava, de forma simples e silenciosa, o princípio que conduziria Jesus até a cruz.

Há aqui uma identificação poderosa. Uma mulher à margem da sociedade, frágil aos olhos humanos, refletia o mesmo princípio que marcaria a obra do Salvador: entrega total. Jesus também seria rejeitado, desprezado e considerado sem valor. E, ainda assim, daria tudo. Na cruz, Ele não reteve nada. Sua entrega foi completa, voluntária e amorosa.

Isso nos fala diretamente hoje. Em um mundo que ensina a guardar, acumular e se proteger a qualquer custo, Jesus nos convida a confiar. A viúva confiou seu sustento. Jesus confiou Sua própria vida. Ambos nos mostram que a verdadeira segurança não está no que seguramos, mas em quem entregamos nossa vida.

Talvez, aos olhos humanos, a oferta daquela mulher tenha parecido pequena. Talvez, aos olhos do mundo, a cruz tenha parecido derrota. Mas o olhar de Jesus revela outra realidade. Onde o mundo vê perda, Deus vê fé. Onde o mundo vê fim, Deus prepara ressurreição.

Lucas 21 nos lembra que nada escapa ao olhar do Senhor. Ele vê quando ninguém vê. Ele reconhece entregas silenciosas. Ele honra corações inteiros. E nos convida a viver uma fé que não se mede pelo que sobra, mas pelo quanto confiamos nEle.

O Reino de Deus não se revela no quanto damos, mas no quanto confiamos; onde há entrega total, Jesus vê vida verdadeira.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/dez/25


  QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA) A d...